Avalanche Tricolor: já dizia o Tio Ernesto

 

Juventude 2×0 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul

 

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Domingo tem a volta, gente! – foto de Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Paga-se um preço por construir equipe competitiva e disposta a vencer tudo que está no seu caminho. Chega-se a uma decisão aqui e outra acolá. Tem jogo difícil na terça, na quinta e, como já se sabe, nos próximos dias, também. Por mais que o time seja preparado, treinado, descansado … chega uma hora que não se consegue driblar o calendário nem o adversário.

 

Não bastasse tudo isso ainda tinha uma caxumba no meio do caminho que, nesta quinta-feira, tirou nosso melhor zagueiro de campo. E (com todo respeito aos demais envolvidos) como fez falta Geromel.

 

Hoje pagamos mais caro do que precisávamos. Mesmo com parte do time titular assistindo ao jogo no banco, tínhamos potencial para muito mais. A impressão que fiquei, porém, é que a própria escolha por uma equipe mista tenha feito com que alguns jogadores tenham entendido errado o recado e, em lugar da intensidade que sempre nos marcou, se buscou cadenciar a partida.

 

E como dizia Tio Ernesto: “não da pra bobear contra os gringos”.

 

Não pense, também, que nesta Avalanche vai alguma desculpa para o resultado negativo desta noite de quinta-feira. Até porque este jogo só termina no domingo, lá na Arena, quando teremos excelente teste para conhecermos melhor a capacidade de recuperação deste time.

 

E como, também, dizia Tio Ernesto: “não tá morto quem peleia”.

Lições de Monte Carlo, Brasília e Osasco

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Na tarde de domingo, na final do ATP de Monte Carlo, onde Nadal ao vencer o francês Monfils se igualava a Djokovic em número de conquistas de torneio deste nível, com a 28ª vitória, Dácio Campos ao cobrir o evento pelo SPORTV criou um meme explosivo.

 

Diante de imagens dos camarotes onde a realeza de Mônaco era destaque, Dácio enalteceu os ricos, afirmando que através deles o pobre pode ficar menos pobre, ingressando na classe média através dos investimentos nas áreas produtivas realizados pelos ricos.

 

Os memes apareceram e o UOL Esporte foi confirmar, e Campos, que já tinha comparado Nadal a Moro, não fugiu à responsabilidade, reiterando a opinião.

 

Em Brasília, o evento político da votação na Câmara pelo impedimento da Presidenta, superou a tradicional espetacularização devido ao esdrúxulo desempenho dos deputados. Um desastre oral, funcional e léxico.

 

À The Economist, como a mídia geral, ficou claro que a ocultação das contas do governo pela Presidenta, tema do impedimento, não foi citado, enquanto os interesses pessoais foram a tônica dos votos. A revista, que há poucos dias publicou matéria defendendo o impedimento, ao mesmo tempo em que lembrou a necessidade de eleições gerais, teve a prova de que estava certa.

 

Se a cara da política brasileira era escancarada ao Mundo, no início da noite em Osasco, o nosso velho e saudoso futebol incorporou no time do Audax. A goleada sobre o SPFC teve 462 passes certos contra 215 e 33 errados para ambos. Um show, com alegria, talento individual e sintonia coletiva.

 

Se Dácio Campos pode externar sua opinião, se o Audax pode incorporar o verdadeiro futebol brasileiro, não há dúvida; o que é inadmissível é a exorbitância do êxtase a que fomos submetidos no espetáculo de Brasília.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: fizemos por merecer

 

Grêmio 1x 0Toluca
Libertadores – Arena Grêmio

 

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O gigante Ramiro marca o gol aos 15min na foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

A sensação de assistir à partida pela Libertadores sem a tensão da busca pelo resultado é incomum. Verdade que esta tranquilidade só pode ser conquistada porque muito esforço, suor e talento foram despendidos até aqui. Sofremos na primeira, na segunda e em todas as demais rodadas desta competição porque assim é a Libertadores. Superamos todos os desafios impostos por adversários considerados pelos críticos, assim que os grupos foram sorteados, como os mais difíceis a serem vencidos. E nos demos ao luxo de chegar a esta última partida da fase classificados, sem riscos e ainda jogando diante da torcida.

 

A tranquilidade desta noite se construiu, também, quando a bola começou a rolar, pois fomos capazes de impor o futebol que tem sido nossa marca desde que Roger assumiu o comando da equipe: marcação intensa, sem espaço para o adversário, toque de bola veloz, muita aproximação e deslocamento.

 

Tenho chamado atenção também para outro fator que se repete jogo após jogo, ao menos a seis jogos seguidos: gols marcados nos primeiros 15 minutos. Hoje, após alguns chutes sem muita pretensão, quando o relógio já se aproximava do primeiro quarto de hora, diante de forte marcação do adversário, e depois uma série de troca de passes com presença de quase toda a equipe, Luan e Ramiro protagonizaram belíssima jogada feita de categoria e atitude.

 

Luan, como sempre, com a bola dominada no pé e a cabeça erguida, deu um passe magistral, foi talentoso e preciso. Ramiro, redescoberto lateral, se agigantou entre os zagueiros. Antes de disparar para dentro da área acenou para seu companheiro de equipe e surpreendeu a todos. Um golaço para tornar a noite ainda mais tranquila.

 

Uma noite tão tranquila que consegui, pela primeira vez neste ano, escrever esta Avalanche durante o segundo tempo da partida. Eu merecia. Nós fizemos por merecer.

 

Mas, como diria Tio Ernesto, é bom não acostumar, porque daqui pra frente só tem decisão.

Avalanche Tricolor: alguém aí tinha medo de jogar no Grupo da Morte?

 

LDU 2×3 Grêmio
Libertadores – Estádio Casa Blanca,Quito(Equador)

 

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Festa nas alturas, foto de Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Desde a classificação às oitavas-de-final, na noite de ontem, até o momento em que começo a escrever este texto, já se passaram muito mais horas do que geralmente costumam passar quando transcrevo para esta Avalanche a história escrita pelo Grêmio em campo.

 

A partida se encerrou tarde e prendeu minha atenção até muitos minutos depois do jogo, dada a tensão e emoção provocadas pelo desempenho gremista na altitude de Quito. Difícil colocar a cabeça no travesseiro logo após o apito final do árbitro, enquanto o coração ainda bate acelerado e sabendo que se tem de madrugar para trabalhar no dia seguinte. E o dia seguinte começou sob um turbilhão de informações no campo político e uma dezena de obrigações profissionais. Sim, a cobertura jornalística também está tensa e emocionante.

 

Nada, porém, seria capaz de me impedir de compartilhar com você, caro e raro leitor desta Avalanche, a satisfação de ver o Grêmio jogar com a maturidade com que jogou. Momentos como os vividos na noite dessa quarta-feira precisam ser saboreados. Porque não resultaram do acaso, do imponderável que muitas vezes cruza nosso caminho – a favor e contra. São fruto do planejamento; de um time que teve paciência para se reconstruir no início de temporada, da persistência para preservar seus valores; do cuidado em recolocar as peças no lugar; e da sensibilidade para preparar a cabeça (e o pulmão) de jovens e veteranos para os desafios que teriam de enfrentar.

 

O temor da altitude, justificável pelos transtornos gerados nos times da planície que são obrigados a jogar lá no alto da montanha, foi driblado com maestria, chegando-se cedo, tomando todos os cuidados possíveis e jogando com inteligência. Os mesmos fatores que permitiram que se superasse o prejuízo provocado pelo gramado encharcado.

 

Claro que altitude e charque atrapalham muito e oferecem vantagens ao adversário. Sempre vão exigir, como exigiram, esforço extra, superação e muita confiança. Porém se somarmos talento, planejamento e coragem seremos, como fomos, capazes de vencer a todos.

 

Dos muitos aspectos que me agradaram, está o fato de termos sabido substituir o medo da altitude pelo respeito, o que nos permitiu jogar de forma mais confortável mesmo diante da pressão adversária. Soubemos fazer a bola passar de pé em pé, esticando-a para fugir das poças d’água e encurtado-a para chegar na área, onde o campo parecia mais seco. Houve eficiência, também, pois atacamos duas vezes e marcamos nas duas – aliás, você já percebeu que pelo quinto jogo consecutivo marcamos antes dos 15 minutos. Ainda tivemos maturidade, a medida que mesmo com a ameaça no início do segundo tempo, mantivemos o controle, a ponto de ampliarmos a vantagem no placar. E diante de alguns sustos, soubemos nos defender.

 

O conjunto desta obra, orquestrada por Roger, permitiu que, com uma rodada de antecedência, o Grêmio já esteja classificado à próxima fase da Libertadores. Se alguém pensou que ter caído no grupo da morte seria fatal para as pretensões gremistas, esqueceu da escrita de nossa imortalidade.

Avalanche Tricolor: gols cedo e inteligência para jogar

 

Grêmio 4×1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Festa em mais um gol  na foto de Richard Ducker/Framephoto/Divulgação

 

Em dois minutos de jogo, Geromel já havia marcado o primeiro gol. Fizemos outros depois com Bobô, Giuliano e Pedro Rocha; tomamos um, também. Mas quero focar nossa conversa, agora, nesse gol inicial. Pois, para mim, sinaliza um padrão de comportamento.

 

Com forte intensidade e marcação na saída de bola, o Grêmio tem feito gols logo cedo. Sem forçar a memória, em todas as últimas partidas deste campeonato começamos a construir o resultado antes dos primeiros 15 minutos.

 

Contra o Juventude, marcamos aos 3; contra o Passo Fundo, aos 6; e contra o Lajeadense, aos 13 minutos. Se você pesquisar um pouco talvez encontre outras partidas em que os gols saíram no início do jogo.

 

Verdade que nem sempre isso significou vida fácil, haja vista o que assistimos no fim de semana passado. Mas, certamente, o Grêmio de Roger tem demonstrado um jeito interessante de ser em campo.

 

E neste futebol qualificado, outro aspecto me chama atenção: a inteligência na forma de jogar. A maneira com que se cadenciou o jogo, logo após o susto no início do segundo tempo, mantendo o domínio da bola e trocando passes na tentativa de se livrar da marcação adversária, foi um dos sinais dessa inteligência.

 

Na partida desta quarta-feira, outros lances ratificam esta minha percepção: no segundo gol, o drible de Giuliano e a calma para permitir a chegada de Bobô; no terceiro, o passe incrível de Lincoln no que, antigamente, chamamos de ponto futuro, muito bem aproveitado por Marcelo Hermes; no quarto, a visão de Luan fez com que Pedro Rocha surgisse livre diante do goleiro, e o próprio Pedro Rocha foi inteligente o suficiente para apenas “dar um tapa” na bola.

 

Com intensidade, gols marcados cedo e inteligência, o Grêmio segue em frente no Campeonato Gaúcho, onde já está na semifinal, e arruma as malas para mais uma decisão na Libertadores.

Avalanche Tricolor: o gol de Luan vale bem mais do que um empate

 

Grêmio 2×2 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan comemora golaço de falta, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vamos convir que o jogo pelo jogo pouca coisa nos valia. A classificação estava garantida e a liderança, também. Méritos que construímos ao longo do campeonato, disputado, não vamos esquecer, em paralelo com a mais importante das competições: a Libertadores, onde se encontra apenas a elite do futebol sul-americano.

 

Independentemente da qualificação da partida, do quanto acrescentaria no nosso currículo e de estarmos apenas com parte do time titular em campo, vamos combinar que não gostamos nunca de perder (nem em treino), especialmente dentro de casa. Por isso, a virada que tomamos no segundo tempo deixava um sabor amargo, neste fim de domingo, principalmente porque havíamos dado sinais de vitalidade no primeiro tempo e não aproveitamos as chances de gols construídas.

 

Mesmo com o resultado negativo, havia pontos positivos: Wallace Oliveira e Giuliano de volta aos gramados, por exemplo, nos ofereciam alternativas para a construção do time, mesmo que o desempenho deles não estivesse a altura do que são capazes de dar à equipe. No caso dos dois, porém, o mais importante é estarem disponíveis no grupo novamente, aumentando as opções para Roger.

 

Wallace, aliás, apareceu bem pela direita na jogada que resultou no primeiro gol, após receber um passe incrível e de longa distância de Maicon. Já pela esquerda, testar Iago para a ausência de Marcelo Oliveira no próximo jogo da Libertadores também foi mais um mérito desta partida dominical. O jovem lateral precisa de mais quilometragem, devido aos desafios que teremos pela frente, mesmo assim mostra ser audacioso, ofensivo e driblador.

 

Como disse, porém, não gostamos nunca de perder (nem em treino).

 

Foi, então, que Luan apareceu para cobrar a falta na entrada da área, no momento em que a partida estava prestes a se encerrar. Pegou a bola, secou-a na camisa, esfregou-a com as mãos e a ajeitou cuidadosamente na marca de espuma deixada pelo árbitro sobre o gramado. Havia muita gente entre ele e o gol, mas todos estavam ali apenas para assistir à cobrança de falta magistral de nosso jovem talento. O guri deu apenas alguns passos até lançar a perna direita em direção a bola e tocá-la com tanta delicadeza que ela parecia não ter outra coisa a fazer do que agradecer, seguindo seu destino até as redes.

 

Gol de Luan; golaço de falta; cobrança de craque!

 

Ao contrário do que muitos devem estar pensando, aquele não era apenas um gol para empatar a partida. Era muito mais do que isso. Era a demonstração que o Grêmio, quando o talento, intensidade e velocidade não conseguem se impor com a bola rolando, pode contar com a qualidade individual de alguns de seus jogadores. Que o Grêmio, mesmo quando as coisas parecem estar conspirando contra, pode apostar na genialidade de alguns de seus craques. Que o Grêmio não desiste nunca, porque aprendemos na vida a lutar sempre!

Avalanche Tricolor: tio Ernesto visitou o vestiário do Grêmio

 

Passo Fundo 1×5 Grêmio
Gaúcho/ Vermelhão da Serra-Passo Fundo

 

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Festa gremista na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA 

 

Em toda família tem gente rabugenta. Às vezes é um tio distante; em outras, um cunhado mal resolvido. A coisa complica mesmo quando o mau humorado dorme na mesma casa (o que não é o meu caso, registre-se) . Venha de onde vier, tem situações que chegam a ser cômicas de tanto que a figura reclama. Se perdeu o emprego, reclama (com razão). Se foi contratado, fala mal do chefe. Se tem feriado, vai cair a produtividade. Se tiver plantão, está muito cansado. Nada satisfaz o cara. 

 

Lembrei, ontem,de um velho tio, o Ernesto, que me fazia rir nos almoços de domingo. Foi durante a partida em Passo Fundo. Mal havia começado o jogo, fizemos um. Em seguida, dois, três, quatro, cinco… Até o gol adversário ajudamos a fazer. Wallace fez dois, enquanto Bobô, Lincoln e Pedro Rocha voltaram a fazer os seus, aproveitando muito bem as chances oferecidas.

 

Da defesa ao ataque, o time funcionou muito bem. Não apenas na movimentação, aproximação e marcação, mas também no talento individual com chutes bem colocados, sutilezas no passe e dribles desconcertantes.

 

Foi um show que estava muito acima da qualidade do palco oferecido, com todo respeito ao tradicional Vermelhão da Serra, em Passo Fundo.

 

Você deve estar querendo saber onde meu tio rabugento entra diante do espetáculo que assistimos, ontem à noite. Afinal, por que lembrei dele em momento tão exuberante do futebol gremista? Porque é nesta hora que a rabugice do tio Ernesto tinha seu valor.

 

Quando todos comemoravam bons resultados, o casamento da prima ou o nascimento da filho, tio Ernesto cerrava os olhos e tascava um “sei não … sei não!”, para em seguida  discorrer sobre as responsabilidades que aqueles atos nos remetiam: a dificuldade que é criar uma criança, o custo em se construir uma família ou seja lá qual fosse o senão por ele elencado.

 

O tio podia ser chato, mas de alguma maneira a chatice dele nos trazia de volta a realidade, controlava o oba-oba e nos levava a pensar sobre nossos atos e planejar como encarar as dificuldades que por ventura pudessem surgir na caminhada.

 

Entendeu agora?

 

Tio Ernesto, ao ver o Grêmio goleando e brilhando em Passo Fundo, diria depois do “sei não … sei não!”: é gol de mais para um jogo só, vai faltar para os próximos, já estão se achando e nem ganharam nada…

 

Pelas declarações dos jogadores e do técnico Roger, logo após a partida, o Tio Ernesto “baixou” no vestiário gremista e fez com que todos, apesar da justificada euforia, deixassem claro que estão com os pés bem postados no chão.

 

Melhor assim!

 

Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Avalanche Tricolor: salve, Imortal!

 

San Lorenzo 1×1 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires

 

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Lincoln voa em foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

 

Um gol quando o jogo mal havia se iniciado. Um gol bem quando o jogo estava terminando. E entre um mal-feito e um bem-feito, havia Marcelo Grohe.

 

Nosso goleiro foi heróico aos 19 do primeiro tempo quando limpou a barra do nosso esquema defensivo.

 

Foi elástico, aos 42, ao despachar o chute traiçoeiro do adversário.

 

Como a sorte ajuda aos homens de boa vontade, aos 43, Grohe foi salvo pelo travessão, uma vez; pelo pé alheio, na segunda; e por seu fiel escudeiro Geromel, na terceira.

 

E ainda havia todo o segundo tempo para Grohe operar milagres.

 

Verdade que o time da casa não repetiu a artilharia dos primeiros 45 minutos, mas quando só Grohe poderia nos salvar, como naquele lance nos acréscimos, foi ele quem nos salvou.

 

Salve, Grohe!

 

Grohe, porém, não pode fazer tudo. É preciso que alguém faça gol. E Lincoln fez justo quando os descrentes já haviam abandonado a causa.

 

Salve, Lincoln!

 

O guri entrou desajeitado em meio a um time que jogava desajustado. A bola quase não chegava ao pé dele, pois não havia ninguém mais em condições de carregá-la com a precisão necessária.

 

Após um cruzamento mascado e uma bola prensada, Lincoln acertou o único chute a gol do nosso time, naqueles últimos 45 minutos de partida. A bola passou rente e entre as pernas do zagueiro deles (que não era assim um Geromel) e foi parar dentro do gol.

 

Um gol que talvez não tenha feito jus ao futebol que apresentamos. Mas que fez à história que construímos: a de Imortal Tricolor. E só por acreditar sempre nesta história, fiquei atento, ligado, sofrendo e torcendo até o apito final do árbitro, sem perceber que me restariam pouco minutos para descansar e iniciar maratona de trabalho, nesta quarta-feira.

 

Quem se importa com isso, depois de ter tido o prazer de assistir a mais um grande feito da nossa imortalidade.

 

Salve, Gremio!

Avalanche Tricolor: que o DNA de Roger prevaleça sempre

 

Cruzeiro-RS 1×3 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Bobô e Lincoln comemoram mais um gol Foto: Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Jogadores titulares preservados para a próxima batalha logo ali na esquina, não se esperava muito da equipe escalada por Roger para a partida do fim de tarde de sábado, em Novo Hamburgo. Eram atletas que costumam treinar do mesmo lado, no time reserva, mas para os quais o técnico não dedica toda atenção tática. Treinam juntos, mas não coletivamente.

 

Verdade que alguns dos que entraram em campo a todo momento aparecem no time principal, muitas vezes sacados do banco como solução encontrada por Roger para resolver qualquer problema que por ventura ocorra no decorrer do jogo, casos de Fernandinho, Bobô e Henrique Almeida.

 

Dar oportunidade para Bruno Grassi no gol é sempre bom, pois ele demonstra segurança e personalidade no que faz. E a seleção está aí de olho em Marcelo Grohe.

 

As duas laterais apresentaram guris em ascensão: Kaio, que me pareceu mais disposto a ir ao ataque do que os próprios titulares, e Marcelo Hermes.

 

Ver Ramiro de volta ao time também me alegra, pois é daqueles jogadores que o grupo sempre precisa ter: se não deslumbra o torcedor pelo talento, o faz pela eficiência na função cumprida. Soube até que temporadas passadas foi dos que mais passes acertaram. Se não o que mais acertou. Informação a ser confirmada, mas que não me surpreenderia se verdadeira fosse.

 

Havia, também, Pedro Rocha, que inclusive já esteve entre os titulares e de quem sempre se está a espera de uma arrancada em direção ao gol, papel que cumpriu bem aos 26 minutos do primeiro tempo, ao empatar a partida.

 

Contra um adversário que disputava “copa do mundo”, a adversidade inicial, com mais um gol tomado de cabeça, não me assustou como deveria. Pois, mesmo diante de todas as fragilidades que pudéssemos ter, havia algo que me agradava: o DNA de Roger.

 

Sim, apesar de ser a equipe reserva, percebia-se a tentativa de tocar a bola com rapidez, se deslocar com agilidade, aproximar-se para receber e passar, e reduzir o espaço para o adversário jogar. Nem sempre com a habilidade necessária para que se protagonizasse em campo o ensaiado no treino, mas do jeito que Roger quer que o Grêmio jogue.

 

A satisfação de ver o esforço de a equipe reserva colocar em campo o que Roger pensa e gosta se deve ao fato de me sinalizar de que estamos criando uma cultura diferente no futebol gremista, que o tempo ainda reconhecerá com títulos.

 

Na partida desse sábado, porém, nada me agradou mais do que assistir ao futebol jogado por Lincoln.

 

Talentoso e aguerrido, nosso guri se agiganta no meio de campo. Técnico e destemido, torna nosso ataque melhor, pelo perigo que leva aos adversários ou pela qualidade em servir aos colegas mais bem posicionados na área – como no segundo gol, marcado por Bobô, aos 42 do primeiro tempo. Foi premiado com gol de pênalti provocado por seu domínio de bola, aos 11 do segundo tempo.

 

Talvez ainda seja muito novo para assumir a responsabilidade da camisa titular, especialmente diante dos compromissos mais sérios que temos pela frente, a começar pelo de terça-feira, quando teremos de ser maior do que fomos até aqui. Porém, Lincoln se transforma em esperança (e opção) de que o futebol qualificado, que tanto defendemos, terá vida longa.

 

Que chegue logo a terça-feira e o DNA de Roger prevaleça!