Conte Sua História de SP: caipira, pujante e provinciana

 

Por Roberto Moreira da Silva

 

 

Nasci em 1959, em uma São Paulo portuguesa, caipira, pujante e provinciana ao mesmo tempo.

 

Nos anos de 1960, havia os carros elegantes, as carroças entregando leite na garrafa de vidro e verduras frescas; e o fim do saudoso bonde.

 

Tinham o toque da garoa, o cheiro de macarrão e chocolate aos domingos, da pizza às sextas-feiras, dos cafés e chás no centro da cidade, das sorveterias, dos restaurantes … árabes, italianos, portugueses.

 

Havia as escolas e seus uniformes, os bailes do clube, e o recato assanhado do trânsito provocado pela paquera na Rua Augusta, e da Brunela, na Gabriel Monteiro da Silva, aos domingos.

 

São Paulo sempre misturou o poder das grandes metrópoles e foi acolhedora com as deliciosas cidades do interior.

 

Hoje, mesmo morando na Granja Viana, em Cotia, não larguei essa cidade. Vou ao menos duas vezes na semana. E um dia no fim de semana. Levado pelo cheiro de família que me faz sentir conforto no coração já na chegada a cada visita se seu eterno filho apaixonado.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP, e tem a sonorização do Claudio Antonio. Os textos dos ouvintes podem ser enviados para o e-mail milton@cbn.com.br

Buracos da Cidade: Eu não disse !?

 

Carro é engolido em cratera da Gabriel

Eu avisei. Fui irônico, mas avisei. O buraco no ínicio da alameda Gabriel Monteiro da Siva, onde ela se aproxima da avenida Rebouças, começou com uma rachadura há algumas semanas, foi crescendo como menino faceiro e deixando suas marcas nos pneus dos carros. De traquinagem em traquinagem, virou gente grande e, na manhã de segunda-feira, ao passar por lá fiquei espantado com o fosso que havia aberto sob o asfalto. Falei sobre isto no CBN São Paulo e comentei do risco que havia no local. Para minha surpresa no início da noite encontrei a motorista Marcela Ayala da Fonseca ao lado de seu carro que havia sido engolido pela cratera. Parei para conversar e fotografar, enquanto o motorista do guincho quebrava a cabeça para saber como tirar o carro lá de dentro.

Ainda desolada com o acidente que, felizmente, não lhe causou nenhum dano físico, além do bruta susto de ver o carro sendo sugado pela incompetência pública, Marcela ao chegar em casa me enviou a mensagem a seguir:

Gostaria de deixar aqui minha indignação com relação aos “Serviços Públicos” de nossa cidade. Ou “desserviços”, em muitos casos. Hoje às 18:40 passei pela altura do no. 77 da Gabriel Monteiro da Silva e o meu carro simplesmente “AFUNDOU” no meio da via pública. Segundo comerciantes da região, aquilo era um buraco feito pela SABESP e que estava aberto há mais de uma semana. E para “cobrir” temporariamente o buraco durante os trabalhos, foi utilizada uma mistura de brita e areia, dando a ilusão de que ali se poderia trafegar. Ao passar por essa parte da rua, ela simplesmente CEDEU, pois havia uma camada de apenas 10 cm de areia e brita cobrindo uma CRATERA de 5m de comprimento, 1m de largura e mais de meio metro de profundidade. Sim. Parece inacreditável mas é a pura verdade. Depois de quase 2 horas tentando tirar o carro da cratera, com auxilio de 3 funcionários da seguradora, agentes da CET e diversas boas almas que apareceram para ajudar, me restará acionar meu seguro, pagar pelos danos, processar a Prefeitura e esperar sentada para que algum dia dentro dos próximos 20 anos eu seja ressarcida. Me sinto totalmente agredida. É vergonhoso tamanho descaso. Espero que NO MÍNIMO a cratera seja coberta para evitar que o problema se repita.

Processar a prefeitura e a Sabesp parece ser um dos caminhos a serem adotados neste caso, mesmo com a demora de uma ação na Justiça. Mas é a única forma de chamar atenção para a responsabilidade dos órgãos públicos.