Avalanche Tricolor: Um time de caras e bocas

 

Grêmio 4 x 0 Grêmio Prudente
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram necessários apenas 45 segundos para o Grêmio mostrar sua cara. Sua nova cara neste Campeonato Brasileiro, diga-se. Que nada mais é do que aquela com a qual nos acostumamos, historicamente, mas que andou esquecida, sem expressão, na primeira parte deste campeonato.

Os olhos esbugalhados de Jonas sempre mirando o gol, parecendo saltar do rosto, fazem parte desta nossa cara – ou do nosso cara. Um cara que está sempre disposto a arriscar e se errar não vai desistir. Que não tem vergonha de ser considerado o pior atacante do mundo pois sabe que o foi porque tentou. E de tanto tentar está na nossa história como um dos dez maiores goleadores do Grêmio.

A feição fechada de Vílson e Paulão também desenham a cara do Imortal Tricolor. Sinalizam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado, pouco interessando o adversário ou o campo de jogo. Se desfazem da bola ou a impedem de chegar ao gol gremista na certeza de que este é o seu ofício.

Nossa cara se revela, também, na seriedade do goleiro Marcelo Grohe. Um jovem de 23 anos que se expressa com a responsabilidade exigida de alguém que tem a difícil tarefa de substituir Vítor, o melhor do Brasil. E como esta personalidade foi importante na partida de hoje – afirmação que pode parecer contraditória em um jogo no qual o vencedor goleou seu adversário, mas que se mostra apropriada se levarmos em consideração as defesas que fez.

O futebol do Grêmio não se revela, porém, apenas na cara. Mas também na boca.

Tenho ficado impressionado com a fala dos jogadores assim que deixam o campo. Jonas teria tudo para o oba-oba individual, mas prefere ressaltar a importância do coletivo. Lúcio encerra o primeiro tempo falando de erros que precisam ser consertados em um jogo que já estava vencido. André Lima – até ele tem marcado gols dentro e fora de campo – comemora a goleada mas destaca que não se pode perder gols como aquele dos acréscimos e reforça a meta: os próximos três pontos.

Hoje, temos um time de caras e bocas – responsáveis, lutadoras, humildes e corajosas.