Razão e versão vistas por trás do lance

 

O lance do penâlti, indiscutível, de Fábio Rochemback no Gre-Nal desse domingo ganha destaque por uma cena inusitada. O quinto árbitro Alexandre Kleiniche está atrás do gol gremista e gesticula no momento em que o volante põe a mão na bola (confira no vídeo). Para parte dos torcedores do Grêmio foi uma contida comemoração em favor do Inter; na voz dele e de seus colegas, gesto casual provocado pela irregularidade do lance.

A defesa de Kleiniche, porém, não ajuda muito. Ele nega qualquer comemoração. Já Carlos Simon, que não tem a simpatia dos torcedores gremistas, disse que o auxiliar vibrou com a marcação correta do penâlti. Enquanto o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Gaúcha, Luis Fernando Moreira, afirmou que “com uma mão ele bate no antebraço” para sinalizar Simon de que houve irregularidade. Não custaria terem alinhado a informação, antes de sairem falando por aí.

Kleiniche que é do quadro nacional de arbitragem me parece ter sido vítima mesmo da casualidade. Árbitro que é – ou bandeirinha -, atento a movimentação dentro do gramado, fez o gesto como reflexo da “defesa” ilegal de Rochemback. Nada mais do que isso.

Gosto muito de futebol, mas entendo pouco dessas peculiaridades. Por isso, não vou me ater as questões técnicas da arbitragem, tem gente bem preparada no Brasil para explicar isso tudo.

Prefiro falar de comunicação.

Ao contrário do que muitos imaginam, uma imagem não vale mais do que mil palavras. A cena em foco é prova disto. Não é objetiva. Por mais que seja reproduzida, cada um terá sua própria verdade. É uma daquelas que podem ser vistas milhares de vezes – aliás, já tinha mais de 13 mil acessos no You Tube, nesta tarde – e cada um vai enxergar o que bem entender, influenciado por sua consciência e conhecimento.

Para azar do personagem principal deste caso, todas as explicações que oferecer serão insuficientes. Quem quiser ver falta de isenção, verá; quem quiser dar ouvidos à sua inocência, dará.

Porém, na próxima partida que entrar em campo, no jogo mais distante que for trabalhar, Kleiniche não vai escapar. Alguém haverá de lembrar da reação dele.

No campo da comunicação, a regra é clara: A razão de um gesto jamais irá superar a versão.

Avalanche Tricolor: Ninguém é como nós e ponto final

 

Grêmio 2 x 2 Inter
Brasileiro – Olímpico

"André Lima marca o primeiro"

Foi com um a menos, pois um se sacrificou como costumam fazer os que vestem o manto Imortal. Agem sem pensar algumas vezes, sem medir as consequências, se entregam pela nossa história.

Sempre tivemos a vantagem no placar. Afinal, é assim que temos feito desde que renascemos (e lá vou eu lembrar da nossa imortalidade, novamente) neste Campeonato que muitos nos viam como vencidos.

E no empate final, a comemoração do adversário era o maior sinal de respeito que poderíamos ter recebido. Ficaram felizes de não serem superados por um time que estava em inferioridade em campo – não técnica, numérica apenas.

Nossa caminhada segue vitoriosa. Temos a melhor campanha deste segundo turno. Há nove jogos estamos invictos em uma trajetória inacreditável para a maioria daqueles que ainda não se convenceram do que somos capazes – mesmo com um a menos em campo, mesmo com uma diferença impressionante de pontos para os que estavam na ponta quando a recuperação se iniciou.

Ninguém marcou tantos gols de cabeça como nós, 13. Ninguém marcou tantos gols como nosso goleador Jonas, 20. Ninguém joga de maneira tão apaixonada em campo.

E, com certeza, ninguém me emociona mais do que o nosso Grêmio que segue disputando cada bola, cada jogo, cada ponto com um só objetivo: escrever sua história.

Avalanche Tricolor: No mate ou morre somos melhores

 

Grêmio 2 x 1 Cruzeiro
Brasileiro -Olímpico

A feijoada de domingo mal havia sido servida, e a pergunta da velha turma de amigos parecia ensaiada: o que está acontecendo com o Grêmio ? Nem havia iniciado a resposta, os próprios passaram a dissertar sobre o tema, cada um com sua tese mirabolante.

Futebol é assim mesmo, todos nós conhecemos um pouco e cremos em nossas convicções.

Tanta conversa, bisteca e cerveja me fizeram sair atrasado para frente da televisão e quando cheguei acabara de sair o primeiro gol gremista, que iniciaria a virada desta tarde. Tive de conferir na internet o gol de Júnior Viçosa, mais um recém-chegado que parece ter incorporado a alma que move o Imortal Tricolor: nunca desistir.

Já havia 48 do primeiro tempo quando Douglas em mais um passe de categoria encontrou Jonas dentro da área e o atacante, na mesma velocidade que chegou, chutou. Na sobra, o garoto Viçosa esticou suas pernas longas para fazer o primeiro gol na primeira partida com a camisa do Grêmio.

O segundo tempo foi muito equilibrado para o meu gosto. Não estava fácil digerir a feijoada com o jogo rápido que o líder do campeonato e o time de melhor campanha do segundo turno realizavam. Nem mesmo o gol de Jonas – que precisou cobrar duas vezes o penâlti para provar ao árbitro que era capaz – aliviava a situação. Eram dois grandes times jogando um grande futebol.

Nada estava decidido, tudo poderia acontecer até o apito final, mesmo assim na televisão narrador e comentarista enviesavam pelo mesmo papo dos meus amigos de almoço: o que está acontecendo com o Grêmio ? A resposta foi pouco convincente, chamava atenção para as vitórias fora de casa, posicionamento dentro de campo, etecetera e tal. Pouco além do que já havia ouvido enquanto o prato de feijão ainda queimava meus dedos.

Tanto esforço para uma explicação simples dada ao fim da partida pelo zagueiro Vilson: o Grêmio joga para ganhar a partida seguinte. Ao dizer isso ainda tirava a grama do rosto, pois minutos antes havia impedido mais uma jogada do adversário com um peixinho no pé do atacante. Sabia que aquela bola valeria os três pontos em disputa.

Foi com este novo olhar que fugimos do rebaixamento, encaramos as vagas da sul-americana, encostamos nos líderes e vamos buscar nossa meta: os três pontos seguintes, um mais difícil do que o outro, pois enfrentaremos em oito rodadas cinco times com esperança de título e vaga na Libertadores.

É isto que justifica a ascensão tricolor. Desde a metade do Campeonato deixamos pra lá esta história de pontos corridos. Sequer o consideramos uma competição mata-mata, para tal os dois lados têm de estar correndo riscos.

Cada jogo é, para nós, um mata ou morre.

Avalanche Tricolor: Jogam pela nossa história

Vasco 3 x 3 Grêmio
Brasileiro – São Januário (RJ)


Foi um zagueiro com jeito de brutamonte que após uma dividida com o adversário e com a cabeça erguida teve precisão no lançamento. A bola foi parar nos pés de um atacante de corpo atarracado, daqueles que tem de peito tanto quanto de coragem. Dele saiu a assistência que encontrou um ala nem sempre arrojado, mas que o técnico havia mandado ir mais à frente no fim do jogo. E foi para fechar o placar do jogo.

Paulão, Diego e Gabriel estão distantes do perfil de jogadores que serão aplaudidos como craques pelos comentaristas. Muito menos deverão ter sua força reconhecida pelos adversários. Foram eles, porém, os protagonistas do terceiro gol gremista, aos 43 minutos  do segundo tempo.

Um trio que representa bem o que é o Grêmio hoje no campeonato. Um time que tem o talento aflorando nos passes de Douglas e nos chutes de Jonas, mas que sabe o quanto somente isso não é suficiente para a conquista.

A valentia demonstrada pela equipe no empate deste fim de sábado no Rio de Janeiro, a capacidade de entender seus limites, a força para resistir a pressão e até mesmo a paciência para jogar com um árbitro que não parecia muito simpático à camisa tricolor fazem do time treinado por Renato Portaluppi o melhor deste segundo turno.

Ganhamos pontos pela sétima vez consecutiva e estamos ainda mais próximos dos líderes desta competição. Já disse aqui que pouco me interessa em que posição encerraremos este Brasileiro, pois nossa maior conquista é a nossa história. E esta se preserva na forma com que estes jogadores têm atuado.

NB: E o que foi aquele segundo gol do Jonas com passe do André Lima ?

Avalanche Tricolor: Um time de caras e bocas

 

Grêmio 4 x 0 Grêmio Prudente
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram necessários apenas 45 segundos para o Grêmio mostrar sua cara. Sua nova cara neste Campeonato Brasileiro, diga-se. Que nada mais é do que aquela com a qual nos acostumamos, historicamente, mas que andou esquecida, sem expressão, na primeira parte deste campeonato.

Os olhos esbugalhados de Jonas sempre mirando o gol, parecendo saltar do rosto, fazem parte desta nossa cara – ou do nosso cara. Um cara que está sempre disposto a arriscar e se errar não vai desistir. Que não tem vergonha de ser considerado o pior atacante do mundo pois sabe que o foi porque tentou. E de tanto tentar está na nossa história como um dos dez maiores goleadores do Grêmio.

A feição fechada de Vílson e Paulão também desenham a cara do Imortal Tricolor. Sinalizam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado, pouco interessando o adversário ou o campo de jogo. Se desfazem da bola ou a impedem de chegar ao gol gremista na certeza de que este é o seu ofício.

Nossa cara se revela, também, na seriedade do goleiro Marcelo Grohe. Um jovem de 23 anos que se expressa com a responsabilidade exigida de alguém que tem a difícil tarefa de substituir Vítor, o melhor do Brasil. E como esta personalidade foi importante na partida de hoje – afirmação que pode parecer contraditória em um jogo no qual o vencedor goleou seu adversário, mas que se mostra apropriada se levarmos em consideração as defesas que fez.

O futebol do Grêmio não se revela, porém, apenas na cara. Mas também na boca.

Tenho ficado impressionado com a fala dos jogadores assim que deixam o campo. Jonas teria tudo para o oba-oba individual, mas prefere ressaltar a importância do coletivo. Lúcio encerra o primeiro tempo falando de erros que precisam ser consertados em um jogo que já estava vencido. André Lima – até ele tem marcado gols dentro e fora de campo – comemora a goleada mas destaca que não se pode perder gols como aquele dos acréscimos e reforça a meta: os próximos três pontos.

Hoje, temos um time de caras e bocas – responsáveis, lutadoras, humildes e corajosas.

Avalanche Tricolor: Esperar contra toda esperança

 

Vitória 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Salvador


Esperar contra toda esperança. Ouvi a frase do padre Anderson agora há pouco, durante a homilia das seis da tarde. Com voz de locutor de rádio – ele o é -, repetiu duas, três vezes, fazendo ecoar esta ideia na minha cabeça. Os caros e raros leitores deste blog, em especial desta Avalanche, sabem que teimo em não misturar religião e futebol, pois creio que Ele tenha coisa mais importante para fazer em meio a tantas coisas que nós desfazemos aqui na Terra.

Mesmo levando em consideração o feliz momento de nosso time, não irei fugir desta regra que me impus. Mas achei apropriado reproduzir a frase, afinal a esperança é algo inato ao ser humano. Desistir dela é abrir mão do direito de viver. E quando dá o acaso de você torcer para um clube com uma história de imortalidade, isto tudo se torna muito claro.

Superando todas as expectativas, atropelando os prognósticos e adversários e surpreendendo até mesmo a esperança dos seus torcedores, o Grêmio sobe rapidamente na tabela de classificação. Começa a vislumbrar o topo, apesar de sabermos que nossas metas são bastante humildes. Já falei por aqui que temos de olhar, única e exclusivamente, o jogo seguinte, os próximos três pontos, independentemente do que estiver acontecendo ao nosso redor.

Contudo, quando a vitória ocorre da forma como a que assistimos neste sábado à tarde, é sinal de que alguma coisa está mudando. Não pela dificuldade de se vencer quatro jogos seguidos fora de casa. Nem mesmo porque fizemos uma partida fenomenal. Exatamente pelo contrário.

Em campo, havia apenas cinco titulares. Dos zagueiros aos volantes, todos estavam no banco na partida anterior. No meio de campo e no ataque, a vida não era mais simples. Renato fez malabarismo para escalar o time e, confesso, tive dificuldade de enxergar como eles se colocariam no gramado. Havia o sério risco de termos apenas um amontoado de jogadores.

As coisas tinham tudo para dar errado, mesmo após o primeiro gol de Maylson, outro que tem estado mais tempo na reserva do que no time titular. Quantas vezes neste campeonato, jogando muito melhor do que hoje, saíamos na frente para ceder o empate no fim, às vezes até mesmo tomar uma virada.

E não faltaram chances ao adversário. Mas sempre havia uma gremista no caminho. Muitos à frente de Vítor, quando este próprio não fazia das suas impedindo o gol adversário. O passe saía desconcertado, a bola não ficava em nossos pés, mas o “inevitável” gol de empate não acontecia.

O tempo passava, a marca dos 40 minutos do segundo tempo chegava. Momento crucial, hora ideal para que o destino voltasse a nos preparar mais um revés. Foi assim durante toda a primeira fase deste campeonato.

Pois não é que ao chegarem os acréscimos, fomos nós que ampliamos o placar. Mais uma vez o predestinado Diego – não por acaso – Clementino e Edílson levaram à vitória elástica.

Sem dúvida, tem muita coisa mudando no nosso destino neste Campeonato Brasileiro. Mas é melhor não pensar muito nisso, não. Fiquemos aqui, apenas a saborear cada pontinho conquistado, cada colocação alcançada, refletindo sobre o que nos falam e as mensagens que nos enviam.

É hora mantermos nossa santa humildade sem jamais esquecer, porém, da nossa Imortalidade.

Avalanche Tricolor: Sorria, André !

 

Grêmio 4 x 2 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

A partida terminou tarde hoje. Jogo neste horário é proibido para menores de cinco anos. Imagino que o André, este garotinho de três anos que aparece na foto, estivesse dormindo quando se encerrou o jogo de hoje. Mas isto não impedirá dele e de seus amiguinhos gremistas saberem amanhã cedo, assim que acordarem, que o time pelo qual torcem não perde a mística da imortalidade.

Longe de mim arriscar aqui um novo destino para o Grêmio neste Campeonato Brasileiro. Humildade combina com nosso momento e, portanto, a meta é sempre os três pontos do jogo seguinte e com estes pontos nós iremos até onde eles nos levarem.

A nossa imortalidade, porém, foi colocada à prova mais uma vez na competição. Quantos de vocês que lêem enrustidamente este espaço dedicado aos gremistas não andaram apostando por aí que o rebaixamento era definitivo. Quantos não propagaram a ideia de que nossos jogadores estavam com tempo de validade vencido – e Douglas era o principal alvo dessa crítica.

Mais do que isso, nossas qualidades foram esquecidas (às vezes até por nosso elenco), nossa coragem era motivo de ironia dos adversários, e os comentários teimavam em nos depreciar usando clichês do futebol: só sabem marcar, time retranqueiro, falta talento, o forte é a bola alta e outras coisas do tipo.

Assim como há duas semanas o menino André pode dizer orgulhoso para os coleguinhas que havia visitado com toda a família gremista o local onde será a Arena Tricolor, nesta quinta-feira, ao chegar na escolinha, poderá encher o peito mais uma vez e com sorriso no rosto falar a todos: “meu time é tri-legal !”.

Diga mais, André. Lembre que os retranqueiros do Sul têm o goleador do campeoanto, Jonas, com 14 gols, 66 já marcados na história do Grêmio. Têm André Lima com cara de menino perdido que fez dois em uma só partida. E tem até Diego que mal foi apresentado à torcida e já marcou, também. Todos atacantes, gente que joga lá na frente, mas não foge da luta quando precisa arrancar a bola do pé adversário.

Tem uma turma que sabe trocar passe, se movimenta com rapidez, não teme dar um chutão pra fora nem usar o calcanhar quando for oportuno. Que dá chance até de a torcida gritar Olé, só de brincaderinha.

Eh, André ! Você ainda vai ter muitos bons motivos pra abrir esse sorriso gostoso e emocionatnes histórias pra contar aos seus amigos, pode ter certeza. E não esquece de agradecer ao papai Leandro que lhe ensinou a lição direitinho: bacana mesmo é torcer para o Grêmio, o Imortal !

Avalanche Tricolor: O nosso Top 10

 

Atlético MG 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Sete Lagoas (MG)


Terminado o jogo, a televisão já mostrava a tabela de classificação ao fim da 25a rodada. E o nome do Grêmio aparecia na primeira tela, raro nesta temporada atribulada. É o décimo colocado, ou seja, estamos na metade de cima da competição. Longe do que pretendemos. Muito além do que havia até bem pouco tempo.

Mais importante, porém, para quem está sempre atento aos pequenos gestos que possam ter grandes significados, ao fim da partida, foi a maneira como o grupo de jogadores se comportou. O abraço coletivo e o cumprimento sincero entre eles demonstraram o quanto estão convictos neste instante de que têm potencial para ir ainda mais longe.

E os resultados mostram isso.

Neste segundo turno, temos a melhor campanha dentre todos os demais concorrentes e com três vitórias seguidas fora de casa, uma mudança que impressiona mesmo os mais deslumbrados torcedores.

Quando me referi ao Top 10 no título desta Avalanche, no entanto, não tinha a intenção de falar sobre nosso lugar na tabela, mas sobre o nosso número 10. Douglas é diferenciado e conseguiu driblar a aparente falta de compromisso com a bola e o preparo físico. Tem um pé esquerdo de dar inveja e experiência suficiente para manter o time no seu lugar.

Enquanto todos estão correndo, querendo se livrar da bola o mais rapidamente possível, ele está em busca de um espaço livre no campo, com o braço em pé, querendo recebê-la. E quando esta chega nele, costuma sair redonda até um companheiro melhor colocado, como fez no segundo gol, o de Gabriel.

Sua transformação com o time é tal que hoje foi capaz de correr para marcar e roubar bolas. Foi dele pelo menos duas das 40 roubadas feitas pelo Grêmio nesta partida.

Douglas não se esforça para ser simpático. Tem cara de galã de novela mexicana. Usa um topete que lhe oferece um ar de desleixo. Está sempre com a barba mal-feita. Parece não reconhecer a história do clube que representa. Mas é um grande jogador.

Mesmo com Vitor mais uma vez sendo um gigante no gol – e penso o que será de nós com ele na seleção – e Jonas seguindo sua caminhada para além do topo da tabela de goleadores, não poderia deixar de registrar, em mais esta sofrida vitória, a importância do nosso TOP 10.

Avalanche Tricolor: E tudo começou com um carrinho

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Grêmio 2 x 2 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Monumental

No grupo de jornalistas esportivo, um deles era gremista de quatro costados. E na roda o tema era o Grêmio, lógico. Assim que me aproximei, meu conterrâneo foi definitivo: “É consenso, Douglas e Souza não podem jogar juntos”.

Como entendo muito pouco das estratégias de jogo, das formações táticas, do estilo de cada um em campo e das combinações possíveis, e enxergo as partidas de meu time pelo coração, neguei-me a compactuar com aquela conspiração: “Não vejo problema nenhum – desde que joguem”, complementei.

O toque rápido de Souza que deixou Douglas em condições de marcar o primeiro gol do Grêmio me fez lembrar o diálogo de ontem à noite. O que devem ter pensado aqueles especialistas em futebol. Talvez preferissem outro qualquer em campo, como se estivéssemos com gente sobrando no elenco.

Douglas e Souza podem jogar juntos, sim, desde que joguem.

Hoje, enquanto os dois estiveram no time, estávamos na frente, graças, aliás, a outra bola de Souza que encontrou André Lima e rebateu nos pés do goleador Jonas. Aliás, André e Jonas também podem jogar juntos desde que façam os gols necessários. Nem sempre conseguem.

A propósito, depois que Souza saiu, Douglas não conseguiu jogar mais.

Conto toda está história, mas não posso deixar de citar o mais importante. A TV pouco destaque deu, na vez que mostrou parece ter sido sem querer, pretendia chamar atenção para outra coisa. Mas a crônica deste jogo começou com um carrinho de Adílson na intermediária que não se limitou a roubar a bola do adversário, serviu-a para Souza e o resto você já sabe.

Vamos precisar de muitos carrinhos de Adílson e companhia para seguir em frente.

Avalanche Tricolor: Por estes nossos feitos

 

Avaí 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Bandeira do RS e do Grêmio

É momento de comemorar. Desfilar orgulhoso por nossos feitos. Andar pelas ruas – seja na capital, Porto Alegre, seja nas cidades do interior, seja onde você estiver – com a cabeça erguida de quem nunca desistiu mesmo quando a derrota parecia definitiva, de quem sempre viveu na busca da vitória.

O Rio Grande do Sul vai parar. E está decretado feriado. para que se possa fazer festa para todos os lados.

Calma lá, caro e raro leitor. Não me considere um alucinado pelos parágrafos que abrem este post.

Você deve achar que é deslumbramento demais para apenas uma vitória gremista. Bem verdade que esta não é uma vitória simples. O Grêmio goleou na casa do adversário. E que goleada !

Uma vitória que se iniciou nas mãos de Vítor em dois momentos que poderiam ser decisivos no primeiro tempo. Que passou pelo desarme (e armação, também) de dois volantes que tomaram conta do jogo, Rochemback e Adílson – mais uma vez Adílson foi grande em campo. Que teve a qualidade do passe de Douglas para fazer diferença. E que se completou no talento e oportunismo de nossos atacantes, em especial Jonas.

Vá ver o primeiro gol dele, o drible que deu em seus marcadores, a maneira como deixou um deles caído no chão, o olhar voltado para o gol e o chute certeiro. No segundo, valeu o desejo de ser goleador. Deslocou-se para receber dentro da área e mesmo marcado abriu espaço para chegar a artilharia do Campeonato Brasileiro.

Foi muito bom, também, ver André Lima raspar a bola de cabeça em direção ao gol, em meio a uma montoeira de marcadores, depois de ser lançado lá da intermediária, ao velho estilo gremista. Quem sabe nosso atacante não desencanta !

Apesar de todos estes feitos e minha alegria em fechar este domingo respirando aliviado ao olhar a tabela de classificação, as palavras que marcam a abertura deste post se referem a outro momento significativo para quem nasceu no Rio Grande do Sul.

É que amanhã, dia 20 de setembro, é o Dia do Gaúcho, quando se realiza desfile para lembrar as batalhas da Revolução Farroupilha, das mais extensas rebeliões que o País já teve. Uma guerra que não tinha na sua origem o caráter separatista mas, sem dúvida, uma indignação contra injustiças do poder central.

Sendo assim, parabéns a todos os gaúchos – em especial aos gaúchos gremistas.