Torcedor do Grêmio tem reduto em São Paulo

 

Gremista de quatro costados, Airton Gontow também é jornalista de boa marca. Descreve pessoas e situações com clareza, mesmo quando sob o risco de ter a visão anuviada pela paixão como domingo passado quando assistiu à final do Campeonato Gaúcho em um bar de São Paulo, rodeado de gremistas por todos os lados – e servido por um colorado enrustido, também. Recebi a reportagem “Fernando Carvalho festejou o título do Grêmio” produzida e fotografada por ele apenas nesta sexta-feira e uso como justificativa para a publicação, hoje, o fato de amanhã ser nossa estreia no Campeonato Brasileiro. Talvez você não veja conecção entre um fato e outro; e talvez não haja mesmo. E desde quando eu preciso de desculpa para publicar coisas boas no Blog (coisas boas e do Grêmio) ?

Aproveite para saber como os gremistas pretendem acompanhar o Imortal Tricolor aqui em São Paulo:

torcedoras do Grêmio encantaram os motoristas

Por Airton Gontow

Fernando Carvalho comemorou intensamente o título gaúcho conquistado domingo pelo Grêmio e caiu nos braços da torcida. Torcedor fanático, 43 anos, seis deles longe do Rio Grande do Sul, gerente do Banco do Brasil, é cônsul do Grêmio em São Paulo e está acostumado às brincadeiras em relação ao seu nome, que obviamente remete ao maior dirigente da história colorada. Ele e cerca de outros 200 torcedores estiveram no “Meu Bar”, novo ponto de encontro de gremistas na capital paulista.

Ao lado da namorada, a atriz Flaviane Herrera, 32 anos, chegou ao local por volta do meio-dia e gastou as horas que faltavam para o início do jogo pendurando faixas e bandeiras no teto, paredes e fachada do bar.

Confiante, “O jogo vai ser 3 a 1”, Fernando Leite Carvalho conta que planeja criar o site do Consulado do Grêmio em São Paulo. Feliz com o clima gremista criado, ele diz que o local atenua a dor de não estar no Olímpico em jogos decisivos: “sou torcedor e, também, trabalhei na gestão do Guerreiro. Conheço o Olímpico inteiro, de todos os setores da torcida ao vestiário”.

Fernando Carvalho caiu nos braços da torcida gremista

Evandro Fernandes, 36 anos, professor universitário de Economia, na Unip, há quatro anos em São Paulo, também exibe confiança na conquista do título. “Será 2 a 0”. Já na partida anterior, quando eles eram favoritos, no Beira-Rio, eu já falava que o Grêmio seria campeão”, diz, apesar de ainda fazer algumas ressalvas ao trabalho de Silas: “Está melhorando, mas a nota dele ainda é sete!” Ao seu lado, José Mário Arbiza, 30 anos, que atua na área de manutenção de Equipamentos da construtora Odebrecht, nascido em Uruguaiana mas criado desde os dois em Porto Alegre, olha para a decoração do bar e para a torcida que não para de cantar. “Estou me sentindo em Porto Alegre. Passa pela minha cabeça um filme comigo e meus amigos em bares de lá nos dias de jogos importantes. O Evandro já tinha assistido a outras partidas aqui, mas é a minha primeira vez. É impressionante a concentração de gremistas. Adorei a organização e, principalmente, ver as bandeiras do Grêmio e do nosso estado, o que mostra amor pelo time e pelo Rio Grande”, exclama o ex-jogador das divisões de base. “Joguei no Grêmio até os 16 anos, em 96. Freqüentei o Olímpico em nossa fase áurea, do bi da América!”

Sentado próximo à televisão, o engenheiro químico, Sérgio Harb Manssour 47 anos, sete de São Paulo, espera ao lado das filhas, as gêmeas Larissa e Eloísa, 18 anos, o início da partida. Elas não são univitelinas, mas são idênticas no amor pelo Grêmio. “É como estar no Sul. É incrível como este bar recria a atmosfera de Porto Alegre”, diz a estudante de Psicologia Eloísa. Indagada sobre o que mais sente falta por não estar em Porto Alegre, Larissa, que estuda Design Gráfico, responde: “É do convívio com os amigos e a família, mas aqui é sensacional”. Este repórter conta que sente falta das manhãs de Gre-Nal em Porto Alegre, quando saia com o pai com caneta e bloco de papel nas mãos, contando quantas bandeiras e camisas via de cada time, nas ruas e nas janelas das casas e apartamentos. “Eu não saía com meu pai em dias de jogo porque ele era colorado”, diz Sérgio.

Pedro Coutinho, 29 anos, empresário na área de importação é paulista e gremista. Ele explica o seu gremismo. “Desde pequeno meu pai me levava aos jogos do São Paulo e eu não achava a menor graça. Em 95, vi pela televisão a final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Corinthians, lá no Sul. O Grêmio perdeu, mas eu nunca tinha visto um time com tanta raça, tanto empenho e tanta dedicação. Percebi que agora tinha um time para torcer. E de lá para cá, mesmo morando em São Paulo, meu sentimento só cresceu”, afirma.

Perto dele está Elizandra Santos, 26 anos, também paulista. Ela traja uma camiseta do Grêmio, como 95% das pessoas presentes no bar. Pergunto se tem também algum time em São Paulo. Ela olha firme e responde: “No Sul eu sou gremista. Já aqui eu sou gremista. E na Bahia, adivinhe, sou gremista também”. A paixão pelo tricolor dos pampas é, de certa forma, o resultado de uma história de amor. “Tive um namorado gaúcho”, conta.

Questionada se o ex estava presente no bar, ela revela: “Ele era e é colorado! Comecei a assistir com ele aos jogos da dupla grenal. Aí interessei-me pela história dos clubes e adorei a do Grêmio. Nunca tinha visto um time com tantas histórias épicas e, ao mesmo tempo, com uma torcida tão vibrante quanto esta, que nunca desanima. Isso ninguém tem!”.

Continuar lendo

Avalanche Tricolor: A gente só quer ser campeão

 

Grêmio 2 x 0 Fluminense
Copa do Brasil – Olímpico

Hugo

Futebol de resultado dizem alguns. Futebol limitado provocam outros. Futebol aguerrido dizemos nós. Mas o que o Grêmio tem feito em campo mesmo é futebol de verdade. Marcação séria, responsável, sem violência mas com a firmeza que o esporte exige. Troca de passe, boa movimentação e velocidade no ataque.

Vou me ater ao primeiro gol. A escapada de Neuton pelo lado esquerdo – como joga este guri -, a forma como ele driblou os adversários que se atreviam a impedir sua passagem e a bola entregue para Jonas; o atacante – nosso goleador – entendeu que Hugo estava mais bem posicionado, chegava velozmente no meio da área e, assim como chegou, com um chute potente explodiu a rede adversária. Um golaço que marca o futebol moderno, não acrobático, apenas moderno.

A classificação veio com duas vitórias maiúsculas, a primeira delas no Maracanã com um jogador a menos em campo na maior parte do jogo; e a segunda, com a cabeça no lugar e o comando do jogo mesmo quando ainda estava empatado.

Não me venham com esta conversa de final antecipada. O que temos pela frente é somente mais uma semifinal na caminhada de um time que quer apenas ser campeão, nada mais do que isso. No caso da Copa, pentacampeão.

Avalanche Tricolor: Eu sou campeão !

 

Grêmio 2 (0) x 1 (1) Inter
Gaúcho – Olímpico Monumental

Gremio campeão

Um guri de meia com os punhos cerrados e os braços esticados canta o hino do Grêmio sobre o travessão da goleira que fica do lado do campo em que está a torcida Da Geral. Ele acabara de jogar sua terceira partida vestindo a camisa do Imortal Tricolor consagrando um sonho de criança e se sagrando Campeão Gaúcho. Neuton – que aceita ser chamado Nilton – já havia comemorado roubadas de bola, gesticulado com raiva chutes para a lateral e feito a torcida vibrar com uma escapada pela linha de fundo e um cruzamento que lhe renderam o escanteio e o nocaute ao adversário.

Incorporou naquele momento minha vontade neste domingo. Estar lá no alto, cantar com todo gás e perder a voz com o grito de campeão. Muitas vezes foi isso mesmo que fiz, pulei ao lado de todos os torcedores, o suor escorreu pelos cabelos – era um tempo em que eles eram fartos -, a garganta parecia explodir junto com a emoção e cantei o hino repetidas vezes sem jamais cansar.

Placar 1987Comemorei como um torcedor alucinado na arquibancada até o fim da minha adolescência, mas festejei também na época em que repórter de campo me ofereciam a chance de participar da jornada final, como na foto que aparece neste post, feita em 1987. Fui campeão, ainda, narrando pela televisão a decisão da Copa do Brasil, em 2001. E nestes anos todos que estou em São Paulo, diante da TV, sentado – às vezes, em pé – no sofá de casa, vibrei com gritos contidos para não assustar a vizinhança.

Por isso, me emocionei ao ver a felicidade de Neuton na imagem fechada da televisão. Poderia ter me fixado na alegria de Jonas e na brincadeira de Hugo, na corrida pelo gramado de Leandro, na satisfação do primeiro título do capião Vitor, no sorriso do atacante Borges.

Mas em um futebol de jogadores ciganos que perambulam de um clube para o outro, sem tempo de construir sua paixão, são estes guris que nasceram ali na redondeza do Olímpico Monumental é que conseguem revelar quanto pode ser sincero o beijo no escudo de seu time. Eles sabem o valor de uma vitória sobre o rival de sempre.

Jovens que há pouco brincavam de futebol na várzea, batiam bola no meio da rua e narravam suas próprias jogadas, são estes que comemoram como sempre comemorei os títulos de meu time. Sem esperar nada em troca, sem imaginar para onde aquela conquista me levará. Apenas, única e exclusivamente, pelo prazer de gritar:

“O meu Grêmio é campeão !”

Avalanche Tricolor: Além do próprio Grêmio

 

Fluminense 2 x 3 Grêmio
Copa do Brasil – Maracanã

Jonas surgiu rápido dentro da área, driblou um, driblou dois e cortou três de uma só vez. Jonas disparou para receber fora do alcance dos dois zagueiros, parou, sapateou, olhou e deslocou o goleiro. Douglas correu na diagonal, em direção à área, ignorou a água no gramado, passou por um, passou por dois e limpou a jogada.

Em um lance e noutro – e no outro, também -, a bola foi parar dentro do gol adversário, em uma noite em que o Grêmio foi muito além do próprio Grêmio. O Brasil acostumado ao lugar-comum do time guerreiro, de raça e lutador, talvez tenha tido dificuldade para entender o que levou o Imortal à vitória no Maracanã.

Vencermos com um a menos, não nos surpreende mais. Mesmo que este “a menos” seja o Patrão da Área, Rodrigo, o zagueiro que dá consistência à nossa defesa. Convenhamos, para quem já venceu um campeonato com apenas sete….

Foi a categoria de um time que vem sendo construído pouco a pouco, o talento de jogadores habilidosos e experientes, a personalidade de jovens que não se intimidam com o grito de uma torcida inteira no maior estádio do mundo (nem a cara feia de um técnico mal-humorado ao lado do campo). Todos estes elementos se somaram a mística que faz parte da nossa história.

Em noite de inspiração, Silas deu seu drible ao manter dois atacantes quando nos faltava um defensor e mostrou que pode ser ousado. Termina a primeira metade das quartas-de-final com o melhor desempenho de todos os oito participantes.

Jogamos com personalidade, inteligência e, sim, muita garra, pois este sentimento está impregnado em nossa camisa, nosso Manto Tricolor.

E pensar que domingo tem Gre-Nal !

Avalanche Tricolor: Toninho, o guri de coragem no Gre-Nal

 

Inter 0 x 2 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Twitter Milton Jung

Com esta mensagem acordei no Twitter esta manhã e refletia sentimento que não se baseava apenas na luz que vazava a janela de casa, aqui em São Paulo. Havia um azul no céu que teimava em aparecer, apesar das nuvens que se esforçavam pra estragar o cenário. A confiança estava nos sinais que chegavam, nas coisas pequenas que surgiam daqui e dali.

No rodapé do caderno de esporte, uma foto do goleiro Vitor ilustrava a chamada para o Gre-Nal que decidiria o Campeonato Gaúcho. Não era nenhum atacante que estava ali, o driblador de plantão ou o goleador do momento. Nem um destaque especial para os jogadores daqueles que “se acham” vencedores de tudo. Era o nosso goleiro, o maior do Brasil , que em campo à tarde justificaria a demonstração de respeito dos jornalistas esportivos de São Paulo.

Estadão Vítor

Os sinais não paravam por aí.

Na primeira página do Estadão, uma camisa do Grêmio estava no alto. Vestida por um menino de 8 anos, Antonio Lazarotto Campanelli, que a convite de reportagem sobre a nova “opinião pública” escreveu em um cartaz a mensagem que gostaria de enviar para o mundo:

Estadão Grêmio

Parabéns, Toninho ! Você é guri corajoso. Não esperou o Gre-Nal deste domingo para gritar à caneta o que seu coração já lhe dizia. Em poucas palavras encarou aqueles que ainda duvidavam do potencial deste time. O Grêmio de Silas é uma equipe constantemente desafiada pelos críticos e por seus próprios torcedores, sempre aguardando um aceno, um lance, uma conquista a mais.

Ganhou a primeira fase do campeonato gaúcho, fez a melhor campanha entre todos, mas não era o suficiente. Superou um, dois, três adversários na Copa do Brasil, chegou às quartas-de-final, mas … Sempre aparecia um mas a duvidar da gente. E a nos dar dúvidas, também.

Para Toninho, não. Para este menino nascido em Porto Alegre, o Grêmio não precisava provar nada, pois mesmo jovem conhece a saga do Imortal Tricolor. E sabe que coragem é nossa marca, confiança é o que nos leva a vitória.

Foi você jovem gremista, mais do que o céu e o Vítor, quem me contaminou e me fez crer que algo de bom estava reservado para este domingo. E como estava.

Twitter Neuton

Foi, aliás, um outro jovem, Neuton, 20 anos, que dentro de campo só fez aumentar minha certeza. Com um carrinho sem medo da falta que seria marcada, logo no início da partida, fez sua estreia no time profissional. Dali pra frente, encarou os marcadores em arrancadas pela esquerda, driblou dentro da área, deu chutão para lateral e comemorou cada roubada de bola como somente os gremistas são capazes de comemorar, sem nenhuma vergonha na cara. Passou no teste.

Houve outros corajosos em campo nem tão jovens como o ala Neuton ou o torcedor Toninho. Mas vou citar apenas mais um e que seja uma homenagem a todos que começam a entender o compromisso que assumiram ao vestir o manto tricolor: Rodrigo.

Nosso zagueiro encarou o adversário que teve o atrevimento de lhe agredir na entrada do gol que defende, não teve medo da punição do árbitro pois sabia que ali era momento de mostrar quem manda dentro da área. Mancou parte do jogo, sem nunca tirar o pé. E foi decisivo ao “chutar” a bola de cabeça e marcar o primeiro gol do Grêmio. Rodrigo, o Patrão da Área, foi, hoje, o das duas áreas.

Os sinais deste domingo se completaram com o gol de Borges que nos ofereceu uma vantagem considerável para a partida final no Olímpico Monumental. Sua comemoração com cambalhotas e piruetas me fez lembrar André Catimba, e a final de 1977, quando assisti ao primeiro título gaúcho do Grêmio.

O de 2010 ainda não vencemos, mas teimo em acreditar na mensagem que recebi ao fim de uma boa conversa durante todo o jogo pelo Twitter

Twitter Marcia Pilar

Avalanche Tricolor: Cor e coração

 

Avai 4 (3) x 5 (2) Grêmio
Copa do Brasil – Florianópolis (SC)
Camisa Branca

Uma camisa branca com alguns riscos azuis cruzando na horizontal. Muitas marcas de empresas poluindo o ambiente e competindo com o emblema tricolor. De frente da TV, com a câmera à distância, dava para desconfiar que não era o Grêmio em campo, no estádio da Ressacada, em Florianópolis. Foram necessários 45 minutos, ou melhor, foi necessário começar o 2º tempo para ver que aquele time alvo tinha brio, tinha coração.

Houve um gol de Jonas na conclusão de uma bola que parecia não querer entrar, que amorteceu no seu peito e estufou a rede. Houve até mesmo um gol de falta de Fábio Rochemback em um chute que vazou a barreira e só foi contido quando a bola estava presa no ‘fundo do poço’ – como tenho saudade de ouvir esta expressão. Nem um nem outro, porém, foram suficientemente significativos para que eu tivesse identificado o meu Grêmio naquele time que vestia branco.

Foi o carrinho de William Magrão impedindo que o adversário partisse de seu campo, comemorado com os punhos cerrados. Foi uma despachada de bola pela lateral evitando o cruzamento perigoso, festejado por Rodrigo com um soco no ar. Foram chutes sem direção, mas com a intenção de salvar uma história na Copa do Brasil. Foi a classificação com o goleiro fazendo milagres, três volantes em campo, um só atacante na frente e o placar no limite. Foi tudo isso que me deu a certeza de que ali estava o time pelo qual torço. E sofro.

E como sofro.

Avalanche Tricolor: Sofrer na internet

Grêmio 3 x 1 Avaí
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

g_0__dsc6746

São cerca de 300 canais à disposição e passei um por um em busca das imagens do Grêmio. Havia nove emissoras transmitindo quatro jogos diferentes: da Libertadores, da Copa do Brasil e mais um VT de times que não guardei o nome. Nenhum acompanhando o time quatro vezes campeão e que mais finais fez na competição.

Que os canais abertos estivessem mais atentos às partidas de São Paulo, não há o que discutir. São emissoras comerciais, sobrevivem graças a audiência e não faria o menor sentido se não estivessem com os clubes paulistas na tela. Mas a TV fechada teria de ser a opção. Poderia muito bem oferecer esta oportunidade aos torcedores. Preferiram disputar público com eles próprios, inclusive abrindo os canais de PPV para partidas que estavam na concorrente.

Foi-se, porém, o tempo em que na falta da televisão, me obrigava a levantar a antena de um rádio Transglobe que ficava escondido no armário durante a semana e de lá somente era retirado para sintonizar as emissoras de Porto Alegre em dias de jogos do Grêmio. Deixava-o escondido, pois temia algum boicote da família incomodada com a chiadeira emitida nos 90 minutos de partida. Às vezes, não conseguia entender direito o nome do autor do gol, mas a força do grito do narrador sinalizava ao menos se era o time da casa que havia marcado.

Com a internet, o “radião de pilha” ficou abandonado. Transferi minhas emoções para a tela do computador, onde após três, quatro, cinco tentativas se encontra algum link com capacidade de trazer até você cada segundo de esforço dos seus craques, de estratégia do seu técnico e vibração da sua torcida que lota as arquibancadas – isso quando o time em campo e os torcedores no estádio lhe oferecem tudo isso, é lógico.

Hoje, a torcida me transmitiu esta energia cantando, nos fones de ouvido de meu computador, desde seus gritos de guerra até seu hino de paixão que, no caso do Imortal Tricolor pode ser tanto o criado por Lupicínio Rodrigues, conhecido mundialmente pelo refrão “Até a pé nós iremos”, ou o Rio-Grandense, uma marca dos gaúchos nos campos de futebol.

O Grêmio também fez a sua parte com Jonas e Borges mostrando que formam dos melhores ataques do Brasil e Vítor, indiscutivelmente, defendendo o título de melhor goleiro. Muito mais do que isso não fizemos e parece que o time não irá fazer mesmo, apesar de esboçar boas jogadas e trocas de passe.

É uma sina que nos persegue na TV, no rádio, na internet ou em pé na “geral”: sofrer acreditando na vitória quando estamos em desvantagem no placar e temer pelo pior mesmo quando a diferença de gols nos é favorável.

Vá entender este coração tricolor !

Avalanche Tricolor: Que noite !

 

Grêmio 1 x 2 Pelotas
Gaúcho – Olímpico Monumental

dsc_9380_l

A noite em que até o capitão Vitor se atrapalhou e não defendeu nenhum pênalti. A noite em que o maestro Douglas errou mais passes do que acertou. A noite em que Jonas não foi o peladeiro com que nos acostumamos e sumiu em campo. A noite em que o juiz decidiu apitar todas contra nós. Esta noite só podia ser aquela em que deixaríamos para trás nossa invencibilidade e nossas marcas históricas.

Porque esta noite em algum momento teria de chegar. E como esta era inevitável que fosse agora, em tempo de se recuperar, pensar, treinar e se preparar para a decisão do Campeonato Gaúcho, para a qual estamos convocados antecipadamente – não esqueça disso, caro corneteiro de plantão.

Somos craques em desmentir os astros, em driblar o que nos haviam preparado de pior, portanto temos apenas que nos resignar e aprender quando algo como o que ocorreu nesta noite se concretiza.

Somos o Grêmio e sabemos como ninguém que o destino não é uma história acabada, nós é que temos de escrever seu último capítulo e isto só é feito por aqueles que não desistem nunca, que não vencem na véspera.

Lição aprendida, bola pra frente, pois somos nós os Imortais !

Avalanche Tricolor: Tá na história

 

Juventude 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental


Foi a décima-quinta vitória consecutiva na temporada, marca jamais alcançada por nenhum outro time que vestiu a camisa do Grêmio. O Imortal 2010 faz sua própria história sob a desconfiança dos adversários e mesmo de muitos torcedores que ainda temem a próxima partida – seja esta qual for. É talvez este olhar receoso que desafia os jogadores tricolores e os fazem superar as expectativas, a registrarem ao fim deste feriado de Páscoa a melhor campanha do futebol brasileiro com 88% de aproveitamento.

A quem lembrar que boa parte destes jogos foi válida pelo Campeonato Gaúcho, bom não esquecer que mesmo equipes respeitadas pela crítica não foram capazes de alcançar esta sequência vitoriosa em temporadas anteriores. Não custa citar que o “Queridinho da Crônica” enfrentando os mesmos adversários não somou 15 vitórias em toda a competição. Classificou-se na bacia das almas para esta próxima fase, na qual o Grêmio chega como líder absoluto.

O Grêmio tem decidido suas partidas nos primeiros 15 minutos, foi assim nas quatro últimas. Jonas, mesmo sozinho no ataque, é o goleador do ano (13 gols) e merece todos nossos aplausos. Não vejo hora dele se reencontrar com Borges, fora há mais de um mês por lesão.

Douglas, o 10, é o Tcheco com mais saúde. Forte para dividir, mais ainda para manter a bola em seus pés. É capaz de encontrar companheiros em lugares que a televisão não mostra (tudo bem que os diretores de TV, no PPV, não têm se esmerado muito no corte das imagens). Tem um passe preciso e lança com açúcar e afeto como fez no primeiro gol.

É preciso, porém, que se abra um parágrafo nesta Avalanche para destacar um jogador que tem sido fundamental nesta campanha. Experiente, firme e talentoso, o zagueiro Rodrigo, que chegou neste ano, joga com pinta de quem logo se transformará em “Cherifão do Tricolor”. A presença dele no time fechou espaços que permitiam o assédio constante dos adversários, no início do ano (lembra quantas vezes tivemos de virar o placar ?). Hoje foi forte quando preciso, tranquilo na medida certa e ainda se deu ao luxo de despachar uma bola da nossa área, aos 40 e tantos minutos do segundo tempo, de calcanhar (só não precisa exagerar, prefiro bem mais uns carrinhos de vez em quando).

Jonas, Douglas e Rodrigo ainda precisam fazer mais, muito mais, para merecerem o título de Imortal, necessitam confirmar este título Gaúcho, seguir em frente na Copa do Brasil, abrir caminho na Libertadores e azarar os “Queridinhos da Crônica˜. Mas já podem dizer por aí que após mais esta vitória, a décima-quinta seguida, entraram para a história. E eu me orgulho disto.

Em tempo: Recebo informação de Arigatô que a marca de 15 vitórias consecutivas é sul-americana. Confira no Blog Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: Um time cinquentão

 

Grêmio 2 x 0 Esportivo
Gaúcho – Olímpico Monumental

Têm sido arrasadores os inícios de partidas do Grêmio. Bolas alçadas na área, chutes de fora, troca de passe em velocidade, tudo isso antecedido de uma marcação forte que não deixa o adversário pensar. E gol, gol, gooooool !

Foi assim no meio da semana, com a vitória conquistada em 15 minutos. Repetiu-se neste domingo com 10 minutos de partida. E quando o resultado não sai logo, em algum momento aparece. Nos últimos 13 jogos foi o que se viu. Uma sequência de vitórias prestes a dar ao Grêmio mais uma marca histórica, como lembrei na Avalanche Tricolor de quinta-feira. Mas para esta ainda precisamos esperar o Votoraty (SP) pela Copa do Brasil.

Hoje, é momento de comemorarmos outro feito. O Grêmio completou 50 partidas invicto no Olímpico Monumental. Jogos de Campeonato Gaúcho, sim. Mas, também, de Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e todo tipo de competição em que estivemos envolvidos. Jogos que valiam três pontos, com adversários dispostos a se superar para acabar com esta história, provar que não somos invencíveis ou Imortais. Não foram capazes.

Já há quem sonhe em manter esta escrita até os últimos dias do Olímpico, quando fecharemos as portas para a troca de endereço, a caminho da Arena que se inicia na metade deste ano e deve ser entregue em dezembro de 2012. Nesta semana, aliás, estreou o site do novo estádio, visite e deixe seu recado.

É um sonho alucinado, sem dúvida. Uma invencibilidade de quatro anos é para se transformar em feito mundial. Leve em consideração, porém, que também poucos acreditavam que completaríamos 18 meses sem uma só derrota em casa. Afinal, quando o Grêmio está é campo não é apenas para jogar futebol, como vimos nestes últimos jogos, é para escrever sua história.