Avalanche Tricolor: Grêmio, o líder e o melhor

 

Grêmio 2 x 1 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental


Campeão do 1o. turno, líder isolado do 2o, líder geral do Campeonato, 49 vitórias em casa, 13 partidas invicto e as 12 últimas com vitória. Nem sempre os números mostram a realidade, mas estes são incontestáveis. Põem o Grêmio, não a frente dos adversários no Rio Grande do Sul,  a frente de todos os demais no Brasil, mesmo daqueles aplaudidos como fantásticos. O Imortal tem aproveitamento de 82% na temporada.

Há quem ainda assim olhe de revesgueio, como diriam os patrícios lá no Sul.

Para estes, temos mais do que números, temos jogadores. No gol, Vítor é o melhor goleiro do Brasil, que não bastasse fazer com perfeição seu trabalho, ainda se dá ao luxo de defender pênaltis, como nesta noite. Na defesa, Mário Fernandes dá gosto de assistir pela forma como marca e se desmarca. Poderia incluir Rodrigo pela eficiência, mas este parece preferir o anonimato de uma marcação bem feita e um carrinho certeiro em lugar de qualquer elogio festeiro.

No meio, me permitam elogiar alguém esquecido pela crítica: Douglas. Por mais que admire Tcheco, o atual camisa 10 gremista está a frente dele neste momento. Joga com segurança, recupera-se com rapidez, limpa o lance com uma tranquilidade irritante (para o adversário), tem visão do que ocorre dentro de campo e lança com precisão. Soma-se aquele cabelo a lhe oferecer uma cara de vingador, cara de quem sabe vestir a camisa tricolor.

Lá na frente, mesmo sem o goleador Borges, surgem duas figuras curiosas, Maylson e Jonas. Desengonçados para correr e driblar, passam seus adversários e poucas vezes deixam de marcar gols. Quando não é um, é outro. Às vezes, são os dois.

No lado do campo, Silas dá sinais de que encontra o time ideal, e sabe que logo terá todos os demais titulares prontos para entrar. Mesmo os mais exigentes torcedores cansaram de vaiá-lo, reconhecendo os avanços de uma equipe que, hoje, marcou de forma incansável até resolver o placar em pouco mais de 15 minutos de partida.

O Grêmio supera marcas a cada rodada. Faltam apenas dois jogos, Esportivo e Votoraty, para alcançar a sequência recorde de 14 vitórias do Campeão Gaúcho de 1979, treinado por Orlando Fantoni, time de Manga, Anchieta, Paulo César Caju, Tarciso e Éder. Lembra-me, em alguns lances, o Grêmio-Show, Tetracampeão com Mazarópi, Bonamigo, Cuca, Cristovão, Lima e Valdo, de 1988.

Você deve estar me achando otimista de mais a esta altura do campeonato. Talvez esteja mesmo e, em breve, veremos que este time que está em campo não é o Grêmio de 79 nem de 88, menos ainda o de 81, Campeão Brasileiro, ou o de 83, Campeão da Libertadores e Mundial. É apenas o Grêmio de 2010. E isso não é pouca coisa.

Avalanche Tricolor: Obrigado, Serginho !

 

Ypiranga 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Erechim


Seu Getúlio estava lá, garboso. Ao lado dele havia mais dois ex-presidentes, dos quais não me orgulho pelo que fizeram. Érico parecia bem acompanhado. Pude ver no entorno dele Capitão Rodrigo, Vasco Bruno, Quitéria e Ana Terra. Ou seria imaginação minha ? Eduardo Bueno diante de tantos personagens tinha muita história para contar. E não parou de falar (nunca para). Neste quesito tinha Nico Nicolaiewsky como parceiro.

Por falar em músico, Elis Regina cantarolava o hino com Kleiton Ramil fazendo a segunda voz, eles seguiam o ritmo de uma banda eclética que tinha da guitarra de Humberto Gessinger a sanfona de Renato Borghetti na formação. Pra descrever este momento único da história do Imortal Tricolor não faltavam jornalistas: Lenyr Martins , Mário Marcos e Paulo Sant’Ana – com o Vasquez ‘chargeando’ todo feito.

Até agora não entendi bem o que eu fazia nesta festa de ilustres gremistas que acometeu meus sonhos na tarde deste domingo. Sei, porém, quem foi responsável por este delírio: Serginho Xavier, jornalista de mão cheia, editor da Placar, gaúcho e, acima de tudo, gremista fanático – mesmo que tente me convencer de que “o tempo foi passando, o fanatismo foi diminuindo ano a ano, até por exigências profissionais. Virar jornalista me ensionou a ver o mundo por diversos pontos de vista”.

Esse amigo de arquibancada acaba de escrever “O dia em que me tornei … GREMISTA”, pela Panda Books. Livro desses que cabe no bolso e não sai da memória da gente principalmente quando somos surpreendidos ao ver nosso nome na lista de “Torcedores Ilustres”.

Não merecia tanto, Serginho. Não estou a altura desta turma toda que você nominou. Mas agradeço. Sua gentileza me fez sonhar um sonho quase impossível. Sonho tão bom que quando acordei, o Grêmio já estava vencendo a 11a. partida seguida na temporada. E de virada, se superando, como sempre foi na nossa história.

Avalanche Tricolor: Tem de rebolar

 

Votoraty 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Votorantim (SP)

Jonas é dos mais desengonçados atacantes que conheço. Ensaia belos dribles que nem sempre se completam, inventa chutes que na maioria das vezes acaba atrás da goleira e em campo carrega um olhar que me causa estranheza. Quando sofre falta joga-se no chão agarrado ao tornozelo e rola como artista de baixa qualidade, tenha sido atingido ou não. Chega a ser engraçado.

Mais graça ainda tem quando alcança seu objetivo: o gol. Nem tanto pelo gol em si – o que, convenhamos, já seria suficiente para me levar as gargalhadas -, mas pela dança desajeitada diante das câmeras. Hoje, acompanhado por alguns colegas, saracoteou na linha de fundo após fulminar a rede adversária com uma cabeçada, aos seis minutos do segundo tempo. Rebolou, mexeu as pernas, balançou os braços. Ao fim, confessou que a ideia foi de Douglas que ensaiou com ele no vestiário, antes da partida.

As coreografias de Jonas são conhecidas no estádio Olímpico desde que voltou a jogar pelo Grêmio. Faz a coisa tão mal que a mãe dele pediu para que deixasse a dança de lado, no ano passado. Foi atender o desejo materno, se machucou e ficou fora do time na parte final da temporada. Por isso, prefiro vê-lo faceiro a comemorar gols em vitórias necessárias como a desta tarde na pequena Votorantim, pela Copa do Brasil.

Necessárias porque a diferença entre os dois times é evidente e vai muito além do placar conquistado. Porém, dadas as condições impostas ao Grêmio para a prática do futebol foi de bom tamanho. O campo de jogo não merecia este nome. Era um enorme retalho de grama e buraco colocando em risco a integridade de jogadores profissionais. Aqui em São Paulo, encontra-se na várzea gramados melhores e dimensões maiores, inclusive com iluminação o que não ocorre no Domênico Paolo Metidieri, assim batizado em homenagem ao ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, comendador Alfredo Metidieri – será motivo de orgulho para a família ?

Vítor, nosso goleiro e capitão, sério de mais para comemorar os gols com remelexos, comentou de maneira precisa, como suas defesas: – Ganhamos de dois adversários, o Votoraty e o gramado. E o Grêmio teve de rebolar muito para esta dupla conquista.

Avalanche Tricolor: Futebol de guri

 


Grêmio 3 x 0 Inter SM
Gaúcho – Olímpico Monumental

O Grêmio não convence. Mithyuê, 21, começa a jogada do lado direito e com um passe bonito na bola aciona Jonas, 26, que de primeira recua para Maylson, 21, que enfia a bola entre os zagueiros para que esta chegue mais uma vez a Jonas já na área. O atacante chama atenção da defesa que o segue para a direita e com um só toque deixa o gol vazio diante de Maysol que faz o seu segundo na partida.

Mas o Grêmio não convence. Então Mithyuê, 21, aparece do lado esquerdo, já dentro da área. Tem categoria para driblar e com mais um passe sutil dar a oportunidade de Fernando, 18, fazer o primeiro gol dele entre os profissionais.

E o Grêmio segue sem convencer. Ganhou a Copa Fernando Carvalho, é a melhor campanha da Copa Fábio Koff, tem nove vitórias seguidas e uma invencibilidade histórica em seu estádio e fez 3 a 0 no Inter de Santa Maria – resultado que em alguns manuais esportivos é chamado de goleada.

Nada disso cala os comentaristas esportivos que fazem das críticas ao Grêmio sua ladainha preferida. Esquecem que seis dos jogadores considerados titulares estão afastados por problemas médicos. Dão de ombros à dificuldade de Silas repetir o time dois jogos seguidos. São incapazes de enxergar o que se constrói no estádio Olímpico.

Além dos meninos que participaram diretamente dos três gols desta noite, em Porto Alegre, estavam em campo o indiscutível Mário Fernandes, 19, o atacante Bergson, 19, e o volante Adílson, 23. Gente nova, criada em casa, preparada para jogar futebol de verdade, no qual o toque de calcanhar é regalia dispensável se o bico da chuteira for mais apropriado para o momento. Que nem por isso deixam de tratar a bola com o respeito e o carinho (ou o carrinho) que esta exigir. Jogam um futebol de guri, não de moleque

O Grêmio não convence – repetirão eles amanhã nos jornais. O Grêmio vence !

Avalanche Tricolor: Bem cedinho

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz (RS)

Tenho de acordar às seis da manhã e mesmo que me acostume a dormir tarde, assistir aos jogos que encerram a rodada da noite de quarta é sempre um esforço a mais. Principalmente por este compromisso de publicar a Avalanche Tricolor imediatamente após a partida. Minha jornada esportiva particular se encerra no começo da madrugada. Sem contar que com o jogo em andamento, não consigo fazer outras tarefas que precisam ser concluídas antes de dormir.

Se você é daqueles que apoiam o fim dos jogos que se iniciam às nove e 50 da noite, esqueça. Apesar de saber que o ideal é que os jogos se iniciassem mais cedo, não farei coro a ideia. O futebol está em um regime profissional e vem da televisão parcela importante do dinheiro que permite a compra dos jogadores que tanto reclamo. Alguma concessão os clubes tem de fazer.

Lembro, ainda, que apenas uma das partidas e somente da rodada de quarta-feira é que leva o torcedor a este sacrifício. Todas as demais são mais cedo nem por isso o público é maior. Nesta noite, por exemplo, o estádio dos Eucaliptos – de arquibancadas acanhadas e gramado esburacado – estava lotado, em Santa Cruz do Sul. Sei que não era preciso muito. Mas o que quero dizer é que não é o horário que afasta o torcedor, é a falta de infra-estrutura e segurança.

O vereador petista Enio Tatto está com projeto de lei que pede o encerramento das partidas no máximo às 11 da noite. Que me desculpe o parlamentar – torcedor do Grêmio assim como eu, mesmo morando há muitos anos em São Paulo -, mas esta questão me parece perfumaria. Muito mais significativa será a discussão em torno de outros ítens da proposta dele que prevê a identificação do comprador dos ingressos, bilhetes nominais, obrigações para os cartolas que doam entradas às organizadas e punição aos baderneiros com o afastamento dos estádios.

Você deve se perguntar por que falo deste assunto se poderia mais uma vez “rasgar seda” para o Imortal Tricolor. Primeiro, porque para escrever sobre este tema não precisava esperar até o fim da partida; segundo, porque com 59 segundos de jogo o Grêmio já vencia e começava o segundo turno como encerrou o primeiro: vencendo e na liderança.

Avalanche Tricolor: A Taça é nossa

 

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Grêmio 1 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

Minutos antes de confirmar o título, havia apenas um atacante no time. Assim mesmo, foi ele quem estava disputando a bola na intermediária. Tínhamos cinco defensores, entre zagueiros e alas; seis com Vitor, o melhor goleiro do Brasil, que é nosso ponto de equilíbrio. Diante deles, três volantes em campo – e foi dos pés de um, Ferdinando, que surgiu o único gol da partida, feito lá no primeiro tempo e de bola parada como gostam de desmerecer os comentaristas esportivos.

A falta era distante da goleira, mas de frente para ela. Tinha uma barreira enorme para atrapalhar o ataque gremista. Foi então que Ferdinando fez aquilo que a gente costuma fazer em campo de várzea: dá uma bica na bola, daquelas de espalhar jogador adversário pra todo lado. Foi um chutão, também, nas muitas críticas que se voltam contra ele.

É que Ferdinando caiu na antipatia do torcedor no primeiro minuto de jogo. Não deste, mas o da sua estreia na temporada. A bronca mais amena: é o “queridinho” do Silas – como destacou em manchete o portal Terra agora há pouco -, só porque esteve com ele por dois anos no Avaí (SC). Mesmo sendo um destruidor de jogadas (do adversário, lógico) é vaiado quase sempre. Talvez pela dificuldade em resolver o que vai fazer com a bola depois que a tira dos pés inimigos.

Tinha de ser dele o gol nesta decisão em que as jogadas mais emocionantes foram carrinhos com dois pés no alto, um deles cometido por Rochemback, corridas intermináveis de Hugo e Fábio Santos para evitar que a bola saísse pela lateral e uma despachada de Maylson para jogá-la bem além da lateral. Talvez seja um pouco de exagero meu: houve dribles do Mário Fernandes, também, e poucos chutes em direção ao gol, mas gostei mesmo foram dos carrinhos e chutões – até porque embalados pelo canto do hino rio-grandense que ecoava nas arquibancadas do Olímpico Monumental.

Você que lê esta Avalanche deve imaginar que a partida que decidiu a Taça Fernando Carvalho (sim, é o nome do ex-presidente do co-irmão), que vale o 1o. turno do Campeonato Gaúcho, com tantos jogadores para destruir e quase nenhum para criar, foi feia e mal-jogada. Tem toda razão, foi mesmo. E quem disse que para ser campeão tem de jogar bonito ? Pra ser campeão tem de chegar à frente do adversário, seja em pontos, em gols ou na divida da bola.

E o Grêmio cumpriu seu papel e por isso é campeão.

Avalanche Tricolor: Um time se constrói

 


Grêmio 4 x 1 Inter SM
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foram 13 finalizações, quatro gols marcados, somente dois chutes contra e apenas cinco minutos para decidir o jogo e se habilitar a primeira final da temporada, domingo que vem, quando estará em disputa o 1º turno do Campeonato Gaúcho. Estes são os números que resumem a história de mais uma vitória do Imortal Tricolor diante de sua torcida e embaixo de um insuportável calor que fez o time impor ritmo despretensioso no segundo tempo.

Mesmo assim haverá críticas ao fato de, em mais uma partida, termos tomado um gol, o décimo-quarto em 11 disputadas neste ano. Lembrarão que em praticamente todas o time saiu em desvantagem(e virou o placar na maioria, mas isto não parece ser levado em consideração). E, claro, alguém colocará em dúvida a capacidade do técnico Silas comandar o Grêmio (até concordo que ainda terá que mostrar muito mais até convencer a todos).

No jogo dos números se esquece de olhar a alma de uma equipe, o movimento de seus jogadores, o esforço medido de acordo com a necessidade de cada momento e o olhar cúmplice de colegas que estão juntos há pouco mais de um mês. Não aparece o carrinho para buscar a bola que escorrega pela lateral, a dividida com o adversário que arrisca a própria integridade física para não perder a jogada e coloca em risco a sequência no campeonato ou a troca de passe qualificada, com velocidade e para frente.

Foram nessas cenas que apareceram isoladas nos 90 e poucos minutos da partida – a maioria jamais será reprisada na transmissão da televisão – que a história de um time se constrói. E foram elas que me chamaram atenção nesta noite infernal (34º) no estádio Olímpico em que os torcedores cantaram e aplaudiram quase o tempo todo, pois identificaram – assim como eu – que algo de muito bom está para acontecer neste ano.

Os gols de Rafael Marques, Borges (11 em 11 jogos), Fábio Rochemback e Hugo apenas ilustraram o que o Grêmio fez em campo, serviram para abrir os olhos de quem comenta com o preconceito e a desconfiança – estes sentimentos que, historicamente, encaramos e somos obrigados a superar a todo momento.

Domingo que vem – pouco me interessa quem será o adversário – estaremos em campo mais uma vez para mostrar que há um amadurecimento e estamos a caminho de um grande conquista. Que pode ocorrer daqui uma semana ou no decorrer do ano, mas que irá ocorrer. Temos um time.

Avalanche Tricolor: A primeira decisão do Mário

 


Grêmio 4 x 2 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico

Foi a primeira decisão do ano, jogando em casa, precisando apenas do empate e contra um adversário que talvez você nunca tenha ouvido falar.  E o que estava em jogo era apenas uma vaga na semifinal do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Apenas?

Seja sincero. Quando seu time entra em campo toda e qualquer partida tem importância. Ninguém quer perder, ouvir o torcedor adversário que senta na mesa ao lado corneteando no seu ouvido ou abrir o jornal do dia seguinte e ler os comentarista criticando a sua equipe. Imagine, então, se este jogo é eliminatório. Perdeu, está fora. Vai ficar em casa assistindo aos demais disputando a competição para voltar apenas no segundo turno.

Desculpe-me se você desdenha momentos como esse. Eu, não. Por isso, desde cedo tenho anunciado: hoje é dia de decisão. E decisão em ritmo de copa é com o Grêmio mesmo. Time que neste ano havia jogado nove partidas e em oito saído atrás no placar.

Foi com este espírito – o de decisão – que o Imortal Tricolor entrou no estádio Olímpico, onde há um ano e cinco meses não perde uma partida sequer. E logo de cara nossos atacantes mostraram  porque estão entre os goleadores do campeonato: Jonas, com drible e oportunismo, e Borges com categoria e esperteza deixaram as suas marcas, mais uma vez. (Borges já fez 11 gols na temporada; quantos o Washington marcou, mesmo ? Quatro ?). Hugo que entrou faltando 10 minutos também fez um e tem muito a agradecer pela jogada do colega Borges.

Dedico o último parágrafo desta Avalanche para falar do terceiro gol gremista. Contrariando a natureza, o grandalhão Mário Fernandes é habilidoso com a bola nos pés. Hoje, aos 38 minutos do segundo tempo, o menino que ainda vai completar 19 anos marcou o primeiro gol como profissional. Não foi um gol qualquer. Foram sete cuidadosos toques na bola em jogada que se iniciou fora da área, com a cabeça erguida, desafiando o marcador que recuava a cada passo que ele dava, gingando o corpo para desviar do zagueiro, livrando-se dele com leve toque de pé esquerdo que o deixou diante de seu objetivo. Preciosista ainda deu mais uma ajeitada com o pé direito para concluir cruzado e correr para a torcida que já o tem no coração.

E esta foi apenas a primeira decisão que o Mário disputou. Que Mário ? Calma, um dia você vai conhecê-lo melhor.

Avalanche Tricolor: No calor das emoções


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Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foi a primeira partida do ano que não assisti por inteiro. Aliás, não vi um só minuto do jogo, pois ao chegar em casa, após uma tarde em que política e cidadania foram o foco das conversas do Adote um Vereador, no Sesc Pompeia, liguei a televisão e os jogadores deixavam o gramado com mais uma vitória de virada no Gaúcho.

Nas entrevistas, ficaram em segundo plano o belo gol de Mithyuê e o oportunismo de Fábio Santos em jogo “amistoso” no qual o único objetivo era manter a invencibilidade no estádio Olímpico que completa um ano e cinco meses. Entenda as aspas em amistoso: o Grêmio havia garantido classificação à próxima fase com dois jogos de antecedência e o primeiro lugar no grupo na rodada anterior.

Os jogadores que encerraram a partida falaram em dificuldade para respirar, esforço sobre-humano e calor insuportável. Eram sobreviventes de uma estratégia insana de dirigentes incapazes de entender o que sofre o corpo exposto a atividade física sob o sol escaldante do verão gaúcho. Os mesmos que criticam a autorização para jogos disputados a mais de 2.500 metros de altitude, fazem vistas grossas a temperatura de quase 37º.

No Rio Grande do Sul, por imposição do Ministério Público, as partidas não podem ser jogadas quando os termômetros registram mais de 35º. O árbitro vai a campo com um medidor de temperaturas em mãos, e foi com base na informação de uma dessas maquininhas digitais que o Carlos Eugênio Simon autorizou o início do jogo. Bastava ver a expressão desses atletas após a partida para entender que seria impossível praticar futebol de qualidade.

Mesmo nestas condições, o torcedor assistiu ao primeiro gol de Mithyuê, um menino que aceitou trocar o título de ídolo do futsal por craque no futebol de campo. E não vai se arrepender – nem ele nem os torcedores. Tem talento, habilidade, inteligência e marca gols como o desta tarde em que acertou um belo chute de fora da área.

Ter deixado de assistir à partida deste sábado de Carnaval não chegou a me incomodar. Havia uma boa justificativa para tal, não fui cúmplice do desrespeito imposto aos atletas e, convenhamos, Mithyuê ainda vai jogar muita bola para a alegrai do torcedor gremista.

Avalanche Tricolor: De Rondonópolis para o Japão 2011

 


Araguaia 1 x 3 Grêmio
Copa do Brasil – Rondonópolis (MT)

Quatro vezes campeão, sete vezes finalista, copeiro. Poucos sabem tanto quanto o Grêmio como são complicadas as estradas que levam ao título da Copa do Brasil. Neste ano, começou em Rondonópolis, 210 quilômetros de distância da capital Cuiabá, no sudoeste do Mato Grosso, apenas metade do caminho de onde veio o primeiro adversário, Alto Araguaia, terra de gente valente, lutadora.

É preciso coragem pra dividir a bola com um zagueiro que encara este como o último jogo de sua vida ou um atacante que enxerga a rede como a única garantia de que terá comida no prato no dia seguinte. Por isso, é quase um ato de bravura entrar em campo nestas primeiras rodadas da Copa. E para premiar os bravos, a CBF oferece a oportunidade de eliminar a segunda partida em casa se houver vantagem de dois gols de diferença jogando fora.

O Grêmio saiu atrás no placar, empatou, virou e se classificou para a próxima etapa por antecipação. Antes disso, assistiu a mais uma excelente atuação de Vítor; demonstrou que Mário Fernandes é o melhor defensor que temos; pela primeira vez comemorou alguma coisa boa dos pés de Rochemback – duas, se contar a sola que deu em uma dividida de bola (desculpa, eu vibrei !); e comprovou que Borges tem o espírito de goleador.

Fez dois gols na partida, dez na temporada e dá de goleada na disputa paralela com Washington, do São Paulo: 10 a 2. E não me venham com este papo de desqualificar o adversário.

O homem é matador. Tá na cara. Tanto quanto o Grêmio nasceu para ser campeão da Copa.

Já comecei a arrumar minhas malas para Japão 2011.