Avalanche Tricolor: Tô em casa

Tcheco faz a festa em casa

Tcheco faz a festa em casa

Grêmio 4 x 1 Cruzeiro

Brasileiro – Olímpico Monumental


Um mês longe de casa. Deste tempo todo, 20 e tantos dias fora do Brasil e quase uma semana, em Porto Alegre, terra natal. Neste ritmo, o último fim de semana de férias foi pra colocar as coisas em ordem. Ajeitar as roupas, organizar a mesa do escritório, repor o estoque de comida e abrir o correio. Como a gente recebe publicidade na caixa postal (ninguém inventou ainda um anti-spam para correio não-digital ?).

Por melhor que sejam as dependências que contratamos para descansar e por mais queridos que sejam os que nos recebem na viagem, estar em casa é sempre confortável para todos. A cama é a que estamos acostumados e sabemos o que cada armário guarda, além de se ter tranquilidade para deitar no sofá embaixo das cobertas para assistir na televisão ao seu time preferido. Dá até para xingar o atacante que não cansa de desperdiçar boas jogadas, reclamar do juiz mesmo quando a bronca não é justa e gritar alto para comemorar um, dois, três, quatro gols como neste domingo.

Imagino que seja esta mesma sensação que leva o Grêmio e seus jogadores a serem tão superiores quando estão em casa, no gramado do Olímpico Monumental. Se sentem confortáveis para trocar passes, não ficam constrangidos em ensaiar um drible sobre o adversário e arriscam chutes da maneira como a bola vem. Ouvem a música que mais preferem, cantada pelos músicos que admiram e por quem são admirados: “Até a pé nós iremos ….” na voz da torcida do Imortal.

Curioso é que se sentindo bem apenas em casa, ainda assim conseguimos estar tão perto do G-4. Com apenas um ponto conquistado fora, somos o sexto colocado e estamos prontos para disputar a liderança em duas ou três rodadas, no máximo. Vai ser preciso um pouco mais de atrevimento, é verdade, mesmo na casa dos outros.

Por falar nisso, tem coisa mais caseira do que este cheirinho de Libertadores que já começamos a sentir ?

Avalanche Tricolor: Merecemos mais

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Hospitais costumam ser frios e brancos. Nunca encontraremos neles, por mais que seus administradores se esforcem, o aconchego de nossas casas, não bastasse o fato de jamais estarmos lá por um bom motivo. A meta é nobre, sem dúvida: sairmos pela porta da frente com mais saúde do que entramos. Mas só vamos para lá por razões no mínimo desconfortáveis.

Nesta noite de quinta, um gremistão de quatro costados de quem tenho orgulho de ser filho esteve sentado em uma grande poltrona bege diante de um computador se esforçando para assistir ao seu time de coração. A TV pendurada na parede a frente da cama móvel, infelizmente deu preferência a outras partidas do Campeonato Brasileiro. Nunca entendi bem o critério das emissoras para escolher qual jogo iriam transmitir, principalmente os canais a cabo. E ‘pagar-para-ver’ não é opção oferecida nos estabelecimentos hospitalares, ainda. Tem mais com que se preocupar.

A conexão não é boa, a imagem também não. O radinho de pilha sintonizado na Rádio Guaíba, da qual é funcionário há mais de 50 anos, é a salvação para este momento de angústia (esportiva). Tentei amenizar a situação, dizendo que mais interessante do que a partida são os bons resultados nos exames médicos, mas ele não se convenceu: “sei disso, mas para mim é importante, também”.

Conseguiu ver parte da partida e ouvir toda ela, mas tenho certeza de que se a pressão foi medida logo após o jogo apresentou forte variação. Ver o Grêmio perder mais uma vez fora de casa, mesmo contra um time como o São Paulo, causa alterações no humor e no coração. Principalmente, quando o árbitro é tão incompetente quanto alguns jogadores que vestem a camisa do clube que você ama.

Assisti de maneira bem mais confortável ao jogo desta noite. Aliás, assisti bem pouco ao jogo, pois estava muito mais atento a melhoria nos índices medidos pelos aparelhos médicos do que nas estatísticas anunciadas pelos comentaristas. E de todas as certezas que tive após os 90 e poucos minutos disputados, é que o meu pai merecia bem mais do que o Grêmio, o árbitro e a vida nos ofereceu nesta noite de quinta-feira.

O que me tranquiliza é saber que nós seremos – como sempre fomos – capazes de vencer mais esta etapa.

Avalanche Tricolor: Uma vitória e um golaço

 

Grêmio 3 x 2 Santo André
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Tá certo que minhas férias estão chegando ao fim e passarei estes quatro dias aproveitando cada minuto deste fim, por isso pouco tempo tive para assistir ao Grêmio e me sentir a vontade para escrever sobre mais uma “façanha”. Mas em certos momentos da vida, melhor que palavras é um link para compartilhar com você lances geniais como o de Souza, na noite deste sábado. Clique aqui e comemore comigo este chute genial

Avalanche Tricolor: Tô fora de casa

Avaí 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Florianópolis e o litoral catarinense sempre foram meu destino preferido, na época em que morava no Rio Grande do Sul. Férias, feriadão ou qualquer feriadinho que surgisse, eram sempre justificativa para por o carro na estrada e subir a Santa Catarina. As praias de lá sempre foram melhores do que as gaúchas – opinião que nenhum gaúcho por mais praticante que seja vai me negar. Gostava mesmo de Garopaba e arredores pelas ondas, pela areia e por toda a beleza – natural ou não.

Apesar de tantas idas, a primeira vez que lembro ter passado por Florianópolis foi ainda menino, daqueles que andam de mãos dadas com o pai, quando o Grêmio enfrentaria o Avaí, time caseiro. Terminou 5 a 0 para o Imortal, o que nos remeteu a trocadilhos com o nome da série que era sucesso na TV, Hawai 5.0. Eram outras épocas, sem dúvida.

Muitas coisas mudaram desde então, dos seriados na televisão às minhas férias. Neste meio de ano, dei preferência às atrações aquáticas verão no Hemisfério Norte. Já citei nesta Avalanche sobre a viagem para Bermuda (foto), o sol se escondendo no horizonte e o mergulho da semana passada.

Nesta quarta-feira, não havia mar próximo de onde estou e, apesar do sol, a opção pela lagoa não era a melhor no meu caminho. Mas bem que tive vontade de mergulhar mais uma vez nas águas azuis e transparentes que encontrei no Atlântico em vez de assistir a esta partida do Grêmio, em Florianópolis.

Teimoso, acessei as imagens do jogo pela internet. Após os 90 e tantos minutos disputados, pensei melhor e resolvi fazer como meu time. Se ele não joga fora de casa, por que eu, estando fora de casa, também, tenho de comentar sobre ele ?

Ainda bem que a gente venceu o Gre-Nal.

Avalanche Tricolor: “Happy Birthday to you”

Grêmio 2 x 1 Inter
Brasileiro – Olímpico Monumental

Daqui da cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, diante da tela de meu computador, me emocionei ao ouvir a torcida gremista cantar em homenagem aos pioneiros Callfelz, Deppermann, Becker, Caris, Black, Mostardeiro, Brochado, Grünewald, Moreira, Booth e Schroeder. O nome deles aparecia em uma faixa estendida na arquibancada do Olímpico Monumental e está registrado no nosso coração. Esses personagens, há 100 anos,  começaram a contar uma história de vitórias e superioridade sobre aquele que seria nosso principal adversário no Rio Grande do Sul. Não me refiro a números apenas, como gostam os estatísticos, mas a feitos e fatos.

Assim como fomos antes conquistar a América e o Mundo. Fomos, também, os primeiros a vencer um Gre-Nal. E o fizemos com um resultado retumbante: 10 a 0. Agora – registre-se – ganhamos o “Gre-Nal do Centenário”.

Estejam onde estiverem, nossos heróis de ontem, assistiram, nesta tarde, a uma apresentação e tanto dos 11 que, hoje, vestem o manto do Imortal. Como nos últimos confrontos fomos melhores mas, desta vez, demonstramos isso em gols pelos pés de Souza e pela cabeça de Máxi Lopez.

Não sei se daqui 100 anos, os dois serão lembrados da mesma maneira que o são Booth (5), Grünewlad (4) e Moreira (1), responsáveis pela goleada histórica. Mas o que ambos realizaram em campo, os fazem merecedores do nosso aplauso e homenagem, também. Eles e todos os demais que participaram desta vitória, pois como disse o atacante argentino com seu portunhol quase debochado: ‘”o Grêmio foi max em tudo”.

Daqui de longe, esperando estar perto em breve, logo que publicar esta Avalanche, sairei pelas ruas desta pequena cidade americana vestindo uma camisa azul (do Grêmio) e cantarolando na língua nativa para não causar espanto:

“Happy Birthday to you
Happy Birthday to you
Happy Birthday
Dear Grêmio
Happy Birthday to you”

Nos descontos

A camisa da foto foi criada pelo Blog Grêmio Copero que só aparece grafado em vermelho neste post por burocracia técnica do WordPress

Avalanche Tricolor: Aviso aos navegantes



Grêmio 3 x 0 Corinthians

Brasileiro – Olímpico Monumental.


O sol se põe no oeste. É pra lá que olho no momento em que escrevo esta Avalanche desde a varanda de um cruzeiro que segue em direção a Ilha Bermuda. Nosso destino fica no vértice de um triângulo que teria engolido barcos e aviões dizem séries fantásticas de televisão e livros de história. Não há risco de sermos subtraído nesta figura geográfica seja porque lendas costumam causar apenas medo e expectativa seja porque atracaremos antes de entrarmos nela.


Isolado no meio do Atlântico, onde só o barulho do oceano nos alcança, além do sinal de meu celular, lembrei-me a instantes de colegas muito queridos como Heródoto Barbeiro e Cátia Toffoletto. Faz duas semanas, quase três, que estou distante deles. São pessoas de primeira qualidade, daquelas que sempre queremos ter ao lado, seja qual for o momento de nossas vidas. Hoje, em especial. Imaginei que fosse pelo prazer que sinto enquanto navego.

Descobri, navegando na tela de meu Blackberry, que havia outros motivos – excelentes motivos – para lembrar de colegas tão queridos. Durante dois ou três minutos que levaram para fechar minha conexão com os satélites que nos rodeiam e as informações surgissem diante de mim, confesso que houve alguma apreensão. Se você já baixou notícia pela WEB via celular sabe do que estou dizendo. A conexão é lenta. Aparecem algumas imagens, surgem letras, nem sempre o que você mais procura.

No serviço de web para celular do Terra, o destaque era a vitória do Atlético Mineiro sobre o Cruzeiro. Dá-lhe, Roth ! Na sequência havia declarações de Adriano sobre fazer gol e não comemorar em respeito a sei lá o quê. Eles continuam confundindo as coisas. Nos resultados da hora, tinha a goleada do Vitória sobre o Santos e outros dois resultados que não lembro mais.

Precisei navegar além para descobrir o que realmente me levava a ter saudade de Heródoto e Cátia. Mais apreensão. Mais demora para as notícias aparecerem. Houve uma ameaça de queda de sinal, mas o acesso a internet resistiu a distância. E algumas tentativas a seguir a boa nova.

Gol, gol, gooooooooooool ! Comemorei com um grito tardio que ecoou nas ondas a notícia que, finalmente, se concretizou na pequena tela de meu celular. O Grêmio havia alcançado importante vitória neste domingo. Um dia glorioso, não tenho dúvida, pois o adversário era daqueles que respeitamos desde sempre. Somos todos mosqueteiros, é bom lembrar. Nossas histórias se cruzaram muitas vezes. A última, ou melhor, a penúltima de triste lembrança para meus dois colegas de trabalho.

Pelo visto, a última, também.

O compromisso desta tarde era significativo, ainda, pois pela primeira vez nos reencontraríamos com Mano Menezes (aposto que torcedores fizeram festa para ele no Olímpico Monumental); havia Ronaldo no ataque a chamar atenção de todos, o centro-avante que um de nossos zagueiros disse não ser normal (e não é); e tínhamos um agradecimento especial pelas causas alcançadas recentemente pelo Corinthians contra nosso conterrâneo.

Com tantos atrativos não é de se espantar que Heródoto e Cátia não me saíram da cabeça mesmo em alto mar. É com eles que divido estas emoções, enquanto olho para o sol que se põe e ouço o capitão do navio anunciar: “O vento está a nosso favor !”.

Avalanche: Pela estrela de Everaldo, não a racistas


O Grêmio tem de hontar a estrela de Everaldo

Grêmio 4 x 1 Atlético PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

Da saída da Libertadores, estou recuperado. Parece que o time, também. Por mais importante que seja o futebol (haja vista o mundaréu de dinheiro que movimenta e a quantidade de gente que emprega), sou capaz de brincar comigo mesmo quando derrotado. Não por acaso escrevo esta coluna há dois anos, sempre pronto a encontrar algo magnífico, heróico, mesmo na mais pífia das performances gremistas em campo.

Mas ainda estou extremamente incomodado com título do portal Terra – onde já trabalhei e sei como as coisas do Rio Grande são cuidadas pela boa turma de jornalistas que lá está – que mal-tratava a torcida gremista ao confundi-la com uma parcela de gente sem-alma: “Torcida gremista faz insulto racista contra Elicarlos”. Tivesse ficado na manchete, a generalização se  justificaria pela necessidade de fazer caber o título no espaço reservado à notícia. Porém, o texto também inclui todos os torcedores nesta atitude repudiável: “O jogador do Cruzeiro sofreu com atos racistas por parte da torcida gremista, no Olímpico, durante a classificação dos mineiros para a decisão da Copa Libertadores”. Foram alguns torcedores, não a torcida do Grêmio, caro repórter.

Evidentemente que a reportagem do Terra é apenas um relato descuidado de algo muito mais grave: a existência de pessoas que agem de forma descriminatória e são capazes de imaginar haver raça superior, como já o fez Hitler no passado. A utilizo, porém, para mostrar o risco que nós torcedores gremistas corremos ao permitirmos que esta gente ainda fale alto na arquibancada.

Por isso, fiquei feliz ao ler a coluna No Ataque, do jornalista Diogo Olivier, no site ClicRBS, na qual destacava afirmação feita pelo presidente do Grêmio Duda Kroeff que se comprometeu a expulsar do clube, caso sejam sócios, os poucos torcedores que imitaram um macaco para agredir o jogador Elicarlos do Cruzeiro. Ficarei ainda mais satisfeito se esta promessa for cumprida. Kroeff estará sinalizando ao Brasil o quanto diferente e corajoso pode ser um dirigente de futebol neste país em que todos os erros são acochambrados para atender a interesses de grupos privilegiados.

O Grêmio merece esta atitude em respeito a sua história e a sua estrela dourada que brilha na bandeira, homenagem ao lateral da seleção brasileira tricampeã do Mundo, em 1970, Everaldo.

Tempo extra

Do jogo de hoje nada escrevo além do placar, pois como devem saber estou distante do Brasil e das transmissões de futebol na televisão. E mais um jogo pela internet é “too much” neste período de férias.

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais !

Grêmio 2 x 2 Cruzeiro
Libertadores – Olímpico Monumental


Ridgefield é uma pequena e rica cidade do estado americano de Connecticut. Futebol aqui é coisa de mulher. Das outras vezes em que vim para cá descansar vi muitas meninas batendo um bolão. Exceção feita aos brasileiros que vivem na cidade mais próxima, Danbury, poucas são as referências ao futebol do Brasil. Não chega a ser assunto em mesa de bar nem mesmo na primeira página do jornal do dia seguinte. O lugar ideal para escrever esta coluna, talvez.

Em volta da casa em que estou, há um interminável bosque e o barulho lá fora é da chuva que marca o início do verão no nordeste americano. Assisti ao jogo na tela de meu computador o que provoca uma situação curiosa. Apesar de começar uma hora antes – devido ao fuso horário – acontece para mim quase um minuto depois – é a demora provocada pela transmissão digital. Não muda nada no que vai acontecer em campo, mas nos tira a pretensão de que somos capaz de influenciar o destino da partida com nossa torcida.

Torcida ? Como senti falta de estar ao lado dela nesta noite de quinta-feira. Assim como estive há dois anos, na final da Libertadores. A imagem daqueles alucinados na arquibancada era inebriante. Vê-los cantando e pulando, e cantando e acreditando mesmo quando o maior dos crentes não teria mais motivo para tal é contagiante.

Em um momento qualquer daquela partida, mesmo com todas as desvantagens a nos incomodar, ela não nos dava motivo para esmorecer. Havia dois gols contra nós; havia atacantes nossos a perder gols – e como os perderam em toda esta temporada -; houve carência de talento em alguns setores – e digo isso porque nossa paixão não nos cega -; tivemos até mesmo o prejuízo provocado pela expulsão de um dos nossos; mas, nada, absolutamente nada, mudou a obsessão daqueles torcedores.

E somente aqueles que acreditam na Imortalidade são capazes de fazer o que a torcida gremista fez no estádio Olímpico. Aos que nunca entenderão o significado deste sentimento, uma só explicação: “Não somos Imortais porque nunca perdemos, o somos porque jamais desistimos”.

Começa a caminhada de volta para a Libertadores !

Aos adversários

Que o Cruzeiro esteja a altura do futebol brasileiro na final da Libertadores, afinal é o nosso Capitão América que está no seu comando. Sorte, Adílson !