Avalanche Tricolor: “Azul, negro e branco”

Sport 3 x 1 Grêmio B

Brasileiro – Recife


A TV quase não deu bola. Preferiu repetir exaustivamente jogadas em que os adversários se digladiam dentro da área ou em uma disputa qualquer em detrimento da informação. Na pequena torcida gremista que esteve no estádio da Ilha do Retiro, no Recife, havia a faixa: “Sou azul, negro e branco”.

Recado claro a quem, propositalmente ou não, tenta confundir os fatos, desde o bate-boca de Maxi Lopez e Elicarlos, durante a primeira partida da semifinal da Libertadores, no Mineirão, em Belo Horizonte. Momento em que conhecidos sanguessugas do futebol saíram a dar palpite e se apresentaram como defensores da moral e ética de toda a nação brasileira.

Falei pouco esta semana sobre o tema, e nada escrevi a propósito no blog porque sabem bem aqueles que me acompanham o tom do meu discurso nesta Avalanche. Meu colega de redação Fernando Gallo, que algumas vezes abrilhantou este espaço com ótimos artigos, deixou gravado nos comentários sua frustração por não ter lido por aqui alguma palavra minha. Como se fosse preciso.

Não sinto necessidade de escrever que sou honesto. Parto do princípio que aqueles que me conhecem sabem disso. Os que desconfiam do contrário que me conheçam melhor antes de construir qualquer pensamento a respeito.

Preciso dizer que discordo de qualquer atitude racista ? Minhas posições são públicas, e publicadas diariamente no CBN São Paulo. Quem acompanha o programa conhece minha postura. Quem lê este blog não deve ter dúvida do meu comportamento.

Também jamais me verão levados pelo espetáculo dos fatos, típico no futebol e em boa  parte da cobertura jornalística no País.  Daqueles que fizeram coro contra Maxi Lopez  muitos são os mesmos que fazem comentários jocosos sobre situação social quando falam da torcida do Corinthians,   se assanham a fazer piadas sexistas quando o assunto é o São Paulo ou taxam a ignorância de “baiana” e  a arrogância de “argentina”. Não quero a companhia desses em nenhuma campanha.

É preciso também buscar informacão, ter comedimento e relativizar os fatos.

Lá no pampa argentino, macacos somos todos nós brasileiros, não pela cor de nossa pele, mas por supostamente imitarmos os americanos. Diferentemente do uso dado a palavra no pampa gaúcho, onde a expressão tem conotação racista. Que se mude os hábitos, aqui e lá.

Não vou aqui julgar o atacante gremista. Se ele tomou alguma atitude errada – e, ao contrário de outras oportunidades, isto não ficou claro diante das câmeras – que responda pela injúria. Mas, por favor, não se aproveite desta situação para expor ideias xenofóbicas. Faça deste caso um momento de reflexão sobre atitudes que já tenham sido tomadas por você contra ou a favor de qualquer tipo de preconceito.

Entre torcedores, assim como  nas demais comunidades que se formam neste país seja por afinidade política, religiosa ou social, deve haver quem entenda ser superior ao outro pela diferença de raça. Infelizmente, este é um pensamento que ainda existe na sociedade brasileira. E precisamos condená-lo nos fóruns competentes e com atitudes produtivas, não, oportunistas.

Para o Grêmio, que fique claro a todos, não há opção: somos azul, negro e branco. Somos de todas as raças. Somos um time de raça.

Avalanche Tricolor: Lá vem mais um capítulo

Bandeira.jpg

Cruzeiro 3 x 1 Grêmio

Libertadores – Belo Horizonte


O mais antigo e o melhor amigo que tenho é colorado (acredite se quiser). Terça à noite, ele visitou São Paulo e, enquanto dividíamos uma pizza, colocamos a conversa em dia. Falamos muito de futebol, é lógico. Estávamos em lados opostos no campo e na mesa. Não costumamos dar o braço a torcer quanto ao melhor time do mundo no nosso coração, mas às vezes confessamos algumas coisas inconfessáveis diante da grande massa de torcedores.

Uma pequena admiração por um jogador adversário, uma injustiça que a torcida oposta comete com seu craque incompreendido e até aquele jogo que eles foram bem melhores, mas nós ganhamos.

Quase na hora de pagar a conta (e desta vez, ele é que pagaria), veio o maior de todos os reconhecimentos. A esperança dele ser campeão da Copa do Brasil, quarta-feira que vem, está depositada em uma história escrita pelo seu maior adversário: a da Imortalidade. Aquela que fez do Grêmio não apenas um time de futebol, mas uma façanha a ser lembrada para sempre. Que nos permitiu gravar na camisa que visto está noite a frase “Nada Pode Ser Maior”.

Nesta noite, por sinal, lembrei do Paulo – o meu amigo colorado -, aos 33 minutos do segundo tempo, quando vi Souza ajeitando a bola no gramado e um mundo de jogadores se postando diante dele para impedir a visão do gol na cobrança de falta. Souza não precisa enxergar o gol, ele tem o faro apurado e o pé calibrado, tanto quando a língua afiada.

No intervalo, havia chamado atenção para a perda de três gols feitos que resolveriam com facilidade a classificação à final da Libertadores da América: “quem não faz leva”, disse o craque usando de um dos mais famosos lugares-comum do futebol.

Mas por que haveria de ser fácil, Souza?

Foi preciso desperdiçar três gols, levarmos três, perdermos a cabeça, errarmos passes e assistirmos a um juiz trapalhão que acabou substituído por problemas físicos até que a história retomasse seu rumo.

Com o toque sob a bola que a fez superar a barreira gigante e deslizar pela rede da goleira do Cruzeiro até o fundo do poço (sempre com a autorização de seu autor), Souza começa a escrever mais um capítulo da nossa Imortalidade. E com seu sotaque alagoano bem lembrou o ditado gaúcho ao fim da partida: “Não tá morto quem peleia”.

Semana que vem, Paulinho, eu pago a conta aí no Sul !

Avalanche Tricolor: Quarta, é tudo !

Grêmio 2 x 2 Goiás
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi do banco que partiu o grito; “Bola na área”. Foi lá da intermediária e dos pés de Joílson que ela foi lançada. Foi da cabeça de Maxi Lopez que ela ganhou a direção do gol. E foi deste gol, aos 47 minutos do segundo tempo, que mais uma vez me vei0o a cabeça aquela sensação de como é imortal o tricolor.

Alguém há de lembrar que este jogo era contra o Goiás e dentro de casa. Que o Grêmio não fez, mais uma vez, uma boa partida. Que a defesa errou duas vezes para levar dois gols. Que esquecem de usufruir do talento que há no meio-campo. Que este um ponto que ganhamos mudou pouco nossa condição no Campeonato Brasileiro.

É tudo verdade.

Como é verdade, também, que o gremista enxerga no detalhe o sinal do destino. E, assim como Máxi que acreditou até a última cabeçada, Herrera também não desistiu de lutar pela posse de bola até ser derrubado dentro da área e proporcionar a cobrança de penâlti de Tcheco.

Sinal da imortalidade que haverá de se anunciar novamente na quarta-feira, quando entraremos no Mineirão lotado para enfrentar o Cruzeiro, na luta pela vaga na final da Libertadores da América.

Avalanche Tricolor: Ser forte, aguerrido e bravo

O Grêmio está na semi-final da Libertadores 2009

Grêmio 0 x 0 Caracas

Libertadores – Olímpico Monumental

 

 

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. A frase estampada em uma faixa sobre o pequeno muro que separa a torcida do foço que circunda o Olímpico Monumental me chamara a atenção desde o primeiro tempo da partida nas poucas vezes em que o Grêmio se deixou atacar pelo adversário.

A escrita atrás do gol de Marcelo Grohe destacou-se entre as dezenas de outras que adornam a bela torcida gremista. É um trecho da poesia escrita por Francisco Pinto da Fontoura cantada por todo o Rio Grande do Sul como seu hino oficial.

Nesta noite de quarta-feira fria, no Rio Grande e em São Paulo, de onde escrevo, nem todos os gaúchos tiveram motivos para cantarolar:

“Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra”

Foi privilégio destes tricolores – entre os quais me incluo – que nunca entenderam o prazer da vitória sem o sofrimento da batalha. Que precisaram ver sua cidadela por pouco invadida pelos venezuelanos que chegavam na última hora do jogo certos da consagração; que se uniram ao corpo de um valente Rever estendido na área, disposto a qualquer sacrifício para proteger a honra de seu povo, no minuto final; que assistiram a seus guerreiros – Herrera e Tcheco – discutirem porque ambos defendiam as mesmas cores e paixão; para somente então vibrarem com mais uma façanha na Libertadores da América.

O Grêmio, e também o Nacional (me desculpem amigos palmeirenses por lembrar deste uruguaio), são os únicos dos clubes que sobreviveram, até aqui, na competição sul-americana sem sentir o sabor da derrota.
Aos demais gaúchos, restou o verso final da canção rio-grandense:

“Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo”

Avalanche Tricolor: O esquema não é tudo, a vitória é

Fluminense 0 x 0 Grêmio

Brasileiro – Maracanã


Foi a campo finalmente o esquema 4-4-2. Talvez tenha sido imaginação minha ou problema no áudio da televisão, mas juro que ouvi ecoar nas arquibancadas do Maracanã o grito da torcida tricolor (o gaúcho, é lógico): “1, 2, 3  o 4-4-2 é no Rei”. Se não foi isso, foi algo parecido.

Minha incapacidade de enxergar os tais posicionamentos, já confessada nove dias atrás, quando escrevi a última “Avalanche”, só me permitiu identificar que o time jogava de maneira diferente quando ouvi o locutor do PPV anunciar que o Atlético Mineiro de Celso Roth fazia o primeiro gol contra o Náutico e assumia a liderança do Campeonato Brasileiro naquele momento.

Foi ali que lembrei que Roth formava o Grêmio com um tal de 5-3-2 que por algum motivo era odiado pela crônica esportiva e por torcedores. Corri para ver como o ex-técnico gremista havia montado o seu Atlético. Não é que o Galo dava show no Mineirão jogando em um 4-4-2.

Fiquei sem entender. Lá com esse posicionamento o Galo já fazia 3 a 0 no Náutico e no Maracanã, Grêmio e Fluminense empatavam. Qual a diferença ? Simples, os gols. Aqueles mesmos que Parreira, por coincidência no comando do nosso adversário de hoje, um dia disse que era apenas um detalhe.

Seja qual for o esquema se não resultar em gols, o futebol perde a graça. E eu ainda sou dos torcedores que vou a campo para me divertir. Com a vitória do meu time, é claro. Que esta venha no meio da semana quando estaremos em campo pelo que realmente nos interessa: o tri da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Mais talento, menos números

Maxi tem talento e faz gol

Grêmio 3 x 0 Náutico
Brasileiro – Olímpico Monumental

Sempre tive dificuldade para enxergar em campo se o time jogava no 4-3-3, 4-4-2,  3-5-2, 3-6-1 ou qualquer outra formação que somada resultaria em 10 jogadores. Ao olhar para eles, nunca estavam no mesmo lugar. Por isso fico curioso quando ouço comentaristas e mesmo torcedores de futebol falando desta combinação de números.

Time bom para mim é aquele que quando ataca sempre tem um monte de gente para chutar, quando é atacado não dá espaço para o adversário e, de preferência, o 1 – aquele que nunca aparece na formação tática – segure tudo lá atrás.

O 1 do Grêmio é tão bom que Dunga resolveu tirá-lo do time em momento decisivo da Libertadores para deixá-lo no banco do banco da seleção brasileira. Ainda bem que Marcelo Grohe, pelo menos hoje, deu sinais de que está mais seguro. E que assim continue para o resto dos tempos.

Como Paulo Autuori pretende formar o Grêmio para os próximos desafios não sei bem. Falam que vai enterrar o tal 3-5-2 do Celso Roth e substituir pelo 4-4-2. Entre um esquema e outro, fico com o 3 a 0 construído em campo, nesta noite fria em Porto Alegre – e aqui em São Paulo, também. Resultado da troca de passe veloz, tabelas pela direita e esquerda, movimentação rápida pelo meio e marcação desde a entrada da área do inimigo. 

Evidentemente, tudo que se vê ainda é um esboço do que Autuori deve estar imaginando como time ideal para conquistar a América e chegar ao topo do Mundial. Uma equipe mais técnica do que de costume, sem perder a garra tricolor que sempre foi nosso diferencial. Futebol suficiente para colocar o Grêmio entre os 10 melhores do mundo, segundo a IFFHS.

E por falar em números, o que mais me agradou, com todo o respeito ao Souza e seus dois gols, foi o 16 vestido por Máxi Lopez, atacante diferenciado pelo talento com que toca a bola, se movimenta, abre espaço e dá presentes aos colegas. Além de marcar gols de cabeça como fez na Libertadores e na vitória desta noite.

Somente o comentarista da SPORTV, Batista, que em campo jogava muita bola,  ainda não enxergou isso. Encerrou seu comentário na jornada de hoje dizendo que Máxi é um lutador – no que tem razão – mas que não contem com ele para tabelar. Meu Deus do seu, o Batista devia estar muito preocupado em decifrar se o melhor era o 3-5-2 ou o  4-4-2 e esqueceu de prestar atenção no que mais interessa: o talento do jogador. E Máxi tem muito.

Avalanche Tricolor: Meus ídolos no cinema

Vitória 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Salvador, Bahia

Acessei o Portal do Imortal Tricolor pouco antes do início da partida desta tarde pelo Campeonato Brasileiro. Fui surpreendido com o trailer  do documentário que conta a conquista do título mundial de 1983. Começa com o incrível gol de César após Renato Gaúcho ter colocado sua loucura a funcionar e dado um chutão para o alto em direção da área, mesmo não sendo a jogada mais lógica naquele momento, no jogo final em que o Grêmio venceu o Penarol, do Uruguai, por 2 a 1, pela Libertadores, no estádio Olímpico.

No vídeo promocional, além do próprio Renato, aparecem ídolos como o goleiro Mazaropi, o zagueiro Baideck, o volante China, os meias Osvaldo e Mário Sérgio e o imortal atacante Tarciso. Falam também Espinosa, que comandou o time naquela temporada memorável, e o presidente da época Fábio Koff que destaca o fato de o Grêmio ser o primeiro campeão do mundo a nascer no Rio Grande do Sul. O resto …  Bem, o resto veio depois.

O rosto de meus ídolos não mudou muito. São facilmente identificáveis. Lembram aquelas caras alegres que corriam alopradamente ao apito final do árbitro Michel Vautrot, da França, no estádio Nacional, de Tóquio. Envelheceram, é claro. Estão mais rechonchudos. Alguns com os cabelos bem mais claros. Outros com poucos cabelos. Mas todos ainda falam com orgulho do que conquistaram. E me emocionam.

O documentário é lançado no ano em que o Grêmio tem o mundo como meta, precisando antes conquistar o continente. Para alcançar esta façanha faltam apenas cinco jogos, sendo o próximo dia 17.06, quarta, contra o Caracas com quem já empatamos na primeira partida, na Venezuela. Com tantos compromissos importantes pela frente não é de se estranhar a ausência do Imortal no estádio do Barradão, em Salvador, nesta tarde.

Avalanche Tricolor: O velho Grêmio em campo. E na torcida

Teve de encarar até a chuva artificial

Caracas 1 x 1 Grêmio

Libertadores – Caracas, Venezuela


Invicto e a um passo da semi-final. Assim o Grêmio deixa a Venezuela, após enfrentar um adversário poderoso, capaz de desarmar mesmo os mais talentosos jogadores, de impedir a troca de passe veloz ou de eliminar a possibilidade de um drible mais habilidoso: o gramado.

O gramado do estádio Olímpico de Caracas deve ter sido usado para provas de hipismo poucos antes dos dois times entrarem em campo. A quantidade de buraco na grama não permitia que o toque de bola se completasse. Jogadas rasteiras acabavam no peito do companheiro. Ao quicar era impossível saber para que lado a bola iria correr, normalmente costumava seguir para o menos provável. A encrenca era tal que bastou o empate sair para o sistema de irrigação ligar “sozinho”, esfriar a reação do Imortal e encharcar o gramado.

Mesmo assim, e principalmente no segundo tempo, o Grêmio colocou a bola no chão, a cabeça no lugar e com calma chegou ao gol que nos põe em vantagem para a partida de volta que somente se realizará na segunda quinzena de julho. Tempo para Paulo Autuori moldar o time conforme sua visão de futebol.

Foi no segundo tempo, aliás, que o Grêmio esboçou um estilo de jogo que o novo técnico deve estar imaginando ser o ideal para nos levar ao tricampeonato da Libertadores. Ao trocar Jonas, nosso goleador, por Alex Mineiro, Autuori conseguiu fazer com que a bola voltasse a passar de pé em pé e o talento prevalecesse, apesar do gramado. Um futebol que quase lembra aquele que levou o Barcelona ao título da Copa dos Campeões.

A Coligay está de voltaOk, retire a última frase, foi apenas uma brincadeira de quem terminou o jogo feliz pelo resultado. Satisfeito por ver que o velho Grêmio, aquele que sai atrás e chega na frente; que não sabe ganhar jogo fácil, mas é capaz de driblar os buracos do campo; que joga fora de casa sempre dando a impressão de que as coisas não vão dar certo, mas elas acontecem; está de volta.

A propósito, quem também parece estar de volta, pelo menos foi o que li em uma faixa presa no alambrado, é a Coligay, a primeira torcida organizada assumidamente gay do Brasil. E com orgulho.

Avalanche Tricolor: De camisa nova e técnico também

Jonas, o goleador, e a nova camisa do Grêmio

Grêmio 2 x 0 Botafogo – RJ
Brasileiro – Olímpico Monumental

A camisa nova tem desenho diferente sobre os ombros, dá a impressão que tem um capote pendurado atrás a espera para cobrir a cabeça dos jogadores, mas não perde a tradição das listras que fazem parte da história do tricolor. Ao lado do campo, o técnico novo é mais comedido do que os anteriores, grita pouco, não gesticula como muitos, parece preferir o cochicho tático ao grito estérico, mas não abre mão da escalação que fez do Grêmio a melhor campanha da Libertadores.

Do uniforme vou falar pouco, ressalto apenas ser mais bonito do que aquele que nos vestiu no vice-campeonato brasileiro do ano passado. Deixo o resto para que você dê a sua opinião.

Do time, apesar de estar com os mesmos jogadores, exceção a presença de Tulio que substituiu Adílson, suspenso, havia um comportamento diferente em campo. A defesa esteve mais consistente e só levou susto quando o ataque veio de longe, na cobrança de falta. E que cobrança !?

No meio, Souza segue o melhor e Douglas Costa é serelepe quando entra, mas a boa notícia é que Tcheco está de volta ao jogo. Nosso capitão recebeu autorização para criar, driblar, passar e chutar de vez em quando, e de preferência fazer tudo isso próximo da área do adversário.

No ataque, Maxi demonstra talento (você viu o passe para que Fábio Santos marcasse o segundo gol ?) e Jonas  parece que vai resistir a todos os preconceitos que sofrem os jogadores baratos e pouco badalados pela mídia marcando um gol atrás do outro. Já foram 11 ou 12 neste ano. Ele é o goleador. Que assim continue !

Autuori precisou apenas de cinco dias de treino para deixar sua digital no time. Na quarta-feira, contra o Caracas, na Venezuela, é a vez do Grêmio mostrar a ele que seja qual for o desenho da camisa, seja qual for a escalação em campo, este clube quando disputa vaga na Libertadores não pode abrir mão da alma dos Imortais que construíram nossa história.

Avalanche Tricolor: Seleção ? Que droga !

Everaldo, lateral do Grêmio na seleção de 70 (Imagem: Gremio.Net)Está no estatuto. A bandeira do Grêmio tem uma estrela dourada. E passou a brilhar ao lado do distintivo muito antes de os clubes brasileiros vulgarizarem este símbolo colando na camisa uma estrela para qualquer título que tenham conquistado. A do Grêmio é homenagem a Everaldo, titular da lateral esquerda da seleção brasileira de futebol tri-campeã em 1970, que viria a morrer em acidente de automóvel alguns anos depois.

Lembro pouco dele jogando, mas tenho na memória o dia em que chegou a Porto Alegre e foi recebido com as honras de um campeão mundial. Havia até um apartamento que foi pintado de verde e amarelo para comemorar a conquista. Um orgulho para os gremistas. Não o apartamento. O Everaldo, lógico.

Lembrei dele e da estrela que o representa na tarde dessa quinta, assim que a repórter reproduzia na TV a lista dos jogadores convocados para a seleção brasileira que disputará duas partidas pelas Eliminatórias e participará da Copa das Confederações. Muitos anos depois de Everaldo, e muito tempo após o último jogador gremista ter sido chamado para representar o Brasil, Victor “o melhor goleiro do País” está convocado.

Meu filho, o de 12 anos, não pensou duas vezes: “O Victor vai para a seleção ? Que droga !”. No primeiro raciocínio dele, o Grêmio ficaria sem um dos seus principais jogadores na Libertadores. Para concluir: “Ele vai ser vendido lá pra fora e não volta mais”.

Do orgulho que senti ao ver Everaldo na seleção à “droga !” gritada por meu filho contra a convocação de Victor há uma enorme distância que não se justifica pela diferença de gerações, mas pelo que fizeram com o futebol brasileiro.

Hoje, ninguém mais se entusiasma com o escrete canarinho, apenas para usar expressão dos tempos em que era um orgulho ver os ídolos do seu time serem convocados.  Principalmente, se o seu time está em meio a competição importante como a Libertadores da América. Mais ainda quando se sabe que você perde alguém considerado fundamental para a segurança da sua equipe em troca deste ser apenas mais um no grupo da seleção.

No futebol brasileiro, o torcedor tem mais satisfação de ostentar a estrela de um título nacional ou sul-americano na sua camisa do que aumentar a constelação da CBF.