Avalanche Tricolor: uma vitória na nossa Arena

Grêmio 3×2 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Campeonato Brasileiro já está em sua vigésima-sétima rodada e esta foi apenas a quarta partida do Grêmio na Arena. Desde as enchentes que nos afastaram de casa, foi o segundo jogo no próprio estádio e a primeira vitória. Isso diz muito sobre o que se passa com o time nesta temporada, mesmo que não justifique não justifique as dificuldades em apresentar um desempenho mais seguro e qualificado em campo..

Foi um ano penoso em diversos aspectos e o futebol que apresentamos até aqui tornou tudo ainda mais complicado. O sistema defensivo é vulnerável — sofreu 32 gols em 25 jogos, sete apenas nos três últimos —, enquanto o meio de campo e o ataque nem sempre entregam a qualidade que aparentam ter. 

Hoje, mesmo com um adversário muito desfalcado e atuando a maior parte do segundo tempo com um a menos, corremos riscos até o minuto final. Um sofrimento a cada lance. Mesmo assim e, talvez, até por ter sido assim, temos que comemorar muito essa vitória. 

Cristaldo segue decisivo e preciso em seus chutes. Braithwaite cumpriu seu papel ao escorar às redes uma das poucas bolas que surgiram no seu caminho. Monsalve, apesar do desempenho aquém do esperado, fez uma jogada linda que nos levou ao terceiro gol. E Diego Costa voltou a marcar. Há ainda Soteldo que é sempre um escape diante da falta de solução.

Mais importante do que tudo isso é que ganhamos. E depois de cinco meses e todas as intempéries que cruzaram nosso caminho, ganhamos na Arena.

A Arena vive! Viva a Arena!

Avalanche Tricolor: os 121 anos mereciam mais do que um suspiro

RB Bragantino 2×2 Grêmio

Brasileiro – Bragança Paulista/SP

Braithwaite deu assistência para o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Os 121 anos do Grêmio mereciam resultado mais expressivo. Nem me refiro àquelas vitórias de encher os olhos e dar orgulho ao torcedor. Daquelas que tornamos memoráveis pelo placar e perfomance. Que nos colocam à frente dos adversários e nos encaminham à conquista maior. Essas, infelizmente, não fazem parte do roteiro que almejamos nessa temporada. 

Além da conquista do Campeonato Gaúcho, restou-nos pouco em 2024. Fomos eliminados da Libertadores e da Copa do Brasil, enquanto no Brasileiro a disputa será mesmo para ficar fora daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Sem muita esperança de que esse martírio termine cedo, considerando que as oportunidades para respirar um pouco mais aliviado têm sido desperdiçadas partida após partida. Nos últimos dois jogos, entregamos cinco de seis pontos disputados.

Do jogo desta tarde no interior paulista, há talvez a celebrar apenas o suspiro de talento que tivemos aos 28 minutos do segundo tempo. A triangulação iniciada por Monsalve, do lado esquerdo, que teve a participação de Cristaldo e um passe preciso de Braithwaite, foi concluída com uma cavadinha do jovem colombiano em direção às redes. É pedir muito que esse futebol bem jogado se espraie no restante do jogo? 

Verdade que chegamos a marcar um segundo gol: em mais uma troca de passes de Monsalve e Cristaldo, o cruzamento chegou para Jemerson completar de cabeça. Diante da forma como temos desperdiçado pontos, porém, confesso, minha dúvida era apenas a que horas cometeríamos mais um pênalti (assim como havíamos feito no primeiro tempo, e no jogo anterior e em uma dezena de outras partidas neste ano). Não precisou. Falhamos de maneira bizarra e sofremos o empate.

Temos experimentado mais amarguras do que precisaríamos. Mesmo considerando os impactos das enchentes na trajetória gremista — muito maior do que para qualquer outro time gaúcho —, o time que temos à disposição deveria ter uma performance superior. Pelo menos acima de algumas das equipes que temos enfrentado na competição — caso do adversário de hoje. 

Mais do que não conseguirmos os resultados, tenho a impressão de que estamos dispostos a aceitar esse destino. Em lugar de lutar até o último instante pelos três pontos, admitimos o empate. As substituições finais sinalizaram esse comportamento. Entendo a prudência diante da maneira como entregamos a partida anterior e de estarmos jogando fora de casa. Mas eu queria muito um time pautado pela valentia, especialmente no dia em que comemoramos 121 anos de uma história que me enche de orgulho.

Avalanche Tricolor: o retorno amargo e o fim de uma ilusão

Grêmio 2×3 Atlético MG

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Braithwaite marca o gol inicial, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Foram 134 dias distante da Arena, desde as enchentes que destruíram o Rio Grande do Sul e deixaram marcas no coração dos gaúchos. O Grêmio foi o time de futebol mais prejudicado com a tragédia que abateu o Estado. Peregrinou como um circo mambembe por estádios brasileiros disputando três competições importantes. Embora tenha conquistado resultados significativos, despediu-se de dois torneios, em meio a essa jornada cambaleante, e persiste no Campeonato Brasileiro com a pouco inspiradora luta para ficar longe da zona-que-você-sabe-qual-é. 

O retorno ao estádio foi marcado pela precariedade. A infraestrutura não permitia jogos sem luz natural, por isso a disputa foi às 11 da manhã de domingo. Apenas parte das arquibancadas está liberada e muitos espaços internos seguem interditados. As manchas da lama aparecem em várias paredes e no mobiliário da Arena. O gramado foi instalado de maneira emergencial e trouxe uma cor e aparência estranhas. 

A coincidência do calendário nos trouxe de volta à Arena em momento de emoções diversas. Não bastasse a retomada nossos estádio, o adversário foi o clube que melhor soube acolher o drama de todos os gaúchos. Merecia nossa reverência. Há uma semana, havíamos perdido o patrono e o “maior de todos os torcedores”, Cacalo. E o futebol amargava o luto provocado pela morte de Juan Izquierdo, do Nacional, esse time uruguaio que nos é próximo do coração.

Com a bola rolando, o sofrimento, a alegria e a frustração voltaram a se expressar. Ter Gustavo Martins expulso com menos de 20 minutos de partida – exagerada ou não a punição ao zagueiros que fez dupla trapalhada  na jogada — nos colocava diante de dois cenários: o da derrocada iminente, que serviria para destruir a ilusão de que o drama que enfrentamos nesta temporada haveria de ser recompensado com uma recuperação heróica; ou o da vitória pela superação, sustentando a escrita da imortalidade e da energia emanada por um lugar sagrado que voltava a nos abrigar.

O primeiro tempo, em especial, e boa parte do segundo rascunhavam uma história incrível, daquelas de contar para os filhos, reunir os amigos e deixar a lágrima correr pelo rosto. Dizer do gigantismo deste time pelo qual escolhemos torcer e agradecer àqueles que nos tornaram gremistas. O primeiro gol veio pelos pés de Braithwaite, o atacante dinamarquês pelo qual já nos apaixonamos, e o segundo, na insistência de Cristaldo, que voltou a marcar.

De tão incrível que era o roteiro, sequer sofremos com o primeiro gol do adversários, aos 26 minutos do segundo tempo, após mais um pênalti cometido pelo nosso time e não defendido por nosso goleiro — que tem a capacidade de errar o lado em que a bola vai em quase que 100% das cobranças as quais é submetido. O revés naquela altura do jogo, estaria ali apenas para corroborar como seria glorioso sofrer pelo Grêmio. Ledo engano!

Nos acréscimos, aquele momento em que nosso técnico insiste em sinalizar a seus jogadores que “acabou, acabou”, levamos dois gols e a virada. O primeiro, de empate, também de pênalti e o segundo na pressão do adversário, quando tínhamos quatro zagueiros dentro da área. A jornada do herói imortal foi desconstruída em poucos minutos. Restaram a tristeza e a frustração, sentimentos dolorosos diante da expectativa que tínhamos no retorno à Arena.

A verdade é que o futebol é jogado dentro de campo, minuto a minuto.  A história que nos trouxe até aqui pode não servir para nada na partida seguinte.  O jogo depende muito mais das escolhas feitas pelo técnico e os jogadores, no instante em que a bola está rolando, do que qualquer fenômeno sobrenatural que costumamos evocar. A partida desta manhã de domingo chutou para longe toda e qualquer ilusão de que os deuses do futebol estariam dispostos a interferir a nosso favor. Eles não estão nem aí para nós. É no que acredito, ao menos até a próxima partida.

Avalanche Tricolor: uma vitória para Cacalo, o Imortal

Criciúma 0x1 Grêmio
Brasileiro – Heriberto Hülse, Criciúma/SC

Na braçadeira de capitão, uma das homenagens a Cacalo. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Cacalo vivia o Grêmio como poucos viveram. O defendia com a gana de um Dinho, a disposição de um Kannemann e o sarcasmo de um Danrlei. Cacalo nunca foi Valdo, tampouco Gessy. Porque esses jogavam com diplomacia vestidos de Grêmio. Quando se tratava de Grêmio, Cacalo dispensava as diplomacias. A paixão era maior.”

Leonardo Oliveira, GZH

Aproveito-me do talento no texto e da proximidade que o jornalista Leonardo Oliveira, da GZH, tinha com Luiz Carlos Silveira Martins para homenagear um dos maiores dirigentes destes quase 121 anos de história do Grêmio. Cacalo morreu no sábado, aos 73 anos. Era o patrono do clube, título concedido a alguém que se satisfaria em ser apenas torcedor, porque era o maior deles.

Quando ascendeu na hierarquia gremista, eu já estava distante dos bastidores do time. Lembro dele de algumas conversas apaixonadas no pátio do Olímpico Monumental, exercendo a função que mais sabia fazer: torcer pelo Grêmio. Dos presidentes gremistas, conheci mais de perto Hélio Dourado e Fábio Koff, muito mais pelas mãos de meu pai do que por minhas competências. Admirava aquelas figuras pelo poder que tinham de construir o time do coração.

Assim como Dourado e Koff, Cacalo fez do Grêmio um campeão. Com presença ativa entre o fim da década de 1980 e ao longo dos anos de 1990, ele participou de grandes conquistas do clube, com destaque para a Libertadores de 1995, o Brasileiro de 1996 e as Copas do Brasil em 1994 e 1997. Foram 13 títulos no total. ‘Aposentado’ do papel de cartola, foi defender o Grêmio na imprensa, como colunista do jornal Diário Gaúcho e, depois, comentarista da rádio Gaúcha de Porto Alegre.

Era ‘sanguinário’, como bem disse o texto publicado pelo Grêmio ao anunciar a morte do ex-presidente. Era feliz em ser gremista, sentimento expresso na frase que ele imortalizou e estava estampada na braçadeira de capitão e na camisa do técnico e dos jogadores que entraram em campo, em Criciúma, nesta tarde: “Como é bom ser gremista.”

Por essas coincidências que a vida nos apronta, Cacalo morreu às vésperas de uma partida do Grêmio. Considerando que noutra vez em que esteve em coma por cinco dias, ao acordar, a primeira coisa que perguntou foi se o Grêmio havia vencido, desconfio que tenha sido dele o cuidado para que o velório se encerrasse uma hora antes de o jogo de hoje se iniciar. Cacalo tinha pressa, queria assistir ao Grêmio lá do alto e transmitir a energia necessária para o time se recuperar das duas eliminações recentes, na Libertadores e Copa do Brasil.

Na preleção que antecedeu a partida, o atual presidente do Grêmio, Alberto Guerra, falou aos jogadores sobre a importância de Cacalo na história do clube. Pediu a vitória em homenagem ao dirigente falecido. Em campo, o que se viu foi um Grêmio buscando o resultado desde o início, mesmo diante da pressão adversária e de desacertos na movimentação e troca de bola em algumas jogadas.

Com Cristaldo e Monsalve no meio de campo, o Grêmio se arriscou mais. No gol, Marchesín fez defesas importantes. No ataque, Soteldo aparecia com destaque. A vitória foi alcançada no segundo tempo, após as entradas de Arezo e Aravena. Foi o chileno quem fez a jogada pela esquerda e cruzou para Monsalve brigar com os zagueiros e o goleiro antes de desviar a bola às redes.

Foi só um a zero, mas não precisava mais do que isso para somarmos três pontos na tabela de classificação, nos afastarmos mais um pouco daquela-zona-que-você-sabe-qual-é, e começarmos a olhar para cima. Ao fim do primeiro tempo e no encerramento da partida, tanto Villasanti quanto Monsalve, aos serem entrevistados, fizeram questão de lembrar o nome de Cacalo. Dois jogadores que não tiveram proximidade com o dirigente, mas que entenderam o simbolismo dele para o clube.

Que Cacalo, lá em cima, siga nos iluminando para que nós, cá embaixo, sejamos fortes e capazes de manter o legado que ele nos deixou.

Avalanche Tricolor: a dura lição que o Grêmio precisa aprender

Fluminense 2 (4) x 1 (2) Grêmio

Libertadores – Maracanã, Rio de Janeiro/RJ

Foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

O Grêmio, mais uma vez, nos deixou com aquela sensação amarga de uma oportunidade perdida. E, embora seja doloroso ver o time que amamos ser eliminado, há uma lição poderosa que podemos tirar disso: o peso da prepotência nas nossas decisões.

Em muitos momentos da vida, somos tentados a acreditar que as vitórias do passado garantem os sucessos do futuro. É fácil nos agarrarmos às conquistas anteriores, esquecendo que cada nova batalha requer o mesmo empenho, a mesma humildade e, muitas vezes, até mais dedicação do que a última. O Grêmio já nos deu tantas alegrias, tantas taças levantadas que, às vezes, podemos cair na armadilha de achar que o simples peso da camisa é suficiente para vencer qualquer desafio. Mas o futebol, como a vida, não perdoa a arrogância. Não é porque fomos grandes ontem que seremos invencíveis hoje.

Aqui entra o mito da imortalidade, uma marca tão forte do Grêmio. Esse mito, que nos enche de orgulho e nos dá esperança em momentos difíceis, precisa ser entendido na sua verdadeira essência: é uma metáfora, uma inspiração, mas não um fato concreto. A imortalidade, no futebol, não é sobre nunca cair, mas sobre sempre se levantar. E, mesmo assim, devemos reconhecer que cada nova ascensão exige esforço, trabalho e, sobretudo, humildade — e tenho a sensação de que esta nos tem feito falta.

Aceitar nossas fragilidades, admitir que nem sempre fazemos as melhores escolhas, não diminui nossos méritos — ao contrário, os enaltece. Há força em reconhecer que podemos falhar, que às vezes o adversário é melhor, que as condições nem sempre estão a nosso favor. Esse reconhecimento não é fraqueza, mas sabedoria. Afinal, quem entende suas limitações está mais preparado para superá-las.

Assim, ao olharmos para mais essa eliminação, é essencial entender que o mito da imortalidade serve para nos motivar a seguir em frente, a lutar com coragem, mas não para nos cegar diante das nossas fragilidades. Aceitar que somos falíveis, que podemos e iremos falhar, não enfraquece o Grêmio — ao contrário, o fortalece, pois nos permite aprender, evoluir e, quem sabe, nos preparar melhor para as vitórias futuras.

Que o mito continue a nos inspirar, mas que jamais nos esqueçamos de que, no futebol, como na vida, a imortalidade é uma ideia, um ideal, e não uma realidade garantida. A verdadeira grandeza está em como reagimos quando confrontados com a nossa mortalidade, quando reconhecemos que, mesmo caindo, somos capazes de nos reerguer, mais fortes e mais sábios. Mas para isso é preciso alguém disposto a aceitar a crítica e rever seus conceitos.

Avalanche Tricolor: A Arena vem aí, Olê! Olê! Olá! 

Grêmio 0x2 Bahia

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

Torcida no Alfredo Jaconi em foto de Lucas Uebel

O fim de semana foi de tristeza, lembranças e saudade. A morte de Sílvio Santos, aos 93 anos, marcou o noticiário e tomou conta das rodas de conversa, do balcão da padaria às redes sociais. As reportagens que ocuparam os espaços jornalísticos, assim como os comentários que circularam pelo WhatsApp e afins, expressavam a relevância do apresentador de televisão e dono do SBT. 

Sílvio Santos fez parte da vida dos brasileiros. As músicas características de seus vários quadros de sucesso, seus bordões e gargalhadas foram trilha sonora dos nossos domingos, mesmo quando eu preferia outro tipo de diversão. Invariavelmente, havia uma tia, uma vizinha ou o pai de um amigo sintonizado no programa do Sílvio. Outras vezes era um colega disposto a imitá-lo ou alguém a copiar suas frases de sucesso: “Sílvio Santos vem aí! Olê! Olê! Olá!”

Hoje cedo, em um dos grupos de WhatsApp dos quais participo, havia alguém escrevendo que já sentia saudades pela ausência dele nos domingos.  Curioso, porque o apresentador estava fora do ar desde o ano passado. Ao mesmo tempo, justificável: Sílvio é daquelas figuras que de tão forte e carismática se faz onipresente. Parece que o assistimos ontem falando, gesticulando e sorrindo na tela da televisão. Tem-se a impressão de que amanhã, lá estará ele rodando o pião, forjando suspense, brincando com a plateia e rindo de si mesmo. 

O que não deixará saudade — e aqui me permito virar a página desta Avalanche, caro e cada vez mais raro leitor — é este período dramático que o Grêmio vive desde quando a enchente no Rio Grande do Sul afastou o time de seu estádio. A última partida na Arena Grêmio foi no fim de abril, oportunidade em que venceu o Cuiabá por 1 a 0. Desde então, o Grêmio foi forçado a viver como um itinerante, treinando e jogando em locais emprestados ou pagando caro para sediar as partidas que lhe eram de direito, quase sempre fora do Rio Grande do Sul.  

A derrota para o Bahia, no sábado, em Caxias do Sul, foi o último jogo desta triste jornada de andarilho, período em que fomos desclassificados da Copa do Brasil e rondamos aquela zona-que-você-sabe-qual-é, no Campeonato Brasileiro. 

Em junho, o Grêmio voltou a treinar em seu CT, em Porto Alegre, e, em 1º de setembro, retornará à Arena quando enfrentará o Atlético Mineiro, pelo Brasileiro. Por coincidência, time que fez uma das mais belas homenagens ao Rio Grande do Sul, assim que o estado foi destruído pela tragédia ambiental. Antes da volta, ainda temos duas partidas fora de casa, contra o Fluminense, na busca da vaga às quartas-de-final, da Libertadores, e o Criciúma, pela 24º rodada do Brasileiro. 

Em meio a estes dias de tristeza, lembranças e saudade, ao menos uma boa notícia: nossa vida de desalojado acabou! 

A Arena vem aí, Olê! Olê! Olá! 

Avalanche Tricolor: o Grêmio resiste na Libertadores!

Grêmio 2×1 Fluminense

Libertadores – Couto Pereira, Curitiba PR

Reinaldo marca dois em vitoria gremista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A vitória de virada, nesta noite gelada de Curitiba, está em sintonia com as conquistas recentes na Libertadores. Apesar do que ocorria no Campeonato Brasileiro e da desclassificação na Copa do Brasil, o Grêmio conseguiu expressar a bravura que sempre marcou sua história na competição sul-americana.

Esta foi a quarta partida que disputamos na Libertadores desde o drama causado pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Durante esse período, obrigado a treinar longe de Porto Alegre e sem o direito de jogar em seu estádio, o Grêmio goleou o The Strongest, da Bolívia, venceu o Huachipato, no Chile, e empatou com o Estudiantes. Essa sequência de jogos nos classificou para as oitavas de final, contrariando as expectativas de muitos que previam nossa eliminação da Libertadores.

No jogo em que nos despedimos do Couto Pereira, em Curitiba, mesmo saindo atrás no placar, mais uma vez o time encontrou forças para reverter o resultado e levar a vantagem para a partida de volta, no Rio de Janeiro. Apesar de algumas dificuldades técnicas, o Grêmio soube reagir com intensidade no ataque, pressionou o adversário e aproveitou as chances que surgiram.

O pênalti resultou dessa pressão, especialmente pelo lado direito, onde Soteldo encontrou espaço para seus dribles e cruzamentos. Reinaldo empatou com uma cobrança clássica e precisa: um chute forte, alto e sem chances para o goleiro. Três minutos depois, novamente pelo lado direito e com Soteldo provocando a falta, abriu-se o caminho para a virada. Reinaldo, com seu talento para bater na bola, marcou o gol da vitória.

A expulsão de Rodrigo Ely – em uma decisão injusta do árbitro, que viu apenas a agressão do zagueiro gremista e não puniu a atitude também antidesportiva de Ganso – serviu para tornar a vitória ainda mais dramática. Tivemos de jogar mais de dez minutos com um jogador a menos, mas vencemos, mesmo assim. A decisão foi adiada para a semana que vem, como era de se esperar.

O que importa é que o Grêmio, apesar de tudo, de todos e de si mesmo, resiste na Libertadores!

Avalanche Tricolor: Jeg er allerede illuderet!

Cuiabá 1×3 Grêmio

Brasileiro – Arena Pantanal, Cuiabá MT

Martin Braithwaite comemora gol, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

Diga o que você quiser! Lembre-me que o adversário não vencia há sete jogos em casa. Diga que enfrentamos um time que está naquela zona-que-você-sabe-qual-é. Grite que eles nunca ganharam da gente em toda a história do futebol e, no máximo, tinham arrancado um só empate contra nós em sete partidas disputadas. 

Eu já estou apaixonado! 

Nada do que você disser mudará minha percepção. O que assisti na Arena Pantanal, no início da noite deste sábado, me deslumbrou. A corrida em direção à bola, o tranco no zagueiro, a tomada de frente na jogada, o toque para o companheiro concluir a gol, aos 14 minutos de jogo, bastaram para eu acreditar que estava diante de um jogador que chegou para fazer história no Grêmio.

Claro que estou falando do dinamarquês Martin Braithwaite, que estreou  com a nossa camisa, neste 10 de agosto de 2024. O lance que descrevi foi o primeiro protagonizado por ele em campo. Depois disso, só maravilhas. Eu sei que teve o gol contra dele. Este, porém, além de uma fatalidade, serviu para escrever com perfeição sua primeira jornada do herói no Imortal Tricolor.

Aos 33 anos, o atacante saciou a fome de gol anunciada em sua primeira entrevista coletiva ao chegar ao clube. Antes de marcar, foi o responsável pela jogada que deu início à vitória. Tabelou com Edenílson e chutou na trave. No rebote, Gustavo Nunes conclui de cabeça.

Quando a partida estava empatada, no segundo tempo, e o adversário pressionava de forma preocupante, Braithwaite foi preciso no toque da bola em direção às redes, que colocou o Grêmio na frente mais uma vez. Que se faça justiça: o autor intelectual da jogada foi Miguel Monsalve. O colombiano driblou todos seus marcadores, entrou na área e deu o gol de presente para o centroavante. 

O terceiro gol gremista e o segundo de Braithwaite, porém, foi todo mérito dele. Após mais uma assistência de Cristaldo, primeiro venceu os defensores no jogo aéreo. Diante da defesa do goleiro, não se fez de rogado: de bate-pronto e com a perna esquerda, pegou o rebote e fulminou as redes. 

Forte, preciso, talentoso, insaciável e inteligente! Adjetivos que acompanharam Braithwaite do primeiro ao último ato nesta estreia, inspirando meu otimismo com tudo que vi em campo. Tenho certeza que a maior parte do torcedor gremista comunga deste mesmo sentimento neste instante. 

Sim, eu sei que é apenas o começo. Sei o que você está pensando, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. Sei que vai repetir todos os argumentos descritos no primeiro parágrafo deste texto. Pode lembrar, falar e gritar. Diga o que quiser, mas eu já estou iludido ou, como se diz na língua de nosso craque, “jeg er allerede illuderet!”

Avalanche Tricolor: Salve, salve, Monsalve!

Athletico PR 0x2 Grêmio

Brasileiro – Ligga Arena, Curitiba/PR

Gremio x Athletico
Miguel Monsalve comemora o gol na estreia em foto de LucasUebel/GrêmioFBPA

A falta que abriu caminho para o primeiro gol foi em Miguel Monsalve, e o segundo gol, que definiu o placar, foi dele. O meio-campista colombiano, recém-contratado, chegou a marcar um segundo gol, com um belo chute de fora da área, que foi anulado porque cometeu falta na tentativa de se proteger da forte marcação do zagueiro. 

O jovem de 20 anos fez uma estreia que talvez nem ele próprio imaginasse. Mesmo ao lado de um time alternativo e contra um adversário que costuma ser forte em sua casa, Monsalve teve personalidade para aparecer em um ataque pouco acionado, considerando as circunstâncias do jogo. 

De tão bem posicionado, enganou até os comentaristas da televisão, que o identificaram como o centroavante que o Grêmio busca para compor o ataque. Monsalve não é camisa 9 como disseram. É camisa 10, número que vestia no Independiente de Medellín, onde surgiu, e na seleção colombiana Sub-20, onde disputou o Mundial. No Grêmio, nesta tarde de domingo, vestiu a 11 e mostrou que sabe jogar centralizado e atacar a defesa adversária. Também apareceu pelo lado do campo. 

Independentemente da camisa que veste deu sinais de que chega para ser protagonista, sempre que as oportunidades surgirem. Havia surpreendido logo que se apresentou ao clube, ao pedir orientação para melhorar sua performance física com treinos extras  e demonstrar interesse em conhecer as características do time adversário que enfrentaria. Comportamento que condiz com as informações de que ele era um líder dentro da seleção de seu país e um jogador inteligente.

Se Monsalve confirmará toda a expectativa que criou no torcedor somente o tempo dirá. Certeza é que a presença dele no gramado sintético, em Curitiba, fez toda a diferença para o Grêmio vencer o seu adversário com gols marcados em um período de apenas três minutos. O dele foi aos 20 minutos, resultado da marcação alta que o time fazia e da pressão sobre o goleiro adversário. 

O placar havia sido aberto três minutos antes: Gustavo Martins, que está às vésperas de completar 22 anos, foi oportunista ao aproveitar duas vezes o rebote do goleiro, depois da cobrança de falta de Edenilson. O zagueiro apareceu bem na frente e apresentou-se melhor ainda lá atrás. Demonstrou segurança na marcação ao lado de outro garoto, Natã Felipe, que recém-completou 23 anos. Os dois, reforçados por laterais  mais fixos, e um meio de campo recuado, impediram que o adversário transformasse o domínio da bola em riscos de gol,

Mesmo tendo aceitado a pressão, quando deveria ter tentado ficar um pouco mais com a bola e talvez até ampliado o placar, no contra-ataque, o Grêmio demonstrou maturidade para controlar a partida e sair com a vitória importantíssima para nos afastar daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Resultado que oferece tranquilidade para a decisão que teremos no meio da semana pela Copa do Brasil, também em Curitiba. 

Em tempo: ao contrário do que estão escrevendo por aí, esta não foi a primeira vitória do Grêmio fora de casa, no Campeonato Brasileiro. Esquecem os cronistas — e o próprio Gustavo Martins como se ouviu na entrevista ao fim da partida — que o Grêmio desde abril só joga fora de casa. E apesar dessa condição que persistirá por mais algumas semanas, havíamos vencido Fluminense, Vitória e Vasco, antes do Athletico. 

Avalanche Tricolor: mais sorte do que futebol

Corinthians 0x0 Grêmio

Copa do Brasil – NeoQuímica Arena, SP/SP

Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

O Grêmio é especialista em Copa do Brasil. Desde a primeira edição, sabemos vencê-la. Com cinco copas no armário, somos o segundo time que mais ganhou essa competição. Já viramos placares improváveis, já vencemos em casa e decidimos fora, já perdemos fora e decidimos em casa, já empatamos nos 180 minutos e nos classificamos na cobrança dos penaltis. Já fizemos de tudo um pouco. 

Nessas muitas jornadas, aprendemos que só não se pode perder a classificação na primeira partida. É preciso levar o resultado para o segundo jogo quando, de verdade, tudo se decide. Sendo assim, empatar como fizemos na noite de hoje, e fora de casa, está dentro do figurino de quem pretende ser campeão. O problema foram as circunstâncias que proporcionaram esse empate. 

Uma partida em que parecia se iniciar bem para o Grêmio, com a bola sob nosso domínio e a aproximação na área de ataque. O lance de maior perigo veio de uma cobrança de falta e, na sequência, o rebote, ambos salvos pelo goleiro, ainda no primeiro tempo. Mal havia começado o segundo e a expulsão de um jogador adversário sinalizava uma vantagem inesperada. O jogo se desenhava a favor do Grêmio.

Em nenhum momento, porém, o Grêmio soube se aproveitar dessa vantagem. Perdeu o controle da bola e quando a recuperava mal sabia o que fazer com ela. Desorganizado, como se fosse um amontoado de jogadores em campo, viu-se pressionado na maior parte do tempo, e não amargou a derrota por um detalhe que somente o VAR é capaz de enxergar.

O Grêmio teve mais sorte do que futebol, nesta noite, em São Paulo. Apesar disso e mesmo que o desempenho na temporada não seja animador, ainda estamos vivos na competição.