Avalanche Tricolor: que saudades de um jogo de futebol de verdade!

 

Independiente ARG 1×1 Grêmio
Recopa – Estádio Libertadores da América/Avellaneda

 

 

 

Gremio x Independiente

Kanneman leva a melhor na disputa da bola em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O grito de guerra estava no ar. O estádio, transformado em caldeirão. A torcida pressionava, vaiava e – em alguns casos – desrespeitava. O time da casa era dos melhores representantes do futebol argentino. E em jogo havia mais um título sul-americano.

 

Que saudades que eu estava de assistir a um jogo de futebol de verdade!

 

Rever o Grêmio desfilando suas qualidades neste cenário foi um grande prazer.

 

Verdade que nosso time ainda está em reconstrução. Renato precisa encaixar algumas peças nos devidos lugares e reposicionar outras. E vem testando essas possibilidades. Além disso, a perna segue presa pela atividade física intensa do início de temporada. Os efeitos disso se percebe em alguns espaços que surgem na defesa e na dificuldade para encontrá-los no ataque.

 

Nessas condições, às vezes a força que se imprime na bola não é suficiente para chegar ao seu destino. Pode ir um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás, atrapalhando o desenvolvimento do jogo.

 

Temos de considerar que corríamos contra um time em meio de temporada, na ponta dos cascos e em ritmo de decisão, que tinha condição física superior para pressionar em cima e embaixo, mesmo com um a menos no ataque. Quando os físicos se igualaram, no segundo tempo, a bola ficou no nosso pé e dominamos a partida. Porque talento a gente não esquece.

 

A troca de passe que faz o adversário correr para marcar reapareceu. O deslocamento dos jogadores de uma posição para outra foi mais evidente. Talvez tenhamos sido acanhados nos chutes a gol. Um pouco mais de agressividade neste quesito poderia ter nos oferecido resultado ainda melhor.

 

O importante é que, diante das condições oferecidas, soubemos entender as características da partida com inteligência, e reduzimos os riscos conscientes que a decisão será em casa, quando, então, o nosso grito de guerra estará no ar, a Arena será transformada em caldeirão e a torcida pressionará e vaiará (com todo o respeito).

 

Estava mesmo com saudades de assistir a um jogo de futebol de verdade!

Avalanche Tricolor: tudo está no seu lugar (ou quase)

 

 

Grêmio 2×1 Brasil de Pelotas/RS
Gaúcho – Arena Grêmio 

 

 

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Alisson prestes a marcar seu primeiro gol (Reprodução Canal Premier)

 

Haveria de chegar o dia de nossa vitória. Enquanto os meninos iam para o sacrifício e tropeçavam na juventude e inexperiência, os “veteranos” se preparavam fisicamente para uma temporada que será extensa e competitiva. Voltaram a campo no fim de semana e apesar de amargarem uma derrota já sinalizavam que as coisas voltariam ao seu devido lugar.

 

O caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar que o título do texto que escrevi sobre a estreia dos titulares no Campeonato Gaúcho era “vai dar samba”, o que poderia parecer alucinação carnavalesca diante da sequência ruim que marcou o início da competição. Não era. Enquanto alguns ouviam os muxoxos das arquibancadas e bastidores, eu preferia prestar mais atenção no samba que ecoava lá pelas bandas da Arena. O toque de bola estava de volta, assim como a velocidade de alguns jogadores de frente e a intensa movimentação nos demais setores. Faltava ritmo e entrosamento, é claro. E pagamos caro demais por isso naquele jogo.

 

Na partida da noite dessa quarta-feira, em rodada que antecipamos devido aos compromissos sulamericanos que temos, parte daquelas características que nos levaram a ser o melhor time da América, em 2017, entrou em campo. Luan já parecia mais solto e disposto. Everton superava a velocidade de seus marcadores. A bola vinha mais redonda de trás e o domínio da partida era nosso. O deslocamento de posição de alguns jogadores e a inclusão de novos nomes impactaram o desempenho como já era de se esperar. É normal, o time está em construção para a temporada.

 

Havia dificuldade para furar o ferrolho montado pelo adversário e a falta de paciência às vezes nos levava a precipitar a jogada. Já era de se esperar, afinal a pressão por resultado é evidente. Um pênalti não foi sinalizado a nosso favor e isso também podemos considerar normal. Já virou padrão dos árbitros. E levamos um gol em jogada isolada de ataque do adversário. Acontece. E deu nova dramaticidade à partida.

 

Quando o segundo tempo chegou, Renato mexeu no time, apostou em Alisson e Jael e os espaços surgiram; e com um pouco mais de espaço ninguém foi capaz de segurar o ataque gremista. A virada com gols do próprio Alisson e de Luan, completando cruzamento de Everton, deu justiça ao resultado e, imagino, acalmou os mais ansiosos. Assim como Renato no intervalo da partida, a vitória do Grêmio também colocou as coisas no seu devido lugar e reduziu a pressão sobre os jogadores que se voltam para a primeira decisão do ano, semana que vem.

 

Neste pré-Carnaval já deu para ouvir torcedores deixando a Arena cantarolando antigo samba de Benito de Paula: “tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus!”. Quase tudo. Ainda faltam ajustar algumas peças no time e ocuparmos o espaço na tabela de classificação que merecemos. Chegaremos lá!

Avalanche Tricolor: vai dar samba!

 

Grêmio 0x1 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

Gremio x Cruzeiro

Everton ganha chance no time titular (Foto LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA)

 

Impressão minha ou o único chute no nosso gol foi no pênalti? Parece-me que sim. No primeiro tempo a única tentativa séria do adversário foi-se embora pela linha de fundo. O resto do jogo fomos nós tocando bola, trocando passes e posição, dando cavadinha, procurando o espaço livre, cabeceando no poste, para fora e para o lado, chutando de um lado e o goleiro deles despachando pelo outro.

 

O time titular do Grêmio – ou quase – esteve de volta aos gramados depois de uma curta pré-temporada. Retorno que se precipitou devido aos resultados abaixo das expectativas do time de transição. A vitória virou obrigação para uma equipe ainda com a perna presa pelos trabalhos de musculação e fora do tempo para dar o passe, acertar a passada e se deslocar. Sem direito à adaptação pagou caro diante do futebol apresentado. Merecia resultado melhor.

 

O DNA do futebol gremista que nos encantou e conquistou o tri da Libertadores em 2017, porém, apareceu em muitos momentos da partida, apesar do resultado negativo. Houve boas tentativas de deslocamento, passes colocando o colega mais próximo do gol, dribles capazes de limpar a jogada e pressão o tempo todo.

 

Renato ensaiou um time, testou mudanças de posição e deu chances a novos jogadores. Sabe que precisa de tempo para que os velhos conhecidos voltem a atuar com harmonia e muito mais tempo para que os recém-chegados se encontrem dentro de campo. Precisa também da volta de Artur, que se transformou no maestro desta equipe com a posse de bola segura e a armação de jogo precisa.

 

Quarta-feira, o Grêmio volta a campo em busca da primeira vitória no Campeonato Gaúcho, novamente na Arena. Não tem como garantir que os pênaltis a seu favor sejam marcados – o do jogo de hoje não foi -, mas vai se esforçar para não depender deles.

 

Sabe que os três pontos o aproximará da zona de classificação e colocarão as coisas no seu devido lugar. Serão importantes, também, na preparação para a primeira decisão do ano: a Recopa, que começa a ser disputada na semana seguinte. Sim, o Grêmio mal começa o ano e já tem título a disputar. E pelo que assisti hoje, mesmo com a falta de gols e a derrota, acredito que na final contra os argentinos, vai dar samba! 

Avalanche Tricolor: que a exceção não se transforme em regra

 

 

São Jose 2×0 Grêmio
Gaúcho – Passo da Areia

 

 

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Bola para frente. Percalços fazem parte da vida de todos nós. Perder uma aqui, empatar outra ali, acontece. Voltar a perder, acontece também. A boa notícia é que isso não é regra. É exceção. Verdade que neste domingo, tive de encarar exceções de mais. E em duas frentes: no futebol e no esporte eletrônico.
 

 

Comecei a maratona esportiva na torcida pelo time de League of Legends do qual meu filho mais novo é treinador. Os cinco jogadores que formam a equipe dele não tinham perdido uma só série nos dois anos em que estiveram juntos. Se separaram e agora estão reunidos novamente. Estrearam com uma vitória acachapante, fim de semana passado. A aposta de todos era que a série invicta se estenderia por mais algum tempo. Porém, como para qualquer um dos mortais, o dia de perder haveria de chegar: foi hoje. Por curiosidade para um adversário que veste azul, preto e branco, mas não é o Grêmio.
 

 

Diante do insucesso no campo digital apostei minhas fichas no Grêmio que teria de encarar um gramado artificial. O piso, o vento e a chuva frustraram meus planos de, ao menos no fim do domingo, comemorar uma vitória. Sejamos justos: o piso, o vento, a chuva e a bola … pois que dificuldade para dominá-la e entregá-la ao colega mais próximo em condições de fazer o jogo fluir. Estava tão difícil quanto chutá-la no gol. E você sabe bem o ditado futebolístico: quem não faz, leva.
 

 

Os resultados alcançados pelos meninos, que foram levados ao sacrifício neste início de temporada, ficaram aquém do esperado. Imaginava-se que eles entregariam o bastão aos titulares com alguns pontos a mais na tabela de classificação. Não conseguiram! E, excepcionalmente, assistimos a uma sequência de quatro partidas sem vitória. Que se saiba trabalhar a cabeça (e o pé) de cada um deles para que essa série ruim não os influencie no restante da temporada.
 

 

Nem tudo foi tempo perdido, porém. Do time de transição, algumas figuras esboçaram potencial e vão merecer oportunidade no time principal quando, mais entrosados e com gente madura ao lado, tendem a subir de produção. Já no próximo sábado, os titulares voltam a campo (com grama de verdade) e trazem com eles a expectativa de uma retomada das vitórias, para que não permitam que a exceção se transforme em regra.

Avalanche Tricolor: ainda tem muita bola pra rolar neste ano!

 

Avenida 3×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos/Santa Cruz-RS

 

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Um jovem torcedor assiste ao Grêmio, em Santa Cruz (Foto de LUCAS UEBEL/Grêmio FBPA)

 

Esta quinta-feira é feriado aqui em São Paulo. Aniversário da cidade. Falso feriado para mim que trabalhei logo cedo no programa de rádio, que é nacional. Ainda mais com o noticiário pegando fogo e com a obrigação de explicar ao ouvinte o que acontecerá no Brasil após a condenação de Lula em segunda instância. Vale Ficha Limpa? Se vale por que se candidata? Se se candidata, o que vale? E cadeia? Só em segunda instância? Mas já foi em segunda! Mas tem recurso. Vá entender!

 

O futebol também é tema por aqui, neste feriado. Dia 25 de janeiro é a data da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Tradicional decisão que ocorre no estádio do Pacaembu. Foi meu primeiro programa esportivo quando cheguei à cidade, em 1991. Mal sabia o que me aguardava. O Grêmio decidiu o título contra a Portuguesa. E perdeu. Derrota acachapante diante de um adversário espetacular: 4 a 0. Nunca assisti a um jogo em que apesar de meu time sair derrotado e goleado, aplaudi. Para ter ideia: aquele time da Portuguesa tinha no comando do ataque um gênio da bola: Dener.

 

Certamente, você ouviu falar deste menino. Veloz, driblador, talentoso. Fantástico! Tanto quanto precoce. Dener foi campeão da Copa São Paulo aos 19 anos, convocado para a seleção brasileira aos 20, vestiu por três meses a camisa do Grêmio aos 22 e morreu em acidente automobilístico aos 23, quando ainda jogava pelo Vasco. Curiosamente, o único título que conquistou na vida profissional foi pelo Grêmio, campeão Gaúcho de 1993.

 

Naquele time do Grêmio que perdeu a final da Copa São Paulo – e de goleada – o goleiro era Danrlei, que dispensa apresentações. Enquanto escrevo essa Avalanche, olho para a camisa número 1 que está emoldurada e pendurada na parede de casa e ostenta o autógrafo do ídolo. Foi o mesmo goleiro que tive o prazer de assistir de perto caminhando com uma medalha na mão e um sorriso no rosto, no corredor do estádio do Morumbi, logo após o Grêmio conquistar o título de campeão da Copa do Brasil, em 2001.

 

O futebol é assim mesmo. Como a vida. Prega peças. Nos desvia do curso. Nos coloca em outro rumo. Nada do que acontece aqui – ou quase nada – é definitivo. O ídolo para o qual se projeta o paraíso, desaparece. O goleiro, envergonhado pela goleada, renasce.

 

Diante desses fatos, parece-me precipitado e perigoso tirar conclusões nesta altura do campeonato e acreditar que o que aconteceu nestes três primeiros jogos do Gaúcho – incluindo o da noite de ontem – sejam determinantes para o destino da maioria dos jogadores jovens ou estreantes que nos representam. Portanto, antes de opiniões definitivas e decisões intempestivas, tenha a certeza de que muita bola ainda vai rolar neste ano.

 

No futebol, na política e na sua vida!

Avalanche Tricolor: jovens, aprendizes da vida

 

Grêmio 3×5 Caxias
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Os guris da VivoKeyd em foto da Riot Games

 

Foi um sábado destinado aos mais jovens. Todos envolvidos em competições e com seus desafios próprios. Fui observador (e torcedor) em todos esses momentos, mesmo porque, por mais que creia na longevidade que me será oferecida, já passei dos tempos em que era um jovem competidor. Não me incomoda esse fato, posso lhe garantir, caro e raro leitor desta Avalanche. Pois vivi intensamente aquela fase, seja no futebol seja no basquete – neste por muito mais tempo. Em uma ou outra modalidade, dediquei-me a vestir a camisa do Grêmio, do colégio Rosário, no qual estudei boa parte da vida escolar, e do Rio Grande do Sul, nas poucas oportunidades para as quais fui convocado. Jogos e títulos perdi muito mais do que ganhei. Experiência e valores para a vida, ganhei muito mais do que desperdicei.

 

Logo no início da tarde de sábado, estive no estúdio em que foi disputada a partida de abertura do CBLol2018, competição nacional de League of Legend, a mais proeminente modalidade de e-Sports que temos notícia. Se duvida no que escrevo, arrisque assistir às transmissões ao vivo no canal SporTV, sábados à uma da tarde. Você vai se surpreender. É só deixar esse preconceito besta de lado. A cada ano que passa – e eu os acompanho ao menos há quatro – é melhor, maior e mais confortável a estrutura oferecida aos pro-players, que são os atletas que formam cada uma das oito organizações credenciadas a disputar o título nacional da “primeira divisão”.

 

Prometo que não me estenderei em explicações sobre o assunto, pois temo perder a atenção do leitor que caiu neste texto acreditando que falaríamos só de futebol. Mas devo dizer que minha presença na competição eletrônica justifica-se pelo envolvimento de meus dois filhos na atividade, um como jornalista e admirador e o outro como “head coach” (sim, eles costumam ser chamados assim em vez do nome em português para a função). Esse último é um dos comandantes do time favorito ao título de 2018 e estreou com uma “sonora vitória” – como descreveu o site do SporTV. Deixou-me feliz e me deixará mais anda se seguirem nesta toada, pois ainda lembro dele e seus comandados – muito já em outros times – tristes e com lágrimas nos olhos quando perderam a final do ano passado, no primeiro semestre.

 

É sempre melhor ver jovens sorrindo e satisfeito com suas conquistas. É revigorante. Pois sabemos que para conquistarem o direito ao sorriso, muitos passaram por dificuldades, às vezes tiveram de dar as costas à família que não entendia sua opção de jogar em lugar de se formar doutor, sofreram em treinamentos exaustivos para melhorar a técnica e o físico, se frustraram ao não serem chamados para compor o time principal, caíram em depressão com a crítica contundente ou choraram diante da derrota.

 

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Os guris do Grêmio em foto de Lucas Uebel/Grêmio Oficial

 

Na minha segunda etapa como observador (e torcedor), diante da televisão onde o Grêmio se apresentava com sua equipe de garotos, os sentimentos de alegria e tristeza se misturaram. Via-se o sorriso dos guris quando seguiam em direção ao ataque; quando conseguiam se livrar do adversário com a bola grudada no pé ou uma gingada de corpo; quando deixavam o companheiro mais bem colocado para o gol. O sorriso era gigantesco na comemoração do tento: e sorriram assim por três vezes, todas no primeiro tempo de partida.

 

No entanto, a alegria de jogar bola se desfez a medida que o adversário reagia, empatava, virava e ganhava a partida. Um dos nossos chorou antes de deixar o gramado. Saiu com a camisa escondendo o rosto. Outros devem ter acordado neste domingo sem ainda entender o que aconteceu? Talvez estejam com vergonha de sair de casa. De trocar mensagens com os amigos no WhatsApp. E temem pelo que ouvirão de seus superiores na volta aos treinos. Sem contar o que estão ouvindo nas redes sociais de gente incapaz de perceber que eles são apenas jovens diante de enormes desafios. Jovens em busca de afirmação, obrigados a tomar decisões, carregar nossas pretensões e amadurecer muito antes do que cada um de nós. Simplesmente, jovens. Que vão vencer, sorrir, perder, chorar. Vão viver!

 

O importante é que sejam capazes de aprender com cada um desses momentos. Se conseguirem, não perderam. Aprenderam. É o que desejo, tanto aos jovens que saíram vencedores, no Lol, quanto aos que sentiram o dissabor da derrota, no futebol.

Avalanche Tricolor: começou o Campeonato Gaúcho

 

São Luiz 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Estádio 19 de Outubro/Ijuí RS

 

 

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Lance do primeiro gol no Gaúcho de 2018 (reprodução Premier)

 

Tinha campo encharcado, charanga na arquibancada e alambrado ao lado da linha lateral. Teve gente metendo a mão no peito e gritando com o adversário. Juiz atrapalhado e pressão por todos os lados.

 

Tinha até um Anchieta em campo pra gente rememorar os grandes momentos de 1977 quando nosso capitão levantou a taça daquele histórico campeonato, no saudoso estádio Olímpico. Soube que é neto do nosso capitão.

 

Tinha a cara do Campeonato Gaúcho. Pena ser uma quarta-feira à noite. Sou do tempo em que o Estadual era inaugurado com pompa e circunstância. E domingo à tarde, dia nobre do futebol.

 

Hoje, joga-se o Gaúcho na hora e data em que der. É preciso encaixar o campeonato nos dia vagos do concorrido calendário do futebol brasileiro e estrangeiro. É que, ao contrário de outros por aí, além do estadual, brasileiro e Copa do Brasil temos nossos compromissos fora do Brasil. E tem, também, Copa do Mundo a interromper nossa caminhada aos títulos desejados.

 

Independentemente do espaço e da importância da competição no calendário gremista, assim como você, caro e raro leitor (gremista) deste blog, eu quero vencer. Quero comemorar títulos. Fazer festa na Goethe (mesmo que metafórica já que moro distante de Porto Alegre). Dar volta olímpica. Levantar taça. Ver meu time brilhando, sempre. E, convenhamos, começar a temporada com um troféu do Gaúcho no armário  sempre dá ânimo diferente.

 

Do time que entrou em campo, conhecia poucos. Parte por minha distância do dia a dia do clube; parte porque a gurizada é nova, mesmo para quem está atualizado com o cotidiano do clube. Mas gostei do atrevimento deles. Apesar do gramado com acúmulo da água, tocaram bola, ensaiaram trocas de passes, se entusiasmaram com os dribles, deram uma caneta aqui, se desvencilharam da marcação ali. Jogaram sério na defesa e evitaram riscos.

 

Especialmente, tiveram a oportunidade de, em campo, realizarem um sonho, como disse ao fim do primeiro tempo Matheus Henrique. No caso dele, o sonho de marcar um gol. Nosso primeiro gol no Campeonato Gaúcho de 2018: “tenho noção do tamanho da camisa do Grêmio!”. Sem dúvida, Matheus, uma camisa com a qual muitos sonham. Mas poucos, como você, têm o privilégio de vestir!

Avalanche Tricolor: meu orgulho em vestir o azul, preto e branco nesta final do Mundial

 

 

Grêmio 0x1 Real Madrid
Mundial – Zayed Sports City/Abu Dhabi

 

Gremio

 

Faz pouco chegamos do estádio Zayed Sports City. Estamos no quarto do hotel fechando as malas. No domingo, logo cedo, embarcaremos de volta. Dobramos carinhosamente cada uma das camisas do Grêmio que nos acompanharam nesta jornada. Estão suadas, cheirando a corpo, um pouco amassadas, mas seguem sendo vestidas com a merecida dignidade. Durante todos esses dias essas camisas desfilaram pelos Emirados Árabes exaltando nosso orgulho de ser tricolor e conquistando adeptos, como os três torcedores “emirates” que sentaram à nossa frente. Todos estavam com a camiseta do Real – é o time da moda, não é mesmo? – mas um deles virou-se para trás e me contou que gosta muito do Grêmio por causa de um jogador em especial: Tcheco, que foi ídolo no Al-Ittihad, o time da casa. Por onde passamos deixamos admiradores.

 

Foi assim todo este ano: jogando o melhor futebol do Brasil, ganhamos a admiração do público e da crítica. Poucos se atreveram a questionar a qualidade do nosso jogo e do time montado por Renato e comissão técnica. Os resultados em campo estavam a altura dessa expectativa, levando em consideração que fizemos escolhas pontuais em relação as competições disputadas. Tínhamos uma obsessão que era voltar a dominar a América. Enquanto dobrava algumas das camisas para colocar na mala, dava para perceber ainda marcas dessas batalhas sul-americanas. Marcas que estão na camisa e na alma de cada gremista que encontrei nesses dias.

 

O time copero conquistou as Américas e nos encharcou de felicidade. Após vencer a Libertadores, ainda superou o Pachuca, do México, considerado o melhor time das Américas do Norte e Central, na primeira partida nos Emirados. Com essa vitória credenciou-se para a final do Mundial, lugar reservado apenas aos grandes, e deparou-se com um gigante, talvez o maior de todos os tempos.

 

Nada do que tenha acontecido nesta noite de Abu Dhabi é suficiente para me tirar o orgulho de ser gremista. Aliás, muitas das coisas que aconteceram nesta noite fortaleceram ainda mais este meu sentimento. Assisti às nossas camisas vestidas por cerca de 7 mil torcedores, ouvi o canto da nossa torcida ecoando pelas arquibancadas do Zayed Sports City e vi todos que estavam no estádio aplaudindo a entrada do nosso uniforme tradicional no gramado da grande final.

 

Em campo, lutamos, fizemos o que era possível. O que estava ao nosso alcance. Talvez um pouco mais de pressão aqui, um pouco mais de calma ali, quem sabe um lance de sorte a nosso favor, uma falta cobrada mais para baixo ou uma barreira mais fechada à frente da bola. Detalhes que poderiam não fazer diferença diante do adversário que enfrentávamos. Ou poderiam. Nunca se sabe o que a bola nos reserva numa noite de futebol.

 

Das camisas em campo quero fazer minha reverência a Geromel e Kannemann. Eles foram gigantes, cada um a seu estilo. Defenderam nossas cores e cidadela com bravura e talento. Venceram quase todas suas batalhas. E nas mais complicadas contaram com o apoio de Marcelo Grohe, outro que lutou até onde alcançou para nos manter vivos na disputa.

 

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A vitória não veio, mas o Grêmio me deu o direito de sonhar mais uma vez: o de disputar uma final de Mundial. Um sonho que vivi intensamente nestes últimos dias, admirando sua camisa entre as maiores do Planeta. Vestindo-a com o orgulho de sempre nas arquibancadas, nas ruas, nos locais turísticos, sagrados e consagrados destes Emirados. Um sonho que sonhei ao lado de meus dois filhos a quem fiz questão de beijar ao fim da partida, um agradecimento a esses companheiros que souberam entender a importância deste momento para o pai e ainda me surpreenderam ao levar para o jogo uma camisa com o nome do avô que, afinal, foi quem me deu a primeira camiseta azul, preta e branca que vesti na vida, despertando esta paixão em todos nós.

Avalanche Tricolor: com Renato, vamos acabar com o Planeta!

 

 

Direto de Abu Dhabi

 

 

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Chegou o dia … finalmente chegou o dia. Aqui já é sábado, 16 de dezembro. A ansiedade é tanta que o dia de decisão começa antes. Já é madrugada quando publico esta Avalanche. Já é dia de “acabar com o Planeta”, lema que nos embalou durante a Libertadores e nos segue no Mundial.

 

 

E não se fala em outra coisa aqui em Abu Dhabi. Depois de acabar com as Américas – afinal somos os campeões das Américas, vencemos a Libertadores e despachamos o Pachuca, do México, na semifinal do Mundial – chegou a hora de acabar com o Planeta.

 

 

E quando digo que não se fala em outra coisa é porque não tem um canto sagrado desta terra – e eu fui a alguns -, não tem um grão de areia deste deserto que não esteja tomado de azul, preto e branco. Sei lá quantos gremistas estão por aqui, mas a turma é no mínimo vistosa. Nossas camisas estão em todos os espaços e são de todos os modelos. Tem tricolor, tem azul claro, azul escuro, tem preta. Tem retrô, tem histórica, tem sem número nas costas, com nome de craques do passado, tem as mais novas e as bem velhas. Tem de todo tipo e todos com o Grêmio na altura do coração.

 

 

Tem muita camisa 7 – e Luan que me desculpe – mas com o 7 de Renato, o Gaúcho que nos levou ao céu desconsertando os alemães na final do Mundial em 1983. De Renato que infernizou a vida de técnicos, os seus e o dos adversários. Que enlouqueceu laterais, zagueiros e qualquer um que se intrometesse no seu caminho. Que aventurou-se técnico e driblou a descrença de críticos, fez embaixadinha com as palavras e brincou com a cara de que não o levou a sério.

 

 

Que me matou de ódio, a ponto de desviar-me da trajetória profissional que eu havia escolhido – e um dia conto esta história para você, caro e raro leitor desta Avalanche. Que me fez morrer (ou quase) de amor pelo Grêmio. E prometer a mim mesmo – depois daquela final de 1983, que assisti na casa de amigos em Porto Alegre – que um dia estaria ao lado do Grêmio, ao vivo, em uma final do Mundial.

 

 

Foi Renato quem me trouxe até Abu Dhabi. Seja pela promessa que fiz há 34 anos seja pelo que ele fez com o Grêmio em 2016 e 2017. Foi Renato quem me fez acreditar em novos títulos. Quem deu a toda nossa torcida a expectativa de um título. Mais do que isso: nos devolveu a Copa do Brasil, nos devolveu o orgulho de um futebol bem jogado – o mais bem jogado no Brasil, disseram os entendidos. Nos permitiu delirar a cada batalha vencida na Libertadores. Convenceu seus jogadores, todos eles – os craques, os renegados, os abnegados -, que poderiam entrar para o panteão dos Imortais. Que não teve pudor de admitir erros, mudar jogadores no primeiro tempo, substituir renomados por reservas, de incorporar-se em Everton para nos colocar na final de um Mundial, mais uma vez.

 

 

Ainda há quem questione se Renato foi melhor que Cristiano Ronaldo. Claro que foi. Só Renato foi capaz de nos fazer vibrar com um Mundial. De resgatar a Copa do Brasil e a Libertadores. Só Renato é capaz de fazer o Grêmio acabar com o Planeta!

 

Avalanche Tricolor: ser gremista era o seu destino!

 

 

Direto de Abi Dhabi

 

 

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Um dos meus guris – o mais velho – apareceu na televisão com cara de sofrimento em cena flagrada logo após o fim do tempo normal e o início da prorrogação, em Al Ain. Era a cara da nossa torcida naquele instante de dúvidas sobre o destino do Grêmio no Mundial. Pena não terem mostrado os olhos dele com lágrimas e o sorriso no rosto que vieram assim que Everton entortou os zagueiros mexicanos. Era a cara do nosso torcedor naquele momento, tomado pela certeza de que havíamos garantido presença na final, sábado, em Abu Dhabi.

 

 

A imagem do Gregório chegou aos amigos, foi comentada em rede social e virou tema de uma das entrevistas que concedi a colegas de rádio e televisão, desde que cheguei aos Emirados Árabes. Para mim, já registrei isso em Twitter, é a revelação de que criei, sim, um gremista, mesmo que tenha nascido distante de Porto Alegre.

 

 

GREGORIO

 

 

Ao lado dele, no estádio em Al Ain, estava o irmão mais novo, o Lorenzo. E esse não teve sua imagem registrada, talvez pelo olhar sereno que busca manter diante de todas as situações, mesmo as mais difíceis. Mas eu o assisti aplaudindo o Grêmio, sorrindo nos lances mais bonitos, lamentando as bolas desperdiçadas e comentando as nuances do jogo. Seja por força da profissão – é técnico de eSports – seja por personalidade, sempre foi mais comedido nas emoções. Contido, mesmo que no coração bata todo tipo de sentimento. E eu sei que bate forte.

 

 

Durante o próprio jogo, registrou no Twitter a sensação de assistir ao Grêmio no Mundial:

 

 

LORENZO 1

 

 

Foi, porém, uma outra mensagem dele, escrita já na madrugada pós-jogo, na conversa frequente com os amigos e seguidores, que me chamou atenção:

 

 

LORENZO 2

 

 

“Tento ser”, escreveu, sem saber que já é gremista desde que era um piá de calça curta.

 

 

Tomara que seus colegas de organização, mais adeptos as conversas dos esportes eletrônicos, jamais leiam esta Avalanche, pois vou ser inconfidente agora e revelar imagem que não se enquadra com àquele treinador que trabalha diariamente com eles.

 

 

Em 2005, na maior de todas as batalhas que já conquistamos, a dos Aflitos, meu guri estava com apenas seis anos e o futebol não fazia parte de sua vida. Estava no videogame enquanto o pai sofria diante da televisão assistindo ao jogo no Recife.

 

 

Com a atenção chamada pelo meu desespero, no instante em que o árbitro assinalava mais um pênalti contra nós e expulsava um jogador após o outro, ele e o irmão vieram correndo para o quarto onde eu estava. Tentavam entender a dimensão do drama que estávamos enfrentando. Com a voz e as palavras que me restavam contei a eles e recebi o abraço dos dois em solidariedade. Ficaram ao meu lado assistindo a cada um daqueles momentos épicos que registramos na história. E no apito final comemoraram o título e a ascensão comigo.

 

 

Depois de pular pela façanha alcançada, olho para trás e encontro meu guri menor, esse que diz que está tentando ser gremista, abraçado em um dos cachorros que temos lá em casa. Estava aos prantos, emocionado pela nossa vitória e pelo êxtase que o pai vivia.

 

 

Portanto, Lorenzo, não precisa tentar, não: seu coração já foi ferido em azul, preto e branco desde aquele tempo. Agora, não tem mais volta. Por mais que você esconda da gente, vai sofrer ao nosso lado tanto quanto deliciar-se com as emoções que o Grêmio proporciona.

 

 

Sábado estaremos os três no alto das arquibancadas do Zayed Sports City Stadium, em Abu Dhabi, seguindo o que o destino nos ofereceu: ser gremista!