Avalanche Tricolor: Uma questão de obrigação

 

Inter 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Porto Alegre


Ser mais do que sempre foi é obrigação de qualquer jogador que veste a camisa do Grêmio. Isto transformou em gigantes atletas de passagem apagada em outros campos.

Suar e sangrar em busca de cada bola, na dividida com o adversário e no carrinho que rasga a grama também são compromissos que assumem.

Assim como lutar desesperadamente pelas pequenas conquistas que surgem a cada minuto de jogo; não admitir que a jogada esteja perdida enquanto o músculo aguentar o esforço; nem jamais aceitar a derrota mesmo que esta tenha sido decretada.

Jogar futebol de verdade, talento para superar a adversidade e categoria para se livrar do marcador impertinente, lógico, agregam valor e diferenciam os atletas. Por isso não é demais que o torcedor exija ao menos alguns capacitados a assumir este papel. E um pouco de organização tática, evidentemente.

É o que sempre esperamos quando o Grêmio está em campo mesmo quando a injustiça nos é imposta como aquela “cama de gato” no primeiro tempo do Gre-Nal que resultou em enorme prejuízo (vai ver o juiz imaginou que fosse uma homenagem a ele próprio). E não pense que eu estava satisfeito como o que havíamos feito até então.

O Grêmio foi ao Beira Rio com a certeza de que fosse qual fosse o resultado o Campeonato Gaúcho não seria perdido nesta tarde de domingo. Apenas tínhamos a oportunidade de tomar um atalho para o título, dispensando o desgaste de mais duas decisões em um mês que será tomado por elas, haja vista o compromisso que temos nesta quarta-feira pela Libertadores.

A única obrigação era estarmos a altura da expectativa de nossa torcida.

Muitos deixaram a desejar, a maioria esteve aquém de sua capacidade, e o time não fez a partida que todos nós gostaríamos. Deve-se levar em consideração, contudo, a sequência de incidentes que tirou jogadores importantes antes e durante o jogo. E o fato de que mesmo assim, terminamos empatados com um adversário empurrado por sua torcida, jogando em casa e com a obrigação de vencer.

Sem tempo para lamentar pênaltis mal cobrados, nosso olhar se volta agora para a busca de mais uma façanha sulamericana. Para chegarmos a tal, é preciso que todos assumam suas obrigações, atendam ao compromisso assumido e sejam no Grêmio mais, muito mais, do que sempre foram.

Quem mandou ser um Imortal ?

Avalanche Tricolor: Por mais uma façanha

 

Grêmio 1 x 2 Universidade Católica
Libertadores – Olímpico Monumental

Temos uma torcida e uma história. É com ambas que contaremos a partir de agora. Se faltam talentos e jogadores em algumas posições, se o juiz comete suas injustiças, o que importa. Sempre acreditamos no impossível. Não está morto quem peleia é nosso lema. A imortalidade, nossa marca. E estamos prontos para escrever mais uma façanha no futebol mundial. Duvida ? Fosse você, não duvidaria.

Avalanche Tricolor: O melhor ataque é a defesa

 

 

Cruzeiro 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Passo D’Areia/POA


O goleador do time corria alucinadamente em direção ao zagueiro. O craque retornava ao campo de defesa em uma velocidade descabida. O camisa 10 roubava a bola do marcardor com um leve toque embaixo dela, dentro da área do adversário. Eles, os volantes, os alas, todos faziam parte de um sistema rígido de defesa que impedia riscos ao nosso gol, interrompia ataques e abortava contra-ataques.

Em contrapartida, o zagueiro aparecia no último poste, de carrinho, esticando a perna, levando a bola para a rede inimiga e selando a classificação para mais uma final em quatro meses – a terceira, se levarmos em consideração a disputa da pré-Libertadores. Era o quinto gol dele neste campeonato. Nosso defensor é o terceiro goleador do time – claro que se descontarmos os lances nos quais fomos vítimas dos erros dele, como no primeiro da partida da semi-final, ainda nos deve alguns (perdão, Rafael Marques, pela corneta, mas eu precisava lhe chamar atenção para isso).

O Grêmio atual, como todas as críticas que sofre e erros que comete, me chama atenção pela postura que tem adotado em momentos de decisão. Seus jogadores trocam os papéis, nossos ataques defendem, nossos zagueiros atacam, e todos se dedicam em nome de uma conquista. Compensamos as falhas lá de trás, pela dedicação lá na frente e o esforço da turma que está no meio.

O futebol que temos jogado não chega a ser o mais impressionante de todos os tempos, mas tem nos levado aos resultados que necessitamos. E se existe um mérito, é esta doação de cada um ao bem maior. Atacante dando carrinho, voltante chutando e zagueiro marcando.

A lamentar apenas este desejo eterno pelas conquistas que nos causa feridos graves para as disputas maiores como Vitor e Lucio – duas ausências importantes para o próximo desafio sulamericano. Nosso consolo é saber que, seja quem for seus substitutos, teremos jogadores alucinados, vestindo a camisa tricolor, dispostos a dar o ombro luxado, a virilha esticada, o músculo estourado, a canela machucada em nome de mais uma vitória.

Mais do que das vitórias, dependemos desta disposição de cada um. E a persistirem os sintomas, esta não nos faltará tão cedo.

Avalanche Tricolor: Gol de craque e craque no gol

Ypiranga 1 (2) x (4) 1 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim

Esta foto é em homenagem a qualidade da imagem na transmissão do PPV

O gol de um craque e um craque no gol fizeram do Grêmio semifinalista do segundo turno do Campeonato Gaúcho. O chute de Douglas no primeiro tempo e a defesa de Vítor nos pênaltis ratificaram o talento de dois jogadores fundamentais para o time que tem suas pretensões vivas em todas as competições que disputou até aqui na temporada.

Importante ressaltar isto, em momento de questionamentos. O mau resultado do meio da semana e as incertezas que foram impostas à capacidade deste grupo poderiam ter um efeito devastador neste domingo.

Este Grêmio, porém, já encarou bem a pré-Libertadores, passou à etapa de mata-mata da competição sul-americana e venceu o primeiro turno do Campeonato Gaúcho, fato que nos garante presença na final haja o que houver nas próximas duas rodadas.

E, mesmo que não fosse necessário para quem também quer ser campeão estadual, passar por mais um decisão com vitória neste segundo turno era essencial. A impressão que se tem é que o time está sempre precisando provar alguma coisa para a crítica e para sua própria torcida.

Agora me pergunto: quando não foi assim ? Nossa história foi forjada nestes momentos. E enfrentá-los com coragem é obrigação que está acima da própria vitória. Quando as duas aparecem temos é que valorizar e comemorar.

N.B: Agradeço à NET pelo jogo mal transmitido. O PPV se transformou em PP NO-V, pois o sinal só foi levado ao ar com qualidade pouco antes dos 40 minutos do segundo tempo. Antes disso fui obrigado a ver uma “luta livre” e imagens quadriculadas de um susposto jogo de futebol. Uma vergonha.

Avalanche Tricolor: Sonhando com a Libertadores

Oriente Petrolero x Grêmio
Libertadores – Sta Cruz de la Sierra


Sonhar com a Libertadores não é lugar-comum neste artigo que escrevo antes mesmo de o Grêmio disputar sua última partida nesta fase de grupos da competição. É o que farei neste fim de noite de quinta-feira, enquanto meu time de coração estiver em campo.

Antes de me taxar de ingrato e infiel – coisa sobre as quais jamais alguém poderá me acusar nestes mais de quatro deçadas de paixão tricolor -, entenda minha situação. Às quatro e 20 da manhã, enquanto você relaxa tranquilo sob as cobertas da sua cama, eu ouço o despertador tocar, sinal de que minha rotina matinal estará se iniciando. Tomar banho, escolher a roupa, acessar a internet, baixar os jornais no Ipad, iniciar a leitura deles enquanto tomo meu café. Um ritual que antecede a saída para a rádio, onde uma hora depois de acordar começo a discutir as pautas do dia para o Jornal da CBN.

Meu novo desafio profissional me ofereceu grandes prazeres, porém me tirou o direito de ficar acordado muito além das 11 da noite. E a partida desta quinta começaria às 10 e 45 para se encerrar apenas no início da madrugada da sexta. Quase impossível assisti-la.

Assumi, assim, o compromisso de deitar-me antes da bola começar a rolar, e me dar o direito de sonhar com os próximos passos na Libertadores. O adversário do mata-mata, a vitória apertada no primeiro jogo, a arquibancada lotada no segundo, a disputa até o último minuto por mais uma conquista e a avalanche tricolor, escadaria abaixo.

Um direito que só foi possível, pois o Grêmio antecipou-se e garantiu presença na próxima fase independentemente do resultado desta última rodada. Alguém dirá que havia a disputa da liderança do grupo e, por isso, todos deveríamos estar atentos. Convenhamos, amigo, desde quando isto foi importante para um time acostumado aos feitos históricos.

Seja qual for o placar desta noite/madrugada, terei um sonho tranquilo, um sonho azul, preto e branco.

Boa noite !

Avalanche Tricolor: Mais do mesmo

 

Santa Cruz 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz do Sul

O Campeonato Gaúcho chega a mais uma etapa decisiva. Como em muitas dessas competições estaduais, aboliu o tradicional mata-mata, substituindo-o por um simples mata. O que não muda é a presença do Grêmio nestes momentos.

Depois de vencer o primeiro turno e garantir presença na “grande final” (as aspas são para que a expressão soe como ironia), tem agora a oportunidade de acabar com a festa com antecipação.

Precisaria para isso vencer também o segundo turno, ganhando mais três jogos (quartas, semi e final), o que creio estar além da conta para um time que tem como maior objetivo a Libertadores. Pese também o risco que a equipe enfrenta cada vez que tem de jogar em gramados como o desta tarde.

As condições do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul, são lamentáveis. Os buracos são incontáveis e interferem no destino da bola. Borges, o goleador, que o diga. Ajeitava o pé para escorar o passe e a bola subia antes da hora; virava o corpo para receber o lançamento e a bola chegava mascada pelo piso. Não me admira que o Grêmio tenha perdido tantos gols, em especial no primeiro tempo.

Expor equipes profissionais a estas condições é lamentável e típico do futebol brasileiro. Impressiona-me que ainda existam clubes que busquem se beneficiar destes artifícios. Espero que tenhamos encerrado o confronto de hoje sem nenhuma perda importante e com as condições físicas preservadas.

Seja como for, cumprimos nosso papel neste fim de semana. Fechamos a participação até aqui com a melhor campanha do campeonato. Confirmamos presença em mais uma decisão. E vamos ficar atentos mesmo é para o desafio do meio de semana pela Libertadores que, afinal, é o que realmente interessa.

Avalanche Tricolor: Loucos e heróis

 

Grêmio 2 x 0 Junior Barranquilla
Libertadores – Olímpico Monumental

Estranho mundo este do futebol que nos faz apaixonado por um clube. Leva o torcedor a vibrar loucamente pelos motivos mais estranhos e, talvez, injustificáveis. Sensação que tive no início da noite desta quinta-feira, quando o Grêmio, em casa, encarou e abateu o time que tinha a melhor campanha da Libertadores, até então.

Foi Lúcio, um magricelo com jeito de retirante sempre disposto a lutar por sua sobrevivência, quem marcou o primeiro gol. E Borges, atarracado atacante que me passa a impressão de sempre viver sozinho, quem matou o jogo. Teria tudo para gastar todas as linhas desta Avalanche elogiando os dois feitos – importantes e definitivos, sem dúvida. E ambos mereceriam.

Torcedor vê coisas, porém, que só a ele e aos seus interessa. Eu vi três heróis em campo e nenhum deles aparecerá na tabela de goleador. Vi Rodolfo, Bruno Colaço e Vitor – sempre ele – defendendo a cidadela tricolor como somente os grandes e abnegados são capazes.

O zagueiro Rodolfo abortou o chute a instantes do tiro fatal; o ala Bruno jogou-se diante da bola quando esta imaginava estar próxima da rede; e Vitor foi impressionante ao matar o ataque adversário em dois momentos, um de bravura – quando saiu aos pés de um colombiano – e outro espetacular – quando com reflexo despachou a bola para o alto e para fora.

Dos que fizeram gol aos que o evitaram, todos os Imortais responderam a altura a festa proporcionada pela torcida na arquibancada. Garantiram, com antecipação, passagem à próxima fase da Libertadores. E se credenciaram para novas batalhas até o sonhado tri – este sim, a maior das nossas loucuras.

Que venha logo !

Avalanche Tricolor: L., 17 anos, craque e gremista

 

Grêmio 2 x 1 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico Monumental

Com 17 anos ainda pensava na possibilidade de ser professor de educação física, tinha o jornalismo como excelente oportunidade e o basquete como realidade. Joguei apenas alguns anos mais, desisti de dar aulas de ginástica no segundo ano de faculdade e a comunicação se transformou na opção mais viável e apropriada como a vida profissional tem demonstrado.

Nesta idade, a maioria dos garotos ainda está em busca de uma personalidade, apesar de dar alguma pista nos palpites que arrisca e nas decisões tomadas, ambos ainda com a marca da imaturidade. Por isso, ver um guri jogando o futebol que L. tem demonstrado em campo é surpreendente mesmo em um esporte no qual a precocidade tem se tornado exigência, haja vista a quantidade de novos valores que surgem a cada temporada.

Perdão se utilizo apenas a inicial dele, mas sigo regra estabelecida nos veículos de comunicação que não citam o nome de crianças ou adolescentes que, por ventura, tenham se envolvido em prática infracional.

E o nosso L., camisa 21, hoje à tarde, cometeu o crime de querer fazer gols.

Quando o time já vencia por 1 a 0 – gol dele, registre-se – foi dividir bola com o goleiro adversário que chegou antes e teve seu braço tocado pelo pé do craque. Seu atrevimento foi punido com um peitaço do goleiro e uma reprimenda pública em rede nacional de televisão – desculpe-me, isto é apenas um jargão, pois a bronca foi no P.P.V, aquele que a gente paga pra ver e de troco tem de ouvir, também.

O comentarista era Batista, volante bastante conhecido no futebol brasileiro que com a bola nos pés teve todo nosso respeito. Ao lado do narrador da partida, fez um discurso que me causou mais indignação do que a agressão do arqueiro adversário.

Quase deram razão ao agressor. Afinal, L. tinha de ter evitado a jogada. Pouca vergonha, este guri querer chegar antes do goleiro e marcar seu segundo gol nessa tarde de domingo, que se transformaria em seu sexto gol em apenas cinco partidas profissionais.

Das muitas faltas que ele foi vítima neste e nos demais jogos nada foi declarado.

L. vai ter de ouvir muita coisa neste futebol. Dos comentaristas e dos colegas de profissão. É daquele tipo de jogador predestinado a sofrer ataques, caçado por todo canto em que tentar um drible, sempre que arriscar um passe preciso ou um chute certeiro. Alguém o acusará de querer humilhar o adversário, exagerar nas jogadas bonitas ou – como hoje – de insistir em chegar ao gol.

Até aqui, porém, deu sinais de que não vai se intimidar com esta marcação cerrada – em campo e fora dele. Tem a mania de jogar para frente nem se entusiasma com a firula sem sentido.

Tem personalidade para tomar a camisa de titular do Imortal e oferecer à torcida alegrias infindáveis … até que dure. Até que nossos dirigentes cometam a insanidade de perdê-lo para o futebol europeu como já fizeram com tantos outros craques que despontaram no Olímpico. Ou até que os toscos consigam convencê-lo de que não existe mais espaço nos gramados para quem acredita no talento do futebol.

Enquanto nada disto acontece, não percam o próximo espetáculo de L., 17 anos, craque de bola.

N.B: Apesar da prática de divulgar as iniciais de crianças e adolescentes envolvidos em atos infracionais ou submetidos a humilhação, o Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 2003, proíbe qualquer tipo de identificação.

Torcer por um clube de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Nem todos possuem um time para o qual torcem. Há quem nem sequer goste de futebol ou somente se fixe neste esporte quando a Seleção Brasileira entra em campo. Existem torcedores de todas as espécies, dos apaixonados aos raivosos, dos que freqüentam estádios aos que preferem acompanhar os jogos pelo pay-per-view e também pelas rádios.

Vou tratar, hoje, dos que têm time ou clube, que não chegam a ser sinônimos, mas podem ser entendidos como tal. Talvez quem me dá o prazer de ler o que escrevo aqui prefira falar em clube, eis que os times, ao contrário daquele, mudam de formação com freqüência. O clube, dependendo de sua grandeza, é eterno ou quase isso.

Minha abordagem versará sobre como se cria um torcedor. Creio que a maior influência venha dos pais, nem digo que seja paterna, porque muitas vezes o casal torce para times diferentes e a força de persuasão de um é mais forte do que a do seu par. Tirante esta dupla, há também padrinhos, tios, irmãos e outros parentes que tentam puxar o visado para o seu lado com todo o tipo de artimanhas, inclusive as que começam com os presentes que são dados aos recém-nascidos: camisetinhas, calções e meias de times de futebol. Esses, quando chegam à idade da razão, nem sempre fazem o que é esperado… e passam a torcer para o rival. Existem também os que, para fazer desfeita ao pai, vão para o lado oposto.

Na minha casa, impera a democracia. Todos têm de ser gremistas. E ninguém traiu o seu pai. Estão aí o Mílton (o texto da Avalanche Tricolor diz bem qual a sua paixão clubista), a Jacque, que vai ao Olímpico às vezes, mas prefere ficar acompanhando a marcha do jogo pela Internet, e o Christian, torcedor gremista também, mas mais ligado em música e apaixonado por fucas, sobre os quais escreve no blog MacFuca. Na sua infância e adolescência, o Mílton não só jogou na escolinha de futebol do Grêmio como foi integrante do times tricolor de basquete, no qual jogou dos juvenis à equipe de adultos.

Quanto ao pai deles, este seu criado, que estreou no rádio, como locutor, no distante ano de 1958, jamais escondeu sua paixão pelo Grêmio. No meu tempo de foca no ofício, na Rádio Canoas, cheguei a narrar um jogo no Estádio da Montanha, entre o dono da casa – Cruzeiro – e o Renner, equipe que foi campeã gaúcha em 54 e, no mesmo ano, acabou extinta. Muitos de seus jogadores, entre eles Ênio Vargas de Andrade, depois técnico famoso, trabalhavam na fábrica Renner. Mas retorno ao assunto. Na Rádio Guaíba, onde estou desde 1958, fui narrador durante muitos anos e – desculpem-me por falar sobre mim – participei do Terceiro Tempo e, hoje, do Ganhando o Jogo. Cito isso para dizer que já não preciso ser imparcial, o que era como narrador.

Faltou contar que, quando menino, um companheiro de peladas me convenceu a torcer para o Grêmio. Meu pai se dizia torcedor do São José. Logo, não teve nenhuma influência na minha escolha. Minha paixão só apareceu, de fato, quando, no internato, ouvi a transmissão de um jogo via rádio. Nessa, fã que era do goleiro Júlio Petersen, fiquei sabendo que ele se aposentara e seu substituto se chamava Sérgio Moacir. Foi a primeira irradiação de um jogo do Grêmio que acompanhei. Faço questão de lembrar, para concluir, que o meu gremismo, por não atentar contra a minha imparcialidade, nunca me criou problemas com os torcedores do Inter.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Seu Petry, um Imortal

 

 

Juventude 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental

“Muito bom dia, em especial a torcida do Grêmio !”

Com esta frase Rudi Armin Petry costumava iniciar todas as entrevistas que concedeu em seus 91 anos de vida. Marcava assim uma posição clara em relação ao clube para o qual dedicou boa parte de seu tempo. Há quem credite a ele o início de um símbolo que o Grêmio construiu em sua história centenária: o da Imortalidade

Nem de longe sugeria desrespeito ao tradicional adversário. Foi ele quem ensinou o Rio Grande do Sul de que não havia Grêmio grande, sem Inter grande. Apenas um dos exemplos deixados por Seu Petry que comandou o clube em algumas de suas maiores conquistas.

Já era diretor de futebol em 1963, ano em que o Grêmio venceu o segundo dos sete títulos gaúchos em sequência. Foi presidente nos anos de 66 e 67 ganhando mais dois campeonatos. Seu Petry também participou como dirigente do time campeão da América e do Mundo, em 1983 ao lado de Tulio Macedo.

Sua presença no estádio Olímpico era sempre motivo de orgulho. Eu o via passando pela Tribuna de Honra ou passeando no pátio externo sempre com muito respeito. Aprendi sobre ele ouvindo as conversas de Seu Petry com meu pai ou de histórias contadas por outros gremistas ilustres.

Grandes nomes do Imortal estiveram sob o comando dele: Airton, Alcindo, Juarez, Ortunho e Vieira são apenas alguns que lembro neste instante. Jogadores que sabiam a importância de vestir o azul, preto e branco, que jamais subestimavam o adversário. Boa parte, gente que nasceu com o coração tricolor.

Disseram que Seu Petry morreu nessa terça-feira, aos 91 anos. Morreu, não. Seu Petry é genuinamente Imortal e, portanto, estará sempre vivo, e que sirva de inspiração para estes que aí estão.

(Diante deste fato, as coisas mundanas do futebol jogado nesta noite são muito pequenas)