Avalanche Tricolor: somos todos gremistas!

 

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Torcida tricolor destaque em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

Não sei quem é Ticiano Osório. Menos ainda quem é Alexandre Elmi. Que isso não diminua a importância deles nem pareça arrogância deste que lhe escreve. Meu tempo distante do Rio Grande me fez perder referências, por mais que insista em acompanhar o noticiário aqui e acolá, especialmente quando se trata do Grêmio. Portanto, não saber quem são, revela antes de mais nada minha ignorância e peço desculpas a ambos.

 

Soube deles nestes dias que antecedem a decisão da vaga à final da Copa do Brasil, muito mais próxima do que imaginávamos há alguns meses. Usaram do talento que têm com as letras para demonstrar o amor que sentem pelo Grêmio. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Cada um a seu modo.

 

A você, caro e raro leitor deste blog, além de reproduzir o link para acessar o que dizem, explico, desde já, que ambos publicaram textos na coluna “De Fora da Área”, que pode ser lida na página virtual da ZH Esportes.

 

O primeiro, Ticiano, com o chamativo título “o Grêmio não vai ser campeão” , seguido por artigo no qual descreve a série de frustrações vividas nos últimos 15 anos, desde a disputa de pênaltis contra o Olímpia, as finais contra o Boca, na Libertadores, e a entrega do Campeonato Brasileiro depois de estar 12 pontos à frente de seu adversário direto. Relembra todos esses reveses como se buscasse um consolo para caso nada dê certo mais uma vez. Cria assim uma blindagem em seus sentimentos, ao mesmo tempo que torce alucinadamente para que a história o surpreenda.

 

O segundo, Alexandre, é afirmativo ao intitular seu artigo com “o Grêmio vai sair campeão”. Lembrou do nosso delírio ao acreditarmos que seríamos capazes de golear o Boca, no Olímpico, após perdermos por 3 a 0 o primeiro jogo da final – e eu estava lá delirando ao lado do meu pai. Lembrou, também, da esperança que tivemos de nos recuperarmos no Brasileiro após termos conquistado uma vantagem que jamais algum outro clube foi capaz de obter (e desperdiçar). Mesmo assim, encontrou na nossa história inspiração para crer que agora tudo será diferente e, depois de passarmos pelo Cruzeiro, logo mais à noite, a Copa do Brasil estará logo ali nos esperando.

 

Os dois autores têm razão por mais contraditórios que sejam seus sentimentos. Cada um dos torcedores que forem à Arena nesta noite, e os milhares de nós que estaremos diante da televisão, carregaremos conosco um pouco de cada versão. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Dr. Jekill e Mr. Hyde. Deus e o Diabo. Ticiano e Alexandre.

 

Vamos nos dividir entre a crença a cada “pifada”  de Douglas e o desespero no avanço do adversário sobre Marcelo Oliveira. Os olhos vão brilhar com o drible de Luan e o coração vai apertar a cada lançamento para dentro de nossa área. Vamos cerrar os punhos para comemorar as bolas despachadas por Geromel e Kannemann e voltaremos a cerrá-los de raiva nas bolas perdidas por Pedro Rocha e Ramiro.

 

Seremos um pouco de cada um a cada lance.

 

Seremos, acima de tudo, gremistas! Imortais!

Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

 

Grêmio 5×0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

 

Fui cedo à igreja como sempre faço aos domingos. E na igreja que vou o padre é gremista. Não todos, mas o que reza as missas nas manhãs de domingo, José Bertolini, de quem já bem falei nesta Avalanche, o é. Para que não haja dúvida, ratifico, também, o que já escrevi por aqui: não vou a igreja porque ele é gremista nem por causa do futebol. No campo em que a bola rola, nossos deuses são profanos e nossas atitudes nem sempre são santas. De qualquer forma, é bom encontrá-lo por lá, pois fico sempre a espera de um cumprimento na porta da capela. Assim que cheguei, acenou com a mão aberta e os cinco dedos à mostra para em seguida balbuciar: e hoje, heim?! Que façamos por merecer, respondi de bate-pronto.

 

Lá dentro, na dinâmica que emprega, Bertolini aproveitou a data especial (e me refiro ao Dia dos Pais) para convidar os fiéis a falarem sobre seus pais. Antecipei-me na jogada, tomei o microfone e com duas palavras defini o meu, que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já conhece muito bem, como incentivador e inspirador. Motivos não me faltam para descrevê-lo desta maneira e poderia, talvez, exemplificar com a escolha profissional que fiz, seguindo seus passos na carreira. Ou, ainda, lembrar as centenas de vezes em que esteve ao meu lado, sofrendo em cada jogada que me envolvia nas partidas de basquete e de futebol, esportes que pratiquei por muitos anos.

 

Hoje, porém, permita-me falar sobre apenas um dos aspectos que o tornaram tão especial para mim: a crença de que eu deveria ser gremista. Foi meu pai quem me guiou pela mão em direção ao Estádio Olímpico quando eu tinha seis anos de vida. E o fez usando sua autoridade de pai, pois percebeu que um primo de segundo grau tentava seduzir-me e levar-me a torcer para o time que, naquele ano, inaugurava seu novo estádio e quebrava sete temporadas seguidas de hegemonia regional do Grêmio. Fosse nos dias de hoje talvez sua atitude tivesse sido condenada, mas ao me ver com a bandeira do adversário na mão, tirou-a de mim e me passou um corretivo. Nada como um pai convicto de suas decisões e disposto a tudo para colocar o filho no caminho correto.

 

Neste domingo, foram intensas as lembranças provocadas graças a atitude de meu pai.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nosso time trocar passes – olha eu aqui mais uma vez enaltecendo o passe – com precisão, rapidez e criatividade.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nossos jogadores marcando com a força e a prudência necessárias para impedir que o adversário jogasse.

 

Lembrei de meu pai e atitude dele ao ver Marcelo Grohe comemorando com os punhos cerrados um das poucas vezes em que foi exigido.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele no golaço com o pé esquerdo de Giuliano, no segundo e no terceiro gols com o pé direito de Luan, no quarto marcado após o drible em velocidade de Fernandinho e no quinto em que o adversário capitulou jogando contra sua própria rede.

 

Lembrei dele até no pênalti desperdiçado (sim, a goleada poderia até ser maior), pois me ensinou que nada está perdido enquanto se tem dignidade para lutar. E que força o Grêmio demonstrou na partida desta noite!

 

Foram tantas as lembranças e alegrias nesta goleada dominical, proporcionadas pelo caminho oferecido por meu pai, lá em 1969, que só posso encerrar esta Avalanche com um agradecimento:

 

Pai, obrigado por eu ser gremista!

Avalanche Tricolor: Os guris são gremistas, assim como Fernando

 

Cruzeiro 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Novo Hamburgo (RS)


 

Falei nesta Avalanche muitas vezes sobre o desafio de criar em seus filhos a mesma paixão que você tem pelo time de coração, principalmente quando eles nascem tão distante. Aqui em São Paulo, todo o corintiano torce para que não coloque no mundo um palmeirense, enquanto são-paulinos perdem os cabelos em pensar que o menino pode se transformar em corintiano – e vice-versa. De onde vim, o risco é ainda maior, imagine o garoto ou a garota ser um vira casaca, terá seu nome riscado da partilha. Apesar de não cultivarem a mesma admiração que tenho pelo futebol – descobriram coisas mais interessantes para se divertir – e serem paulistanos de certidão, não tenho dúvida de que meus guris são gremistas (e não só pelo fato deles terem boas notas na escola), desde que choraram abraçados comigo nos minutos finais da Batalha dos Aflitos, em 2005. De qualquer forma, é sempre bom receber alguns sinais como neste domingo em que, por compromissos pessoais e companhias legais, fiquei sem condições de assistir a parte do jogo contra o Cruzeiro. No momento em que compartilhava um paella com amigos, o Grêmio entrava em campo para mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho, e seria muito antipático consultar o resultado da partida a todo momento na tela do celular – gosto muito pouco dessas pessoas que são incapazes de conversar com você sem estar com um olho no telefone, parece que dali virá coisa mais importante que a sua companhia.

 

Com o sabor catalão ainda nos lábios e a garganta regada por um vinho maravilhoso deixei o apartamento dos amigos quando a partida ainda estava no primeiro tempo, e como sempre faço liguei para casa para saber como estavam os meninos, se precisavam de alguma coisa e avisar que deveria chegar em meia hora ou um pouco mais. Foi quando tive a surpresa de saber que o mais moço, Lorenzo, craque do League of Legends e fanático por Call of Duty: Moder Warfare III – jogos eletrônicos que rodam no computador e no XBox, respectivamente – estava de olho no PPV assistindo à partida do Grêmio. Claro que assistia de um jeito que só esta garotada é capaz, com os dedos no teclado, fone no ouvido, movimentação intensa na tela do PC e, mesmo assim, ciente de tudo que acontecia em campo. “Pai, o Grêmio está vencendo por 1 a 0”, disse ele em uma frase de significado enorme para mim; não pelo resultado em si, mas pela demonstração de que o Grêmio, sim, faz parte do cotidiano deles. Se estava ansioso para ver mais um desempenho do tricolor, naquele momento suspirei aliviado: não só havia recebido mais um sinal de quanto eles gostam do meu time (do nosso time), como, também, sabia que o Grêmio estaria em boa companhia até a minha chegada.

 

Tive tempo de ver todo o segundo tempo, me irritar com a falta de finalização do ataque e os vacilos da defesa, lamentar o gol adversário, agradecer pela marcação correta do pênalti, me indignar com o comportamento da Brigada Militar e vibrar com a vitória aos 53 minutos. Ainda consegui ver a reprodução da bela cobrança de falta de Fernando, este gremista de nascença. Todos esses momentos curti e sofri  sentado no sofá ao lado dos meninos que, defintivamente, aprenderam a ser gremista.

Avalanche Tricolor: Obrigado, Serginho !

 

Ypiranga 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Erechim


Seu Getúlio estava lá, garboso. Ao lado dele havia mais dois ex-presidentes, dos quais não me orgulho pelo que fizeram. Érico parecia bem acompanhado. Pude ver no entorno dele Capitão Rodrigo, Vasco Bruno, Quitéria e Ana Terra. Ou seria imaginação minha ? Eduardo Bueno diante de tantos personagens tinha muita história para contar. E não parou de falar (nunca para). Neste quesito tinha Nico Nicolaiewsky como parceiro.

Por falar em músico, Elis Regina cantarolava o hino com Kleiton Ramil fazendo a segunda voz, eles seguiam o ritmo de uma banda eclética que tinha da guitarra de Humberto Gessinger a sanfona de Renato Borghetti na formação. Pra descrever este momento único da história do Imortal Tricolor não faltavam jornalistas: Lenyr Martins , Mário Marcos e Paulo Sant’Ana – com o Vasquez ‘chargeando’ todo feito.

Até agora não entendi bem o que eu fazia nesta festa de ilustres gremistas que acometeu meus sonhos na tarde deste domingo. Sei, porém, quem foi responsável por este delírio: Serginho Xavier, jornalista de mão cheia, editor da Placar, gaúcho e, acima de tudo, gremista fanático – mesmo que tente me convencer de que “o tempo foi passando, o fanatismo foi diminuindo ano a ano, até por exigências profissionais. Virar jornalista me ensionou a ver o mundo por diversos pontos de vista”.

Esse amigo de arquibancada acaba de escrever “O dia em que me tornei … GREMISTA”, pela Panda Books. Livro desses que cabe no bolso e não sai da memória da gente principalmente quando somos surpreendidos ao ver nosso nome na lista de “Torcedores Ilustres”.

Não merecia tanto, Serginho. Não estou a altura desta turma toda que você nominou. Mas agradeço. Sua gentileza me fez sonhar um sonho quase impossível. Sonho tão bom que quando acordei, o Grêmio já estava vencendo a 11a. partida seguida na temporada. E de virada, se superando, como sempre foi na nossa história.