Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

 

Grêmio 5×0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

 

Fui cedo à igreja como sempre faço aos domingos. E na igreja que vou o padre é gremista. Não todos, mas o que reza as missas nas manhãs de domingo, José Bertolini, de quem já bem falei nesta Avalanche, o é. Para que não haja dúvida, ratifico, também, o que já escrevi por aqui: não vou a igreja porque ele é gremista nem por causa do futebol. No campo em que a bola rola, nossos deuses são profanos e nossas atitudes nem sempre são santas. De qualquer forma, é bom encontrá-lo por lá, pois fico sempre a espera de um cumprimento na porta da capela. Assim que cheguei, acenou com a mão aberta e os cinco dedos à mostra para em seguida balbuciar: e hoje, heim?! Que façamos por merecer, respondi de bate-pronto.

 

Lá dentro, na dinâmica que emprega, Bertolini aproveitou a data especial (e me refiro ao Dia dos Pais) para convidar os fiéis a falarem sobre seus pais. Antecipei-me na jogada, tomei o microfone e com duas palavras defini o meu, que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já conhece muito bem, como incentivador e inspirador. Motivos não me faltam para descrevê-lo desta maneira e poderia, talvez, exemplificar com a escolha profissional que fiz, seguindo seus passos na carreira. Ou, ainda, lembrar as centenas de vezes em que esteve ao meu lado, sofrendo em cada jogada que me envolvia nas partidas de basquete e de futebol, esportes que pratiquei por muitos anos.

 

Hoje, porém, permita-me falar sobre apenas um dos aspectos que o tornaram tão especial para mim: a crença de que eu deveria ser gremista. Foi meu pai quem me guiou pela mão em direção ao Estádio Olímpico quando eu tinha seis anos de vida. E o fez usando sua autoridade de pai, pois percebeu que um primo de segundo grau tentava seduzir-me e levar-me a torcer para o time que, naquele ano, inaugurava seu novo estádio e quebrava sete temporadas seguidas de hegemonia regional do Grêmio. Fosse nos dias de hoje talvez sua atitude tivesse sido condenada, mas ao me ver com a bandeira do adversário na mão, tirou-a de mim e me passou um corretivo. Nada como um pai convicto de suas decisões e disposto a tudo para colocar o filho no caminho correto.

 

Neste domingo, foram intensas as lembranças provocadas graças a atitude de meu pai.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nosso time trocar passes – olha eu aqui mais uma vez enaltecendo o passe – com precisão, rapidez e criatividade.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nossos jogadores marcando com a força e a prudência necessárias para impedir que o adversário jogasse.

 

Lembrei de meu pai e atitude dele ao ver Marcelo Grohe comemorando com os punhos cerrados um das poucas vezes em que foi exigido.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele no golaço com o pé esquerdo de Giuliano, no segundo e no terceiro gols com o pé direito de Luan, no quarto marcado após o drible em velocidade de Fernandinho e no quinto em que o adversário capitulou jogando contra sua própria rede.

 

Lembrei dele até no pênalti desperdiçado (sim, a goleada poderia até ser maior), pois me ensinou que nada está perdido enquanto se tem dignidade para lutar. E que força o Grêmio demonstrou na partida desta noite!

 

Foram tantas as lembranças e alegrias nesta goleada dominical, proporcionadas pelo caminho oferecido por meu pai, lá em 1969, que só posso encerrar esta Avalanche com um agradecimento:

 

Pai, obrigado por eu ser gremista!

9 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

  1. Alma lavada por meu filho também ser gremista. Alegrias de pai, de filho, de…..bom, deixa pra lá! Gol, gol, gol, gol, gol. É o Milton Ferreti Jung narrando ….. Abraços tricolores.

  2. Mílton,me fizeste chorar com o teu texto. Meu choro,porém,era o do pai vitorioso em todos sentidos. Lágrimas escorreram dos meus olhos quando o Padre Bertolini pediu aos paroquianos que falassem nos seus pais e foste tão rápido quanto Luan ao driblar os jogadores do Inter,perdidos que estavam desde o início do jogo. Tua velocidade propiciou todas as lembranças que relataste depois,contando os teus passos sempre acompanhados por mim,da nossa casa ao Olímpico e onde quer que o Grêmio jogasse. Eu já me emocionava só de ver o esforço que fazias para marcar os adversários,alguns bem maiores. E tudo porque defendias o Grêmio em quaisquer circunstâncias. Não esqueceste,inclusive, a bronca que dei em ti quando um primo distante tentou te fazer colorado. Foi muito bom relembrar todos os passos que,em nome do Grêmio, demos juntos. Neste domingo,nós e todos os gremistas,não duvido,choramos novamente depois de muito tempo, Ver o Grêmio vencer por 5 x 0 o seu tradicional rival,de certa forma,foi para este pai aqui,ao lado do teu discurso sobre o que passamos com o Grêmio,mais do que uma benção.

  3. Parabens Milton Jung por poder homenagear o grande Milton Ferreti Jung, que se fosse narrar o jogo ontem seria 20 x 0. Uma vitória para humilhar quem achava que um time que custa 10 milhões por mês pudesse passar por cima de um que custa 3 milhões por mês, ou menos ainda. O que mais importa é lutar, ter garra, como fez nosso time. Uma pena que o cachaceiro do Douglas errou o penalti, mas era o esperado de um ex-jogador, pois seria 6 x 0, a maior goleada desde o primeiro 10 x 0.

  4. Seu trabalho nos diversos microfones já provaram o bom caminho tomado.
    Não sei dizer sobre a escolha do time de futebol. Enfim, isto é paixão e ai não tem discussão.
    Se as estatísticas estiveram corretas, parece que esta é a maior goleada em 100 anos.
    Com meus 40 anos acompanhando futebol, e já assisti muitos Grenais, nunca vi o Colorado tão apático e aquém do Tricolor como na partida deste domingo. Parecia um Caxias x Inter ou um Pelotas x Inter, etc. Esperava uma luta hercúlea dos dois lados, mas sequer o Tricolor precisou se esforçar.
    Deu pena!!!

  5. Olá,
    peço licença para a intervenção de uma pessoa que nem consegue acompanhar a bola, no estádio e na TV. Não tenho a mínima ideia do que acontece, mas sem falsa modéstia, acho que tenho uma boa participação nesse resultado glorioso.

    Estava na festa de aniversário do meu afilhado de casamento, o Tércio Santoro, e na hora do bolo, a Silvana já foi logo avisando os novatos de que o Tércio não gosta do Parabéns a Você.
    Eles se entreolharam, e nós, os veteranos, fizemos aquela careta de: É isso!

    Assim que as velinhas foram acesas, eu, num rompante atípico, não sei de onde veio, comecei a cantar o hino do Grêmio.

    Foi um sucesso.

    Vai me dizer que não dei uma mãozinha…

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