Avalanche Tricolor: no Gre-nal, tudo normal!

 

Grêmio 2×0 Inter
Gaúcho — Arena Grêmio

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Foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Mais uma vitória em Gre-nal!

 

E lá se vão nove clássicos seguidos sem derrota.

 

Na Arena, o predomínio é ainda maior: 13.

 

É a maior série invicta de uma equipe como mandante no Gre-nal.

 

Há cinco anos não perdemos  uma só decisão contra o co-irmão.

 

Ou seja, Renato, desde que voltou ao comando da equipe, não foi apresentado a uma só eliminação ou perda de título.

 

Para a dupla Geromel e Kannemann foi o décimo Gre-nal invicto. Sempre que estiveram lado a lado em campo, nunca perderam. É o sétimo sem tomar gols.

 

Para Diego Souza foi o sexto, sem nunca ter perdido, em duas passagens pelo Grêmio. Marcou duas vezes. E é o goleador do time.

 

Na noite dessa quarta-feira, Diego  deu assistência para Maicon fazer o primeiro — do jogo e o dele em um clássico gaúcho.

 

Teve chapéu, teve meia-lua, teve drible pra lá e pra cá. Teve carrinho e chutão quando necessário. Teve agarrão e briga, também. Teve até expulsão.

 

E ainda teve Everton fazendo o que queria em campo, dançando no gramado da Arena, alucinando a marcação e sendo o responsável pelo drible que tirou cinco de seus marcadores da jogada, abrindo espaço para, de cabeça erguida, lançar a bola na área, onde estava Isaque, um novato em Gre-nal —  que não precisou de mais de um toque na bola para sentir o sabor de um gol no clássico. O sabor da vitória.

 

Tudo normal!

Avalanche Tricolor: deixe-me ser feliz ao menos até o apito final

 

Inter 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho
Centenário/Caxias do Sul-RS

 

 

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Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

O futebol é um negócio estranho. Faz da gente criança. Faz perder a lógica. O senso.

 

Tem quem prefira desdenhar. Intelectualizar. Contextualizar.

 

Sou do primeiro time: dos sem noção quando a bola rola. Já fui pior. Brigava. Sofria. Chorava. Hoje, brigo com a minha razão. Sofro do meu coração. E só choro na emoção da alegria ou quando busco na memória as experiência passadas.

 

Havia assumido o compromisso de que só voltaria a assistir aos jogos e a escrever esta Avalanche quando a pandemia passasse. Retornar aos campos com tanta gente sofrendo não faria nenhum sentido. Expor profissionais à prática do esporte e centenas de tantos outros que dependem dele, seria um risco à saúde. E jamais poderia ser conivente com tal situação.

 

Pois bem, o futebol voltou. E quando digo futebol, digo o Grêmio voltou, porque é ele quem me faz criança, perder a lógica, e o senso, por mais razoável que queira parecer. E voltou no maior clássico da Terra —- da minha terra ao menos. Uma provocação a qualquer das minhas convicções. Quase que a desafiar minha índole e a reputação que tento preservar diante da família.

 

Inventei para mim mesmo que só veria a partida para entender a dinâmica de um jogo na pandemia e sem torcida; ser apresentado aos protocolos sanitários em um campo de futebol; analisar a insensatez de cartolas e autoridades. Por isso sentei no sofá diante da TV com cara de constrangimento, olhando de revesgueio os primeiros movimentos — como se tudo aquilo não me pertencesse.

 

Queria enganar a quem?

 

O futebol me pertence, sim. Faz parte da minha vida. Nele amadureci, de criança virei adolescente para me transformar em adulto, forjei minha personalidade e vivenciei alguns dos momentos mais felizes ao lado de meu pai — e tenho saudade daquela vivência que o tempo e a saúde me tiraram.

 

Por que sentir vergonha pelo que meu coração insistia em sentir sempre que o Grêmio partia para o ataque? Dos dribles de Matheus Henrique, Jean Pyerre e Everton? Pela satisfação do passe bem passado e da bola bem rolada? Pelo orgulho de ver Geromel e Kannemann sendo gigantes, tão gigantes quanto imaginamos que eles sejam?

 

Às favas!

 

Gritei pelo pênalti bem marcado. Lamentei a cobrança mal feita. Vibrei com o desarme do setor defensivo e comemorei o gol enviesado de Jean Pyerre.

 

Mesmo sabendo que nenhuma dessas reações fossem suficientes para apaziguar meu coração que tem estado triste pelas mortes e descalabros que vivemos no Brasil, dei-me o direito de ser feliz ao menos por 90 minutos de um jogo bem disputado apesar de mal jogado.

 

Era só isso que eu queria: um naco da felicidade que nos foi roubada nesses mais de quatro meses de confinamento. E o Grêmio me ofereceu mais este momento de vida.

 

Não me julgue! Só me deixe ser feliz nem que seja até o apito final, porque nunca saberemos quando este final cruzará nosso caminho.

 

Fique tranquilo: minha felicidade não é suficiente para tirar meu senso, minha razão e meu olhar crítico a tudo que está acontecendo neste país.

 

Fique em paz, cuide-se e busque a sua felicidade onde ela estiver — mesmo que esteja correndo atrás de uma bola de futebol.

Avalanche Tricolor: o talento de Miller Bolaños

 

Grêmio 2×2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Miller, o craque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grenal disputado na noite deste sábado – quem diria que o clássico já mereceu um domingo só pra ele – teve muitos dos ingredientes que se espera para uma partida com esta tradição.

 

Teve chuva, provocação, boas jogadas e algumas pixotadas.

 

Teve jogador que fez o jogo maior, teve quem foi a campo apenas para provocar.

 

E, claro, teve um pênalti que não foi marcado logo nos primeiros minutos de partida, que poderia ter feito uma baita diferença (ou você também acha que aquilo não é pênalti?). Mas isso não chega a ser nenhuma novidade.

 

Diante de tantos fatos ocorridos, pontapés desnecessários e variação no placar, permita-me, caro e raro leitor desta Avalanche, falar daquele que considerei o mais importante: Miller Bolaños.

 

Nosso gringo desencantou de vez, após uma temporada abortada por um cotovelaço que também não foi punido pelo árbitro. Joga com autoridade e coragem. Tem passada larga e passe refinado. Corre de cabeça em pé e enxerga o jogo com facilidade. Por isso, é solidário, também. Abre espaço para os companheiros chegarem em condições de marcar. Chuta forte e sempre no gol.

 

Por falar em gol: abriu o placar ao receber bola de Pedro Rocha em contra-ataque e o fez com talento, pois apesar de chegar à frente da defesa tinha pouco espaço para disparar o chute. Deu um toque para ajeitar a bola e outro para colocá-lo no ângulo. A maioria bateria de primeira e com grande possibilidade de despachar pela linha de fundo. Miller não. É preciso quando precisamos dele.

 

A qualidade do equatoriano o torna alvo dos adversários. É combatido o tempo todo e muitas vezes de forma violenta. É lamentável que os árbitros permitam que ele seja caçado por toda a partida. Não bastasse a impunidade à violência, ele é repreendido com cartão por cobrar justiça, como aconteceu hoje à noite.

 

Miller Bolaños foi protagonista do Grenal, e com seu futebol elevado a um nível superior dos demais promete ser protagonista da Libertadores, que começa semana que vem.

 

Obs:  tive a impressão que ao fim da partida e com o quinto lugar ameaçado na tabela de classificação do Campeonato Gaúcho, teve um time que comemorou o empate na Arena? É verdade?

Avalanche Tricolor: uma goleada e uma grande ironia

 

Grêmio 4 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Com tantos gols assim, confesso, não sei por onde começar. Pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro ou pelo quarto gol? Talvez pelo fim do jogo? É isso aí, até porque só no último apito do juiz é que percebemos que a vitória não apenas nos colocava no Grupo da Libertadores, mas, também, nos elevava a melhor posição que já ocupamos neste campeonato. E um terceiro lugar conquistado com exagerada dose de ironia. Sim, porque o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro, que tem como único mérito apontado pela crítica tomar poucos gols; de meio campo com futebol limitado e ataque pouco produtivo; destaca-se na tabela de classificação ou porque tem saldo de gol melhor ou porque tem número de vitórias maior.

 

(Gol do Grêmio!)

 

A ironia vai muito além, pois chegamos a esse ponto, a cinco rodadas do fim da competição, graças a uma goleada e no clássico regional. Sim, o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro … (ok, o resto você já sabe); marcou quatro gols em uma só partida, fora o baile. Digo isso sem culpa, pois não nos limitamos a desarmar o time adversário – e o fizemos muito bem, a tal ponto que a turma do lado de lá só apareceu na foto na hora de brigar. Jogamos ofensivamente, trocando bola com rapidez, lançando com velocidade, cruzando e chutando muito mais do que estamos acostumados.

 

(Opa, mais um gol do Grêmio!)

 

Você, caro e raro gremista que lê esta Avalanche, também foi alvo das muitas ironias que marcaram esse Grenal. Ou vai me dizer que nunca reclamou da presença de Ramiro no meio de campo? Tenho um amigo aqui em São Paulo, o Sílvio, gremista como nós, que sempre liga após as partidas. Nos últimos meses tem perguntando insistentemente o que faz de Ramiro titular do Grêmio. Não o culpo. Muitos outros têm a mesma dúvida. As estatísticas explicam parte desta preferência de Luis Felipe Scolari, pois ele é o jogador do Grêmio que mais acerta passes e um dos que mais roubam bola do adversário. Hoje, foi além dos números: fez o seu gol ao aparecer sozinho dentro da área e receber passe preciso de Luan.

 

(Gol do Grêmio de novo!)

 

Fique tranquilo: eu também fui vítima da ironia. Assim como parte dos torcedores, reclamei a bola presa nos pés de Luan quando, aparentemente, podíamos disparar no contra-ataque; esbravejei nos passes sem destino que se transformaram as primeiras jogadas dele; soquei o sofá quando sua lentidão o levava a ser desarmado pelo adversário. E, sem medo da contradição, adorei o gol cala-boca que fez ao chegar com velocidade, antes de todos os outros atacantes, na cara da goleira para receber o passe depois de excelente jogada de Dudu, que não apenas roubou a bola na intermediária como tabelou com Barcos, desconsertou o marcador e ofereceu de presente o gol que abriu a goleada desse domingo.

 

(O quê? Mais um gol do Grêmio!)

 

Irônico ainda foi saber que o jogador que menos jogou foi o que mais fez gols. Alan Ruiz entrou no segundo tempo, ficou apenas 15 minutos em campo e marcou duas vezes: na primeira, empurrou a bola para dentro do gol de cabeça, depois de cobrança de falta de Zé Roberto; na segunda, recebeu o passe de Giuliano e deixou seu marcador sentado no chão antes de chutar. Nos dois comemorou da mesma maneira e do mesmo lado do campo, com sorriso no rosto e mãos em forma de coração voltadas para as arquibancadas – onde, diz, estariam seus parentes. A consagração da goleada, porém, incomodou o adversário que foi reclamar do que entendeu ser uma ironia do nosso argentino.

 

E não é que era mesmo: a nossa vitória foi uma grande ironia; e uma grande goleada, também.

 

(Mais gol? Não, agora é da Chapecoense)