A Saúde Mental pede socorro

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

 

O dia Mundial da Saúde Mental é celebrado no dia 10 de outubro, e tem se consagrado por ser uma data marcada por alertas e preocupações. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) aproximadamente 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental —- a maioria não tem acesso a tratamentos. Em países de baixa renda, cerca de 75% das pessoas que têm um transtorno mental não recebem nenhum tipo de tratamento. 

Além da falta de investimentos públicos, outro fator que impacta diretamente o acesso ao tratamento é a desinformação, sustentada pela forma histórica como as doenças mentais foram tratadas ao longo dos anos, favorecendo atitudes preconceituosas e discriminatórias.

No Brasil, até meados do século XIX a doença mental era objeto da justiça. Os pacientes psiquiátricos violentos iam para as prisões e os mais pacíficos vagavam pelas ruas, sem tratamento. Em função de mudanças que aconteceram em outras partes do mundo, as Santas Casas de Misericórdia começaram a admitir esses pacientes, porém, por serem numerosos, não foram mantidos por muito tempo. Em seguida, alguns hospitais psiquiátricos foram construídos, os Hospícios, para onde os pacientes eram levados e permaneciam isolados do convívio social. 

Somente após a década de 80, o surgimento de novos medicamentos permitiu que pacientes que permaneciam em internações por longos períodos pudessem ser tratados de maneira ambulatorial. Somando-se a isso, a mobilização de profissionais de saúde e de familiares de pessoas com transtornos mentais denunciando as péssimas condições da maioria dos hospitais e os maus tratos sofridos, como violências e torturas aos pacientes, permitiram o crescimento dos movimentos antimanicomiais, levando ao fechamento dos grandes hospitais psiquiátricos. 

O avanço da ciência favoreceu que muitas crenças associadas ao paciente psiquiátrico fossem revistas, porém, não impediu que ainda hoje estigmas e preconceitos estejam presentes.

Se em outras doenças os tratamentos são preconizados e seguidos, para as  doenças psiquiátricas há uma tendência coletiva de desvalorização dos sintomas, ainda associados a alterações do comportamento que envolvem escolhas pessoais e tentativas terapêuticas não comprovadas cientificamente. 

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Diversas ações podem ser adotadas na direção de promoção e prevenção em saúde mental. Dentre essas ações destacam-se políticas públicas que promovam melhoria das condições socioeconômicas da população, redução dos níveis de desemprego, incentivo à escolaridade, redução da violência e habitação segura; fatores apontados como os principais riscos à saúde mental de adultos.  

 A educação sobre os transtornos mentais também compreende promoção e prevenção em saúde mental, uma vez que a divulgação de informações em escolas, empresas, comunidades e mídias pode aumentar a identificação dos primeiros sinais da doença, permitindo o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. 

Falar sobre transtornos mentais não aumenta a sua incidência e tende a reduzir significativamente os números supracitados associados à falta de tratamento. Buscar ajuda pode mudar o curso da doença, reduzindo a sua cronicidade, além de promover uma vida mais equilibrada e saudável, com menos sofrimento para os pacientes e seus familiares.

Demoramos muitos séculos para compreender que a saúde mental não é prêmio nem privilégio, não é escolha nem castigo. A união dos avanços terapêuticos às políticas públicas adotadas não nos permite mudar a história já construída, mas escrevê-la daqui por diante, com ações planejadas que mudem não apenas os números, mas a vida de tantas pessoas.  

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Hospício de Alienados, abandonado, é abrigo para mosquito da dengue

Por Devanir Amâncio

ONG Educa SP

Focos de dengue

No seu interior biodiverso o mato cresce. Pelo seu chão rastejam lagartos, taturanas e aranhas. Debaixo do seu telhado voam morcegos. Carcaças de veículos deixam seu pátio assombroso. Nas suas caixas d’água destampadas repousam insetos. Em suas árvores, corruílas nanicas fazem seus ninhos. De manhã bem cedo se ouve o canto dos sabiás. Alguém afirma já ter encontrado um filhote de tatu-peba, sem rabo, adoentado, encolhido na ex-guarita. Da mesma guarita muitos objetos em desusos que compõem a sua paisagem interna podem ser vistos: pneus, baldes, garrafas pet, esconderijos do mosquito da dengue.

Ex-Hospício de Alienados (“Palácio dos Loucos”), ex-Casa de Freiras, o ex-Quartel pode desabar a qualquer momento.

O casarão foi construído entre 1842 e 1852 – por determinação da Família Imperial – para asilar moradores de rua com problemas mentais e pessoas vindas de outras cidades do Estado de São Paulo em busca de tratamento psiquiátrico.

Solicitamos ao Governador José Serra enviar ao famoso endereço da ‘Várzea do Carmo’  o     ‘Esquadrão Antidengue’, criado pelo Governo do Estado em 2007.

Mais Ação 2

No tradicional encontro de confraternização conversa com sem-teto emergentes, catadores de papelão (duramente prejudicados pela crise financeira internacional), o presidente Lula foi informado sobre a situação da obra arquitetônica em derruíção. Recebeu das mãos do Senador Eduardo Suplicy uma carta assinada por legítimos moradores de rua, garis e estudantes universitários. O documento reivindica recursos do Governo Federal para transformar o ex-‘Palácio dos Loucos’ num centro integrado de Desenvolvimento Social; triagem, assistência psiquiátrica e psicológica aos excluídos, com espaço voltado às artes, cultura e meio ambiente.

Louvável Iniciativa

Em 2007, ex-reservistas que serviram nesta unidade militar, por razões sentimentais, humanitárias e culturais, tiveram a louvável iniciativa de organizar a Associação dos Amigos e Reservistas do 2º BG. O propósito é revitalizar o casarão com a criação do Museu do Exército Brasileiro, acoplado a um polo cultural com projetos de assistência aos carentes.
A proposta, segundo seus diretores, “foi simplesmente ignorada pelos poderes públicos”.

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