Hospício de Alienados, abandonado, é abrigo para mosquito da dengue

Por Devanir Amâncio

ONG Educa SP

Focos de dengue

No seu interior biodiverso o mato cresce. Pelo seu chão rastejam lagartos, taturanas e aranhas. Debaixo do seu telhado voam morcegos. Carcaças de veículos deixam seu pátio assombroso. Nas suas caixas d’água destampadas repousam insetos. Em suas árvores, corruílas nanicas fazem seus ninhos. De manhã bem cedo se ouve o canto dos sabiás. Alguém afirma já ter encontrado um filhote de tatu-peba, sem rabo, adoentado, encolhido na ex-guarita. Da mesma guarita muitos objetos em desusos que compõem a sua paisagem interna podem ser vistos: pneus, baldes, garrafas pet, esconderijos do mosquito da dengue.

Ex-Hospício de Alienados (“Palácio dos Loucos”), ex-Casa de Freiras, o ex-Quartel pode desabar a qualquer momento.

O casarão foi construído entre 1842 e 1852 – por determinação da Família Imperial – para asilar moradores de rua com problemas mentais e pessoas vindas de outras cidades do Estado de São Paulo em busca de tratamento psiquiátrico.

Solicitamos ao Governador José Serra enviar ao famoso endereço da ‘Várzea do Carmo’  o     ‘Esquadrão Antidengue’, criado pelo Governo do Estado em 2007.

Mais Ação 2

No tradicional encontro de confraternização conversa com sem-teto emergentes, catadores de papelão (duramente prejudicados pela crise financeira internacional), o presidente Lula foi informado sobre a situação da obra arquitetônica em derruíção. Recebeu das mãos do Senador Eduardo Suplicy uma carta assinada por legítimos moradores de rua, garis e estudantes universitários. O documento reivindica recursos do Governo Federal para transformar o ex-‘Palácio dos Loucos’ num centro integrado de Desenvolvimento Social; triagem, assistência psiquiátrica e psicológica aos excluídos, com espaço voltado às artes, cultura e meio ambiente.

Louvável Iniciativa

Em 2007, ex-reservistas que serviram nesta unidade militar, por razões sentimentais, humanitárias e culturais, tiveram a louvável iniciativa de organizar a Associação dos Amigos e Reservistas do 2º BG. O propósito é revitalizar o casarão com a criação do Museu do Exército Brasileiro, acoplado a um polo cultural com projetos de assistência aos carentes.
A proposta, segundo seus diretores, “foi simplesmente ignorada pelos poderes públicos”.

Gente Ilustre

Paulo Francisco Emílio de Salles (1836-1871), o poeta PAULO EIRÓ, filho de Santo Amaro, São Paulo, em momento de lucidez e demência escreveu nos jardins do ex-‘palácio’ seus últimos versos. Morreu ainda jovem, de meningite, enlouquecido de amor pela sua prima e musa Cherubina, a paixão de infância.

Serviram a Pátria neste endereço o sargento e atleta João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (1954 – 1999), e o soldado Rossi, padre Marcelo Rossi.

Cobiça

Dois grupos religiosos quase irmãos, se valendo de amizades políticas, travaram recentemente uma disputa pelo imóvel, por pouco o Centro não ganhou um mega – templo.

Planeta Terra

Aziz Ab’ Saber, 83, geógrafo, presidente da honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e ex-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), ao se aproximar da construção em taipa de pilão, teve uma idéia: “poderia implantar em um desses galpãozinhos um embrião do Museu da Amazônia Brasileira em São Paulo”.

Questão de Análise

“Esse cenário (o prédio) revela como anda a auto-estima de São Paulo. As pessoas param e ficam indignadas. É fotografado todos os dias”.  Antônio Ângelo, 54, Comerciante.

De Quem é a Responsabilidade?

A ONG Educa São Paulo acredita na vocação desse patrimônio público.
Segregação de qualquer natureza não deve ser mais tolerada.

Por fim, a cidade de São Paulo está tomada por homens e mulheres de rua, muitos doentes mentais, seres humanos sem condições plenas de raciocínio, sem documento, sem amparo.

Assim como a sociedade não deve ficar indiferente ao problema, os governos (Prefeitura, Estado e União) têm a responsabilidade maior em apresentar políticas públicas para resolvê-lo.

3 comentários sobre “Hospício de Alienados, abandonado, é abrigo para mosquito da dengue

  1. Milton
    Bom dia
    Segue como combater o mosquito
    Após picar o mosquito busca, de uma forma frenética, a busca de agua.
    Pois bem…
    Já que o mosquito é urbano, ele vive perto de nós, e nos pica e vai atrás da agua, porque não facilitar esta procura da agua para o mosquito?
    Só que sobre nosso controle, dia sim dia não é trocada a agua, de um recipiente perto de nós, para que não dê tempo para o mosquito nascerem.
    Atualmente, se eliminarmos todo as poças de agua perto de nós, e o que acontece? o mosquito vai procurar no vizinho, caixa d’água etc. fora de nosso controle.
    Este método é lógico, basta ser uma rotina a troca da agua do recipiente
    Tadeu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s