Mundo Corporativo: Lilian Bertin recomenda que você não deixe que sua idade o defina

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“Desde que a natureza permita tudo é possível e a idade não pode ser um impeditivo na nossa vida pessoal, profissional, corporativa seja qual for”

Lilian Bertin, empresária

Estamos encerrando a semana em que uma senhora de 96 anos morreu em pleno exercício de suas atividades e reverenciada por boa parcela do mundo. Concluiu o ciclo mais longevo para a ocupante do  seu cargo, na atualidade. E quando se fazia referência a sua idade era uma demonstração de valor, jamais depreciação. Claro, falo  da Rainha Elizabeth II que, por rainha que foi, teve privilégios que os “plebeus” nunca terão; e soube usá-los. A despeito das diferentes condições, cada vez mais teremos pessoas com idade avançada —- seja lá quanto isso signifique para você — no mercado de trabalho, ocupando e competindo por espaços com diversas gerações.

A maior longevidade da população, porém, parece que ainda não foi percebida por alguns gestores, líderes e empresas, que teimam em criar barreiras para os profissionais maduros e mais antigos. A prática, baseada em preconceito, tem nome: etarismo. E como todo preconceito precisa ser enfrentado e superado. Falei desse tema com Lilian Bertin, empresária e mentora de profissionais dispostos a se reinventar na carreira e nos negócios, no Mundo Corporativo da CBN:

“Eu vejo muitos jovens que estão iniciando uma carreira corporativa e já estão mortos pra vida. Eles funcionam a base da manivela. E pessoas com mais de 40, 50 anos que têm uma garra, uma vontade .. têm visão, têm experiência. Eu prefiro acreditar que a idade não nos define”.

Em sua carreira, especialmente na função de mentora, Lilian deparou com inúmeras histórias de pessoas que entenderam a necessidade de mudarem suas carreiras para estenderem a jornada profissional. Um dos exemplos é de um engenheiro de sucesso, de perfil sério e apreciador de vinhos que, após os 70 anos, descobriu-se músico e lançou álbum, onde se apresenta com um talento até então desconhecido. Para o cenário ficar ainda mais completo, ganhou a companhia da mulher que o apoia planejando os shows e atuando nos bastidores:

“Eu tenho certeza que em um ano a gente vai colecionar muito mais histórias como essas, inclusive de pessoas que estão saindo do mundo corporativo ou sendo convidadas a sair. Porque isso está sendo muito frequente e pegando toda essa bagagem, imprimindo, empacotando e transformando num produto, num serviço que pode ajudar muitas pessoas”. 

As mudanças na carreira nem sempre são planejadas ou por vontade própria. O profissional é “convidado” a se afastar e isso tem forte potencial para se transformar em  frustração e medo. Uma sensação que se dá especialmente pela crença de que seremos eternos no ambiente corporativo:

“A gente tem que seguir se preparando e cuidando da nossa imagem, da nossa marca, sempre pensando “se isso não der certo, eu vou fazer aquilo”. Ou seja, não é que você vai ter uma uma visão pessimista, mas é que você tem que estar sempre preparado para você se manter. Então, enquanto você tá ali na empresa, você dá o seu melhor, mas você tem que saber que um dia aquilo pode não existir mais”.

O sentimento de estar sendo descartado atrapalha muitos dos planos, por isso em situações como essa é preciso trabalhar a autoestima, explorando seus recursos internos e se reestruturando a partir do que você já sabe:

“Todas as vezes que eu tive um salto, um crescimento na minha vida, foi em momentos de muita dificuldade de muita frustração, mas quando a gente aprende a trabalhar com isso na nossa vida, acredite portas inimagináveis se abrem lá na frente. Enquanto a gente está preso ao que aconteceu de ruim, a gente não vira a página … é importante seguir em frente até para que a gente se libere dessa energia ruim”.

Lilian recorre a história dos dois lobos que convivem dentro de nós para falar do medo de errar, a medida que se tem uma vida mais madura. Ela lembra que medo e coragem estão dentro de nós, sobreviverá aquele (lobo) que nós alimentarmos. Uma das formas de não dar comida para o lobo errado é perceber que a maior parte da nossa insegurança está relacionada a perda de um status profissional que nos põe em situação muito confortável.  Entender que a cadeira da presidência na qual estamos preso, o crachá no peito e o respeito dos colegas do escritório podem ser substituídos por outros prazeres que a nova profissão nos oferecerá. 

“Olha para dentro disso e fala “o que que eu gostaria de fazer?”, “o que eu posso contribuir?”. Porque quando a gente contribui com o planeta quando a gente contribui com as pessoas, quando a gente quer verdadeiramente a felicidade das pessoas, a gente começa a se doar e essa doação se transforma, muitas vezes, num trabalho, num produto. Foi o que aconteceu comigo”.

Assista à entrevista completa com Lilian Bertin, autora do livro “Minha idade não me define”,ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: como se todos os dias fossem domingo

Por Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

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Ela chegou de mansinho, sorrateiramente, sem fazer alarde, com um tanto de timidez, devo confessar. Diferentemente dessas que espontaneamente se aproximam esfuziantes e nos envolvem tornando-se logo íntima. Não tenho na memória a data exata dessa aproximação, sei que estava às vésperas de me tornar um sexagenário, na inconsciente expectativa de que em algum momento o calendário frio da existência acusaria a lenta metamorfose pela qual é destinada a quem consegue galgar os degraus desta vida terrena. O tempo da nossa passagem nesse plano, assim como conhecemos, tem o seu preço, o envelhecimento do corpo, não que o envelhecimento seja um castigo, talvez um prêmio por algo inexplicável, ou a certeza da fragilidade do ser, desafiando a saúde e a vitalidade.

Assim, a tal visita, agindo como uma síndrome matreira, invisível a olho nu, evasiva a um Raio X e, mesmo entregue à sorte de uma Ressonância Magnética, foi se aproximando e ganhando espaço sem uma causa aparente que pudesse definir sua chegada, causando medo e incertezas. Aos poucos, foi me envolvendo e ganhando terreno. Mexeu com o meu cognitivo. 

Agora, senhora de si, incomoda o meu físico, perturba o meu psicológico, por vezes deixa-me trôpego, trêmulo, limitando os meus movimentos, por mais simples que sejam.

Provavelmente, quero crer, foi num momento no qual a minha vida passava por um processo de transição, com a chegada na terceira idade, a tão aguardada aposentadoria e a expectativa de uma nova fase para curtir a vida. 

Embora ainda me sinta produtivo, quis as circunstâncias que as minhas atividades profissionais diminuíssem pouco a pouco. Pegou de jeito o meu estado emocional, sem que eu tivesse chance de escapar, por mais que desejasse. 

Fragilizado, não tive forças de reagir à invasão da qual estava me submetendo. Sequer sabia quem estava ocupando o espaço da minha intimidade. Hoje, refém dessa visita, percebo que ela, embora plenamente presente em minha vida, torna solitários alguns dos meus momentos. Limita as minhas atividades, usurpa a minha autonomia, já não sou dono dos meus passos, muito menos das minhas idas e vindas. Os caminhos se tornaram árduos e as distâncias se ampliaram. 

Mesmo assim, difícil fazer entender aos que me cercam, tenho lá minhas limitações, quero que respeitem minhas lágrimas, não que questionem o meu silêncio, por mais que tento exaustivamente explicar que não escolhi esta companhia, tampouco aponto culpados. Bem sei o quanto é difícil expulsá-la, cabe a mim, somente a mim, seguir e caminhar com ela, mesmo que a passos lentos e claudicantes e viver um dia de cada vez, viver com intensidade e alegria, como se todos os dias fossem domingo, domingo no Parkinson de diversões. 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Governador e prefeito decretam “elixir da juventude” e cortam o direito de parte de idosos viajarem de graça, em São Paulo

Foto Rovena Rosa/ABr, no site da CBN

O presente de Natal que o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas deram aos idosos chegará em Fevereiro, depois que os “bons velhinhos” decidiram prorrogar em um mês a entrada em vigor da regra que proíbe as pessoas de 60 a 64 anos de viajarem de graça nos ônibus da capital, na EMTU, no Metrô e na CPTM. A extinção da gratuidade deveria começar em 1º de Janeiro, mas Governo e Prefeitura deram um mês para que os passageiros se adaptem ao novo sistema.

A coisa é mais ou menos assim: o senhor e a senhora que antes tinham o cartão do idoso deixaram de ser idosos; agora são passageiros comuns. Terão um mês para trocar este cartãozinho que permitia viagens de graça por um cartão comum, no qual você pagará tarifa cheia, ajudando os cofres das empresas que exploram o serviço de transporte. Para provar que a fonte da juventude descoberta por Doria e Covas funciona, além de pagar a passagem, já que você não é mais idoso, ainda terá de buscar o seu novo cartão em um posto da SPTrans. Faz o pedido pelo site, mas busca no posto.

Falei do assunto nessa segunda-feiras no Jornal da CBN e pisei na bola. Disse a Raquel, ouvinte que mandou mensagem pelo WhatsApp, que a extinção da gratuidade havia sido decidida administrativamente. Meia verdade. 

Vamos aos fatos:

O governador João Doria editou decreto suspendendo a regulamentação da legislação que permitia a gratuidade para essa faixa de idade, alterando a Lei nº 15.187, de 2013.

No caso da prefeitura, Bruno Covas teve de aprovar a mudança na Câmara Municipal de São Paulo. Portanto, o prefeito contou com o apoio de vereadores e, para isso, usou de uma estratégia comum e capciosa da política brasileira: a criação de jabutis.

Jabuti é a inclusão de uma lei, um artigo ou uma regra que trata de um tema em um projeto que dispõe de outro assunto. 

No caso, o projeto de lei em discussão era o de número 89/2020, do prefeito Bruno Covas, que “dispõe sobre a criação de subprefeituras no município de São Paulo”. O que as subprefeituras tem a ver com o quanto você paga para viajar de ônibus na cidade? Só um jabuti (ou um tucano) para explicar.

Nesse projeto de lei (o 89/2020), o artigo 7º revoga trechos de outras leis que nada tem a ver com subprefeituras. E no inciso IV —- aqui está a pegadinha — revoga a lei número 15.912 de 16 de dezembro de 2013 que é a que isentava idosos a partir de 60 anos de pagar a passagem de ônibus na cidade.

Você que é atento, já percebeu a coincidência: as duas leis que garantiram a gratuidade são de 2013 —- época das manifestações de rua no Brasil, que pressionaram Fernando Haddad, na prefeitura, e Geraldo Alckmin, no Governo, a oferecer transporte de graça aos idosos.

O Projeto de Lei 89/2020 que traz o “elixir da juventude”, na cidade de São Paulo, foi aprovado em votação simbólica no plenário da Câmara Municipal, em 22 de dezembro. Essa é outra manobra típica de quem tem medo de assumir decisões impopulares, pois em votação simbólica não há registro individual do voto e os vereadores não precisam se expor.

Quatorze dos 54 parlamentares em plenário fizeram questão de registrar votos contrários ao projeto.  São eles, segundo site da Câmara:

ALESSANDRO GUEDES – PT

ALFREDINHO – PT

ANTONIO DONATO – PT

ARSELINO TATTO – PT

CELSO GIANNAZI – PSOL

CLAUDIO FONSECA – CIDADANIA

EDUARDO MATARAZZO SUPLICY – PT

ELISEU GABRIEL – PSB

GILBERTO NATALINI – S/PARTIDO

JAIR TATTO – PT

JANAÍNA LIMA – NOVO

JOSÉ POLICE NETO – PSD

SENIVAL MOURA – PT

SONINHA FRANCINE – CIDADANIA

Considerando que os demais 40 registraram presença e não se pronunciaram contrários ao projeto, pode-se dizer que apoiaram a ideia de acabar com a viagem de graça dos idosos. São eles:

ADILSON AMADEU – DEM

ADRIANA RAMALHO – PSDB

ANDRÉ SANTOS – REPUBLICANOS

ATÍLIO FRANCISCO – REPUBLICANOS

AURÉLIO NOMURA – PSDB

BETO DO SOCIAL – PSDB

CAIO MIRANDA – DEM

CAMILO CRISTÓFARO – PSB

CELSO JATNE – PL

CLAUDINHO DE SOUZA – PSDB

DALTON SILVANO – DEM

DANIEL ANNEMBERG – PSDB

EDIR SALES – PSD

FÁBIO RIVA – PSDB

FERNANDO HOLIDAY – PATRIOTA

GEORGE HATO – MDB

GILBERTO NASCIMENTO – PSC

GILSON BARRETO – PSDB

ISAC FELIX – PL

JOÃO JORGE – PSDB

JULIANA CARDOSO – PT

MARIO COVAS NETO – PODEMOS

MILTON FERREIRA – PODEMOS

MILTON LEITE – DEM

NOEMI NONATO – PL

PATRICIA BEZERRA – PSDB

PAULO FRANGE – PTB

QUITO FORMIGA – PSDB

REIS – PT

RICARDO NUNES – MDB

RICARDO TEIXEIRA – DEM

RINALDI DIGLIO – PSL

RODRIGO GOULART – PSD

RUTE COSTA – PSDB

SANDRA TADEU – DEM

SOUZA SANTOS – REPUBLICANOS

TONINHO PAIVA – PL

TONINHO VESPOLI – PSOL

XEXÉU TRIPOLI –  PSDB

ZÉ TURIN – REPUBLICANOS 

O vereador OTA, do PSB, estava ausente, segundo registro oficial da Câmara Municipal de São Paulo.

Sua Marca: renove seu olhar sobre a geração com mais de 60 anos

 

 

 
 

 

 

“Os baby boomers têm demandas específicas e as empresas não podem abrir mão deles” — Jaime Troiano.

  

 

Apesar de algumas empresas e marcas já começarem a desenvolver estratégias para a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial até a metade da década de 1960, a maior parte ainda não percebeu o grande potencial de consumo dessas pessoas mais maduras. Entre 2012 e 2016, o número de brasileiros com 60 anos ou mais cresceu 16% e, segundo a consultoria SeniorLab, esse grupo será responsável por 30,6% do consumo, até 2030. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano chamam atenção para a necessidade de se renovar o olhar para as gerações mais antigas, pois, como os dados têm mostrado, além de numerosos, elas têm poder de compra.

  

 

“O Brasil sempre teve uma visão de país jovem, teve esse cultivo pela síndrome de Peter Pan”, diz Cecília para explicar a miopia em relação aos idosos. Ela alerta que a estratégia precisa mudar pois os idosos hoje têm renda discricionária maior, pois vivem mais e não precisam assumir a responsabilidade de custear gastos da época em que os filhos estavam em casa, transformando-se em um mercado interessante.

  

 

A PreventSenior, na área de saúde, é um exemplo de empresa que se dedicou às pessoas com mais de 60 anos, inclusive adotando a ideia da senioridade no nome. Jaime e Cecília citaram mais duas marcas que se voltaram aos idosos: Angels4You, que presta serviço de cuidador, e a Morar.com.vc, que trabalha com o compartilhamento de casa.

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

Boa imagem dos idosos no trabalho deve ser usada e estudada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Pesquisa Datafolha mostra que na comparação entre idosos e jovens, a percepção de 70% a 90% dos entrevistados é que os idosos são mais responsáveis, educados, honestos, atenciosos, compreensíveis, solidários, dedicados, tolerantes e éticos, do que os jovens.

 

Por outro lado, entre 5% e 31% dos entrevistados disseram que os idosos são menos criativos, preconceituosos, ambiciosos e preguiçosos, do que os jovens.

 

Do ponto de vista mercadológico, o idoso é um produto com potencial. Hoje apenas 26% estão ativos, trabalhando ou procurando emprego, mas a sua presença no mercado de trabalho evoluiu nos últimos 14 anos de 10% para 16%.

 

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arte reproduzida do jornal Folha de São Paulo

 

Comprovando esta tendência, embora ainda de forma embrionária, cinco empresas, de acordo com reportagem da Folha que apresentou a pesquisa, iniciaram em 2017 a busca de idosos para funções especificas. De acordo com as habilidades que elas creditam ao perfil dos maiores de 50 anos.

 

A GOL, a Drogaria Pacheco e São Paulo, a PwC consultoria, a Tokio Marine seguros e a Telchep, as pioneiras em buscar idosos, apostam em qualificações especificas desta gente. Entre tantas:

 

– não se irrita facilmente
– compreende melhor as necessidades dos clientes
– apresenta baixo absenteísmo e rotatividade
– grau elevado de empatia
– aptidão para gestão

 

Ao mesmo tempo tentam neutralizar ou compensar alguns problemas como:

 

– não se submetem sempre ao protocolo
– são mais prolixos
– tem dificuldade com tecnologia

 

Neste contexto, acredito que a percepção do idoso esteja um pouco estereotipada.

 

Os atributos percebidos podem estar influenciados pela imagem do idoso antigo e inativo. Afinal, é fato preponderante considerar a longevidade que atingimos, e que ainda não foi assimilada nem pela burocracia nem pela realidade.

 

Embora seja inegável que a maturidade esmaeça a imagem mais agressiva, não creio que a idade possa mudar o essencial comportamental do indivíduo.

 

As notas altas dadas aos idosos pelas empresas que os contrataram podem refletir um grupo mais competente, que diante de preconceitos conseguiu adentrar ao mercado de trabalho e demonstrar a realidade de suas habilidades e conhecimentos.

 

Entretanto, é inegável que a experiência é um trunfo para grande parte das funções corporativas.

 

Considerando que o bônus demográfico brasileiro tem seus dias contados, pois em menos de 10 anos teremos menos jovens do que adultos este é um tema a ser bem estudado.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Bem feito para quem insiste com essa tal “terceira idade”

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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“Não existe terceira idade. Idade é algo contínuo”.

 

Surgiu,finalmente,uma pessoa que foi capaz de proclamar, alto e bom som,que a mania que os mais jovens têm de considerar quem atinge determinada idade ter chegado à terceira de sua vida é um erro. A frase que reproduzi na abertura deste texto foi pronunciada por um médico cuja competência para falar – e tratar,como não? – de um assunto sobre o qual é um dos maiores,senão o maior dentre todos os especialistas no seu ramo – a geriatria – é incontestável.

 

Chamou-me a atenção a manchete de Zero Hora que encaminhou a entrevista de Luisa Martins com o Professor Yukio Moriguchi. É uma pena,mas este cidadão nascido no Japão faz 89 anos, vai se aposentar após formar centenas de médicos e revolucionar a especialidade que tornou o seu nome famoso no Brasil e no mundo.

 

O reitor da PUC,na qual o médico lecionou durante 45 anos e considerava a sua segunda casa, o irmão Joaquim Cortet, anuncia que Moriguchi receberá, durante o 16º Simpósio Internacional de Geriatria e Gerontologia, o título de Professor Emérito. Esta é a maior honraria acadêmica fornecida aos professores aposentados que atingiram alto grau de projeção em sua atividade.

 

“Se Deus me desse uma segunda chance de nascer, eu iria escolher ser professor de novo”. Doutor Moriguchi, autor também dessa frase, acorda às 4h30min para preparar aulas e revisar o conteúdo de suas palestras.Não esquece de sua mulher Lia,para a qual deixa sobre a mesa um copo de chá gelado. Ela,que acorda às 8h, quando o Professor já se encontra no seu consultório.

 

Aos seus pacientes, ele pergunta, antes de mais nada,”em que pode ajudar”. Eu lhe perguntaria,mesmo sem ter sido um de seus pacientes, por que motivo os mais jovens tacham os mais velhos de uma coisa que para Moriguchi não existe,isto é,a “terceira idade”.

 

Bem feito para quem teima em usar,como se fosse um elogio, esta maldita expressão!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Aposentados sem poder

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O poder é essencial à sobrevivência para países, empresas e pessoas. Às pessoas, cabe buscá-lo através do capital e do trabalho, mas quando se resume ao trabalho e este se finda, o indivíduo se restringe ao grupo dos aposentados. Sem poder de representatividade.

 

É por isso que se fala sempre do problema do sistema previdenciário, e não do aposentado.

 

O país vive uma situação inusitada em que o setor público paga mais que o privado, e age com magnanimidade com os servidores e realidade com os trabalhadores. Quem faz as leis, quem faz executar as leis e que as executa, sempre preserva seus pares, enquanto os trabalhadores privados ficam à mercê destes.

 

É por isso que o Senado aprovou a extensão da política do salário mínimo apenas como retaliação à presidente, que por sua vez vetou dentro da mesma linha de raciocínio de seus antecessores.

 

É por isso, também, que depois de nove anos os aposentados deixarão de receber na pensão de agosto o adiantamento de 50% do décimo terceiro que será creditada em setembro. Isto depois de ser noticiado que os pagamentos seriam desdobrados em dois. E, muito pior, isto sem anunciar antecipadamente para que o pensionista pudesse se preparar para esta falta de receita.

 

O que se vê é um critério soberano que se sobrepõe ao mínimo principio de uma hierarquia sadia. Aos menores sempre deverá ser dada a preferência nas dificuldades. Qualquer empresa privada consciente em dificuldade paga os menores salários na frente.

 

A longevidade que seria um presente ao cidadão do futuro pode ser um pesadelo, como já deveria ser para o poder público consciente. O fim do bônus demográfico que virá precisará de uma estrutura previdenciária organizacional e atuarial que nunca tivemos. Será que teremos?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto deste post é do álbum de Pedro Ribeiro Simões no Flickr

Elsa e Fred: para pensar sobre a única certeza da vida

 

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA
“Elsa e Fred Um Amor de Paixão”
Um filme de Marcos Carnevale.
Gênero: Amor.
País:Espanha/Argentina

 

Dois senhores se apaixonam… Elsa é cheia de vida e Fred rabugento e melancólico. Fred é o novo vizinho de Elsa e ele acabou de perder a esposa. A urgência pela vida é grande. Os dois não terão um futuro juntos. Querem viver o momento; cada um a seu modo.

 

Por que ver:
É um daquele filmes que te leva a uma reflexão profunda sobre nossas vidas seja qual for o momento dela. Nos leva a pensar sobre a única certeza que insiste em estar presente a cada resfriado que pegamos… a morte. Será que estou inteira em minha vida, no meu trabalho, com meu marido e filho, amigos? Cada vez que assisto a este filme, me dá uma vontade louca de viver, um momento Carpe Diem total.

 

Existem duas versões do filme, uma mais atual, com um de meus atores favoritos na pele de Fred, Christopher Plummer, e, interpretando a Elsa, a Shirley Maclaine; e a versão argentina que foi a que eu vi. Portanto, estou falando da versão original, ok?
Nessa, a atuação do casal é tão soberba, precisa e tocante, que a cada olhar e a cada gesto nos faz estar na pele daquele personagem, expondo nossa própria história com uma crueza cortante. É aí que fica evidente o quanto este filme/roteiro foram construídos em cima do talento destes atores que são capazes de nos despirem com suas atuações.

 

Como ver:
Com alguém bom de papo. A conversa vai durar por horas.

 

Quando não ver:
Se você tiver menos de 10 anos(classificação do filme), no mais, vale tudo.

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung, sempre disposta a oferecer uma boa sugestão para você

As vantagens de ter 60 anos (ou mais)

 

De passagem pelo blog, nosso comentarista Julio Tannus, recomendou a leitura de texto que encontrou na rede, gostou e adaptou para nós, o qual se refere aos benefícios da velhice. Ele disse que o original circula como sendo de autor desconhecido. Se você conhecê-lo, nos avise. De qualquer forma, é uma boa reflexão para um país que está envelhecendo em alta velocidade como demonstram as estatísticas mais recentes:

 

As vantagens de ter 60 anos (ou mais). Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo … Eu não me censuro por comer biscoitos, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava. Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante. Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou ficar no computador até as quatro horas da manhã e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60, e se eu, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido … Eu vou chorar muito. Se eu quiser, vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles também vão envelhecer. Eu sei que sou às vezes esquecido, mas há algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode seu coração não se quebrar quando você perde um ente tão querido, ou quando uma criança sofre ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito. Sou grato por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e minha barba branca, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem brancos. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, eu gosto de ser velho. Eu gosto da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E, se me apetecer, vou comer sobremesa todos os dias. Que nossa amizade nunca se separe porque é direta do coração!

Estatuto do Idoso faz 10 anos precisando se renovar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Ontem, o Estatuto do Idoso completou 10 anos. Um avanço, de lei e de execução, embora ainda falte muito para que tenhamos efetivamente um tratamento ideal aos idosos. Nem mesmo o principal protagonista, o deputado Paulo Paim (PT/RS), autor do projeto de lei que originou o Estatuto do Idoso, pelo que observamos através da mídia, deixa de identificar um longo caminho à plenitude do trato ideal aos idosos. Há acertos a fazer na lei, na operação e na cultura geral.

 

A lei precisa atualizar a matemática demográfica, pois 60 anos é prematuro para conceituar idoso no mundo de hoje. Talvez 70 anos seja a melhor definição genérica. Pois específica nem tanto, se olharmos alguns espécimes como a turma do Rock’n’Roll, de Paul McCartney e Mick Jagger, ou os compositores e cantores brasileiros Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto Carlos, todos na faixa dos 70.

 

Essa contextualização do Estatuto é fundamental para o equilíbrio do sistema. Tanto no aspecto de ressência quanto no atuarial, pois contribuiria para diminuir o déficit do sistema previdenciário. Ao mesmo tempo é preciso uma blindagem permanente à demagogia, tão comum em época de eleições. Agora mesmo está no Congresso um projeto para reduzir o período de aposentadoria de trabalhadores da construção civil, de frentistas, de garçons e de cozinheiros para 25 anos.

 

Ao mesmo tempo em que alguns itens do Estatuto são cumpridos, como nas áreas sociais, culturais e de medicação, ainda encontramos enormes necessidades não atendidas. Os planos de saúde não respeitam o Estatuto e aviltam os custos ao condicioná-los exclusivamente ao universo do idoso sem compensar com as demais faixas etárias. A burocracia estatal é gigantesca e alguns setores ainda não dão a prioridade necessária. Tributar a aposentadoria é algo inexplicável, bem como reduzir os reajustes da pensão, punindo severamente os longevos. Enquanto crescem as necessidades, decrescem as pensões. Nem mesmo a restituição do imposto de renda prioriza os idosos, embora a fala oficial a proclame.

 

O idoso não quer caridade, quer humanidade. Dando condições ativas poderá contribuir com a experiência que contará sempre positivamente.

 

Que tal começarmos pela mudança do símbolo? 60 anos com bengala?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem acima faz parte de campanha “A Nova Cara da 3ª Idade” da agência Garage com apoio da ItsNOON, Catarse, Enox e Update or Die