Conte Sua História de São Paulo: a casa 147 dos Vedolins

Ieda Vedolin

Ouvinte da CBN

Hospedaria dos Imigrantes, SP, reprodução Wikipedia

Essa história, começa com a mensagem que recebi de Eduardo Vedolin, meu sobrinho, que durante a pandemia pesquisou como foi a imigração da família:

“O Ano de 1886 foi de muito luto nas famílias daquela cidade — Campo de San Martino, região do Veneto. Devido as más condições de vida da época deve ter tido alguma doença que atingiu a todos. — ou causada pela desnutrição ou por uma peste contagiosa. Foi quando houve maior número de mortes registradas na cidade, vitimando pessoas de todas as idades. 

A casa 147, onde moravam os Vedolins, foi testemunha disso. Em menos de um mês, três pessoas morreram: a Elisabetta, então com 20 anos, a pequena Matilde, com apenas dois, e a mãe, Angela, com 55. A casa tinha sete moradores, passou a ter apenas quatro no fim de 1886. E, em breve, teria cinco, pois a Catarina já estava grávida do Emílio, mas ele não chegaria a morar nem por um ano nela.

Provavelmente isso motivou o casal Osvaldo e Catarina a buscar novas condições de vida, fora daquele lugar. E deixaram a casa 147 em fevereiro de 1888, com destino ao porto de Genova. Embarcaram no vapor Ila de Lozana para Santos, chegando em 19 de março do mesmo ano”

No emaranhado de nomes e datas que se seguiram a mensagem de Eduardo, relembramos nossa história. Meus pais, avós de Eduardo, Wilma Thomé e Attilio Vedolin, foram namorados de infância que acabaram por se casar, tendo seus pais e avós partido da Itália em direção ao Brasil no fim do século 19. A primeira parada de todos foi na Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca. Nos relato, tivemos passagem pelo Belenzinho, pela Vila Operária Maria Zélia, pelo Brás e seus casarões que serviram de lar aos Schiavo e Thomé. 

Neste inicio de século 21, dentro de nossas casas, voltamos ao passado de nossos ancestrais. Imaginamos os medos diante do desconhecido, fomos tocados pela esperança de uma vida melhor, e encontramos histórias de coragem e esperança. 

Ieda Vedolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração da carta foi uma gentileza do cônsul da Italia Fillipo La Rosa. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para conhecer outras histórias da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Megaengavetamento: testemunho e apelo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Quinta feira eu estava na Serra do Mar no exato momento em que ocorreu o maior engavetamento da história do caminho do mar bandeirante.

Salvo pelo GPS que indicou a Via Anchieta, testemunho que a cena da Imigrantes não se repetiu ali porque a estrada já estava congestionada. Ainda assim pude vivenciar a sensação de total horror ao perceber que as carretas carregadas que vinham atrás quase colidiram com o meu veículo.

Não se enxergava nada, calcula-se apenas 10m, e não havia acostamento suficiente. A solução era andar muito devagar e manter uma distância dos gigantes que lotavam o leito da rodovia. Mesmo porque nas pequenas arrancadas era visível a impaciência dos motoristas, coisa de doido, ou de cegos, porque quem não enxergasse que visibilidade não havia boa visão não podia ter.

Neste quadro não ficou nenhuma dúvida que a velocidade, tão combatida no ambiente urbano, é fatal nas rodovias. Mesmo porque ficamos diante do absurdo de habilitar motoristas sem treinamento para rodovias. Muito menos para situações de extrema dificuldade como grandes temporais e cerrações agudas.

As placas de advertência, o alerta dos policiais, não irá resolver. O apelo sério é que haja habilitação específica. Embora a solução definitiva seja desmitificar a generalidade da habilidade de dirigir. Quem disse que todos os cidadãos estão aptos para o volante? Ao mesmo tempo em que cada vez mais se cuida para que o trabalho, seja manual ou intelectual esteja sendo executado por pessoas potencialmente capazes e de personalidade adequada ao seu desempenho, entregamos habilitação e uma arma feroz, para qualquer um que passe num exame incompleto.

E, a técnica está propondo outro modelo, pois a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) avaliou através do seu diretor e chefe do departamento de medicina de tráfego ocupacional Dirceu Rodrigues Alves, que o principal fator negligenciado no acidente foi a velocidade. Assim como a não exigência aos motoristas, de habilidades em situações desfavoráveis.

A complexidade do trânsito de hoje não pode ignorar o preparo para enfrentá-lo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton jung, às quartas-feiras.