Megaengavetamento: testemunho e apelo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Quinta feira eu estava na Serra do Mar no exato momento em que ocorreu o maior engavetamento da história do caminho do mar bandeirante.

Salvo pelo GPS que indicou a Via Anchieta, testemunho que a cena da Imigrantes não se repetiu ali porque a estrada já estava congestionada. Ainda assim pude vivenciar a sensação de total horror ao perceber que as carretas carregadas que vinham atrás quase colidiram com o meu veículo.

Não se enxergava nada, calcula-se apenas 10m, e não havia acostamento suficiente. A solução era andar muito devagar e manter uma distância dos gigantes que lotavam o leito da rodovia. Mesmo porque nas pequenas arrancadas era visível a impaciência dos motoristas, coisa de doido, ou de cegos, porque quem não enxergasse que visibilidade não havia boa visão não podia ter.

Neste quadro não ficou nenhuma dúvida que a velocidade, tão combatida no ambiente urbano, é fatal nas rodovias. Mesmo porque ficamos diante do absurdo de habilitar motoristas sem treinamento para rodovias. Muito menos para situações de extrema dificuldade como grandes temporais e cerrações agudas.

As placas de advertência, o alerta dos policiais, não irá resolver. O apelo sério é que haja habilitação específica. Embora a solução definitiva seja desmitificar a generalidade da habilidade de dirigir. Quem disse que todos os cidadãos estão aptos para o volante? Ao mesmo tempo em que cada vez mais se cuida para que o trabalho, seja manual ou intelectual esteja sendo executado por pessoas potencialmente capazes e de personalidade adequada ao seu desempenho, entregamos habilitação e uma arma feroz, para qualquer um que passe num exame incompleto.

E, a técnica está propondo outro modelo, pois a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) avaliou através do seu diretor e chefe do departamento de medicina de tráfego ocupacional Dirceu Rodrigues Alves, que o principal fator negligenciado no acidente foi a velocidade. Assim como a não exigência aos motoristas, de habilidades em situações desfavoráveis.

A complexidade do trânsito de hoje não pode ignorar o preparo para enfrentá-lo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton jung, às quartas-feiras.

8 comentários sobre “Megaengavetamento: testemunho e apelo

  1. Bom Dia Milton e aos Colegas dos Blog,

    Milton! como especilista na área de segurança e meio ambiente, nessa situação, teve dois culpados: 1 os gestores da rodovia 2 o governo do estado que não cobra desses gestores.
    Já subir e descir por essa rodovia varias vezes, inclusive o mes passado. Quando eu estava descendo, a situação estava igual a desse dia e tinha a policias rodoviarios fazendo o comboio de descida Mas para quem estava subindo nesse mesmo ponto, não tinha niguem, não tinha nemhuma sinalização visivel. E vc sabe. sempre tem aqueles motoristas irresposvaveis, que baixa bota.
    A pergunta é essa, será que o governo não fiscaliza essa situação? Pelo jeito não, a prova esta ai.

    Abr,

    JR.

  2. José Sinval, você não acha que seria necessário pegar pelo início? Ou seja, pela habilitação?
    Você imaginou se um piloto de avião fosse aprovado sem saber o que fazer numa situação extrema de condição climática?
    Bem, enquanto não se muda a condição da habilitação é realmente necessário controlar os imprudentes e psicopatas soltos pelas ruas e estradas.

  3. Meu caro Milton
    Era assíduo ouvinte da radio todos os dias e deixei de ouvi-la por um simples motivo: desde que deu palanque ao Kennedy Alencar
    Não desmerecendo o jornalista – todo devem ter um lugar ao sol.
    Mas esse cara é tendencioso, patrulheiro e está a serviço do PT de Lula 24 horas por dia. É só ver o que escrevem os comentaristas na Folha de São Paulo cada vez que escreve uma coluna. A CBN, principalmente paulista, sempre foi uma radio voltada ao debate democrático e de maioria elitista, e um sujeito como este desagrada ouvintes tremendamente. Não percebeu ainda ?Preste atenção e proponha à administração uma pesquisa no Ibope sobre a frequência de audiência.
    Assim como eu, vários amigos deixaram de ouvi-la. Ou você muda, ou vão acabar mudando você.

    • Caro Ruy,

      O jornalista Kennedy Alencar tem e sempre terá todo o respaldo da rádio CBN para a realização de seu trabalho. Confesso que fiquei em dúvidas sobre este seu conceito de democracia na qual têm voz apenas os que pensam como você.

  4. Carlos
    antes de um piloto decolar tem que estar ciente das condições de clima desde o aerodromo de partida, até o destino e no plano de voo deve constar um aeroporto alternativo, para casos do aeroporto de destino não apresentrar condições seguras para pouso, tecnicas, etc.
    Basta consultar o METAR para obter informações gerais sobre o clima durante o voo.
    Além de a maioria das aeronaves modernas estarem equipadas com modernissimos radares metereologicos coloridos.
    Mesmo assim durante o voo uma tripulação “pode ser pega de surpresa” no que se refere a clima, como por exemplo uma CAT, Clear air turbulence que “não é detectada” pleos radares de aeronaves e nem em terra.
    Porém, todoas as atenções referentes as condições de clima devem ser também observadas por motoristas atentos, cautelosos.
    a internet, as radios divulgam e oferecem serviços a altura para que o motorista possa trafegar ou não em segurança pelas estradas.
    Obviamente quem esta na baixada tem plenas condições de ficar ciente sobre o clima que se apresenta no planalto.
    Basta somente ficar atento nas informações.
    Lá em cima como aqui em baixo.
    Eu também estava no litoral quando aconteceu o terrivel acidente.
    Neste dia ia subir a serra, mas com de costume e de praxe procurei ficar ciente das condições de clima no planalto.
    Deixei para o dia seguinte a subida da serra.
    Para quem quiser saber as condições de clima antes de pegarem a estrada acessem estes links

    http://br.weather.com/weather/local/BRXX0232

    http://www.inmet.gov.br/

    http://spotlight.accuweather.com/dyndoc/goto/spotlight/adc_qxa3505/forecastfox.gif|www.accuweather.com/pt/BR/SP/Sao%20Paulo/Quick-Look.aspx?partner=forecastfox&cityId=45881

  5. Armando Italo, comentário 5
    E ainda há pessoas que tem medo de andar de avião.
    Como preferências não se deve discutir, fico com a minha. Apostando sempre na maior segurança de equipamentos e pilotos. Afinal de contas os aviões e os tripulantes são sempre checados.

  6. Bom dia Carlos,
    este é mais um custo que deve ser creditado à escolha que fizemos por veículos particulares em detrimento dos coletivos.
    A CNH parece o presente natural quando um jovem completa os 18 anos de vida. Muitos, sem a menor habilidade como se vê, outros em ignorância parcial ou total para a legislação e regras que deveriam ser igualmente importantes quando se fala de habilidade para manejar veículos.
    Se já é um absurdo falar no excesso que é o numero de veículos pequenos, mais, muito mais, é o de veículos de carga, matriz da logística nacional!!!!
    Para cúmulo, não será possível a construção de ferrovias onde já está firmada a concessão de rodovias. A própria concessão reza que o Estado não pode competir com a arrecadação do pedágio.
    Inabilidade para manejar na estrada e qualquer situação anormal no trajeto é veneno como é álcool e direção nas cidades.
    abraço

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