Como saber quanto o vereador gasta por mês do seu dinheiro

 

Por Mílton Jung

 

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Que o dinheiro que sustenta a Câmara Municipal é o seu, imagino, não haja mais dúvida. A Casa é pública e, portanto, para funcionar o dinheiro é público ou seja é do cidadão. É nosso. É dos nossos impostos.

 

Agora, você tem ideia de quanto o vereador que você elegeu gasta do seu dinheiro?

 

Em São Paulo, é possível fazer esta consulta no site da Câmara Municipal. Talvez seja preciso um pouco de paciência mas os dados estão todos por lá.

 

O nosso colega Alecir Macedo, um dos fundadores do Adote um Vereador de São Paulo, nos ajuda a fazer essa busca em poucos passos. Ele próprio fez este trabalho na fiscalização da vereadora que decidiu adotar nesta legislatura: ADRIANA RAMALHO PSDB.

 

Lá no blog Fiscalizando a Câmara, mantido pelo Alecir, está em destaque o relatório mensal de gastos da vereadora, neste início de legislatura. Dos R$ 23.503,13 disponíveis para manter o gabinete dela foram pagos R$ 4.232,89, no mês de janeiro.

 

O valor está bem abaixo do que os maiores gastadores da Câmara nesse início de ano: DALTON SILVANO DEM com R$ 19.849,15 e TONINHO PAIVA PR com R$ 19.721,73.

 

Este dinheiro paga combustível, material de correio e material de escritório entre outras despesas. O valor gasto é ressarcido ao vereador a medida que apresenta as notas fiscais, que também devem ser publicadas no site. Caso ele não use esta verba no mês, o que sobrou pode ser usado nos meses seguintes

 

Como você pode encontrar este valor?

 

Entre no site da CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO e clique no ícone TRANSPARÊNCIA que aparece no alto da página:

 

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Vai aparecer um menu.

 

Clique em CUSTOS DE MANDATO.

 

Em seguida em “Clique aqui e saiba como o seu vereador utiliza o Auxílio-Encargo Geral (a partir de 2015)”

 

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Na página RELATÓRIO POR NATUREZA DE DESPESA (A PARTIR DE 2015) você põe o mês em que pretende fazer a consulta e clica em RELATÓRIO.

 

CAMARA 3Vai abrir uma página com todos os valores declarados pelos vereadores, em ordem alfabética, e dos gabinetes de liderança.

 

Para achar o seu vereador ou você corre a lista para baixo ou dá um F5 no seu computador e coloque o nome de quem você está procurando.

 

No exemplo, procuramos os gastos do vereador DALTON SILVANO DEM:

 

CAMARA 4

 

Se você já se decidiu por fiscalizar um vereador, abra uma página no Facebook, um site, um blog ou um Tumblr e publique esta tela de gastos.

 

Avalie se os valores são razoáveis. E se considerar algum gasto fora do normal, mande um email para o vereador cobrando uma justificativa.

 

Caso queira ir um pouco mais fundo na fiscalização, compare os valores registrados na tabela com as notas fiscais que os vereadores são obrigados a divulgar no site. Volte para CUSTOS DO MANDATO e, em seguida, vá até Clique aqui para visualizar os comprovantes.

 

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Lembre-se: o dinheiro é seu!

 

Inexplicável

 

Por Julio Tannus

 

Há alguns anos estava em uma festa de aniversário de um sobrinho. Ao iniciar a projeção de um filme infantil, o equipamento de projeção deixa de funcionar repentinamente. O operador reinicia a projeção e logo após novamente a projeção é interrompida, aparentemente de forma inexplicável. Um observador atento constatou que o entra e sai de pessoas acionava uma lâmpada que desligava o disjuntor.

 

Recentemente meu notebook parou de funcionar. Após várias tentativas, voltou a funcionar. Depois de algum tempo, deixa de funcionar novamente, aparentemente de forma inexplicável. Ao verificar atentamente o equipamento, verifico que a luz indicativa da conexão sem fio estava apagada. Ao mudar a posição do aparelho para outro local, o travamento do aparelho foi explicado.

 

Tenho feito referências aqui a aumento de impostos e cobrança de impostos aparentemente inexplicáveis. É o caso do aumento do IPTU e a taxa de fiscalização de elevadores da Prefeitura de SP cobrada há anos, sendo que nunca apareceu um fiscal da Prefeitura para fiscalizar. Ao constatarmos que não existe qualquer resistência da população a essas cobranças, podemos encontrar aí uma boa explicação.

 

Aparentemente certos encontros e desencontros são inexplicáveis. Entretanto nossos poetas podem encontrar uma boa explicação:

 

Se procurar bem você acaba encontrando.

Não a explicação (duvidosa) da vida,

Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Sabino

A imaginação é o nosso primeiro privilégio, tão inexplicável como o caso que a provoca.
Luis Buñuel

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung.

Consumidores-autores, do Oiapoque ao Chuí

Por Carlos Magno Gibrail

Procura-se: Consum-AuthorsDe norte a sul, do Pará ao Rio Grande do Sul.

O sociólogo italiano Francesco Morace, do Future Concept Lab de Milão, que há uma semana apresentou sua tese e livro em São Paulo, certamente não se surpreendeu com fatos ocorridos em sequência.

Consumo Autoral é o titulo da pesquisa realizada por Francesco que, seguindo a linha dos que advertem que as marcas não mais pertencem às empresas e sim as pessoas que as consomem, decreta que vale a grife de quem compra, não de quem vende.

Nasce um novo consumidor – “Uma pessoa que não é passiva, que compreende as qualidades dos produtos, a estética, o design, e decide melhor por causa das tecnologias que permitem compartilhar conhecimento com outras pessoas”.

No dia seguinte ao evento do Consumo-Autoral, Sergio Abranches relatou que em Paragominas, Pará, presenciou uma cena inusitada. Autoridades locais e pecuaristas, tradicionais desmatadores, estavam tentando impedir a execução de uma licença legal para desmatamento, pois isto impediria a certificação da carne produzida na região. (ouça aqui). O autor da façanha era o cliente da carne que deixou de comprar até que se eliminasse o desmatamento.

Três dias depois, surge o movimento para mostrar a incidência dos impostos no país. Ou seja, se você paga imposto, pode ficar contente, pois hoje, quarta-feira, é o terceiro dia de trabalho do ano em que começa efetivamente a receber a sua remuneração. Até segunda-feira, 25.05, você trabalhou para os municípios, estado e federação. Sim, 40% do que você produz que equivale a 400 bilhões de reais considerando a renda da sociedade brasileira é para pagar impostos.

E o Dia da Liberdade de Impostos, idealizado e realizado por entidades representativas de contribuintes-autores, percorreu o Brasil. Ofertaram-se produtos que foram comprados sem os impostos, embora recolhidos.

O tão decantado tratamento ao consumidor, tipo agradar, encantar, surpreender, vai dar lugar efetivamente ao reinado do cliente. Não porque está sendo concedido pelas empresas ou pelo Estado, mas porque é o consumidor que está se apropriando das ofertas, dos produtos e serviços através da escolha pessoal. Ou autoral conforme preconiza o italiano Morace.

Às empresas é preciso preparação para esta nova classe de consumidores. A começar pelas livrarias. O “Consumo Autoral” que teve extensa reportagem na Folha de sábado passado, até hoje só é encontrado em uma loja de uma das cadeias de MEGA LIVRARIAS. Só o consumidor-autor focado em internet encontra para compra imediata. E, em nenhuma das 6 lojas visitadas havia vestígio da existência do livro e muito menos da reportagem de 66% de página no jornal de maior tiragem do país. Mais, numa das MEGAS ao perguntar para a segunda vendedora fui informado que não adiantava, pois toda a equipe estava no primeiro dia de trabalho.

Aos governos e políticos é necessária a visão do contribuinte-autor passando antes pela do eleitor-autor. Não dá para lidar com compradores-autores obrigados a comprar produtos sem saber o valor total dos impostos. Também não é possível aos eleitores-autores votar obrigatoriamente.  Afinal, estamos ou não numa democracia?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas traz sempre uma visão contemporânea ao Blog do Milton Jung