Por Maria Lucia Solla
(revisitando texto de 26 de maio de 2007)
Estava aqui pensando sobre a relação entre ignorância e inconsciência. Teria Sócrates dito “só sei que nada sei” quando se deu conta de que não há começo e nem há fim?
há que reformular a certeza
há que manter acesa a disposição
de mudar de posição
de ver a vida de ângulo diferente
para descobrir a verdade surpreendente
sobre a mesma-e-velha coisa
a gente alicerça tanta certeza
que perde do entorno a beleza
tropeça nos tocos que constrói
e chora e diz ai dói
permitimos que mania e certeza
nos tomem de assalto
feito erva-daninha
e vivemos em continua ladainha
cercados de pura chatice
vivemos patinando
entra idade sai idade
morrendo de medo da felicidade
afinal o modelo é senho franzido
critico de tudo
insatisfeito o tempo todo
vivendo preocupado
sem tempo de viver
a humanidade já teve de aceitar que estava errada
quando achava que a Terra era quadrada
Achamos que o sol girava em torno de Nossa Santa Grandiosidade, lembra? Até que Nicolau e Galileu, um pisciano polonês e um aquariano italiano, que gostavam de olhar para o céu, e olhavam, perceberam que a terra dava uma volta em torno de seu eixo, uma vez por dia, e em volta do sol, uma vez por ano. Acordamos para as evidências em relação ao planeta, mas ainda não, em relação a nós, pobres seres humanos. Ainda nos acreditamos sóis. Matamos por verdades. Morremos por elas.
Hoje sei que se ignorância é não saber o que existe à volta, inconsciência é não saber o que existe dentro. Se ignorância nos faz perder a dignidade como ser terreno, inconsciência nos faz perder a dignidade como ser cósmico.
Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza cursode comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung