Mundo Corporativo: Rafael Lucchesi, do SESI, defende novas relações de produção e trabalho, para superar a pandemia

 

 

 

“As sociedade que se adaptarem mais rápido a essas novas tendências, seguramente vão subir o elevador da produtividade; as suas empresas vão crescer; vão ganhar mercado e, é claro, a sociedade vai se desenvolver. É o que nós chamamos de um círculo virtuoso de desenvolvimento” — Rafael Lucchesi, SESI

A indústria brasileira precisa estar pronta para se adaptar às tendências de mercado que surgiram ou se aceleraram devido a pandemia do coronavírus. Se muitos setores sofreram com a queda de produtividade, também é preciso entender as oportunidades que se apresentam, como a descentralização da fabricação de algumas linhas de produto —- o que ficou evidente a partir das dificuldades de compra, venda e distribuição de equipamentos de saúde. Ao mesmo tempo, é necessário aproveitar as possibilidades que surgem com as transformações digitais e treinar os funcionários para esse novo momento.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, Rafael Lucchesi, diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria — SESI falou de temas que têm sido o foco das discussões do setor industrial brasileiro.

“Como tendência, seguramente nós vamos ter maiores cuidados com saúde, uma agenda maior de capacitação, de uso mais intensivo de tecnologia e, também, uma agenda voltada a novas ferramentas que têm ganho de produtividade e que vão impactar os resultados das empresas”.

O dirigente do SESI lembrou que o mundo vive a quarta revolução industrial, com digitalização, uso de inteligência artificial e de algoritmos, por exemplo. Soma-se a isso a produção industrial aditiva em que é possível fabricar produtos com o uso de impressoras 3D tornando desnecessário que a empresa mantenha uma grande manufatura, concentrada em uma determina região do mundo, substituindo esse modelo por uma estrutura industrial muito mais distribuída, criando uma cadeia de fornecedores próxima do seu mercado:

“Com três fotografias do seu pé, você poderá adquirir um tênis feito sob medida da mesma maneira que se faz com os atletas de alta performance, ajustado a sua biometria, e não em função de uma biometria padrão … com isso, a escala de produção será um fator menos relevante no futuro e muito mais a logística de produção distribuída. Isso vai mudar o ambiente de escritório e de chão de fábrica”.

A pandemia obrigou a indústria a acelerar esses processos que já estavam em andamento, segundo Rafael Lucchesi. A medida que as empresas têm mudado seu modelo operacional, o dirigente entende que essa transformação levará a uma revisão nos contratos de trabalho —- o que chama de modernização na relação de emprego. Apesar da reforma trabalhista, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, outras questões estarão na pauta:

“… seguramente há um consenso que une as lideranças empresariais e dos trabalhadores, que é estabelecer algo que permita que a sociedade gere mais emprego e mais renda … é preciso construir uma agenda de futuro para o Brasil”

O aumento da preocupação dos profissionais e seus familiares com as questões sanitárias, por causa da pandemia, além de um número crescente de afastamentos das funções, por doenças relacionadas ao trabalho, vão exigir um acompanhamento maior das empresas, de acordo com o dirigente. Isso traz outro desafio ao setor produtivo devido aos custos em relação a assistência médica dos profissionais:

“Esse é um problema grave porque é a inflação que mais cresce no Brasil e tem sido um dos maiores custos das empresas brasileiras, por isso o SESI com a CNI tem apoiado às empresas a estabelecerem um entendimento melhor nas negociações com os planos de saúde”.

Independentemente dos novos desafios que se se apresentam, ele chama atenção para o fato de a indústria ter de estar atenta a relação com seus colaboradores:

“As organizações mais produtivas são aquelas que melhor cuidam do principal talento das organizações, dos seus trabalhadores, dos seus colaboradores. Então, aquelas que vão melhor performar, serão seguramente as mais abertas ao diálogo daquilo que mais preocupa que são hoje as questões de cuidados à saúde”.

O Mundo Corporativo pode ser ouvido aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

A “linha certa” para o setor do vestuário pós-Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Imagem Pixabay

Ao lado de inúmeras projeções e sugestões para enfrentar os desafios pós-Covid-19, destacamos a preocupação em criar empregos.

 

A empregabilidade nacional que já vinha com taxas desconcertantes teve acentuada queda; e a priorização na criação de empregos é absolutamente essencial para a volta à normalidade econômica e social do país.

 

Nesse contexto, há uma combinação de fatores que levam necessariamente ao setor de vestuário como um dos segmentos mais estratégicos para o processo de melhoria da taxa de emprego.

 

Primeiramente, é obrigatório registrar que a indústria do vestuário é intensiva de mão de obra. Depois da indústria da construção civil é a que mais absorve trabalhadores. E, mais importante, é a primeira no capital investido para cada posto de trabalho. Ou seja, o capital empregado para criar um emprego no vestuário é o menor entre todos os outros.

 

A indústria brasileira de confecção de roupas perdeu competitividade para a Ásia. Sofremos eliminações em todos os parques industriais de produção de roupas. Das costureiras externas individuais, das costureiras externas de grupos, dos grandes confeccionistas até as grandes corporações industriais.

 

O cenário negativo para a indústria nacional ainda se acentuou pela moda ter enveredado para o fast fashion, tão propício ao produto descartável — com prejuízo da qualidade de mão de obra e com o estrago feito no meio ambiente, pelas características da execução e do uso.

 

Entretanto, no cenário de hoje, o fast fashion perdeu o protagonismo, assim como a Ásia começou a gerar incerteza para o negócio da moda brasileira, pela convulsão política, sanitária e econômica — afinal, o dólar com instabilidade de picos de até 50% é inadministrável.

 

Coincidentemente, a Manancial Sustentabilidade Ambiental, que tinha nos procurado em dezembro para apresentar trabalhos na área de habilitação de empresas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social da ONU, através da CEO, bióloga Angela Garcia, veio agora demonstrar um Projeto denominado de “Projeto Linha Certa”.

 

O “Linha Certa” objetiva criar soluções de mão de obra feminina para a indústria de confecção nos presídios femininos, cumprindo vários dos Princípios e Objetivos da ONU.

 

A meta da Manancial é entregar para as confecções uma alternativa para exercer uma relação de ganha-ganha com todos os envolvidos no processo.

 

Resolverá a produção das peças, dará uma profissão e uma remuneração para as presidiárias, além da redução das penas.

 

No rol das especulações sobre as resultantes do vírus, há uma tendência a esperar o aumento da humanização nas relações sociais, e talvez uma empatia mais presente.

 

Esse é um Projeto que acolhe perfeitamente esta melhora nas relações humanas.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O simples e o complexo na greve dos caminhoneiros

 

Por Julio Tannus

 

Como toda questão que envolve a “coisa pública”, a greve dos caminhoneiros é ao mesmo tempo complexa e simples.

 

A complexidade advém do fato que existem grandes interesses envolvidos.

 

Por parte dos caminhoneiros, a raiz de sua insatisfação está na política de preços dos combustíveis, com constantes reajustes que, segundo representantes da categoria, tornam inviável o transporte de mercadorias no país.

 

Por parte do governo, essa política de preços dos combustíveis é necessária para tentar segurar o aumento da inflação. Diferentemente do governo Dilma Rousseff que atrasava o repasse dos preços internacionais aos combustíveis no mercado interno, obrigando a Petrobras a vender os produtos a preços abaixo do mercado, causando grandes prejuízos, o governo Michel Temer passou a ter uma mudança significativa em 2016: os reajustes passaram a ser determinados pela Petrobras, em função das variações do dólar e do preço do petróleo no mercado internacional.

 

A simplicidade, dentre outras, advém do fato que não existem alternativas de transporte de mercadorias no país.

 

Lembro-me de um professor de pós-graduação, em 1971, da Escola Politécnica da USP, na área de Sistemas de Transportes, que ficava transtornado quando se referia ao que estava sendo feito com o sistema ferroviário no Brasil. Segundo ele, o lobby da indústria automotiva (estrangeira) era suficientemente forte para impedir o desenvolvimento natural do uso da energia elétrica no transporte ferroviário e rodoviário urbano no país. E mais: ele dizia que iriam acabar com as nossas ferrovias. Não deu outra!

 

É simples porque basta apenas vontade/vocação política para romper as mais fortes barreiras.

 

Por que até hoje não foi desenvolvida tecnologia para se ter veículos (automóveis/caminhões) movidos a energia elétrica, com todos os benefícios decorrentes de uma energia limpa, não poluidora? Certamente os interesses ligados as grandes montadoras, as gigantes do petróleo, etc. não o permitiram.

 

Já entramos em colapso!

 

Julio Tannus é engenheiro e consultor em estudos e pesquisa aplicada, coautor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Varejo físico e virtual juntos e na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um novo formato de loja de moda em que após o processo convencional de escolha e venda o consumidor recebe a mercadoria comprada, em casa, tem despontado como novidade aprovada no varejo.

 

É um sistema que se destaca pela aceitação de um segmento de consumidores e por facilitar alguns itens do processo de comercialização tradicional.

 

O perfil do cliente para esse formato não é único. Ao juntar a experiência física de compra com a potencialidade de alternativas do virtual, serve tanto ao consumidor da geração 4D quanto ao conservador, que requer o contato com o produto e com a vendedora.

 

Sob o aspecto do processo de abastecimento, há um passo significativo para resolver um dos maiores problemas do varejo: a previsão de vendas da loja. A esse respeito, Eliya Goldrat, um dos maiores autores sobre processos industriais e comerciais, coloca o “gargalo” na indústria e a “previsão de vendas” no varejo como os grandes desafios destes processos.

 

Historicamente, esse formato de loja virtual na loja física surgiu há cerca de 20 anos, quando do primeiro boom da internet. Embora sem resultado positivo. Ainda era a época da miopia de marketing em que se dizia que roupa nunca seria vendida pela internet.

 

Da C&A, que foi uma das precursoras deste formato no início deste século até a AMARO, a nova pioneira, e a BASICO.COM tivemos uma evolução, ou melhor, uma revolução de hábitos e tecnologia que explicam o insucesso de ontem e o sucesso de hoje.

 

Para quem aposta nos multicanais e está atento ao “omni-channel” e ao “unified commerce” é aconselhável acompanhar mais este formato.

 

Sem miopia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: indústria 4.0 exigirá mudança na educação de profissionais, diz Gustavo Leal, do Senai

 

 

“A inovação aumenta a produtividade, que aumenta a renda, que aumenta os negócios, que aumenta os investimentos, que gera mais emprego: agora, os empregos mudam e vão mudar profundamente e vão estar muito mais assentados em competências que exijam uma educação mais elaborada, mais trabalhada, daí a importância do país se dedicar a projetos educacionais”.

 

A afirmação é de Gustavo Leal, diretor de operações do Senai Nacional, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Leal falou dos impactos das tecnologias digitais a medida que forem implantadas pela indústria brasileira. Entre essas novas tecnologias estão a Internet das Coisas, a Inteligência Artificial, a Impressão 3D e o Big Data, que serão fundamentais para a competitividade das empresas.

 

O dirigente do Senai defende a ideia de que os profissionais continuarão sendo necessários para o andamento dos processos: “o trabalho humano não é substituído por essas novas tecnologias, por esses novos paradigmas; ele tem de se adaptar a isso”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Participam do programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “a tomada de decisão é sempre do ser humano”, diz Vicente Mazinetti sobre a indústria 4.0

 

 

“Virtual é mais barato, existem dados que as empresas gastam 170 dias por ano fazendo protótipos; e testando produtos. Virtualmente você consegue simular, diminuir a quantidade de protótipos”. Para Vicente Mazinetti, gerente de pré-vendas da Siemens, essa é uma das vantagens em investir no conceito da indústria 4.0, tema da entrevista que concedeu ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele explica que esse modelo de indústria vai além da ideia de substituir um operador por um robô, é preciso implantar inteligência nos processos: “a virtualização é a chave de tudo, então a origem de um produto deve ser virtual”.

 

Mazinetti entende que os profissionais e empresas têm de estar preparados para esta que é considerada a quarta revolução industrial, sem temer a chegada dos processos de automação e virtualização: “a tomada de decisão é sempre do ser humano, a execução, o manuseio desta tecnologia, o bom uso é do ser humano”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, pelo site e pela página da CBN no Facebook, toda quarta-feira, 11 horas da manhã. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e, em horário alternativo, às 11 da noite de domingo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Debora Gonçalves e Rafael Furugen.

Um “negócio da China” no Paraguai

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Há sete dias, a Estrela, tradicional fabricante de brinquedos, viu suas ações subirem 15% na Bovespa. Ela tinha anunciado que estava transferindo parte de sua produção na China para o vizinho Paraguai.

 

Quase ao mesmo tempo, a Riachuelo, mega cadeia de lojas de vestuário, informava ao mercado que estava dobrando a  capacidade de produção no Paraguai, configurando um parque industrial apto a produzir 200 mil peças/mês.

 

Por trás dessas medidas está um ambicioso projeto do governo paraguaio da década de 70, quando Itaipu estava para operar, de transformar o país em um centro industrial. Havia prerrogativas de exportação sem ônus a outros países latino americanos. Ocorre que o tempo era de ditaduras e os trâmites burocráticos emperraram tais vantagens. O Brasil, por exemplo, não cumpria o que firmava.

 

Enfim, 30 anos depois, o presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy assinou a “Ley de Maquila”, que se viabilizou. Essa lei permite que empresas industriais e de serviços se instalem para produzir parcial ou totalmente produtos com vantagens operacionais, burocráticas e fiscais.

 

A lei dá isenção fiscal à importação de bens de capital, tarifas reduzidas para importação de matérias primas, elimina o imposto de renda e estabelece taxação de 1% ao faturamento. Acrescente-se a isso um custo de mão de obra 30% menor com uma legislação trabalhista mais flexível e uma inflação controlada em 4,5%.

 

Para quem acompanhou as dificuldades iniciais desse projeto na época de Stroessner e Figueiredo, como o atual Presidente da Câmara de Comércio Brasil Paraguai, Eulogio Ramirez, o momento é de euforia. Os números contabilizados de acordo com Ramirez são para comemorar. Existem 57 empresas brasileiras produzindo localmente e mais 10 deverão brevemente estar operando. Também há 10 companhias argentinas com parque industrial no país. A indústria paraguaia está crescendo 7%.

 

Para Ramirez, o longo processo compensou e o Paraguai escoa seus produtos não só por terra, mas também pelas almejadas saídas por mar pelo Porto Paranaguá, por Puerto Palmira e Puerto Buenos Aires.

 

Aos empreendedores é recomendável conhecer esta oportunidade paraguaia, certamente a região que os brasileiros que a desconhecem, têm a mais distorcida imagem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Ruy Goerck, da BASF, fala das transformações da indústria química

 

 

A indústria química, atualmente, é muito mais vista como parte da solução para este nosso mundo do que parte do problema. Esta é a ideia central defendida por Ruy Goerck, vice-presidente de químicos e produtos de performance da BASF, que participou das transformações promovidas pelo setor nos últimos 30 anos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Goerck fala, entre outros assuntos, do programa Juntos Pela Sustentabilidade, criado em 2011, que reúne oito das das maiores empresas de produtos químicos do mundo e promove a sustentabilidade na cadeia de abastecimento. Na entrevista, o executivo mostra as oportunidades de trabalho que surgem neste mercado.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Paulo Rodolfo, Cláudio Mesquita e Ernesto Foschi.

O luxo feito à mão e sob medida

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Quando se fala em produtos de luxo, inevitavelmente vem à mente: bolsas, sapatos, roupas, carros … Uma infinidade de segmentos. Porém, muitos hoje se esquecem, ou podme até mesmo não saber, que no passado o luxo de verdade era feito sob medida, à mão, para cada cliente.

 

Nos anos de 1980, o consumo de produtos de luxo passou por desenvolvimento internacional considerável, e nos anos de 1990 o luxo iniciou processo para se tornar um setor econômico e industrial.

 

O processo de “industrialização do luxo” o fez menos exclusivo, principalmente pelo fato de terem deixado de lado, em boa parte, a produção à mão, que deu lugar a produção em máquinas. Afinal, é comum ver um mesmo produto em diferentes mãos ou corpos, apesar de possuírem ainda uma edição limitada.

 

Apesar disso, muitas marcas, mesmo aderindo ao processo de industrialização, não deixaram de oferecer a exclusividade do produto “tailor made”, ou seja, feito sob medida. Marcas como Louis Vuitton, Goyard e Hèrmes são apenas alguns exemplos de empresas francesas que produzem a seus clientes produtos com cada detalhe adequado às suas particulares necessidades.

 

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A inglesa Bentley também oferece customização a seus afortunados clientes que adquirem seus veículos, com um nível de detalhamento incrível, interna e externamente ao veículo. No Brasil, um exemplo interessante e de extremo luxo é a grife Martha Medeiros, da empresária alagoana que dá nome à sua marca, produzindo vestidos de renda feitos à mão, e ainda vestidos para noivas, representando um sonho para muitas mulheres.

 

O luxo tem como preceitos a exclusividade, o prestígio, a edição limitada e o feito sob medida. O crescimento do segmento e a substituição em boa parte do artesanato pelo industrial geraram a democratização do luxo, aumentando sua presença global e o tornando acessível a um público mais amplo do que o consumidor da antiguidade.

 

Encontrar o equilíbrio entre ter mais clientes sem correr o risco de perder a sofisticação é um dos principais desafios das marcas de luxo, que veem na customização a seus clientes uma forma de encantá-los, ao invés de simplesmente oferecer um produto “de prateleira”.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O luxo artesanal e a indústria do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

O consumo de produtos de luxo passou por desenvolvimento internacional extraordinário nos anos 80, e o luxo foi reconhecido como setor econômico e industrial desde o fim dessa década, com a constituição e o crescimento de grandes conglomerados de marcas deste mercado. No começo dos anos 90, foi a época em que o luxo deu passo definitivo na direção de se tornar setor econômico e suas empresas assumirem-se como negócios. Louis Vuitton Malletier, até então uma pequena empresa familiar com negócios na ordem de 32 milhões de euros, tornava-se, com 1,3 bilhão de euros, a filial mais lucrativa do líder mundial dos produtos de luxo: o grupo LVMH.

 

De acordo com Dana Thomas, autora do livro “Como o Luxo perdeu o brilho”, na década de 1980, o crescimento tornou-se não apenas prioridade, mas, sim, objetivo, nos Estados Unidos, pois possuíam mercado médio de maior porte, mais rico e fluido do mundo. Era então necessário para o luxo encontrar lugares com número abundante de clientes, sem diminuir o status percebido da marca.

Para muitos, o processo de “industrialização do luxo” o fez menos exclusivo, principalmente pelo fato de ter-se deixado de lado, talvez em maior parte, a produção à mão, que deu lugar à produção em máquinas. Afinal, algumas das premissas do luxo são a exclusividade, o feito sob medida, o prestígio e a edição limitada. O crescimento do segmento de bens e produtos desse segmento e a substituição em boa parte do artesanato pelo industrial geraram a democratização do luxo, aumentando sua presença global e o tornando acessível a um público mais amplo do que o consumidor da antiguidade.

 

Encontrar o equilíbrio entre ter mais clientes sem correr o risco de perder o glamour e a sofisticação anteriormente conquistados é um dos principais desafios das marcas de luxo. Para evitar a banalização, ou seja, impedir que as marcas percam o conceito de exclusividade e sejam vistas apenas como mais um nome sem caráter prestigioso, devem-se preocupar em ter posicionamento preciso, distribuição seletiva, serviços diferenciados, treinamento de pessoal e canais de comunicação eficazes para o público-alvo deste mercado, além de investirem em criações de edição limitada em algumas linhas de produtos, como fazem Louis Vuitton, Goyard e Hermès, que ainda possuem produtos feitos à mão, sob medida e exclusivos.

 

Não se deve esquecer: o verdadeiro luxo ainda é para poucos.

 


Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.