Um “negócio da China” no Paraguai

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Há sete dias, a Estrela, tradicional fabricante de brinquedos, viu suas ações subirem 15% na Bovespa. Ela tinha anunciado que estava transferindo parte de sua produção na China para o vizinho Paraguai.

 

Quase ao mesmo tempo, a Riachuelo, mega cadeia de lojas de vestuário, informava ao mercado que estava dobrando a  capacidade de produção no Paraguai, configurando um parque industrial apto a produzir 200 mil peças/mês.

 

Por trás dessas medidas está um ambicioso projeto do governo paraguaio da década de 70, quando Itaipu estava para operar, de transformar o país em um centro industrial. Havia prerrogativas de exportação sem ônus a outros países latino americanos. Ocorre que o tempo era de ditaduras e os trâmites burocráticos emperraram tais vantagens. O Brasil, por exemplo, não cumpria o que firmava.

 

Enfim, 30 anos depois, o presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy assinou a “Ley de Maquila”, que se viabilizou. Essa lei permite que empresas industriais e de serviços se instalem para produzir parcial ou totalmente produtos com vantagens operacionais, burocráticas e fiscais.

 

A lei dá isenção fiscal à importação de bens de capital, tarifas reduzidas para importação de matérias primas, elimina o imposto de renda e estabelece taxação de 1% ao faturamento. Acrescente-se a isso um custo de mão de obra 30% menor com uma legislação trabalhista mais flexível e uma inflação controlada em 4,5%.

 

Para quem acompanhou as dificuldades iniciais desse projeto na época de Stroessner e Figueiredo, como o atual Presidente da Câmara de Comércio Brasil Paraguai, Eulogio Ramirez, o momento é de euforia. Os números contabilizados de acordo com Ramirez são para comemorar. Existem 57 empresas brasileiras produzindo localmente e mais 10 deverão brevemente estar operando. Também há 10 companhias argentinas com parque industrial no país. A indústria paraguaia está crescendo 7%.

 

Para Ramirez, o longo processo compensou e o Paraguai escoa seus produtos não só por terra, mas também pelas almejadas saídas por mar pelo Porto Paranaguá, por Puerto Palmira e Puerto Buenos Aires.

 

Aos empreendedores é recomendável conhecer esta oportunidade paraguaia, certamente a região que os brasileiros que a desconhecem, têm a mais distorcida imagem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

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