Mundo Corporativo: Ricardo Guerra, CIO do Itau, diz que a transformação digital começa na mudança de cultura da empresa

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“Aprender o que a tecnologia de hoje significa, como é que ela é utilizada, como é que ela faz parte do business, propriamente dito: esta é, sem dúvida nenhuma, o grande desafio para as empresas”

Ricardo Guerra, Itau

Sabe o cara da TI? Mudou de cara! Antes era o jovem que você chamava para dar um jeito no computador da empresa que estava lento, ajudar a baixar um programa e, quantas vezes, resolver uma questão crucial para começar o trabalho: “esqueci minha senha”.  Não que esse cara não esteja lá para dar aquela força, mas a tecnologia da informação, há muito tempo, mudou seu perfil: de área de suporte para a de estratégia.  Falei do assunto com Ricardo Guerra, CIO do Itau, instituição que atua no setor bancário um dos que sofreram maior impacto com a transformação tecnológica.

“Se voltarmos uns 20 anos, até menos, a tecnologia era vista pelas empresas como uma área de apoio. As empresas terceirizavam a tecnologia. Era uma grande fábrica de projetos. Eu tenho uma ideia e a tecnologia me entrega para que esta se torne realidade”

Das mudanças que surgiram, Ricardo pontuou o fato de as empresas terem passado a usar a tecnologia como vantagem competitiva, especialmente aproximando-a do cliente:

“ … para que a tecnologia entendesse qual o problema do cliente, onde estão as oportunidades e como é que ela trabalha para agregar valor pra organização no fim do dia”.

Toda esse progresso exige muito mais dos profissionais de tecnologia de informação. Um aprofundamento em temas que pareciam distantes da área como a antropologia, porque no momento em que se pensa em soluções para as pessoas é preciso entender o comportamento delas. O Ricardo, nosso entrevistado, assistiu a essa evolução dentro do próprio Itau, onde trabalha desde 1993. Para ter ideia, o grande passo tecnológico naqueles anos iniciais foi a implantação do primeiro site do banco na internet brasileira:

“Foi em 1995. Foi uma experiência incrível, porque foi uma inovação tecnológica gigantesca para gente. Não tínhamos o conhecimento para isso. Muitos de nós, tiveram que parar para estudar que tipo de tecnologia a gente estava falando. Era desconhecido! Tivemos que parar para profissionalizar o uso da internet para que a gente pudesse levar isso até o cliente. Foi um momento de carreira muito interessante de muito aprendizado”.

A complexidade da transformação tecnológica — termo usado pelo Ricardo na nossa conversa —- impõe desafios aos líderes que estão à frente das equipes de trabalho, como é o caso dele que assumiu o cargo mais alto na área da tecnologia do banco, o de Chief Information Officer. Na entrevista, o CIO do Itau identificou três ações importantes que os líderes devem realizar. O primeiro movimento foi uma mudança de metodologia de trabalho mais ágil, mais integrado, mais colaborativo e mais próximo do cliente e do negócio. Apenas com essa mudança cultural foi possível dar o segundo que foi um processo mais agressivo de mudança tecnológica. E o terceiro passo foi a integração da tecnologia com as diversas áreas do negócio.

“E tudo isso embasado por uma grande mudança cultural de empoderamento, de menos hierarquia, de mais leveza no trabalho. Aqui tem uma série de elementos de mudança de ambiente de trabalho, de mudança de como os líderes falam e incentivam as pessoas, inspiram as pessoas”.

No começo da nossa conversa, Ricardo não aceitou o título de o “cara da tecnologia”, disse que o setor depende de dezenas de outras pessoas, do trabalho em equipe e da colaboração. Agora, com certeza, ele tem a cara dos novos profissionais de tecnologia, porque apesar de ter iniciado sua carreira há 29 anos, soube mudar sua forma de atuar, pensar e liderar equipes.

Assista à entrevista completa com Ricardo Guerra, CIO do Itau, no Mundo Corporativo, que está completando 20 anos: 

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos. 

Sua Marca: não seja refém da inovação

Jodie Comer em ‘O Último Duelo’Imagem: 20th Century Studios

“Houve alguma época na  História que não ocorreram inovações?”

Jaime Troinao

A história é real. Se passou no século XIV. Foi descrita em romance do escritor americano Eric Jagger. E popularizada na tela do cinema por Ridley Scott. The Last Duel ou o Último Duelo, a despeito de valorizar o combate entre dois homens e torná-los protagonistas em um duelo mortal, nos interessa mesmo pela coragem de Marguerite de Carrouges, uma nobre francesa, que desafiou os costumes medievais e denunciou o homem que a estuprou. Marguerite foi corajosa tanto quanto inovadora.

É isso! E já respondendo a pergunta feita pelo Jaime Troiano na abertura deste texto… mesmo na Idade Média, considerado um período obscuro, os inovadores eram capazes de se expressar.  O Renascimento, que surge logo em seguida, por sua vez, foi uma orgia de inovações, nas artes, nas ciências, na cultura em geral. E estamos falando do século XV e XVI. Ou seja, apesar de hoje nos surpreendermos com o nível de inovação que existe nas mais diversas áreas, a história tem vários capítulos e momentos em que a genialidade humana se apresentou. 

“A febre de inovação atual de que tanto falamos é apenas fruto do enorme impulso  da engenharia digital em nossas vidas. Mas é apenas mais uma de milhares de  ondas inovadoras na história de nossa espécie”

Jaime Troiano

Jaime e Cecília Russo trouxeram essa reflexão para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para alertar gestores de marcas de que, apesar do entusiasmo e da própria pressão que existe sobre o tema, é preciso cuidado para não serem reféns dessa onda:

“Esta nova era tecnológica criou muitas armadilhas para marcas que começaram a inovar de forma precipitada e acabaram pondo em risco o que de essencial elas têm. Ou seja, aquilo que fica escondido sob a “poeira digital” 

Cecília Russo

Muitas vezes, a inovação precipitada rompe os laços com a história da marca, na percepção do consumidor. E quando essas mudanças atropelam o consumidor, “joga-se fora o bebê junto com a água de banho” — ditado que não tem nada de novo, e segue sendo essencial para se planejar as mudanças necessárias.

“O melhor conselho de branding para o empresário, o empreendedor, pequeno, médio, é o seguinte: preserve o essencial na busca do novo. É um caminho mais  difícil, mas obrigatório”. 

Jaime Troiano

Um exemplo de renovação que respeitou as regras do branding foi a realizada, recentemente, pelo jornal O Estado de São Paulo, que deixou seu tamanho original para ser impresso em modelo ‘berliner’, bem menor do que aquele que seus leitores estavam acostumados. Foram feitas mudanças internamente, também: no tamanho da letra, na divisão das editoriais …mas a essência, essa não mudou.  

“Em momento algum cederam à tentação de trocar suas características essenciais de linha editorial, por aventura moderninha que escondesse seu pensamento, que tem uma história de mais de 100 anos: 146 anos, para ser mais precisa”.

Cecília Russo

Outra boa referência foi a inovação feita pelo grupo de varejo Magazine Luiza. Para Jaime e Cecília, segue sendo uma empresa atenta às relações pessoais com o mercado, a começar pela própria líder Luiza Trajano. Nos últimos anos, a empresa ganhou uma dimensão digital, muito mais intensa, estendeu seus ‘tentáculos, para novas áreas, mas sua alma humana continua muito presente. 

“Sim, as marcas têm coisas que são definitivas, inegociáveis. O quê? Sua alma, seu propósito, sua razão de ser. Não troque sua alma por alguns gimmicks ou algumas brincadeiras digitais”

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior;

Mundo Corporativo: Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, inova dos pés à cabeça

Foto: Alexandre Loureiro / COB / Divulgação

“Historicamente, eu me moldei a crise. Ela gera um primeiro impacto que deixa a gente muito ansioso, mas acho que na crise existe muita oportunidade. Basta a gente olhar com outros olhos que as coisas podem ser mais promissoras do que se imagina”

Gustavo Dal Pizzol, Top Shoes

A pandemia é um desafio coletivo. Uma crise sem dimensão. Há outros desafios que são individuais. E para esses, cada um faz uma conta. Gustavo dal Pizzol pôs na ponta do lápis: R$ 500 mil —- meio milhão de reais foi o valor da dívida que herdou da fábrica de calçados que o pai havia colocado no nome dele, lá no Rio Grande do Sul.  Na época, com apenas 19 anos e esse legado, trocou Novo Hamburgo por Campo Bom, cidades próximas e de perfil industrial semelhantes. Levou R$ 7 mil na bolsa, vendeu uma moto, fez parceria com um estilista, e morou de favor por algum tempo. 

Daquela dívida de meio milhão de reais, parcelada a perder de vista, restaram o aprendizado e a certeza de sua capacidade em superar dificuldades. Para Gustavo Dal Pizzol, 37 anos, CEO da Top Shoes Brasil Group, entrevistado do Mundo Corporativo, aquela experiência o ajudou muito a encarar a crise atual, que se iniciou com a pandemia, em março de 2020. Sem saber por quanto tempo os negócios seriam paralisados, Gustavo foi em busca de uma alternativa para a linha de produto que já desenvolvia. Precisava criar algo que atendesse a demanda do momento.

E a solução estava na cara (com o perdão do trocadilho)!

Ao entender que o uso de máscaras seria necessário, ele e sua equipe decidiram pesquisar opções para os produtos que estava no mercado. Experimentou as máscaras disponíveis, testou e descobriu que costumam ser pouco confortáveis para a atividade física. 

“Fizemos um briefing de todos os atributos que me incomodavam muito nas máscaras. Por exemplo: a máscara tradicional machuca a orelha; principalmente para práticas de esportes. Quando comecei a ir para academia correr, eu não conseguia respirar direito. Então, pensei: preciso resolver esses e vários dramas que a máscara tem”

Problemas constatados, soluções discutidas e desenho realizado: foram 15 dias para dar início ao projeto com a equipe de marketing e produção. Máscaras com a marca da inovação que conquistaram os atletas olímpicos e parte dos times do futebol brasileiro. Foi o irmão, Tiago, diretor comercial, quem levou a ideia até o COB em contato feito pelo LinkedIn. O que têm de diferente: são atadas à parte de trás da cabeça, têm regulagem, permitindo melhor vedação, e exige que a passagem de ar seja feita pelo filtro. Foi desenvolvido, ainda, um suporte, impresso em 3D, para evitar que a respiração atrapalhe durante a atividade física. De acordo com Gustavo, já foram vendidas cerca de 3,5 milhões de máscaras:

“… e o momento que vocês lança uma nova ideia, já pensa no 360. Não investe somente numa área: desenvolvimento.  Tem  de investir em desenvolvimento, comercial e marketing. Ou seja, todos os pilares precisam andar de maneira conjunta, né? Porque senão ela fica desparelha E o negócio não prospera”.

Outro exemplo de como funciona a cabeça de empreendedor. Para não prejudicar suas linhas de produção, Gustavo voltou a aplicar o método de entender o problema e oferecer a solução. Com carência de mão de obra especializada, decidiu-se por investir em tecnologia e ter máquinas que permitissem a produção das mercadorias com maior velocidade e precisão. Hoje, mantém um parque industrial com 36 máquinas de impressão 3D, que produzem uma série de produtos “rodando 24 horas, sábado e domingo”. 

“Eu tenho uma equipe muito maior na parte comercial, de serviço ao cliente e de desenvolvimento de produtos. Esses são os grandes mercados do futuro, porque a máquina não substitui o criativo. Nunca! Antigamente, nós tínhamos um excesso de pessoas na linha de produção e poucas pessoas pensando o produto. Hoje, nós temos uma grande  quantidade de pessoas pensando o produto. Esse é o desenho futuro,  não só da nossa, mas de qualquer outra indústria do futuro”. 

Ouça a entrevista completa com Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Mundo Corporativo: Caito Maia, da Chilli Beans, conta e ouve histórias para superar a crise

Caito Maia

“Depois da tempestade vem um arco-íris lindo e a gente tem que acreditar nisso. É a crença que se tem. É o desejo pelo menos que se tem”. 

Caito Maia, Chili Beans

Contar histórias é importante —- vamos ver isso mais à frente neste texto que resume a conversa que tive com o empresário Caito Maia, da Chilli Beans, no Mundo Corporativo. Quero começar, porém, chamando atenção para outra lição aprendida nessa entrevista: ouvir histórias é fundamental

Ouvir e entender a história do consumidor foi o que salvou a fabricante de óculos mais famosa do Brasil nesta pandemia. Com as pessoas confinadas em suas casas, olhos ainda mais focados na tela do computador e do celular, lendo livros e assistindo a mais televisão, aumentou a preocupação com a saúde ocular. Uma série de pessoas identificou dificuldades para enxergar, quase como se estivéssemos diante de uma epidemia de miopia.

Diante do exposto pelos clientes, coube a Caito Maia e sua equipe atender a essa demanda e mudar boa parte da linha de produtos da empresa, que surgiu há 25 anos e se consagrou pelos desenhos inovadores e modernos de seus óculos de sol, responsáveis por 80% das vendas. Com a pandemia e a nova necessidade dos clientes, óculos de grau já vendem tanto quanto os de sol:

“Dobramos a exposição de grau, contratamos a Isis Valverde, fizemos uma campanha em rede nacional, fizemos treinamento, e foi esse o motivo que a gente cresceu, ganhou market share em grau, e foi isso que nos salvou”. 

Não só isso. Dar sequência a programas inovadores e investir na educação de seus franqueados e colaboradores também ajuda. E muito. Só o treinamento e o ensino conseguem, por exemplo, fazer com que aquele vendedor, acostumado ao atendimento mais descolado do quiosque, se transforme para receber o consumidor que chega na Ótica Chille Beans com uma receita em mãos: 

“A educação não está só diretamente relacionada em técnica de venda e, sim, em técnicas de saber como que é o ser humano, onde ele que ir.  De entender essa geração nova, e dar voz pra gente crescer junto”.

Os treinamentos ocorrem em uma universidade corporativa da própria Chilli Beans que, no ano que vem, pretende abrir suas portas para comunidades carentes e pessoas que vivam em situação de fragilidade social. Caito Maia diz que será criado o instituto de empreendedorismo para exportar a diferentes públicos o conhecimento desenvolvido na empresa:

“A gente vai pegar, por exemplo, as baianas que vendem acarajé. Será que estão comprando camarão de mais? Então, a gente vai ensinar essa pessoa a ganhar dinheiro, porque ela não tem onde aprender. E a gente vai ensinar”.

Antes de olhar o ano que vem, deixe-me falar sobre o ano que passou, porque pelo que Caito nos conta, foi um ano em que os desafios enfrentados trouxeram muita inovação para o negócio — e não apenas na linha de produtos. A Chilli Beans teve de investir no comércio eletrônico e encontrar solução para um problema próprio de quem vai comprar óculos: como experimentar no virtual? A resposta foi a criação de uma tecnologia 3D na qual ao clicar no produto é possível ver o seu rosto, ao vivo, com o modelo escolhido. 

A venda pelo Instagram foi outro avanço que surgiu nesse período de dificuldade. Há dez anos, a empresa permitiu que todos seus franqueado criassem páginas na rede social o que proporcionou uma comunidade de até 3 milhões de seguidores. Eram páginas, porém, que serviam apenas para divulgar o produto, mas sem vender no online. Todos esses perfis foram transformados em páginas de venda, permitindo que o cliente, com acesso ao estoque da loja, possa receber um óculos em até duas horas.

Seja pelo otimismo e vigor que sempre mostrou na gestão de seu negócio, seja pelos resultados que alcançou a despeito das dificuldades que enfrentamos no último ano e meio, Caito enxerga um futuro promissor:

“Veja o que aconteceu com o mundo depois da Segunda Guerra Mundial: marcas se lançaram — marcas radicais que têm até hoje, que aconteceram. Eventos, festas. Teve uma euforia. E eu acredito muito nessa euforia depois de tudo isso que a gente tá vivendo. (Eu acredito) em um mundo melhor porque a gente tá saindo melhor do que a gente entrou, porque as pessoas estão com mais consciência de tudo”.

Uma certeza é de que após esse período, Caito e sua Chillin Beans terão muito mais histórias para contar, porque —- como ensaiei na primeira frase deste texto — essa é uma prática importante, que sempre pautou as ações da empresa. O próprio empresário lembra da experiência que teve com Rita Lee. Nossa querida cantora contou para Caito que, ao longo da vida, teria visto quatro discos voadores. Uma história incrível que ele pediu para que ela reproduzisse em desenho. Desse desenho surgiu uma linha de óculos de sol, que virou um sucesso porque, segundo o empresário, as pessoas não compram apenas um óculos, compravam a história que estava por trás dele:

“Conte a história do seu produto. Pare de ficar vendendo preço, desconto.  Faça uma pesquisa no teu produto, veja o que tem de história por trás e conte essa história ao cliente. Potencialize isso que isso vai te dar valor agregado. Vai te dar mais margem. E vai e você não vai ficar brigando por desconto. Você vai virar marca”. 

Assista à entrevista completa de Caito Maia ao programa Mundo Corporativo 

Este capítulo do Mundo Corporativo teve a participação de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Paula Harraca, da ArcelorMittal, defende que é preciso inovar a forma de inovar

“A inovação está nas pessoas. São as pessoas que ousam criar algo novo. São as pessoas, inclusive, que trazem a tecnologia para alavancar as soluções que estão sendo desenvolvidas”

Paula Harraca, ArcelorMittal

Na porta do escritório —- se escritório houver —- deve estar escrito Diretoria de Estratégia, Inovação e Transformação. Seja pela extensão do nome seja porque somos craques em chamar as coisas pelo que realmente significam, do cafezinho —- vazio pela pandemia —- às conversas organizacionais, todos preferem chamar de Diretoria do Futuro. E parece que é assim que Paula Harraca, da ArcellorMittal,  gosta de ser identificada. Foi a impressão que tive na entrevista que fiz com ela no Mundo Corporativo.

Paula é argentina, integrou uma das melhores seleções de hóquei sobre grama do mundo, quando sofreu uma lesão, que interrompeu sua ascensão na carreira esportiva e a levou focar na formação acadêmica. Em 2003, conseguiu seu primeiro emprego, na ArcellorMittal — para ser preciso, em uma subsidiária da empresa, a Acindar.  Era apenas a segunda mulher no setor de aciaria —- a unidade em que sucata e ferro são transformados em aço. Dentre 400 funcionários havia apenas mais uma, que cuidava da limpeza dos escritórios, e era terceirizada. Desde então, tem sido pioneira nas vagas que ocupa na empresa, com a missão de abrir espaço para outras mulheres:

“Fui, também, a primeira diretora C-Level —- ao assumir a diretoria de negócios de aços longos da América Latina. Nunca encontrei obstáculos pessoalmente porque eu tive uma base segura que foi minha mãe, me círculo de ajuda que me alavancou. Para eu estar onde estou, muitos mulheres me ajudaram a chegar aqui”. 

Ao deixar a Diretoria de Pessoas e Bem-Estar para ser Diretora de Estratégia, Inovação … ops, Diretora de Futuro, foi substituída por outra mulher, a segunda entre oito cargos C-Level que a empresa mantém, na América Latina:

“Temos um compromisso mundial de termos 25% de mulheres na liderança  … Hoje, a empresa tem várias iniciativas em nível mundial de mentoria não apenas para incluir mais mulheres, mas para ajudar que elas subam ao longo de sua jornada porque sabemos que ainda socialmente é um desafio que precisamos endereçar juntas”. 

De volta ao futuro. Ou a diretoria que Paula Harraca assumiu há cerca de três anos quando a empresa entendeu que precisava “inovar a forma de inovar”. E a busca pelo novo foi que deu origem ao AçoLab, um centro de inovação aberto a presença de startups e outros parceiros de negócio, considerado o primeiro hub da indústria mundial do aço, que fica. em Belo Horizonte.

“Nós criamos nesse espaço, com um pequeno time, e uma estratégia que deu lugar a uma nova forma de inovar com startups, junto com o ecossistema de inovação. E em um movimento diferente de fazer as coisas que é a co-criação, a experimentação, a prototipagem de soluções que se dão nesse ambiente de uma maneira muito estruturada mas que tem um componente de assumir risco que nos permite ir alem”.

Um bom exemplo de inovação que surgiu no AçoLab, considerado por Paula como emblemático, foi quando a empresa compartilhou com a sociedade uma ineficiência no processo produtivo que atinge toda indústria do aço e leva ao desperdício de cerca de 30% da produção de carvão vegetal. Esse “desafio aberto” propiciou um trabalho conjunto com o Sebrae e o Senai —- que têm recursos destinados a projetos inovadores —, que permitiu investimentos em oito startups, que estão trabalhando com a ArcelorMittal em busca de uma solução.

A inovação não anda sozinha. Não por acaso a diretoria do futuro leva junto os conceitos de estratégia e transformação. Três temas que têm profunda conexão, segundo Paula Harraca. Ela explica que a estratégia tem a ver com onde estamos, onde queremos chegar e como chegaremos lá; a inovação é o caminho que permite, não apenas melhorar aquilo que existe, mas também criar aquilo que não imaginamos; e a transformação do negócio tem a ver com esse movimento que está acontecendo no mundo e precisa ser considerado pelas organizações para que mantenham relevantes sua proposta de valor para os clientes e à sociedade.

Para ser uma “líder do futuro”, Paula diz que é preciso ter mentalidade de aprendiz e adaptabilidade, porque os negócios não são mais lineares. Entende que precisamos ter humildade para aprender, generosidade para compartilhar, responsabilidade para se comprometer e coragem para ousar. 

“Humildade é a escuta. A gente tem de escutar só com a curiosidade de aprender e não querendo responder para o cliente ou querendo oferecer o que a gente tem na cabeça. Escute seu cliente, viva seu cliente, esteja presente dentro do mundo dele, porque no exercício dos cinco sentidos, e de muita empatia, é que se consegue observar aquilo que está acontecendo”

Assista à entrevista completa com Paula Harraca, da ArceloMittal

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, no perfil do Facebook e no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Pricila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: os robôs que humanizaram o atendimento hospitalar na pandemia

Lilian Ishida Arai

Ouvinte da CBN

Foto: Divulgação

Sou médica otorrinolaringologista e uma das fundadoras do Hackmed, uma startup de fomento à inovação em Saúde. Em janeiro de 2020,  quando ainda era possível fazer uma aglomeração, organizamos um grande evento com referências das áreas de saúde, tecnologia, governo e academia para discutir inovação em saúde. Para abrir a atividade, produzimos um vídeo que ilustrava algo futurístico, simulando uma rotina de robôs circulando pelos corredores de um hospital, onde todos interagiam de forma natural. 

Em março de 2020, veio a pandemia.  O Hospital das Clínicas transformou o Instituo Central em um covidário com 600 leitos de enfermaria e 300 de UTI para pacientes de média a alta gravidade. Os pacientes chegavam de ambulância. Grande parte deles, em isolamento e bastante debilitados. Sem direito a um contato sequer visual com a família. O HC não tinha WIFI aberto. E a maioria dos pacientes não tinha plano de dados para internet.

Foi quando me pediram para encontrar robôs de telepresença. Uma empresa emprestou três deles. Dois especialistas se voluntariaram a ajudar na implantação do programa. Médicos se uniram para incluir os demais colegas no sistema. Ainda desenvolvemos um suporte para 40 tablets e trabalhamos com alunos voluntários para que as televisitas ocorressem.

….

Um senhor que já estava com diagnóstico de câncer terminal e pegou COVID, estava internado. Há dias ele só dormia. Pedimos que a família mandasse um áudio gravado. A filha gravou uma música cantada por ela. Enquanto reproduzíamos o áudio, ele abriu os olhos como que procurando alguém. E com a mão limpou as lágrimas que corriam no rosto.

Uma senhora prestes a ser internada recebeu a televisita da filha que trazia palavras de esperança e alegria. Nem mesmo a dificuldade de respirar, impediu-a de dar gargalhadas naquele momento.

Uma mãe, que chorava muito e mal conseguia falar com seu filho devido a falta de ar, usou os robôs para se despedir. E como toda mãe, mesmo em dificuldade, estava preocupada com o filho: “amanhã, acorda cedo porque tem aula virtual”.

Foram três meses de trabalho voluntário e exaustivo até que todos os protocolos da televisita fossem validados. Aquela visão futurística de janeiro de 2020, se fez presente.  Por mais contraditório que possa parecer, os robôs humanizaram o atendimento. E se o fizeram é porque seres humanos estavam por trás deste projeto. Gente como Spencer Santos, Marcius Wada, a turma da Hackmed, Pluginbot e Voice Technology. E todos os demais voluntários, estudantes e profissionais da área de saúde, que tornaram possível essa realidade.

Lilian Ishida Arai é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto, também, e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

As inovações de 2020 pela revista TIMES

Por Carlos Magno Gibrail

Augmedics vision foi escolhida uma das 100 melhores invenções de 2020
Augmedics vision foi escolhida uma das 100 melhores invenções de 2020

O WHOW! Festival de Inovação registrou dentre seus tópicos de dezembro o estudo da TIMES. A revista americana anualmente seleciona os inventos que fazem o mundo melhor, mais inteligente e até mais divertido. Com esse objetivo levanta contribuições de seus editores ao redor do mundo, ao mesmo tempo que dispõe de um processo de inscrição online. Considerando a originalidade, a criatividade, a eficiência, a ambição e o impacto, relacionou 100 invenções. Nós escolhemos cinco para compartilhar com você:

Visão de Super-Heróis para médicos – Nissan Elimelech, CEO da Augmedics, inspirado provavelmente nos super-heróis imaginou como seria importante se os cirurgiões pudessem ter uma visão de Raio-X. 

“O Xvision, um fone de ouvido que usa realidade aumentada para transformar a tomografia computadorizada em uma visualização 3-D pode sobrepor a imagem 3-D da coluna de um paciente sobre seu corpo, permitindo que os cirurgiões vejam o que está sob a pele sem desviar o olhar da mesa de operação”. 

Aprovado pelo FDA Food and Drug Administration dos Estados Unidos , em dezembro de 2019, o dispositivo já está em uso nos hospitais americanos. 

Solução auditiva confortável – parte dos deficientes auditivos não usam os aparelhos de amplificação que melhoram sua audição. O problema é que os altos e baixos tornam difícil acompanhar conversas e geram desconforto. 

“O Earlens, um dispositivo, anula totalmente o amplificador, e usa uma lente minúscula que fica próxima ao tímpano. Um microfone alojado no processador auricular do dispositivo capta sons, que um algoritmo converte em vibrações que são transmitidas ao tímpano. Em vez de aumentar o som, o dispositivo Earlens recria o efeito das ondas sonoras”. 

Por ora, para os mais abastados, pois o Earlens custa US$ 6.000, por ouvido.

Casa de abelhas inteligente – Segundo Einstein, sem as abelhas a terra se extinguiria em quatro anos. Sem a polinização não haveria plantas, animais e pessoas. Ainda assim, 40% das abelhas morrem anualmente por doenças, pesticidas e mudanças climáticas.

“A Beewise, uma colmeia movida a inteligência artificial, usando robótica de precisão, e visão computacional, pode defender as abelhas dos pesticidas, das mudanças climáticas e melhorar o desempenho na polinização, dobrando a produção de mel, e diminuindo a mortalidade — utilizando a tecnologia inteligente”. 

Ao custo de US$15 mensais para cada casa de abelhas, hospedando 2 milhões de abelhas e monitorando os insetos 24hs diárias.

Hidratante em função do tipo climático – produtos para a pele em função do clima onde você mora. Ulli Haslacher dona da Pour Moi, ao mudar de Viena para o sul da California sentiu reação na pele e com base nessa experiência lançou produtos que atendem a diferenças climáticas. 

“Eles se ajustam a fatores como umidade, temperatura e altitude”.

Tênis de corrida sustentável – A Allbirds desenvolveu o Tree Dasher, um tênis feito de eucalipto, lã merino, óleo de mamona e cana-de-açúcar, que melhora o desempenho e tem uma economia de carbono 1/3 menor do que o tênis comum. Ideal para quem se preocupa com o meio ambiente e não com o preço. Custa US$ 125.

Diante de tanta inovação, faço aqui meu destaque especial. Se o Covid-19 fez grandes estragos na saúde e na economia neste ano de 2020, ao menos os avanços na ciência e tecnologia compareceram de forma vital, principalmente na área de pesquisa que se apresentou agilmente nas vacinas desenvolvidas em tempo recorde.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.     

Mundo Corporativo: Giovanni Cerri, do HC, fala de inteligência artificial e oportunidades para startups na saúde

 

“A saúde é o mercado que mais cresce e que a população mais necessita, então existem grandes oportunidades tanto na área de saúde pública como na área de saúde privada para desenvolver startups e desenvolver soluções; ‘w por isso que nós temos percebido grande interesse de investidores e grande interesse de empreendedores” — Giovanni Cerri 

Uma plataforma que reúne dados de pacientes com Covid-19 e será estendida para centralização das informações de pessoas em busca de atendimento hospitalar. O avanço sem volta do uso da telemedicina para consultas médicas. E a melhoria da gestão hospitalar com o uso da inteligência artificial. Essas são algumas das transformações digitais que o setor de saúde assistiu desde o início da pandemia, de acordo com o médico Giovanni Guido Cerri, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Giovanni Cerri é presidente do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia (InRad), de São Paulo, e presidente da Comissão de Inovação (InovaHC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ele conta que ainda antes da crise sanitária que paralisou boa parte das atividades no mundo, já era possível identificar interesse das instituições de saúde em abrir as portas para startups e empreendedores que acreditam na inovação:

“O HC é muito complexo e por isso nós chamamos os empreendedores da área da saúde para traze soluções para esse problemas do dia a dia: comunicação do paciente, o monitoramento, o usoda a inteligência artificial — tudo isso ajuda a dar mais acesso ao cidadão, melhora a jornada do paciente, ajuda a indústria nacional e reduz o Custo Brasil na saúde”

O Distrito InovaHC, por exemplo, é um hub de inovação que reúne pessoas, empresas e ideias que levam ao desenvolvimento de produtos e serviços, baseados na tecnologia, para criar, testar e expor soluções de saúde. De acordo com Guilherme Cerri, em um ano cerca de 120 conexões foram realizadas entre empreendedores, aceleradores e organizações da área de saude:

“A introdução da tecnologia no sistema de saude é um grande desafio .. É muito importante criar a cultura do empreendedorismo”

Experiência desenvolvida a partir da pandemia foi a plataforma RadVid-19 de inteligência artificial para diagnóstico da Covid-19 que tem ajudado médios e instituições de saúde a otimizarem diagnóstico e tratamento contra a doença. A solução foi criada pelo Instituto de Radiologia da USP e pelo InovaHC que informam ter havido, desde sua criação, mais de 28 mil acessos e foram cadastrados mais de 14 mil exames de imagens enviados por radiologogistas de 12 estados, com média de 70% de resultados positivos para a Covid-19”

“Tecnologia da transformação digital democratiza e facilita muito o acesso à saúde e torna o custo muito menor”

As oportunidade para empreendedores e startups se expandem com a criação de centros de inovação anexados a instituições de saúde, que podem ser usados como laboratórios para se testar e ideias  e soluções. Além disso, esse trabalho compartilhado permite acesso a aceleradoras e investidores.

“Nós temos que estimular o desenvolvimento de soluções de tecnologia customizados ao mercado brasileiro, que vai permitir um acesso maior e um custo menor, eu acho que isso vai fazer a grande trabsformacao da saude no país”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O programa está disponível, também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Izabela Ares, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e da Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Pressão da pandemia acelera inovação nos setores de Vestuário, Varejo e Home Office

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Vestuário

 

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Foto: Pixabay

 

A notícia divulgada pela rádio CBN sobre a fabricação de roupas anticovid-19, com certeza, foi surpreendente para o mercado. Entretanto, não deve ter surpreendido o ramo têxtil, que há anos tem se voltado para a busca da funcionalidade de materiais. A novidade foi a rapidez na criação e na aceitação pelas confecções, além da divulgação. Fatores que deverão causar benefícios de forma geral.

 

 

No Brasil, o tecido foi criado pela Nanox Tecnologia S.A. — empresa especializada em nanotecnologia — e com um corpo técnico originário da Universidade Federal de São Carlos, com sede na cidade de São Carlos/SP e filial em Massachussets, USA. A inovação teve atuação de pesquisadores da UFSCar e da USP.

 

A expectativa do uso desse tecido é enorme: o preço do produto acabado não deve superar os dois dígitos, o que dará um custo baixo para um alto benefício.

 

A Malwee, de Santa Catarina, que tem se destacado pela atenção em sustentabilidade, foi pioneira nesta utilização, hoje produzindo máscaras e camisetas que protegem do coronavírus. A Malwee importou o composto químico para fabricação do tecido da Suíça e está se programando para ampliar as linhas de produto que serão confeccionadas com o tecido protetor do coronavírus.

 

Estamos diante, portanto, de uma novidade, cujo impacto poderá impulsionar uma nova tendência, que será a criação de tecidos e afins, com benesses específicas relativas à saúde. Ao mesmo tempo, poderá motivar a divulgação do que já existe nesta área.

 

Varejo

 

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Foto: Youcom/divulgação

 

Para o varejo de moda, a previsão de vendas é fundamental. O sortimento correto no abastecimento evita sobras e aumenta a disponibilidade de capital. Uma nova técnica, através da inteligência artificial, está surgindo e sendo aperfeiçoada para alocar os produtos adequados para cada loja.

 

Quanto maior a sintonia entre a busca do consumidor e o produto disponível em estoque, teremos a plenitude da função do varejo, que se pode denominar do modelo Butique. Essa estratégia, baseada na inteligência artificial, pode ser aplicada também em grandes organizações. É o caso da Renner com 380 lojas âncoras e que começa a executar o sistema.

 

Além disso, o modelo Ship From Store, em que se usa o estoque da loja mais próxima do cliente omnichannel está em implantação, e se tornando uma das modalidades significativas de redução de estoque e eficiência operacional.

 

A inteligência artificial começa também a ser usada na Youcom para enviar à casa das clientes conjuntos de produtos de moda para a apreciação e eventual compra. Esse, também, um processo inegavelmente de Butique. E a Youcom tem 100 lojas de médio porte.

 

Home Office

 

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Foto: Pixabay

 

O setor digital, um dos raros segmentos da economia atingido positivamente, também acelerou novidades que viriam mas em ritmo antigo.

 

Hoje, é possível em 15 dias implantar uma estrutura de SAC na casa dos operadores. Além disso, há sistema de segurança que permite operar com cartões de crédito.

 

Segundo Elda Di Donato, a CDO Chief Digital Officer da Sercom, ao se colocar o operador em casa é necessário se aproximar das exigências das certificações PCI Payment Card Industry especialmente para ecossistemas das empresas que processam cartões de débito e crédito.

“A tokenização em segurança está permitindo que o cliente acesse um ambiente seguro, criptografado, e digite ali os seus dados para serem validados, sem que o operador tenha acesso às informações. Ou seja, os dados não passam mais na mão de pessoas, e sim de um agente virtual. Esse modelo de contratação está sendo muito bem aceito pelo pioneirismo e pelo aumento da segurança dos consumidores”

Elda lembra das pesquisas que informam que o trabalhador em casa rende 20% mais, e o absenteísmo e o turnover são reduzidos.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.