Conte Sua História de São Paulo: o Butantan do Marcello

Maria Cristina Pereira de Queiroz

Ouvinte da CBN

Foto de Giuliano Maiolini no Flickr

Sou paulistana, nascida há quase 70 anos nesta cidade. Tenho dois filhos e quatro lindos netos. A minha história com São Paulo é muito especial. Na verdade, ela passa pelos olhos e pelo querer dos meus netos.

Desde que o Marcello, o neto mais velho, era pequeno, nosso passeio preferido sempre foi a visita ao Instituto Butantan. Morávamos lá perto e éramos frequentadores assíduos.

O  Museu Biológico, em prédio de 1920; o de MIcrobiologia, idealizado pelo professor Isaías Raw; assim como o Macacário, o Serpentário e os parques encantavam o Marcello.

Esse encanto virou legado. Passou para a irmã mais nova. E para as primas pequenas.

Hoje em dia basta perguntar:

– Gente, o que vocês querem fazer no fim-de-semana?

A resposta é em uníssono:

– Ir ao Butantan, vó!

O mais interessante é que o Marcello tornou-se o monitor das menores. Ele explica para elas tudo que viu e aprendeu durante esse anos. 

Uma das lembranças mais bonitas que tenho é a foto dos meus netos que tirei, há dois anos: os quatro sentados na escadaria de entrada do Instituto. Hoje, ela em um enorme significado: o encanto dos netos, o nosso agradecimento e o orgulho de termos um Butantan, em São Paulo.

Maria Cristina Pereira de Queiroz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história da cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

É penta … a vacina que pode combater o vírus zika

 

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O fim do ano passado foi promissor no anúncio de ações de combate a dengue, doença que contaminava o noticiário, antes de surgir a suspeita que o aumento no número de casos de microcefalia no Brasil pudesse estar relacionado ao zika, outro vírus que tem como mensageiro do mal o mosquito Aedes aegypti.

 

Na disputa por este importante mercado – o de combate a dengue – laboratórios daqui e de fora vinham investindo muito dinheiro no desenvolvimento da vacina e de fábricas capazes de colocá-las rapidamente no mercado.

 

A estimativa da OMS é de que cerca de 400 milhões de pessoas são contagiadas a cada ano, em mais de 128 países, e perto de 40% da população corre o risco de contrair a doença, o que equivale a 3,9 bilhões de pessoas.

 

O Brasil é um dos principais alvos deste mercado: por aqui mais de 1,5 milhão de pessoas tiveram dengue e mais de 800 morreram em decorrência do vírus, só no ano passado.

 

Analistas calcularam, em 2015, que a vacina da dengue poderia gerar até € 1 bilhão – cerca de R$ 4 bilhões – em vendas por ano.

 

O Sanofi-Pasteur saiu na frente com uma vacina que exige a aplicação de três doses, a cada seis meses, e de alto custo, o que afastou a possibilidade de o Governo Federal distribuí-la na rede pública.

 

Com isto, o Instituto Butantan, em São Paulo, transformou-se na principal esperança de uma população que, incapaz de eliminar os focos do mosquito, aposta em uma blindagem contra os vírus.

 

Nessa segunda-feira, a instituição iniciou a terceira e última fase de testes clínicos da vacina, quando será aplicada em até 17 mil voluntários de todo o Brasil. Apesar de o período de testes ser de cinco anos, o infectologista David Uip, secretário de saúde do Estado de São Paulo, disse em entrevista que fiz no Jornal da CBN, que um comitê fará o acompanhamento do trabalho e pode autorizar sua distribuição bem antes deste prazo, desde que os resultados revelem segurança à saúde da população.

 

Aposta-se que até o ano que vem a vacina contra a dengue estará disponível e aí sim com distribuição na rede pública.

 

O Governo Federal anunciou que pretende investir R$ 300 milhões durante esta fase final da vacina de dengue. Um terço sai do orçamento do Ministério da Saúde e o restante de convênios que ainda estão sendo negociados. A experiência com liberação de verbas públicas, mesmo em situações de emergência, não é muito positiva, no Brasil, portanto, é bom ter comedimento com os números.

 

A vacina da dengue pode trazer de carona uma solução para o zika.

 

Ouça a entrevista completa com David Uip, no Jornal da CBN

 

Cientistas estudam uma maneira de colocar o vírus da zika em um “invólucro” do vírus da dengue e acrescentar à vacina já em desenvolvimento. O estudo está em estágio inicial, mas se tiver sucesso a vacina tetravalente – contra os quatro vírus da dengue – se transformará em pentavalente – incluindo o da zika.

 

O médico David Uip entende que “quem tem expertise para pesquisar uma vacina como essa tem competência para pesquisar a vacina da zika”. Ele, porém, parece mais otimista com duas outras vias de pesquisas:

 

  1. a criação de um soro que seria um anticorpo contra o zika; e para esta pesquisa o Governo Federal já prometeu investir R$ 8,5 mi
  2. o desenvolvimento de um medicamento que mata o zika

 

A grande vantagem dessas opções que estão em estudo é acabar com o risco de que mulheres grávidas que tenham contraído o vírus da zika transmitam para os fetos, o que seria a causa da má-formação, cegueira e até morte dessas crianças, segundo investigações que estão sendo realizadas por cientistas.

 

O Brasil confirmou mais de 500 casos de microcefalia desde o início do surto de zika, no início do ano, e investiga outros 3.900 casos suspeitos.