Mundo Corporativo: Eduardo Lemos, da Cielo, diz que inovação começa pela dor do cliente

Eduardo Lemos, VP da Cielo
Eduardo Lemos no estúdio de podcast da CBN Foto: Débora Gonçalves CBN

“Você tem que realmente entender onde dói para o cliente, para você conseguir entregar alguma coisa que vai dar valor real.”

Cerca de 85% dos pagamentos no Brasil já são digitais, segundo Eduardo Lemos, vice-presidente executivo de operações da Cielo. A transformação dos meios de pagamento ajuda a explicar por que uma empresa durante muito tempo identificada pela maquininha precisou ampliar sua atuação para comércio eletrônico, prevenção a fraudes, análise de dados e serviços integrados aos negócios dos clientes. Para Lemos, a tecnologia só faz sentido quando resolve problemas concretos e simplifica a vida de quem está na outra ponta. A transformação da Cielo e os critérios para decidir onde investir em inovação foram temas da entrevista de Eduardo Lemos ao Mundo Corporativo, da CBN.

A mudança começa por uma pergunta que parece simples: quem é o cliente? No caso da Cielo, a resposta vai além do consumidor que aproxima o cartão ou o celular da máquina. A empresa precisa olhar para o estabelecimento comercial que contrata seus serviços, para o consumidor desse estabelecimento e para os parceiros envolvidos na operação.

Essa visão levou a empresa a ampliar as funções de seus equipamentos. Dependendo do negócio, a máquina pode ser usada para controle de estoque, agendamento de clientes, acesso a sistemas de gestão e outras tarefas. No comércio eletrônico, a atuação passa também por segurança, prevenção a fraudes e aumento da conversão das vendas.

A lógica, segundo Lemos, é evitar que a complexidade tecnológica seja transferida para quem usa o serviço.

“A gente conseguir ter soluções de tecnologia que falem a língua desses diversos segmentos e que traduza toda essa complexidade que acontece na nossa cozinha lá da Cielo com simplicidade para a ponta.”

Inovar também significa saber o que não fazer

Diversificar produtos e serviços pode abrir novas fontes de receita. Também pode criar complexidade sem entregar resultado. Lemos afirma que a escolha das iniciativas deve partir de problemas reais enfrentados pelos clientes.

“Você tem que realmente entender onde dói para o cliente. Para você conseguir entregar alguma coisa que vai dar valor real.”

O executivo acrescenta outro desafio: boas ideias podem desaparecer dentro das próprias organizações antes de terem oportunidade de demonstrar resultado. A pressão das operações cotidianas tende a disputar recursos e atenção com projetos que ainda estão começando.

“Às vezes novas ideias, você precisa cuidar muito bem delas, porque se você não cuidar bem delas, elas morrem muito fácil”

Para ele, proteger essas iniciativas até que possam crescer é tão importante quanto escolher corretamente onde investir.

Essa combinação entre dados e observação da realidade aparece em um exemplo aparentemente banal: a bobina de papel das maquininhas. A Cielo passou a usar dados para prever o consumo e enviar novas bobinas antes que acabassem. A modelagem, porém, encontrou dificuldades em postos de gasolina. A análise da operação mostrou um detalhe que os dados, sozinhos, não haviam captado: frentistas costumavam puxar uma quantidade maior de papel a cada transação.

Dados para agir antes do problema

A antecipação de falhas é uma das aplicações dos dados na operação. Segundo Lemos, perto de 50% da manutenção das máquinas pode ser realizada antes mesmo que o equipamento apresente um problema para o cliente. A empresa acompanha informações sobre funcionamento dos equipamentos, bateria e consumo de suprimentos para tentar agir preventivamente. O objetivo é particularmente relevante em uma operação que, segundo Lemos, alcança todo o país.

Ele afirma que 7% do Produto Interno Bruto brasileiro passa pela Cielo. Em algumas regiões, a manutenção exige uma logística bem diferente daquela encontrada nos grandes centros.

“Por exemplo, a gente tem casos que a gente usa rotas fluviais de alguns dias até chegar no meio do Amazonas para conseguir entregar uma máquina, para fazer a manutenção da máquina.”

Nesse contexto, experiência do cliente também significa fazer com que a tecnologia permaneça quase invisível. Para um restaurante lotado no horário do almoço, por exemplo, pouco importa a sofisticação do sistema se a máquina deixar de funcionar justamente quando a conta precisa ser paga.

Iniciativas de inteligência artificial

A inteligência artificial já está distribuída por diferentes áreas da Cielo. Lemos afirma que a empresa mantém mais de 500 iniciativas relacionadas à tecnologia. Na área comercial, sistemas ajudam vendedores a reunir informações sobre o histórico e as necessidades dos clientes. Nas operações, modelos preditivos são usados para antecipar problemas. Na tecnologia, a IA auxilia na identificação e resolução de incidentes.

“Hoje a gente tem uma camada de IA que já faz uma monitoria muito mais clara do que pode ser um incidente ou não, inclusive de controle de respostas para incidentes que reduziu o nosso tempo de resposta para incidentes em 50%.”

Para Lemos, incorporar inteligência artificial não significa simplesmente encaixar a tecnologia nos processos existentes. A mudança pode exigir que a empresa redesenhe a própria maneira de trabalhar.

“Se você simplesmente quer jogar inteligência artificial no teu processo que existe hoje ou na tua maneira de pensar hoje, provavelmente você vai falhar”

A alternativa, segundo ele, é pensar o processo novamente, considerando desde a operação e os produtos oferecidos até a composição das equipes.

A inteligência artificial amplia o espaço para as pessoas

Mesmo com a expansão da automação, Lemos não prevê uma operação na qual as pessoas desapareçam. A expectativa é de uma combinação entre profissionais, modelos de inteligência artificial e agentes capazes de executar determinadas tarefas.

“O modelo híbrido realmente é a resposta”

Segundo ele, a experiência da empresa mostra que a adoção da inteligência artificial, em vez de simplesmente eliminar tarefas, também revela problemas e oportunidades que anteriormente não eram sequer alcançados pelas equipes.

“E o que a gente tá descobrindo é que conforme você vai criando essas camadas de inteligência artificial, você descobre mais oportunidade, ou seja, você tem cada vez mais oportunidade para atacar, mais coisa para fazer e você consegue colocar o teu elemento humano em coisas que você não tava conseguindo nem cobrir.”

Essa transformação também deverá chegar à própria experiência de compra. Lemos cita o agent commerce, no qual agentes de inteligência artificial poderão conversar com sistemas dos varejistas, escolher produtos e participar do processo de pagamento.

Para ele, parte desse futuro já começou. A digitalização dos pagamentos, o avanço do Pix e o comércio eletrônico mostram como hábitos podem mudar em poucos anos. A resposta das empresas, afirma, não deveria ser simplesmente acrescentar novas tecnologias ao que já existe, mas repensar produtos e processos a partir das novas possibilidades.

Uma carreira sem linha reta

A trajetória profissional de Lemos também entrou na conversa sobre transformação. Formado em marketing, ele passou por setores como bancos, tecnologia, saúde e meios de pagamento e trabalhou em áreas de vendas, marketing, finanças e operações.

Um dos movimentos citados foi a saída do HSBC para trabalhar na Uber quando a empresa ainda precisava explicar aos brasileiros qual era seu modelo de negócio. Lemos contou que o próprio pai questionou a decisão de trocar um banco por uma empresa ainda pouco conhecida. A experiência reforçou uma característica que ele diz ter buscado ao longo da carreira: oportunidades que exigissem aprendizado.

“Eu nunca imaginei minha carreira como sendo um movimento linear e isso que foi legal, né?”

Ao falar para profissionais que hesitam diante de uma mudança de área ou função, Lemos relacionou desenvolvimento profissional à disposição para enfrentar situações desconhecidas.

“A zona de conforto é o pior lugar para você estar. Então, toda vez que você tiver a chance de se desafiar, fazer algo novo, faça e sabendo que vai gerar dor”

A frase conecta a trajetória pessoal à transformação empresarial discutida ao longo da entrevista. Tanto para organizações quanto para profissionais, a inovação descrita por Lemos depende menos de acumular novidades e mais de identificar problemas que merecem ser resolvidos, experimentar caminhos e aprender com aquilo que acontece na prática.

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A IA chega sem cerimônias: o que restará aos MCs? 

Por Christian Müller Jung

Foto de Allie Reefer

Dizer que a chegada da Inteligência Artificial representa uma mudança no mercado de trabalho é chover no molhado. A essa altura, todos nós já fomos impactados, seja de maneira positiva ou negativa. De um lado, essa tecnologia é bem-vinda: facilita atividades e agiliza processos. De outro, transforma profissões, elimina algumas funções e cria novas.

Tenho me perguntado até onde a IA irá impactar a minha área: a de Mestre de Cerimônias. E, por consequência, o campo em que atuo em conjunto, o cerimonial e o protocolo.

Neste artigo, quero me concentrar apenas na figura do Mestre de Cerimônias.

Vamos lá.

A voz é um ponto crucial na atuação do MC. Ela funciona como uma identidade, quase como uma impressão digital. Lembro sempre daquele velho exemplo do lobo tentando se passar pela vovozinha para enganar a Chapeuzinho Vermelho. Não colou!

Acontece que a IA já consegue estudar nossas características e criar vozes muito convincentes. E aqui encontramos outra área impactada diretamente: locução e dublagem.

Ainda que a IA consiga replicar a voz com perfeição, falta-lhe entender as nuances humanas. As variações de tom estão diretamente ligadas ao que acontece no momento, ao ambiente, à emoção que surge ali, ao vivo, durante uma solenidade.

Além disso, a função de mestre de cerimônias exige percepção aguçada para ler o público. Na relação humana, conseguimos captar se um conteúdo agrada ou não, se a forma como atuamos está de acordo com o que o público espera. Muitas vezes, basta um olhar rápido para perceber. Claro que, pensando em tecnologia e no potencial de aprendizado da IA, é possível imaginar que, num futuro próximo, ela também consiga fazer essa leitura. Mas ainda não.

Outro ponto dessa tecnologia que poderia ser vantajoso — se é que podemos dizer assim — é que a IA não se cansa. É constante, não lida com exaustão, problemas pessoais ou variações de temperatura. Poderia ser utilizada em vários lugares ao mesmo tempo, eliminando conflitos de agenda. Além disso, seria uma opção interessante do ponto de vista de custo-benefício.

Porém, como toda tecnologia, está sujeita a falhas — assim como o microfone que não funciona, o vídeo que trava ou o gerador que falha bem na hora do evento. E isso é algo que já vivi algumas vezes.

Lembro do dia em que tivemos de conduzir uma solenidade sem equipamento de áudio, porque alguém teve a brilhante ideia de montar o palco ao lado de uma UTI do hospital. O evento aconteceu “a capela”.

Em eventos, especialmente no cerimonial público, a improvisação é constante. Falta de equipamento, mudanças de roteiro, alterações na ordem das falas. Coisas que fariam uma IA, mesmo na sua forma mais avançada, questionar em que ano realmente estamos. MC com Inteligência Artificial combina com ambientes totalmente programados, estruturados, preparados para o uso da tecnologia.

Tudo bem, vamos supor um universo perfeito. Ainda assim, acredito que existe algo que mantém os humanos em um patamar acima da IA: a nossa história de vida. Não somos escolhidos apenas por uma voz bonita ou pela clareza na dicção. Somos escolhidos também pelo que carregamos: experiências, memórias, sensibilidade. Moldados por nossos arquétipos.

Reagimos a partir do que vivenciamos. Sabemos, com precisão, o peso de uma perda, a alegria de um nascimento, a força silenciosa de um abraço ou o significado de olhos avermelhados prestes a deixar uma lágrima escorrer.

No meu ponto de vista, a IA não substituirá o Mestre de Cerimônias. Tornar-se-á, isso sim, um excelente assistente, sempre pronto a apoiar e aprender mais.

Existe algo poético no ser humano que nos torna insubstituíveis. Mesmo nossos defeitos e desvios nos fazem únicos. Por sermos falíveis, somos sensíveis, capazes de compreender algo fundamental na relação humana: a empatia.

A despeito de a tecnologia avançar, dar a impressão de que vai “comendo pelas beiradas”, como quem espera a sopa esfriar, nos cabe desenvolver o poder de adaptação e fortalecer as habilidades que nos diferenciam. Afinal, não é de hoje que novas tecnologias causam inquietação. O poeta Mário Quintana já nos alertava sobre um dispositivo essencial para a vida moderna:

“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.”

Christian Müller Jung é publicitário de formação e mestre de cerimônia por profissão. Colabora com o blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: Alberto Zafani explica como a inteligência artificial está mudando a cultura nas empresas

Alberto Zafani no estúdio do Mundo Corporativo. Foro: Priscila Gubiotti/CBN

“A ideia não é a IA substituir o trabalho de ninguém. A ideia da IA é agregar muito mais valor ao seu trabalho.”

Alberto Zafani, Google

A inteligência artificial já não é mais uma promessa do futuro: ela está integrada ao dia a dia das empresas e dos profissionais. Segundo Alberto Zafani, head do Google Workspace no Brasil, o impacto mais profundo da IA generativa está na mudança cultural e na forma como as equipes trabalham e colaboram. A entrevista foi ao ar no programa Mundo Corporativo.

De ferramenta a cultura: como a IA transforma o trabalho

Para Zafani, o avanço da IA exige uma transformação que vai além da adoção de novos recursos. “A gente não muda essa cultura das empresas e a forma como elas colaboram sem mudar os artefatos que estão na ponta”, afirma. Isso significa que os líderes precisam preparar as equipes para lidar com o ritmo acelerado das inovações, investindo em aprendizado contínuo e adaptabilidade. No Google, por exemplo, foram lançadas quase 365 novas funcionalidades em um único ano.

Com a inteligência artificial ganhando espaço nos fluxos de trabalho, surge também a preocupação com o empobrecimento do conhecimento. Zafani discorda dessa visão. “Com a IA você vai ter mais tempo livre para poder aprofundar e conhecer mais.” Segundo ele, a ferramenta permite ampliar o repertório sem sacrificar a profundidade.

Essa lógica vale para qualquer setor. A IA não é um privilégio de empresas de tecnologia. Ao defender o que chama de “letramento em IA”, Zafani propõe encarar essa transformação como uma nova forma de alfabetização digital. “Se a empresa não prover uma IA generativa, o funcionário vai trazer a própria IA.”

O Google Workspace, explica Zafani, funciona como um ecossistema de produtividade. Vai muito além do Gmail. Reúne editores de texto, planilhas, apresentações, armazenamento em nuvem e recursos sem código, como o AppSheet. E tudo isso agora está integrado ao Gemini, a IA generativa do Google. “Hoje você já consegue, por exemplo, transformar um caderno de anotações em áudio e ouvir no trânsito”, exemplifica.

NotebookLM: da organização de dados à escuta de relatórios

Entre os recursos que mais chamam atenção no Workspace está o NotebookLM, uma ferramenta que permite criar cadernos personalizados com base em documentos diversos. A proposta é facilitar a análise de informações, gerar resumos e até converter conteúdos em áudio — é possível, por exemplo, que relatórios sejam transformados em podcasts e ouvidos em deslocamentos de carro, metrô ou ônibus.

Segundo Zafani, o NotebookLM pode ser usado para comparar balanços financeiros de diferentes trimestres, extrair diferenças entre propostas comerciais e até cruzar dados com normas técnicas internas. “Você pode validar se uma proposta está de acordo com uma norma da empresa”, exemplifica.

A funcionalidade também reforça o compromisso com a transparência: “Todas as soluções do Gemini mostram a fonte de onde a informação foi extraída”, diz Zafani. Isso reduz o risco de “alucinações”, nome dado às respostas incorretas geradas por IA, e dá ao usuário maior controle sobre a origem do conteúdo processado.

Criatividade e governança: os dois lados da moeda

Se a IA libera tempo, esse tempo precisa ser bem utilizado. “A diferença entre os profissionais vai ser o que cada um faz com o tempo que ganhou”, aponta. É aí que entra o papel da liderança, que precisa estimular o pensamento crítico e evitar que as tarefas se tornem automáticas e sem propósito. Para Zafani, a IA pode ser um ponto de partida criativo, mas é o ser humano quem dá o tom: “Ela vai gerar um monte de coisa bacana, mas cabe a você adaptar, revisar, escolher.”

Há, no entanto, um alerta. Ao mesmo tempo em que oferece autonomia, a IA pode representar um risco se for usada sem controle. “Se você libera para o funcionário usar o que ele quer, você coloca tua empresa em risco — e um risco grande.” O caso dos dados empresariais que acabam treinando sistemas externos é uma das principais preocupações. Por isso, ele defende que a empresa ofereça uma solução própria, com segurança e governança.

Zafani cita uma pesquisa da Ipsos, segundo a qual 78% dos entrevistados já utilizam inteligência artificial no ambiente de trabalho. “A governança é o fator fundamental”, reforça.

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Mundo Corporativo: Suzana Oliveira e Bárbara Vallim, da Hera.Build, mostram como agentes de IA transformam os negócios

Suzana e Bárbara em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Quem não iniciar algum projeto (de IA) vai acabar não tendo vantagem competitiva no mercado.”

Suzana Oliveira, Hera.Build

Se a inteligência artificial já era vista como um diferencial estratégico, os agentes de IA surgem agora como o próximo passo para empresas que buscam eficiência, personalização e agilidade. Em entrevista ao Mundo Corporativo, Suzana Oliveira e Bárbara Vallim, fundadoras da plataforma Hera.Build, explicaram como os agentes de IA — soluções automatizadas baseadas em inteligência artificial — estão sendo usados para impulsionar resultados de forma direta e mensurável.

Automatizar para crescer

Ao contrário da imagem abstrata que muitas vezes acompanha o debate sobre IA, Suzana e Bárbara apresentam soluções concretas. “A gente com uma solução super simples, que era colocar um AI Concierge no e-commerce desse cliente, em dois meses aumentou 63% da receita deles”, contou Suzana. O diferencial está na forma de aplicação: agentes com escopo claro, regras bem definidas e uma personalidade ajustada à comunicação da empresa.

A ideia é tornar a tecnologia acessível mesmo para quem não tem familiaridade com programação. “Toda a nossa plataforma é feita para que seja simples, fácil e muito rápido de implementar”, disse Suzana. O sistema da Hera.Build permite que usuários configurem seus próprios agentes de forma intuitiva. “Todos nós respondemos formulários desde criança. É esse o nível de acessibilidade que queremos oferecer.”

Regras, escopo e personalidade

Segundo as fundadoras, um dos maiores receios ao lidar com IA generativa — conhecido como “alucinação”, quando o sistema gera respostas fora de contexto — pode ser reduzido com o uso correto de parâmetros. “A inteligência artificial é literal. Se você não passa a instrução de maneira assertiva, ela pode interpretar diferente do esperado”, alertou Bárbara. Para mitigar isso, a plataforma trabalha com um modelo baseado em três pilares: personalidade, escopo e regras de comportamento.

Essa estrutura permite moldar o agente para representar com fidelidade a linguagem da marca. “Imagina o tanto que é importante, uma marca que vai usar a inteligência artificial para se comunicar com os seus clientes, o tanto que essa inteligência tem que representar a forma de comunicação, o jargão, as expressões daquela marca.”

IA sem mistério — e com resultados

Parte do trabalho da Hera.Build também está em desmistificar a inteligência artificial dentro das empresas. “Existe muito desconhecimento, muita insegurança. Será que vai funcionar? Será que vai alucinar?”, relatou Suzana. A proposta das fundadoras é acompanhar o cliente desde a definição da necessidade até a implementação segura. “Sempre começamos com a pergunta: o que vai girar o teu ponteiro mais rápido? Pode ser redução de custo, aumento de receita ou eficiência operacional.”

Bárbara acrescentou que a personalização vai além do uso corporativo. “A gente já desbloqueia o celular com a leitura da face. Agora imagine que a IA sabe que você janta todo dia às 8 horas. Ela pode facilitar tarefas do cotidiano sem que você precise pedir.”

Do AI Concierge ao Steve Jobs digital

A Hera.Build também é reflexo do perfil de suas fundadoras. Ambas mulheres, em uma equipe 100% feminina, construíram uma empresa de tecnologia que aposta em representatividade e autonomia. Suzana criou um agente chamado “Contenta” para ajudá-la a produzir conteúdo personalizado. Bárbara, por sua vez, recorreu a um personagem ilustre: “Logo no começo, modelei um agente para personificar o Steve Jobs. Ele virou meu mentor digital e me ajudou a criar a Hera.”

Apesar das soluções sofisticadas, o foco é sempre na aplicação prática. “Se você tem tempo disponível para aprender outras coisas, isso vai levar o nível de conhecimento da humanidade para outro patamar”, concluiu Suzana.

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Nova edição de ‘Escute, expresse e fale!’ destaca o impacto da IA na comunicação e storytelling ao vivo

A editora Rocco lança, nesta semana, a nova edição de “Escute, Expresse e Fale!” que destaca o impacto da Inteligência Artificial na comunicação e ensina como construir um storytelling ao vivo.


A comunicação é a base das relações humanas e o pilar para liderar em tempos de transformação. Por isso, a versão revista e ampliada de “Escute, Expresse e Fale!” (Rocco) chega com novidades indispensáveis para líderes e profissionais que desejam aprimorar suas habilidades comunicativas.

António Sacavém, Leny Kyrillos, Thomas Brieu e eu apresentamos dois novos capítulos que respondem às demandas contemporâneas: Inteligência Artificial (IA) e Storytelling ao Vivo.

IA e a comunicação do futuro


A revolução da IA está transformando a maneira como nos conectamos e lideramos. Sistemas como ChatGPT e tecnologias de personalização estão remodelando interações, e trazem dilemas éticos: como equilibrar o uso de dados sem comprometer a privacidade? Como manter a humanidade no centro das decisões?

Neste novo capítulo, exploramos o conceito do “Líder AI-Driver”, um perfil que combina habilidades tecnológicas e humanas para liderar de forma ética e empática. É um convite para navegar pelos desafios e oportunidades da IA sem perder de vista a essência da comunicação: o fator humano.

Storytelling ao vivo: comunicação em tempo real


Histórias sempre foram uma ferramenta poderosa, mas o storytelling ao vivo eleva isso a outro nível. É uma abordagem dinâmica, em que narrador e público cocriam experiências únicas no momento.

Essa técnica dissolve conflitos, promove empatia e engaja equipes como nenhuma outra. No livro, apresentamos ferramentas práticas para aplicar o storytelling ao vivo em contextos corporativos e interpessoais, transformando simples conversas em experiências memoráveis.

Por que ler a nova edição?



Seja você líder, educador ou profissional, esta obra é um guia para quem deseja navegar com impacto pelas mudanças do mundo atual. A integração dos temas de IA e storytelling reflete as novas demandas de comunicação e liderança.

“Escute, Expresse e Fale!” é um mapa para fortalecer conexões humanas e transformar palavras em ações poderosas.

Está pronto para dominar a comunicação e liderar com propósito?

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