No desfile digital, quem senta na primeira fila é você

 

Por Dora Estevam

Marc Jacobs at New York Fashion Week February 2010 from istoica on Vimeo.

O que antes era visto por poucos agora está à mostra para muitos. Falo dos famosos desfiles da poderosa Semana de Moda de Nova York. A última edição, encerrada nessa quinta-feira (18.02), mostrou a coleção de inverno 2010/2011 e foi transmitida pela internet. A tecnologia colocando ao alcance das pessoas imagens que antes só eram vistas por uma seleta lista de convidados.

Ao mesmo tempo em que marcas como Alexander Wang, Rodarte, Calvin Klein e Marc Jacobs, entre muitas outras que se pronunciaram, apresentavam suas peças nos desfiles em Nova York, pessoas do mundo inteiro acompanhavam, simultaneamente, no conforto de seus computadores. É o fim de uma era complexa. Por ser um evento fechado e muito encantador o assédio é enorme.

Coordenador do Curso de Moda da FAAP-SP, Ivan Bismara, acredita que essa é uma transformação mundial por causa do comércio eletrônico. O glamour de estar presente vai continuar esteja você na sala de desfile ou de casa. Exemplo citado pelo professor Bismara: a Victoria Secret que investiu na ideia do desfile digital há pelo menos três anos; o sítio dela é totalmente e-comerce; a marca é popular e conhecida no mundo inteiro.

Apresentar um desfile em uma passarela como de NY custa caro, então algumas marcas optaram por desfilar apenas na internet: Temperly London e Rem Acra.

“É o que vai acontecer no futuro: os desfiles vão ser dentro de uma sala fechada com transmissão on-line para as pessoas assistirem de dentro de suas casas, nas grandes telas e fazer o que quiser com a imagem: congelar, ver de perto os detalhes”, explica Bismara.Todas as marcas que optaram pela transmissão on line estão dando um grande passo para o futuro, não apenas por estarem na internet, mas pela comunicação direta com o público, o varejo que consome este produto. Estas com toda certeza não vão morrer tão cedo. Quem se esconder ou deixar de acompanhar o que o público pede, morre. O professor lembra da Zoomp que já foi das maiores no setor de jeans: quem sabe não estaria viva até hoje ?

“O grande problema que tem no mercado brasileiro é a falta do marketing, da comunicação … Os estilistas aprendem a fazer roupas e esquecem de fazer marketing”. Exemplo a seguir: Lá fora tem a Carolina Herrera que consegue fazer tudo, vende no mundo inteiro.

Como em NY ainda vive momento de dificuldade na economia, a opção de transmitir pela internet, além de gerar um clima de otimismo, teve objetivo de impulsionar as vendas. Lojas de departamentos querem desovar seus estoques a preços cheio, sem esperar a liquidação para vender. O varejo é rotativo, o movimento é muito grande, as peças saem rapidamente, o que permite saber o que está vendendo ou não, o que estão comprando. A transmissão pode virar um termômetro do varejo.

A moda exige mudanças assim como todos nós mudamos. É a leitura do comportamento das pessoas. Quanto mais a marca for verdadeira e transparente com o seu público mais vai ganhar.

Em destaque, o desfile de Alexander Wang foi projetado no mega-telão da loja American Eagle Outfitters, ícone da Times Square. O resultado foi surpreendente, a reação do público, um espetáculo à parte. Professor Bismara aposta que se o próximo evento de moda brasileiro SPFW fizer isto, os estilistas vão ganhar dimensão mundial. Esta forma de comunicação fará com que o maior público possível possa ver como se faz a moda. “É uma revolução tecnológica que muda a postura do estilista: eu faço roupa e preciso que as pessoas vejam; eu faço roupas e preciso que as pessoas comprem.”

Aguarde o próximo desfile, ligue o computador e sente na primeira fila.

Dora Estevam é jornalista, escreve sobre moda e estilo aos sábados no Blog do Mílton Jung e está convidada a assistir os mais importantes desfiles do mundo pela internet.

Quem diria, Andy Warhol acabou na internet !

 

Ele é do tempo da TV colorida

Ele é do tempo da TV colorida

Por Carlos Magno Gibrail

Armando Italo Nardi, Claudio Vieira e Alberto Beh Ribeiro, ouvintes-internautas CBN, e tantos outros mais que tem prestigiado o Blog do Mílton Jung, já podem se considerar exemplos que contestam a assertiva de Andy Warhol.

O artista americano, criador das bases da POP ART, célebre pelo trabalho com os símbolos do consumo como latas de sopa Campbell’s, garrafas de Coca Cola, fotos de Marilyn Monroe, prognosticou os 15 minutos de fama que todos teriam direito. Não mais que isso num mundo fugaz que se projetava.
Nardi, Vieira e Beto estão construindo gradativamente uma imagem através da internet, consistente e duradoura, num ritmo eletrônico. Como comentaristas de artigos publicados ou como protagonistas de blogs e ações políticas e sociais. Fato que se pode constatar de imediato clicando seus nomes nos sites de busca.

Tila Tequila, é uma celebridade estadunidense da Internet e da televisão. É modelo, atriz, cantora e compositora de ascendência vietnamita. Ela é conhecida por sua posição como a artista mais popular no MySpace (de acordo com “page views”) desde Abril de 2006 sendo atribuído títulos de “Miss Myspace” e “Queen of Myspace””.Wikipedia.

Tila explodiu como Andy Warhol previu na sua teoria dos 15 minutos de fama, mas não sumiu. Ficará para sempre na memória de fãs e de todo o mundo que clicar nos sites de busca. Capa de revista e notícias de jornais, mídias que na época da internet ficam registradas nos arquivos eletrônicos.

Raquel Pacheco, assinando como “Bruna Surfistinha”, ganhou notoriedade ao contar suas ações sexuais em um blog. Foi reportagem no New York Times e lançou o livro “O doce veneno do escorpião”. Teve o lampejo de celebridade mas sua história jamais morrerá para quem quiser conhecê-la. Está na internet.

Katilce Miranda, de Volta Redonda, cumpriu Wharol e foi beijada e beijou de verdade Bono Vox durante o show do U2 no Morumbi em São Paulo. O Orkut chegou a um pico de 900 acessos por minuto. Ela sumiu? Nem tanto, acesse o Google e veja que seu nome tem mais de 7000 ocorrências. E. é claro, fotos e fotos do beijo.

Marimoon apresenta o Scrap MTV desde 2008 e em seu site ela mesma se pergunta como chegou à TV: “é tudo culpa da internet! Primeiro, eu fiz parte do Vidalog (um programa tipo blog na TV), em 2006; fui capa da Capricho no mesmo ano. No ano seguinte, fiz campanha pra uma marca de calçados de plástico e, no fim de 2007, me chamaram pra fazer teste de VJ pra comandar o Scrap MTV, em 2008”.

A nutricionista Ruth Lemos bem que gostaria que sua fama gerada pelo “ponto eletrônico” gago fosse apenas de 15 minutos, ou que pelo menos não estivesse na internet.

Em Seoul, uma estudante não limpou a sujeira de seu cão no metrô, e irritada provocou a ira dos passageiros, que fotografaram e inseriram a cena na internet. O assunto correu por toda a Coréia e a “Dog Poop Girl” teve que sair da Universidade e seus minutos de fama ficaram eternizados por reportagens em todo o mundo.

Domingo, Carlos Eduardo da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo dá o veredictum final, abrindo a sua coluna com o título: “Quem cai na rede nunca mais sai”. Uma leitora há nove anos, então com 18 anos, deu uma declaração ao ser entrevistada com outros participantes de um precursor dos reality shows. Hoje, nega a veracidade das suas palavras e informa que está sendo prejudicada. Ao clicar no Google o seu nome, aparece em segundo lugar a tal matéria. A solicitação da leitora é para que a reportagem seja retirada, ao que o jornal respondeu :“A Folha não pode retirar de seu arquivo eletrônico reportagens que foram publicadas na edição impressa”.

Eis aí uma questão a ser resolvida.

Enquanto isso vamos usufruir as possibilidades que a democracia da internet disponibilizam. Conhecimento e elegância podem traçar um perfil positivo de cada internauta, transformando-o em personalidade perene.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tem 62.500 citações no Google.

Falha no sistema não adia pagamento de IPVA em SP

 

Pelo segundo ano consecutivo (que eu lembre), o paulista enfrenta dificuldade para pagar o IPVA devido a problemas no sistema eletrônico. Desde a abertura dos bancos, os proprietários de carros com placa final 2 reclamavam do atendimento lento e ineficiente. “O sistema está fora do ar” era o que se ouviu dos funcionários dos bancos. Na internet, a vida não era mais fácil.

O governo do Estado de São Paulo admite o transtorno causado ao contribuinte, mas diz apenas que se o pagamento não foi feito nesta segunda, ele ainda pode se beneficiar do desconto de 3% até o dia 21 de janeiro, mas é preciso “antecipar o licenciamento do veículo, quitando o IPVA e os demais débitos, como seguro obrigatório DPVAT, taxa para emissão do documento de licenciamento e multas”.

Leia a justificativa para a dificuldade imposta ao contribuinte e a explicação de como pagar o imposto:

Em determinados horários e instituições bancárias, o sistema online de pagamento de IPVA apresentou lentidão hoje (11/1) em razão de concentração de pagamentos em alguns períodos do dia. Estes picos de demanda provocaram, em alguns casos, maior tempo de resposta dos servidores da Prodesp e espera para a geração de comprovante de pagamento nos guichês e terminais de auto-atendimento. Dados preliminares revelaram que, até as 16h30, foram realizados um total de 1 milhão de pagamentos no sistema bancário.

O sistema se manteve ativo, sem interrupção de comunicação, durante todo o dia, apesar da lentidão verificada em períodos de grande concentração. Em situações como essa, em que há dificuldades na operação do sistema on-line, as instituições bancárias estão autorizadas a utilizar sistema de contingência, possibilitando o recolhimento do IPVA, mesmo que ocorra instabilidade na comunicação entre seus sistemas operacionais e os da Secretaria da Fazenda, operados pela PRODESP.

O contribuinte que eventualmente não conseguiu efetuar o pagamento com o desconto de 3% poderá ainda fazê-lo até o dia 21/01 e garantir o benefício. Para isso, basta antecipar o licenciamento do veículo, quitando o IPVA e os demais débitos, como seguro obrigatório DPVAT, taxa para emissão do documento de licenciamento e multas. O proprietário do veículo poderá também efetuar o pagamento integral do imposto no mês de fevereiro, sem o desconto.

Banda larga popular emperra em São Paulo

 

A criação de serviço de Banda Larga Popular, dois meses após seu lançamento pelo governador José Serra (PSDB), anda em baixa velocidade. Tanto a Telefônica como a Net não apresentaram nenhum produto com preços inferiores a R$ 30, que poderiam ser beneficiados com corte de 100% do ICMS.

A Telefônica arrisca dizer que “em breve” e “no menor prazo possível” entregará o serviço. Até tentou, mas obrigava o cliente a levar uma linha telefônica pela qual pagaria a assinatura, no mínimo. Portanto, não atendia as exigências do decreto estadual.
A Net, “está estudando” e não tem data prevista.

Mesmo que consigam nos próximos meses se adaptar as normas do Estado e entregar um pacote de R$ 29,80, há uma dúvida técnica: a velocidade mínima de transmissão de dados nos pacotes populares requerida pelo Governo é de 200 Kbps, abaixo do que a União Internacional de Telecomunicações, da ONU, entende ser banda larga.

Larga ou estreita, o caso chama atenção para um fato que se repete no País. No anúncio é a melhor ideia do mundo. Muitos elogiam, rende notas positivas na imprensa, sai reportagem na televisão e comentários legais nas redes sociais, até que o dia-a-dia se encarrega de mostrar a verdade. Falo aqui em especial do programa de serviço de internet a preços populares mas poderia me referir a uma série de outros que foram destaque na mídia no último ano. Uma variedade deles ainda irá aparecer até as eleições do ano que vem.

Por enquanto, a banda larga popular está na lan-house, onde com uma moedinha de R$ 0,50 você navega 15 min.

Rádio na Era do Blog: Aliados na liderança da credibilidade

 

Foi o colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, quem leu e gostou do texto que compara rádio e internet, a partir de pesquisas divulgadas recentemente. Os números já haviam sido tratados anteriormente por aqui, o interessante está mesmo na opinião de professores de comunicação que analisam os dados e vão ao encontro de pensamento com o qual trabalhamos há algum tempo: a internet é um novo oxigênio para o rádio.

O texto é da jornalista Izabela Vasconcelos, de São Paulo, e está na área restrita do Portal Comunique-se, no setor 1o. Caderno, por isso reproduzo na íntegra, caso contrário ofereceria apenas o link para você ler o artigo por lá. Uma curiosidade na minha busca pelo link do texto foi ver que muitas pessoas simplesmente publicam a informação sem se preocupar em oferecer a fonte para os leitores.

Mas vamos ao que interessa:

Pesquisa divulgada no começo deste mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado.

O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.

Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira.

O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.

A confiança na internet

De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais”. Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui.

Rádio na Era do Celular, espero você lá !

 

Pronto para a aula. Assim me sinto para o encontro de logo mais a tarde, quando falaremos sobre o “Rádio na Era do Celular”, em uma das atividades da Mobilefest, no MIS, em São Paulo. Tenho acompanhado pelas reportagens – da rádio, dos sites, e dos twitters – informações deste encontro e me surpreendo com a criatividade dos que dedicam sua inteligência para a técnologia móvel. Por isso, minha expectativa é de estar no estande da CBN, a partir das três e 40 da tarde, e ter oportunidade de ouvir boas ideias sobre estas traquitanas todas que estão à nossa disposição, muitas das quais ainda haveremos de descobrir.

Será uma experiência interessante, pois o programa irá misturar um formato dos primórdios do rádio, com auditório e presença ao vivo dos ouvintes, e um conteúdo da era moderna do rádio, a tecnologia móvel. Nesta simbiose que, espero, teremos na tarde deste sábado gostaria muito de saber o que os criadores e desenvolvedores tem a sugerir.

Dois dos profissionais da CBN que estarão conosco, por celular, o repórter Leandro Mota e o narrador esportivo Deva Pascovicci, terão muita coisa para nos mostrar. A mim caberá descrever a evolução do rádio e a influência que as novas tecnologias tiveram – e terão – no veículo. Aos “ouvintes-internautas” que estarão ao vivo no MIS – e o programa será apresentado apenas aos que lá estiverem – caberá um papel importante, pois é na experiência e no conhecimento deles que pretendo agregar conteúdo ao trabalho que realizamos na CBN.

Se ainda não tem programa para este sábado, passe por lá.

Mais informações no site do Mobile Fest.

Rádio Na Era do Blog: A credibilidade do rádio

 

O rádio é a mídia na qual o cidadão tem maior confiança de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, contratado pela agência de comunicação Máquina da Notícia. Em uma escala de 1 a 10, a nota média para o veículo foi 8,21, superando por muito pouco a internet que recebeu 8,20. O índice de confiança de todos os veículos de comunicação foi alto, mas o resultado surpreende por dois fatores: primeiro, os jornais sempre estiveram no topo da lista; segundo, a internet avançou sobre meios mais tradicionais, como a própria televisão.

O rádio também aparece bem na lista das mídias mais acessadas pelo público. A televisão é assistida por quase todos os entrevistados alcançando índice de 99,3%; o rádio vem atrás com 83,5%; o jornal impresso com 69,4%, está em terceiro lugar; a internet tem 52,8%; revista impressa 51,1%; redes sociais 42,7%; versão online de jornais 37,4%; e versão online das revistas impressas 22,8%.

Quando a pesquisa fala em internet, relaciona sites de notícias e blogs de jornalistas; ao tratar de redes sociais, inclui os conhecidos Twitter, Facebook e Orkut.

Da festa ao comedimento: o resultado de pesquisas de opinião dependem muito da metodologia usada e podem apresentar diferenças enormes entre uma e outra dependendo a forma como as perguntas são elaboradas, por exemplo. No entanto, com o alcance deste trabalho da Vox Populi é importante verificar como as redes sociais são fortes para influenciar a opinião pública.

Para chegar a este resultado foram ouvidas 2.500 pessoas, entre 25 de agosto e 9 de setembro, todas com mais de 16 anos, no distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.

Neste sábado, às 15h40, estarei na Mobile Fest, a convite da CBN, para a palestra o “Rádio na Era do Celular”. Ouça as reportagens do festival que se realiza no MIS, em São Paulo.

Rádio na Era do Blog: Twitter e jornalismo no Apagão

 

Foi no meu rádio de pilha, que estava sem pilha (tinha umas guardadas do lado da vela, na gaveta), que ouvi a cobertura da CBN sobre o apagão na noite de ontem. O celular, surrado do dia de trabalho quase apagando, me colocou no ar na rádio para descrever o que (não) via nas ruas do Morumbi. E um modem de celular conectado no laptop com seu resto de bateria me ajudou a navegar na internet e retransmitir outras tantas informações – muitas das quais tendo como fonte repórteres e profissionais da CBN. O Twitter ligado enquanto pode também serviu para varrer os caminhos do corte de energia elétrica.

Com estes equipamentos em mãos foi possível entender parte do que se passou na noite de terça e madrugada de quarta – até onde consegui me manter acordado. Hoje cedo, a quantidade de e-mails de ouvintes-internautas era enorme contando a experiência que tiveram em casa com o radinho de pilha ligado. Bom número de pessoas citou que “ouvia o rádio no meu celular”.

E assim o Brasil se informou de mais um blecaute na energia elétrica.

A forma de consumir informação mudou muitos nos últimos poucos anos. A formação de redes sociais tornou-se importante para a construção do nosso conhecimento. Mas o jornalismo persiste. E a cobertura do apagão prova isto.

Um interessante post da colega Vanessa Ruiz diz que “é possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo …. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo”. (Leia o texto completo aqui)

Li, também, o texto do meu ex-colega de Terra e minha referência em jornalismo, José Roberto de Toledo, intitulado “A noite em claro no Twitter”. Craque na varredura de informações disponíveis na rede, Toledo remoeu as tuítadas possíveis na madrugada, ouviu rádio (pena não ter sido a CBN) e acompanhou a cobertura jornalística. Encontrou, também, as ferramentas usadas por Itaipu para enviar informações durante a crise.

Lido tudo, fez as contas, puxou o traço e chegou ao seguinte resultado: “O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra”. (Leia o post completo aqui)

Concluo que todas as formas de informação são bem-vindas mas a inteligência é insubstituível. E o rádio de pilha, também, pois às duas da manhã não tinha mais notebook nem celular com força para se manterem vivo.

Blogs de pré-candidatos

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Está consolidada entre partidos e meios de comunicação a referência usual às “pré-candidaturas” como forma de identificar aqueles nomes que provavelmente disputarão cargos na eleição que se anuncia. Perante a legislação eleitoral, o termo foi formalizado somente através da recente Lei nº 12.034 que, em função das informações e do interesse público que se refletem nos veículos de comunicação, regulou alguns direitos.

Faltando pouco menos de um ano para o pleito, é possível constatar, sem maior esforço, a intensa profusão de sites e blogs divulgando os pré-candidatos da eleição de 2010. Basta uma simples navegada e o eleitor encontrará endereços de José Serra (Jose Serra.com, Eu quero Serra, Jose Serra Presidente 45), Dilma Roussef (Dilma13, Dilma Presidente, Os amigos da presidente Dilma) e Marina Silva (Movimento Marina Silva) sendo diariamente atualizados e aperfeiçoados com links estimulando a participação do internauta em pesquisas, opiniões, perfis, etc. A legislação estabelece que a propaganda eleitoral somente é permitida a partir do dia 6 de julho do ano do pleito.

Ora, se de um lado não há menor dúvida que os endereços eletrônicos antes referidos fazem indisfarçada apologia e escancarada propaganda pessoal dos nomes cogitados para disputar a eleição presidencial de 2010, por outro, é fato incontroverso que a internet é um meio de comunicação dinâmico e unilateral quanto a sua formatação e acesso. Afinal, é indiscutível que o acesso às páginas da internet, aos blogs e aos sítios de relacionamento depende apenas da iniciativa dos usuários que, espontaneamente, buscam os endereços eletrônicos desejados. E mais: são estes que se habilitam para convidar ou estabelecer contatos nas comunidades virtuais.

Até as crianças sabem que a rede se converteu num ambiente democrático onde as pessoas se comunicam com enorme rapidez lançando suas ideias, opiniões, convicções, etc. A tal ponto se apresenta irreversível esta situação que estão aí as iniciativas de “inclusão digital” para ampliação do acesso da população ao “mundo virtual”. Casas legislativas pelo país afora disponibilizam espaços, funcionários e máquinas em suas sedes para viabilizar o acesso à rede.

Entretanto – no Direito parece sempre haver um “entretanto” –, há um registro que merece ser relembrado, seja por seu inusitado, pela sua circunstância ou porque significa um precedente de alerta. Temeroso de punições, Geraldo Alckmin, presidenciável em 2006, se viu obrigado a ingressar na Justiça Eleitoral no final de 2005 pedindo a exclusão de um site que divulgava o seu nome e a sua provável candidatura. Resultado: o responsável pelo site foi multado e o endereço eletrônico retirado do ar.

O Tribunal superior Eleitoral diz que se entende como “ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, embora de forma dissimulada, a candidatura, mesmo apenas postulada, e a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. Sem tais características, poderá haver mera promoção pessoal – apta, em determinadas circunstâncias, a configurar abuso de poder econômico – mas não propaganda eleitoral”.

Portanto, se não há elementos identificadores de propostas ou planos de governo e a propaganda se restringe, por conta e risco do blogueiro, à pessoa ou ao currículo do pré-candidato, estes sites e blogs não tipificam propaganda vedada mas propaganda pessoal. No entanto, a apuração de excessos, fraudes e mesmo abusos é uma possibilidade prevista pela legislação eleitoral.


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, autor do livro ‘Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Toda a segunda-feira escreve no Blog do Mílton Jung e nos ajuda a enteder as regras do jogo político.

Colher de chá no Entre 4 Paredes

 

Com o trânsito entupido e a segurança periclitante da capital paulista, imagino ser cada vez mais comum darmos preferência às atividades caseiras, sejam pessoais ou profissionais. Para saber como cada um encara esta situação, Rodnye Brocanelli entrevista “seres urbanos” e publica suas experiências no Blog Entre 4 Paredes. Semana passada fui provocado por ele a identificar meus hobbyes e demais tarefas na boa parte do tempo que permaneço em minha casa. Quis saber o que vejo na TV (adorei falar das minhas séries), meus hábitos diante do rádio (o que será que ouço ?) e do computador (onde estou mais uma vez enquanto publico este post). Teve curiosidade também de saber se gosto de video-games (e como gosto !) e dos livros que estão na cabeceira da cama ou sobre a mesa do escritório.

Contei muitos detalhes para aproveitar a colher de chá oferecida pelo Rodnye. Se você tiver interesse pode ler minha opiniãoclicando aqui. E claro, deixar um comentário por lá sobre as suas preferências. A seguir, destaco o trecho no qual falei sobre meu roteiro quando vou navegar:

Internet: “Minha página inicial é o Terra, portal no qual trabalhei dois anos com webjornal e acostumei a ler. Gosto muito do Terra Magazine comandado pelo Bob Fernandes. Mas sou um navegador em busca de notícia e daí passo pelo UOL e G1, na maioria das vezes. Começo o dia revisando minha lista no Bloglines, onde concentro boa parte dos blogs que gosto de ler ou acho ser necessário ler. Dos jornalistas de peso como Ricardo Noblat, Luis Nassif, Juca Kfouri; de gente bem informada como o do Walter Maierovich; de um pessoal sempre plugado como o do Pedro Dória e Julian Gallo; os dos torcedores gremistas, leio uma lista enorme; da turma que participa da campanha Adote um Vereador; do meu irmão, o “Mac Fuca Air” que fala de fuscas e computadores da Apple.

Nos internacionais, os sites da BBC e do New York Times, além de uma série de blogs e sites que falam sobre urbanismo.

Boa parte do tempo, porém, estou a frente do computador respondendo os e-mails dos ouvintes-internautas da CBN, atualizando meu blog, enviando mensagem pelo Twitter, e organizando a página “Milton Jung CBNSP” no Flickr”. Rodney Brocanelli