Mundo Corporativo: como Kim Maschlup montou a Baskets em apenas um mês e na pandemia

“O melhor caminho é colocar na rua e ver a coisa andando”

Kim Maschlup, Baskets
Foto: reprodução site Baskets.com.br

Queijo de ovelha, pão de batata roxa e bolo de fubá com goiabada. Biscoito de castanha do Pará, cerveja artesanal e aguardente. Essa cesta, tão variada quanto deliciosa, na qual cabem muito mais produtos, corria o risco de ficar vazia, diante da pandemia. Com o fechamento do comércio e o isolamento social, pequenos produtores pelo interior do Brasil perderam acesso a seus consumidores, e os que conseguiam receber as encomendas tinham de ter muita boa vontade com a falta de estrutura de entrega. Foi diante dessa dificuldade que a admiradora de produtos artesanais brasileiros Kim Maschlup assumiu o desafio de criar uma plataforma eletrônica para conectar produtores e consumidores.

Kim é consumidora desses produtos assim como muitos de nós. Se isso a permitiu enxergar o perigo que se avizinhava, foram outros papéis que exerce que despertaram nela o interesse em ajudar essa turma. Kim é administradora de empresa, mestre em liderança no terceiro setor, e inspiradora de negócios com impacto social. Ela também atua em empresas que fazem investimento em novos negócios e ideias.

Com o perdão do trocadilho, foi essa cesta de habilidades e competências que a fez construir a Baskets. E em apenas um mês. Porque com o tamanho da crise que se espalhava não havia tempo a perder. No Mundo Corporativo, Kim Maschlup explicou como foi possível colocar a plataforma no ar, em agosto de 2020. O primeiro passo foi ouvir consumidores e produtores para entender as dores de cada lado. Em seguida, foi o momento de estudar qual o melhor desenho para tornar essa conexão possível: foi quando veio a ideia da plataforma online. Montar a logística para que os produtos estivessem disponíveis em um centro de distribuição único:

“Nesse um mês, eu precisei fazer a curadoria de produtos, alinhar com os produtores como seria esse modelo de negócios, trazer todas as informações deles  e dos produtos e colocar dentro da plataforma. Essa foi a parte que foi a mais trabalhosa”.

Os resultados apareceram rapidamente com o interesse de consumidores e produtores tornando o negócio viável. No início, quando Kim imaginava alcançar até 20 pequenos produtores, 34 aceitaram o convite; hoje são cerca de 50 e mais de 500 produtos – entre os quais aqueles que estão listados no início deste texto. A intenção é alcançar outras partes do Brasil, tanto na oferta como na entrega – o que deve ocorrer em breve.

Aos empreendedores dispostos a construir seu negócio, Kim recomenda que não se perca tempo na busca de projetos perfeitos: essa busca nunca vai cessar. É preciso encontrar o equilíbrio entre a quantidade de informação necessária para desenvolver o negócio e o tempo justo para lançá-lo no mercado. Ela sabe que o processo na Baskets foi mais veloz do que deveria, mas se isso ocorreu foi em nome da urgência do momento. Ouvindo Kim falar, descobre-se que a pressa não é inimiga da perfeição:

“Eu falava: eu preciso fazer para ter as respostas. Enquanto eu não estiver no mercado, enquanto as pessoas não tiverem consumindo, enquanto eu não estiver engajando os produtores, eu nunca vou saber de fato se essa ideia funciona”.

Ao acelerar o projeto e colocá-lo a rodar, Kim também descobriu rapidamente erros que foram sendo corrigidos ao longo do processo. Para ela é preciso estar disposto a errar e se reinventar todos os dias. Assim como trocar informação com pessoas que estão ao seu alcance, pedir feedback, ouvir e aprender. Depois de ter investido do próprio bolso para a ideia se concretizar, convenceu ‘investidores anjos’, no início deste ano, a  acreditarem no modelo de negócio que havia construído. 

“Uma coisa que você vai sempre ouvir de investidores, principalmente neste primeiro momento das empresas é ‘quem são as pessoas que estão por trás daquele negócio? Porque são elas que vão construir aquilo. Independentemente de qual seja o caminho que a empresa vai tomar, é importante entender que existe uma equipe por trás que vai ser capaz de entregar”. 

Assista à entrevista completa de Kim Maschlup, ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Felipe Mansano diz o que é preciso para sua startup ser descoberta por investidores

“Normalmente, os investimentos em startup têm esta característica: quem investe está procurando empresas que podem escalar, e, geralmente, a maneira mais eficaz é uma solução que é ancorada em um aspecto relevante de tecnologia”  — Felipe Mansano, Equitas VC

Mudar a maneira como profissionais de tecnologia são recrutados, migrar uma escola de programação para o cenário online e desenvolver conteúdo para provas de residência médica. Essas são algumas das ideias surgidas em startups que tiveram seus negócios alavancados com a participação de fundos de venture capital ou de investimento de risco. Todos esses projetos foram desenvolvidos no Brasil, país que tem assistido ao longo da última década um crescimento acentuado no número de empreendedores que se pautam em negócios digitais. Para Felipe Mansano, da Equitas VC, é importante ter esse ecossistema, do qual fazem parte  fundos, empresas e pessoas dispostas a investir em startups.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Felipe falou de oportunidades que existem atualmente no Brasil para quem cria e para quem investe:

“Na hora de fazer negócio é muito importante que as duas partes, tanto a gente como o empreendedor, além do dinheiro, avalie como esse investidor vai me ajudar a fazer para que o meu negócio alcance seu potencial. Nós acreditamos que é neste aspecto que mora a oportunidade, porque no Brasil tem mais escassez de conhecimento e de execução do que de capital — especialmente no cenário agora de juros muito baixo”

Os fundos de venture capital buscam empresas com foco na tecnologia porque são negócios que podem crescer em escala, o que atrai investidores dispostos a colocar o seu dinheiro em empreendimentos que estão em estágio inicial e a aguardar de sete a dez anos para terem o retorno financeiro: 

“É um jogo de longo prazo, mas para a empresa que dá certo, o retorno é 50 a 70 vezes o investido”.

Algumas dicas de Felipe Mansano que facilitam a atração de investidores para o seu negócio:

Como a maioria dos negócios está se iniciando, boa parte da aposta do investidor é na qualidade do time que está envolvido no projeto, portanto atenção na equipe de trabalho.

Identifique o diferencial competitivo deste time em relação ao desafio que a empresa está disposta a resolver,

Não adianta ser o maior peixe em um aquário pequeno, ou seja, é importante que você tenha solução para um problema grande; lembre-se, o investidor quer empresas com potencial de crescimento em escala.

—  Tenha clareza da concorrência; se houver muitas empresas oferecendo solução para aquele problema que você se propõe a resolver a chance de se destacar é menor

—  Mostre como a receita da empresa vem crescendo mês a mês; essa informação permite que o investidor avalie a adesão do mercado ao seu negócio, o quanto o mercado está vendo de valor na sua ideia.

Erros que podem atrapalhar o seu negócio:

Os fundadores da empresa terem apenas uma parcela do negócio: quanto menor a participação, menor é a disposição para enfrentar os desafios 

Não ter clareza do tamanho do seu mercado: o investidor precisa desta informação.

Ter empresas que não têm potencial de crescer em escala, geralmente não estão inseridas em tecnologia, uma característica que permite que o negócio se desenvolva de maneira rápida.

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e pode ser ouvido em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Nova regra vai banir investidor-anjo, matar inovação e prejudicar empreendedor no Brasil

 

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Acostumado a sair em busca de dinheiro no mercado desde que se lançou como empreendedor, Tallis Gomes não titubeia ao afirmar que o governo brasileiro vai “banir o investimento-anjo do país”. Disse isso com todas as letras em entrevista que gravei com ele semana passada, no programa Mundo Corporativo e vai ao ar em breve no Jornal da CBN. O motivo desse pessimismo: a decisão da Receita Federal em taxar entre 15% e 22,5% o lucro de investidores-anjo, resultado de canetaço do órgão após a regulamentação de lei que criou essa figura jurídica no Brasil.

 

Investidores-anjo são os caras dispostos a colocar dinheiro em negócios que estão se iniciando, assim como era a Easy Taxi, o primeiro aplicativo no Brasil a conectar passageiros e motoristas de táxis, criado por Gomes, em 2011. Um negócio que só decolou porque um grupo de investidores-anjo, da Alemanha, acreditou na ideia dele e de seus sócios e colocou R$ 10 milhões na empresa, em 2012.

 

 

A preocupação dele e de todos os empreendedores brasileiros faz sentido, foi o que ficou claro na conversa que tive semana passada com Pedro Doria, jornalista, especialista na área digital e meu colega no Jornal da CBN. No comentário Vida Digital, Doria explicou que criar a figura jurídica do investidor-anjo era importantíssimo, por isso a lei foi bem-vinda e resultado de muito debate. “Antes ou o investimento ocorria na forma de um empréstimo mútuo — e, assim, o dono da startup se tornava um credor; ou o investidor tinha de virar sócio da empresa, arcando com todas as responsabilidades e riscos”, explicou.

 

O problema é que no Estado brasileiro ninguém consegue conter a sanha tributária. Assim que a lei foi aprovada, a Receita viu a possibilidade de arrecadar um pouco mais de dinheiro. Muito mais dinheiro. O tributo cobrado sobre os lucros obtidos pelos investidores se assemelha aos do Tesouro Direto. Ou seja, a Receita mandou o seguinte recado: em lugar de botar dinheiro em um negócio que sabe-se lá vai dar certo, melhor aplicar em títulos do governo. “É pra matar a inovação”, disse-me Doria.

 

 

Matar ou banir. Seja qual for o verbo usado, o resultado e o alvo serão os mesmos: o fim do sonho de milhões de jovens brasileiros dispostos a empreender no Brasil. Lê-se na pesquisa Global Entrepeneurship Monitor 2016 que 22% das pessoas entre 18 e 34 anos estão envolvidos com a criação de uma empresa aqui no Brasil. Uma gente que pode ter boas ideias e poder de execução, ma que necessita também da crença dos investidores. No momento em que o governo brasileiro avisa que é mais seguro e rentável aplicar no mercado do que em negócios, pouco dinheiro haverá para eles.

 

O drama se completa quando se percebe que esses mesmos jovens, frustrados em suas iniciativas, vão recorrer ao mercado de trabalho e não encontrarão vagas disponíveis. Semana passada, o IBGE calculou que somos 13,5 milhões de desempregados, número registrado no trimestre encerrado em junho. É muita gente sem emprego, mesmo levando em consideração que é 0,7 ponto percentual menor do que no primeiro trimestre deste ano.

 

Com a pressão econômica e o mercado de trabalho ainda sofrendo as crises provocadas ou pela má-gestão ou pela má-fé de nossos administradores públicos, falta emprego e a opção do empreendedorismo é dizimada por decisão de tecnocratas. Não surpreende o fato de que o número de empregados sem carteira assinada cresceu 4,3% no último trimestre – já são 10,6 milhões de pessoas nessa condição.

 

Mundo Corporativo: saiba o que faz os investidores acreditarem no seu negócio, com Arthur Igreja

 

 

Acostumado a trabalhar com empreendedores que estão em começo de carreira e criadores sempre prontos a trazer uma nova ideia ao mercado, Arthur Igreja alerta que “esperar o produto perfeito é um equívoco”, e sugere que se valide as hipóteses o mais rápido possível.

 

Empresário, investidor anjo e professor da FGV-RJ, Igreja foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Com a experiência que desenvolveu na busca de bons negócios, ele contou quem são as pessoas que os investidores procuram para depositar sua confiança:

 

“é um profissional que consegue demonstrar capacidade de entrega, capacidade de execução; também se fala muito que é um profissional apaixonado pelo problema, ou seja, ele quer resolver um problema grande, um problema que muita gente passa e ele está absolutamente apaixonado em conseguir transformar este problema em uma solução mais simples”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “resistência num momento de perdas é muito importante” aconselha Pierre Moreau

 

 

“Você ser uma pessoa organizada e você eleger de forma adequada a sua despesa, é muito importante porque essas pequenas medidas que você toma na sua vida pessoal, acabam interferindo quando você vai investir”. A afirmação é de Pierre Moreau, professor do Insper e sócio da Casa do Saber, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Moreau é um dos organizadores do livro “Fora da Curva – o segredo dos grandes investidores do Brasil e o que você pode aprender com eles”.

 

Diante de desafios profissionais que temos de enfrentar e de crises que venham a ocorrer, Moreau aconselha: “resistência num momento de perder é muito importante”.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e, em horário alternativo, aos domingos, às 11 da noite. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Debora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Marco Gorini diz como conseguir dinheiro para a sua ideia

 

 

“Você precisa saber que risco você quer tomar, que risco você pode tomar e, principalmente, o risco que você deve tomar”. A sugestão é do economista Marco Gorini aos empreendedores que pretendem ir ao mercado em busca de investimento para seus negócios, produtos e serviços. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da CBN, Gorini alerta que muitos projetos deixam de existir antes mesmo de chegarem ao seu ponto de equilíbrio por não conseguirem os recursos adicionais que podem sustentar o negócio. Gorini escreveu com Haroldo da Gama Torres o livro “Captação de recursos para startups e empresas de impacto – guia prático” (Alta Books) no qual oferece uma série de dicas que podem ajudar você a tornar seu negócio sustentável.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Aline Rabelo ensina a sair da dívida e virar investidor

 

 

O aumento do estresse financeiro prejudica o desempenho profissional do colaborador, situação que já foi comprovada em inúmeras pesquisas e tem levado as empresas a criem programas que ajudam seus funcionários a lidar com o seu dinheiro. De acordo com Aline Rabelo, coordenadora da Investmania, rede social do mercado financeiro, aumentar o salário dos empregados não soluciona o problema, é preciso ensiná-los a controlar o orçamento doméstico e poupar recursos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Aline Rabelo mostra algumas estratégias que têm sido desenvolvidas para transformar colaboradores em investidores.

 

Você participa do Mundo Corporativo assistindo ao programa, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, no site da rádio CBN e faz perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.