Avalanche Tricolor: de sorteio do porco à entrevista sem perguntas, coisas estranhas que vivi no futebol gaúcho

 

Grêmio 0x0 Nova Hamburgo
Gaúcho —- Arena (?) Alviazul, Lajeado/RS

 

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Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA no Flickr

 

Futebol do jeito em que as coisas andam já é estranho por si só. Jogado em campo de várzea, sem torcida e com direito a lances bizarros, só da pra assistir com um copo de vinho na mão, um sofá inteiro para a gente se esticar e o cobertor para aquecer o frio que fez nessa tarde, em São Paulo.

 

O Grêmio jogou em Lajeado, no Vale do Taquari, região que está sob bandeira laranja há algumas semanas —- o que significa que tem risco médio de contaminação da Covid-19. A partida era para ser em Novo Hamburgo, na casa do adversário, mas lá a coisa está mais complicada ainda — a bandeira é vermelha. E se é vermelha, não se joga futebol.

 

O estádio escolhido para o jogo leva o apelido de arena. Que me desculpem os simpáticos torcedores do Lajeadense: as arquibancadas e o gramado não merecem o nome que recebem. A bola trocava de direção a cada passe, driblava por conta própria os marcadores e proporcionava cenas cômicas sempre que algum atacante tentava acertá-la em gol. Não foi de surpreender o zero a zero.

 

A precariedade da estrutura oferecida para o jogo serviu ao menos para me lembrar de momentos icônicos que vivenciei nos gramados do Rio Grande do Sul como repórter esportivo da rádio Guaíba de Porto Alegre.

 

Na segunda linha daquele timaço que formava o “Futebol da Guaíba”, cabia a mim as paradas mais difíceis, como os jogos de sábado à tarde, disputados pelo São José, em estádio que levava o nome do bairro do Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre —- em uma época em que estádio de futebol era apenas um estádio de futebol. Para atrair torcedores, no intervalo das partidas, o clube promovia sorteios. Em uma das partidas fui convidado a tirar da urna o bilhete premiado. Com a pompa e a solenidade que o momento exigia, chamei pelos microfones do estádio o número vencedor e o prêmio maior lhe foi entregue: um porco vivo que, depois de sorteado, poderia ter o destino que o novo dono bem entendesse.

 

Naqueles tempos, eram os anos 80,  repórter de campo era repórter de todo campo. Tinha liberdade para circular pelo entorno do gramado, descrever o lance com os detalhes que só ele havia visto e reproduzir as cenas proporcionadas pelos técnicos e jogadores na casamata (que aqui em São Paulo preferem chamar de banco de reservas). Não havia esta história de só entrevistar jogador escolhido pela assessoria de imprensa do clube e esperá-lo na área reservada à imprensa. A medida que o cronômetro se aproximava do fim da partida, nos deslocávamos para o lado do gramado e nos preparávamos para uma corrida desesperada em direção ao personagem do espetáculo.

 

Em um jogo qualquer do Grêmio, pelo Campeonato Gaúcho, no estádio Olímpico Monumental —- esse sim merecia o título de Arena de Todos os Campeões —-, me posicionei a espera do final da partida. Nem bem o trilar do apito do árbitro havia se encerrado, abusei da minha juventude e com o microfone na mão e um fio enorme a me seguir, corri em busca da palavra do craque. O esforço para chegar antes dos concorrentes, me fez perder o fôlego. Sem conseguir dizer uma só palavra, restou-me estender o microfone em direção a ele que respondeu a uma pergunta que jamais consegui fazer. Após alguns minutos, nos quais o meu entrevistado disse o que bem entendia e minha respiração voltava ao ritmo normal, ao menos tive um saída espirituosa: “(fulano de tal) falou no microfone da Guaíba e mostrou que além de bom de bola é bom de papo, nem precisei fazer pergunta e ele já me respondeu”.

 

Mundo Corporativo: Rodrigo Rivellino vai mudar a forma de você assistir ao seu filho no videogame

 

 

“Não tem volta, não é só mais um joguinho, não é uma brincadeira, é de fato estilo de vida de milhares de pessoas hoje; e ao redor desse ecossistema vão surgir as novas demandas, as novas necessidades que consequentemente vão virar as novas profissões” — Rodrigo Rivellino, Noline

O cenário de videogame e esportes eletrônicos no Brasil reúne cerca de 76 milhões de brasileiros, pessoas que se relacionam com esse universo seja jogando no celular e nos consoles, apenas para se divertir, sejam jogadores profissionais. Em torno desse universo há uma série de profissões que surgem ou se potencializam, exigindo pessoal bem qualificado, tais como streamer, cosplayer e cosmaker —- apenas para citar algumas das novas funções que esse mercado proporciona. Mas, também, outras mais conhecidas como gestores de carreira, desenvolvedores de conteúdo, nutricionistas, psicólogos, narradores e comentaristas.

 

Para entender as oportunidades que existem nesse mercado, o Mundo Corporativo da CBN entrevistou Rodrigo Rivellino, um dos sócios da Noline, empresa que desenvolve estratégias e conteúdo para o setor de videogame, e idealizador da Live Arena, espaço disponível para jogos, eventos e educação, em São Paulo. Na conversa com o jornalista Mílton Jung, Rivellino chamou atenção para a necessidade de as marcas explorarem de forma correta o potencial do universo gamer:

“As corporações, as franquias, as produtoras dos jogos, os times, as ligas, os eventos — tudo que vai surgir ao redor —, vai ser necessário ter investimento das marcas não endêmicas; as marcas que, sim, suportam ou suportaram até hoje os esportes convencionais, vão ter de começar a suportar o esports e esta comunidade”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e no Twitter. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Guilherme Dogo, , Izabela Ares, Rafael Furugen, Debora Gonçalves.

Fazendo a lição de casa no League of Legend

 

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Éramos três mil sentados nas cadeiras que ocupavam todo o Espaço das Américas, local destinado a grandes espetáculos em São Paulo. No palco, a parafernália eletrônica se destacava com dois conjuntos de cinco telas digitais gigantescas, na vertical, estampando a imagem de personagens coloridos. Estavam entre três telões que permitiam que todos assistissem à batalha travada por aqueles personagens, em um cenário de florestas e rotas nas quais encontram-se tropas, dragões, torres, inibidores e nexus – a estrutura a ser conquistada. Telas menores estavam mais abaixo e nelas víamos o rosto de 10 jovens, divididos nas equipes azul e vermelha. Atrás de todos os equipamentos, são eles a alma que move o League of Legend, sobre o qual já conversei com você neste blog, mas que vale sempre lembrar é o jogo on-line mais jogado no mundo, disputado por cerca de 67 milhões de jogadores por mês. Alguns jogadores são ídolos da garotada que vibra a cada ataque aos adversários e derrubada de torres, lances transmitidos ao público presente e aos milhares que assistem pelo computador em suas casas por equipes de narradores e comentaristas – profissionais que levantam a galera do eSport com os mesmos cacoentes (para o bem e para o mal) da turma do esporte que acompanhamos no rádio e na televisão.

 

Deixe-me voltar aos jogadores, pois são eles, mais do que as máquinas, que me chamam atenção. A começar pelo fato de jogarem algo que para mim parece coisa de outro mundo. Apesar do privilégio de contar com dois “comentaristas particulares”, que passaram as partidas me explicando cada lance, ainda tenho muita dificuldade de entender as estratégias usadas pelas equipes. Sei que começam com a escolha de centenas de personagens (ou campeões, como chamam oficialmente) disponíveis, pois cada um tem desenhos e poderes diferentes e, no momento de selecioná-los, é importante identificar o que mais se encaixa com o tipo de jogo necessário para vencer a equipe contrária. Antes dessa escolha tem-se o direito de eliminar alguns campeões, impedindo que o adversário os utilize. Por isso, estudam muito os outros times, pois este conhecimento pode determinar a sobrevivência ou não no cenário. Poderiam ensinar a tática para alguns técnicos do nosso futebol.

 

Times escalados, vai começar a partida: é aí que me perco no embaralhado de movimentos e ataques que devem ser feitos de forma coordenada, o que exige muita disciplina, comunicação e raciocínio estratégico. São habilidades nas quais essa garotada de pouco mais de 18 anos é craque e que os fazem se destacar no cenário nacional e chamar atenção dos patrocinadores que bancam treinamentos, viagens, estágios no exterior, equipamentos e até a contratação de estrangeiros para reforçar as equipes. Se não estão disputando os jogos, são assediados pelos admiradores. Quase ninguém mais pede só autógrafo, como fazíamos no passado. Agora, querem selfies, o que deve deixar as marcas que estampam os uniformes dos eAtletas ainda mais felizes, pois garantem milhares de exposições nas redes sociais.

 

Alguns desses jogadores já construíram personalidade própria e quando aparecem no telão, em entrevistas pré-gravadas ou na apresentação das equipes, são ovacionados pela galera. Um é mais agressivo, o outro, provocador. Tem o engraçado e tem o queridinho das meninas, também. Sim, elas estão lá, muito mais na torcida do que no jogo. Não chegam a ser uma maria-mouse, mas jogam suas asinhas para cima dos garotos. E quando me refiro a asas não é linguagem figurada. Caminhando na plateia, você encontrará muitas meninas fantasiadas com roupas de personagens de games, mangás e animes. Elas fazem colsplay, me contam os companheiros de jogatina.

 

No fim de semana, disputou-se mais uma etapa regional do Campeonato Brasileiro de Lol – CBLOL para os íntimos – , competição que distribui R$ 110 mil em prêmio, sendo metade destinada ao campeão. Foram oito equipes se enfrentando em partidas de melhor-de-três, em quartas de final e semifinal, que se encerraram no começo da noite de domingo. Depois de batalhas acirradas, com direito a virada de placar, mortos e feridos (figurativamente, lógico), KaBuM e CNB se classificaram para a guerra final que será no próximo sábado (26/07), no Ginásio do Maracanazinho, no Rio de Janeiro. Os oito mil ingressos para a final foram vendidos em poucas horas, foi a informação que todos os organizadores do CBLOL e dirigentes ligados a Riot Games Brasil, responsável pelo jogo por aqui, fizeram questão de me contar. O vencedor será o representante brasileiro no cenário internacional e vai para o International Wildcard, onde enfrentará o campeão latino em busca da vaga no Campeonato Mundial de 2014.

 

Curiosamente, dentre as finalistas não estão a equipe que levou seus jogadores para se desenvolverem na Europa e as duas que importaram sul-coreanos para reforçar o time. O que para muitos pode ter sido uma surpresa desagradável pois desestimularia investidas mais audaciosas dos patrocinadores, para mim é um incentivo a milhares de jovens que estão nas ligas amadoras do Lol aqui no Brasil, pois o resultado tornou mais real a possibilidade de eles se destacarem internacionalmente mesmo treinando apenas por aqui. O poder econômico tem influência, mas não é determinante no sucesso. Ops, desculpe-me pelo palpite. É que esse esporte tem crescido tanto que, assim como no futebol, já tem um monte de gente, como eu, achando que é treinador de Lol.

 

Por falar em futebol, uma informação para os gestores das arenas que construímos em algumas cidades-sede da Copa do Mundo: a partida final do Mundial de Lol está marcada para 19 de outubro, no Estádio Sangam, um dos principais palcos da Copa da Coréia e do Japão, em 2002. Quem sabe não está aí a solução para alguns dos elefantes brancos que levantados, no Brasil: transformá-los em campos de batalha do League of Legends.

A batalha de Joinville

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As imagens do estádio de Joinville mostrando a batalha entre atleticanos e vascaínos com os modernos recursos de transmissão construíram o cenário da espetacularização da violência para o deleite ou a repulsa do mundo. Dependendo da mente de cada um. A partir daí, mais uma vez, surgiram variadas sugestões para solucionar a violência nos estádios de futebol. E isto diante do já existente estatuto do torcedor, que se aplicado resolveria a questão.

 

Fica claro então que a aplicação é barreira maior do que a sua criação. Verdade gritante comprovada pela imagem do vereador, autor de projeto de prevenção de delitos nos campos de futebol, atuando cinematograficamente como baderneiro.

 

Ao ler as declarações de Petraglia, presidente do CAP acusando os vascaínos de premeditarem a confusão para levarem ao tapetão o resultado do jogo e, ao saber da proposição de Dinamite, ídolo maior do Vasco, para anular a partida tentando ganhá-la fora de campo, não creio que a solução definitiva esteja no controle do campo de batalha. Como chegaremos aos torcedores controlando-os e punindo-os quando necessário, se os dirigentes não respeitam as torcidas adversárias nem mesmo os colegas diretores e presidentes de outros clubes?

 

Se os clubes, as confederações e as autoridades pertinentes não estão executando a lei que existe, é hora da parte mais importante do sistema entrar em ação. Os jogadores, através do Bom Senso F.C. Que tal uma greve para irritar torcedores, diretores e patrocinadores?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.