Avalanche Tricolor: Jonas pode

 

Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Jonas está condenado às críticas nestes próximos dias. Moralistas sem causa e senhores de caráter ilibado pedirão punição, afastamento, quem sabe uma medida exemplar contra o atacante que explodiu de razão ao marcar o primeiro gol do Grêmio.

Ouvirá conselhos e puxões de orelha de comentaristas, torcedores e dirigentes. Afinal, as ofensas públicas dirigidas à social do estádio Olímpico não condizem com os bons modos exigidos de um atleta profissional.

Que partam todos para o destino que Jonas os encaminhou !

Ouviram porque falaram. E vaiaram de maneira errada, injusta. Foram incapazes de compreender as razões que impedem Jonas e seus colegas de imprimirem o futebol que sempre esperamos. Estão sendo preparados para uma decisão em poucas semanas, sem direito a pré-temporada e após terem imposto um ritmo alucinante no fim do ano anterior.

Tem todo o direito de explodir com aqueles que não enxergam que entre o desejo de tocar a bola ou chutar a gol existem músculos endurecidos pelos treinos de início de ano. Os impacientes que se retirem. Deixem Jonas fazer seus gols estranhos, bonitos e decisivos.

Jonas tem crédito no clube e no futebol, que não lhe dá o devido respeito. Goleador do Brasileiro foi preterido por muitos na escolha dos melhores do País. Com fama de patinho feio, vê os críticos torcerem o nariz. Sofre o mesmo dentro do seu time.

Um dos maiores atacantes que passaram pelo Grêmio e peça fundamental para a arrancada de 2010, merece toda a nossa atenção. Tem de ser valorizado pelo que faz e pelo que é.

A reação dele é paixão que tem pelo que busca. E isto tem de ser admirado, não criticado. Jonas é capaz de chorar dentro de campo se não alcança seu objetivo. Não aceita a indiferença diante dos fatos.

É bom moço, sincero nas palavras e resignado.

Em vez de glorificado, assistiu durante as férias ao enorme esforço da diretoria para enfiar goela abaixo de parte da torcida um falso ídolo. Enquanto ele nem contrato tem renovado.

Jonas é o nosso ídolo.

E após a “comemoração” da noite dessa sexta-feira, em Porto Alegre, meu ídolo ainda maior.

Gol neles, Jonas !

Avalanche Tricolor: Um time de caras e bocas

 

Grêmio 4 x 0 Grêmio Prudente
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram necessários apenas 45 segundos para o Grêmio mostrar sua cara. Sua nova cara neste Campeonato Brasileiro, diga-se. Que nada mais é do que aquela com a qual nos acostumamos, historicamente, mas que andou esquecida, sem expressão, na primeira parte deste campeonato.

Os olhos esbugalhados de Jonas sempre mirando o gol, parecendo saltar do rosto, fazem parte desta nossa cara – ou do nosso cara. Um cara que está sempre disposto a arriscar e se errar não vai desistir. Que não tem vergonha de ser considerado o pior atacante do mundo pois sabe que o foi porque tentou. E de tanto tentar está na nossa história como um dos dez maiores goleadores do Grêmio.

A feição fechada de Vílson e Paulão também desenham a cara do Imortal Tricolor. Sinalizam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado, pouco interessando o adversário ou o campo de jogo. Se desfazem da bola ou a impedem de chegar ao gol gremista na certeza de que este é o seu ofício.

Nossa cara se revela, também, na seriedade do goleiro Marcelo Grohe. Um jovem de 23 anos que se expressa com a responsabilidade exigida de alguém que tem a difícil tarefa de substituir Vítor, o melhor do Brasil. E como esta personalidade foi importante na partida de hoje – afirmação que pode parecer contraditória em um jogo no qual o vencedor goleou seu adversário, mas que se mostra apropriada se levarmos em consideração as defesas que fez.

O futebol do Grêmio não se revela, porém, apenas na cara. Mas também na boca.

Tenho ficado impressionado com a fala dos jogadores assim que deixam o campo. Jonas teria tudo para o oba-oba individual, mas prefere ressaltar a importância do coletivo. Lúcio encerra o primeiro tempo falando de erros que precisam ser consertados em um jogo que já estava vencido. André Lima – até ele tem marcado gols dentro e fora de campo – comemora a goleada mas destaca que não se pode perder gols como aquele dos acréscimos e reforça a meta: os próximos três pontos.

Hoje, temos um time de caras e bocas – responsáveis, lutadoras, humildes e corajosas.

Avalanche Tricolor: Por estes nossos feitos

 

Avaí 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Bandeira do RS e do Grêmio

É momento de comemorar. Desfilar orgulhoso por nossos feitos. Andar pelas ruas – seja na capital, Porto Alegre, seja nas cidades do interior, seja onde você estiver – com a cabeça erguida de quem nunca desistiu mesmo quando a derrota parecia definitiva, de quem sempre viveu na busca da vitória.

O Rio Grande do Sul vai parar. E está decretado feriado. para que se possa fazer festa para todos os lados.

Calma lá, caro e raro leitor. Não me considere um alucinado pelos parágrafos que abrem este post.

Você deve achar que é deslumbramento demais para apenas uma vitória gremista. Bem verdade que esta não é uma vitória simples. O Grêmio goleou na casa do adversário. E que goleada !

Uma vitória que se iniciou nas mãos de Vítor em dois momentos que poderiam ser decisivos no primeiro tempo. Que passou pelo desarme (e armação, também) de dois volantes que tomaram conta do jogo, Rochemback e Adílson – mais uma vez Adílson foi grande em campo. Que teve a qualidade do passe de Douglas para fazer diferença. E que se completou no talento e oportunismo de nossos atacantes, em especial Jonas.

Vá ver o primeiro gol dele, o drible que deu em seus marcadores, a maneira como deixou um deles caído no chão, o olhar voltado para o gol e o chute certeiro. No segundo, valeu o desejo de ser goleador. Deslocou-se para receber dentro da área e mesmo marcado abriu espaço para chegar a artilharia do Campeonato Brasileiro.

Foi muito bom, também, ver André Lima raspar a bola de cabeça em direção ao gol, em meio a uma montoeira de marcadores, depois de ser lançado lá da intermediária, ao velho estilo gremista. Quem sabe nosso atacante não desencanta !

Apesar de todos estes feitos e minha alegria em fechar este domingo respirando aliviado ao olhar a tabela de classificação, as palavras que marcam a abertura deste post se referem a outro momento significativo para quem nasceu no Rio Grande do Sul.

É que amanhã, dia 20 de setembro, é o Dia do Gaúcho, quando se realiza desfile para lembrar as batalhas da Revolução Farroupilha, das mais extensas rebeliões que o País já teve. Uma guerra que não tinha na sua origem o caráter separatista mas, sem dúvida, uma indignação contra injustiças do poder central.

Sendo assim, parabéns a todos os gaúchos – em especial aos gaúchos gremistas.

Avalanche Tricolor: Estamos de volta

 

Botafogo 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Rio de Janeiro

Jonas em Imagem do Gremio. Net

Cansei de tomar gol no último minuto, cansei de jogar melhor e perder, cansei de ver chute certo parar no lugar errado, cansei de torcer por promessa que não desabrocha, cansei de esperar a solução que não veio. Cansei deste sofrimento absurdo que nos acompanhou toda a primeira etapa deste Brasileiro.

Acabou, daqui pra frente tudo será diferente – escrevo com Roberto Carlos nos ouvidos. O passe longo vai cair no pé correto, o cruzamento vai encontrar a cabeça do goleador, o drible será para adiante e além, o chute vai estufar a rede, e o nosso goleiro vai segurar tudo – bem, este já segura tudo mesmo.

Estou certo disto. Uma certeza que me abateu bem no jogo em que começamos mal, desconsertado e desconcentrado. No qual, em lugar de um time havia apenas um amontoado de jogadores a caminho de uma desgraça retumbante.

A mudança na história do Imortal Tricolor começou após meia hora de partida, na qual nosso destino parecia traçado. Como nos tempos de jogador em que surpreendia o adversário com uma jogada inusitada, Renato Gaúcho rasgou sua fantasia, desfez-se da prepotência que marcou sua carreira, admitiu o erro e teve coragem de mexer no time. Uma mudança substancial, pois colocou em campo, em sua posição original – pela primeira vez desde que veste a camisa gremista – Roberson, um garoto com cara ingênua ainda, mas com futebol para aparecer.

O Grêmio assumiu o comando da partida, mesmo contra um adversário apoiado por 20 mil torcedores em seu estádio. Pôs a bola em seus pés e ditou o ritmo do jogo – às vezes muito lento para o meu gosto. Mas deixou de ser uma presa fácil. Correu riscos, é claro. Mas isto só ocorre com aqueles que são arrojados.

Foi, então, que Jonas, o Salvador, voltou a aparecer. Assim como havia feito contra o Guarani, assim como fez dezenas e dezenas de vezes desde que voltou ao Grêmio, buscou ele próprio a chance do gol.

No primeiro, insistindo contra um defensor assustado, roubando-lhe a bola e chutando corajosamente. No segundo, tramando a armadilha com seu companheiro Lúcio: “faz ela cair perto do goleiro que eu vou fazer o gol”.

Soube do diálogo apenas após a partida, mas sabia que o gol sairia no momento em que a bola foi lançada para dentro da área. Ali, aos 40 minutos do 2º tempo, com aquele Grêmio que conhecemos, que não desiste nunca; que se joga sem medir riscos, como se jogaram Jonas e mais quatro companheiros na mesma bola; não sabia apenas que faríamos o gol do empate, mas que nossa história neste campeonato começaria a mudar.

Preparem-se, o Imortal voltou.

Avalanche Tricolor: Além do próprio Grêmio

 

Fluminense 2 x 3 Grêmio
Copa do Brasil – Maracanã

Jonas surgiu rápido dentro da área, driblou um, driblou dois e cortou três de uma só vez. Jonas disparou para receber fora do alcance dos dois zagueiros, parou, sapateou, olhou e deslocou o goleiro. Douglas correu na diagonal, em direção à área, ignorou a água no gramado, passou por um, passou por dois e limpou a jogada.

Em um lance e noutro – e no outro, também -, a bola foi parar dentro do gol adversário, em uma noite em que o Grêmio foi muito além do próprio Grêmio. O Brasil acostumado ao lugar-comum do time guerreiro, de raça e lutador, talvez tenha tido dificuldade para entender o que levou o Imortal à vitória no Maracanã.

Vencermos com um a menos, não nos surpreende mais. Mesmo que este “a menos” seja o Patrão da Área, Rodrigo, o zagueiro que dá consistência à nossa defesa. Convenhamos, para quem já venceu um campeonato com apenas sete….

Foi a categoria de um time que vem sendo construído pouco a pouco, o talento de jogadores habilidosos e experientes, a personalidade de jovens que não se intimidam com o grito de uma torcida inteira no maior estádio do mundo (nem a cara feia de um técnico mal-humorado ao lado do campo). Todos estes elementos se somaram a mística que faz parte da nossa história.

Em noite de inspiração, Silas deu seu drible ao manter dois atacantes quando nos faltava um defensor e mostrou que pode ser ousado. Termina a primeira metade das quartas-de-final com o melhor desempenho de todos os oito participantes.

Jogamos com personalidade, inteligência e, sim, muita garra, pois este sentimento está impregnado em nossa camisa, nosso Manto Tricolor.

E pensar que domingo tem Gre-Nal !

Avalanche Tricolor: Cor e coração

 

Avai 4 (3) x 5 (2) Grêmio
Copa do Brasil – Florianópolis (SC)
Camisa Branca

Uma camisa branca com alguns riscos azuis cruzando na horizontal. Muitas marcas de empresas poluindo o ambiente e competindo com o emblema tricolor. De frente da TV, com a câmera à distância, dava para desconfiar que não era o Grêmio em campo, no estádio da Ressacada, em Florianópolis. Foram necessários 45 minutos, ou melhor, foi necessário começar o 2º tempo para ver que aquele time alvo tinha brio, tinha coração.

Houve um gol de Jonas na conclusão de uma bola que parecia não querer entrar, que amorteceu no seu peito e estufou a rede. Houve até mesmo um gol de falta de Fábio Rochemback em um chute que vazou a barreira e só foi contido quando a bola estava presa no ‘fundo do poço’ – como tenho saudade de ouvir esta expressão. Nem um nem outro, porém, foram suficientemente significativos para que eu tivesse identificado o meu Grêmio naquele time que vestia branco.

Foi o carrinho de William Magrão impedindo que o adversário partisse de seu campo, comemorado com os punhos cerrados. Foi uma despachada de bola pela lateral evitando o cruzamento perigoso, festejado por Rodrigo com um soco no ar. Foram chutes sem direção, mas com a intenção de salvar uma história na Copa do Brasil. Foi a classificação com o goleiro fazendo milagres, três volantes em campo, um só atacante na frente e o placar no limite. Foi tudo isso que me deu a certeza de que ali estava o time pelo qual torço. E sofro.

E como sofro.

Avalanche Tricolor: Sofrer na internet

Grêmio 3 x 1 Avaí
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

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São cerca de 300 canais à disposição e passei um por um em busca das imagens do Grêmio. Havia nove emissoras transmitindo quatro jogos diferentes: da Libertadores, da Copa do Brasil e mais um VT de times que não guardei o nome. Nenhum acompanhando o time quatro vezes campeão e que mais finais fez na competição.

Que os canais abertos estivessem mais atentos às partidas de São Paulo, não há o que discutir. São emissoras comerciais, sobrevivem graças a audiência e não faria o menor sentido se não estivessem com os clubes paulistas na tela. Mas a TV fechada teria de ser a opção. Poderia muito bem oferecer esta oportunidade aos torcedores. Preferiram disputar público com eles próprios, inclusive abrindo os canais de PPV para partidas que estavam na concorrente.

Foi-se, porém, o tempo em que na falta da televisão, me obrigava a levantar a antena de um rádio Transglobe que ficava escondido no armário durante a semana e de lá somente era retirado para sintonizar as emissoras de Porto Alegre em dias de jogos do Grêmio. Deixava-o escondido, pois temia algum boicote da família incomodada com a chiadeira emitida nos 90 minutos de partida. Às vezes, não conseguia entender direito o nome do autor do gol, mas a força do grito do narrador sinalizava ao menos se era o time da casa que havia marcado.

Com a internet, o “radião de pilha” ficou abandonado. Transferi minhas emoções para a tela do computador, onde após três, quatro, cinco tentativas se encontra algum link com capacidade de trazer até você cada segundo de esforço dos seus craques, de estratégia do seu técnico e vibração da sua torcida que lota as arquibancadas – isso quando o time em campo e os torcedores no estádio lhe oferecem tudo isso, é lógico.

Hoje, a torcida me transmitiu esta energia cantando, nos fones de ouvido de meu computador, desde seus gritos de guerra até seu hino de paixão que, no caso do Imortal Tricolor pode ser tanto o criado por Lupicínio Rodrigues, conhecido mundialmente pelo refrão “Até a pé nós iremos”, ou o Rio-Grandense, uma marca dos gaúchos nos campos de futebol.

O Grêmio também fez a sua parte com Jonas e Borges mostrando que formam dos melhores ataques do Brasil e Vítor, indiscutivelmente, defendendo o título de melhor goleiro. Muito mais do que isso não fizemos e parece que o time não irá fazer mesmo, apesar de esboçar boas jogadas e trocas de passe.

É uma sina que nos persegue na TV, no rádio, na internet ou em pé na “geral”: sofrer acreditando na vitória quando estamos em desvantagem no placar e temer pelo pior mesmo quando a diferença de gols nos é favorável.

Vá entender este coração tricolor !

Avalanche Tricolor: Que noite !

 

Grêmio 1 x 2 Pelotas
Gaúcho – Olímpico Monumental

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A noite em que até o capitão Vitor se atrapalhou e não defendeu nenhum pênalti. A noite em que o maestro Douglas errou mais passes do que acertou. A noite em que Jonas não foi o peladeiro com que nos acostumamos e sumiu em campo. A noite em que o juiz decidiu apitar todas contra nós. Esta noite só podia ser aquela em que deixaríamos para trás nossa invencibilidade e nossas marcas históricas.

Porque esta noite em algum momento teria de chegar. E como esta era inevitável que fosse agora, em tempo de se recuperar, pensar, treinar e se preparar para a decisão do Campeonato Gaúcho, para a qual estamos convocados antecipadamente – não esqueça disso, caro corneteiro de plantão.

Somos craques em desmentir os astros, em driblar o que nos haviam preparado de pior, portanto temos apenas que nos resignar e aprender quando algo como o que ocorreu nesta noite se concretiza.

Somos o Grêmio e sabemos como ninguém que o destino não é uma história acabada, nós é que temos de escrever seu último capítulo e isto só é feito por aqueles que não desistem nunca, que não vencem na véspera.

Lição aprendida, bola pra frente, pois somos nós os Imortais !

Avalanche Tricolor: Tá na história

 

Juventude 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental


Foi a décima-quinta vitória consecutiva na temporada, marca jamais alcançada por nenhum outro time que vestiu a camisa do Grêmio. O Imortal 2010 faz sua própria história sob a desconfiança dos adversários e mesmo de muitos torcedores que ainda temem a próxima partida – seja esta qual for. É talvez este olhar receoso que desafia os jogadores tricolores e os fazem superar as expectativas, a registrarem ao fim deste feriado de Páscoa a melhor campanha do futebol brasileiro com 88% de aproveitamento.

A quem lembrar que boa parte destes jogos foi válida pelo Campeonato Gaúcho, bom não esquecer que mesmo equipes respeitadas pela crítica não foram capazes de alcançar esta sequência vitoriosa em temporadas anteriores. Não custa citar que o “Queridinho da Crônica” enfrentando os mesmos adversários não somou 15 vitórias em toda a competição. Classificou-se na bacia das almas para esta próxima fase, na qual o Grêmio chega como líder absoluto.

O Grêmio tem decidido suas partidas nos primeiros 15 minutos, foi assim nas quatro últimas. Jonas, mesmo sozinho no ataque, é o goleador do ano (13 gols) e merece todos nossos aplausos. Não vejo hora dele se reencontrar com Borges, fora há mais de um mês por lesão.

Douglas, o 10, é o Tcheco com mais saúde. Forte para dividir, mais ainda para manter a bola em seus pés. É capaz de encontrar companheiros em lugares que a televisão não mostra (tudo bem que os diretores de TV, no PPV, não têm se esmerado muito no corte das imagens). Tem um passe preciso e lança com açúcar e afeto como fez no primeiro gol.

É preciso, porém, que se abra um parágrafo nesta Avalanche para destacar um jogador que tem sido fundamental nesta campanha. Experiente, firme e talentoso, o zagueiro Rodrigo, que chegou neste ano, joga com pinta de quem logo se transformará em “Cherifão do Tricolor”. A presença dele no time fechou espaços que permitiam o assédio constante dos adversários, no início do ano (lembra quantas vezes tivemos de virar o placar ?). Hoje foi forte quando preciso, tranquilo na medida certa e ainda se deu ao luxo de despachar uma bola da nossa área, aos 40 e tantos minutos do segundo tempo, de calcanhar (só não precisa exagerar, prefiro bem mais uns carrinhos de vez em quando).

Jonas, Douglas e Rodrigo ainda precisam fazer mais, muito mais, para merecerem o título de Imortal, necessitam confirmar este título Gaúcho, seguir em frente na Copa do Brasil, abrir caminho na Libertadores e azarar os “Queridinhos da Crônica˜. Mas já podem dizer por aí que após mais esta vitória, a décima-quinta seguida, entraram para a história. E eu me orgulho disto.

Em tempo: Recebo informação de Arigatô que a marca de 15 vitórias consecutivas é sul-americana. Confira no Blog Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: Tem de rebolar

 

Votoraty 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Votorantim (SP)

Jonas é dos mais desengonçados atacantes que conheço. Ensaia belos dribles que nem sempre se completam, inventa chutes que na maioria das vezes acaba atrás da goleira e em campo carrega um olhar que me causa estranheza. Quando sofre falta joga-se no chão agarrado ao tornozelo e rola como artista de baixa qualidade, tenha sido atingido ou não. Chega a ser engraçado.

Mais graça ainda tem quando alcança seu objetivo: o gol. Nem tanto pelo gol em si – o que, convenhamos, já seria suficiente para me levar as gargalhadas -, mas pela dança desajeitada diante das câmeras. Hoje, acompanhado por alguns colegas, saracoteou na linha de fundo após fulminar a rede adversária com uma cabeçada, aos seis minutos do segundo tempo. Rebolou, mexeu as pernas, balançou os braços. Ao fim, confessou que a ideia foi de Douglas que ensaiou com ele no vestiário, antes da partida.

As coreografias de Jonas são conhecidas no estádio Olímpico desde que voltou a jogar pelo Grêmio. Faz a coisa tão mal que a mãe dele pediu para que deixasse a dança de lado, no ano passado. Foi atender o desejo materno, se machucou e ficou fora do time na parte final da temporada. Por isso, prefiro vê-lo faceiro a comemorar gols em vitórias necessárias como a desta tarde na pequena Votorantim, pela Copa do Brasil.

Necessárias porque a diferença entre os dois times é evidente e vai muito além do placar conquistado. Porém, dadas as condições impostas ao Grêmio para a prática do futebol foi de bom tamanho. O campo de jogo não merecia este nome. Era um enorme retalho de grama e buraco colocando em risco a integridade de jogadores profissionais. Aqui em São Paulo, encontra-se na várzea gramados melhores e dimensões maiores, inclusive com iluminação o que não ocorre no Domênico Paolo Metidieri, assim batizado em homenagem ao ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, comendador Alfredo Metidieri – será motivo de orgulho para a família ?

Vítor, nosso goleiro e capitão, sério de mais para comemorar os gols com remelexos, comentou de maneira precisa, como suas defesas: – Ganhamos de dois adversários, o Votoraty e o gramado. E o Grêmio teve de rebolar muito para esta dupla conquista.