Mundo Corporativo: Maria Tereza Gomes diz o que aprender com a aventura dos CEOs rumo ao topo da empresa

 

 

“Os presidentes de empresa, eles não tendem a estagnar diante dos problemas, eles tendem a superar esses problemas, eles continuam na batalha, eles não param – ah, vai chorar com a mamãe – eles vão brigar contra o dragão, eles vão vencer os inimigos, eles vão encontrar uma maneira de continuar sua jornada”. A afirmação é da professora e jornalista Maria Tereza Gomes em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Autora do livro “O Chamado – você é o herói do próprio destino”, Maria Tereza fala das aventuras, batalhas, guardiões, dragões e conquistas que fazem parte da nossa jornada profissional. E apresenta algumas questões que precisamos ter bem definidas antes de aceitarmos um novo emprego.

 

Na entrevista com o jornalista Mílton Jung, ela sugere que ao ser convidado para um novo emprego ou função, você responda a três perguntas:

 

Você está pronto para aquilo (tem as competências necessária)?
Você se sente confortável (faz parte dos seus valores)?
Você vai estar com pessoas que você gosta (gente que vai ajudar você a se desenvolver)?

 

Para saber mais, assista ao vídeo do Mundo Corporativo.

 

O programa é apresentado ao vivo, às quartas-feiras, no site e na página da Rádio CBN no Facebook. E aos sábados é reproduzido no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: a homenagem do futebol a Antônio Augusto, o Plantão Esportivo

 

São José 1 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – São Leopoldo(RS)

 

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Havia oito jogos sendo disputados simultaneamente e cada resultado poderia determinar o destino de um dos times do Campeonato Gaúcho, nesta última rodada da fase de classificação. Alguns já estavam garantidos, mas poderiam ficar mais acima na tabela, o que daria vantagem no mata-mata que se inicia esta semana. Outros ainda tinham chances de estar entre os oito classificados. E uns poucos lutavam desesperadamente para escapar da segunda divisão estadual. Na tela da televisão, enquanto assistia ao Grêmio cumprir tabela, pois como estava garantido na próxima etapa entrou em campo com time misto, a vinheta eletrônica surgia a todo instante sinalizando a marcação de gol nas demais partidas. Surgiram com frequência bem maior do que nas rodadas anteriores: 23 no total, 2,8 por jogo, acima da média da competição que é de apenas dois gols por partida. Os gols se sucediam, a vinheta piscava e a todo instante, vindo de algum lugar qualquer, uma voz parecia ressoar na memória:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Era como se estivesse de volta aos meus tempos de guri, em Porto Alegre. Uma época em que o rádio reinava quase sozinho no futebol. À televisão era reservada apenas uma partida e mesmo assim tirávamos o som para acompanhar a transmissão eletrizante dos narradores do Rio Grande do Sul, uma escola que fez época na radiodifusão brasileira. Por motivos óbvios, cresci ouvindo a Rádio Guaíba, mas é importante lembrar que este hábito não era apenas meu e por familiaridade com a emissora, era de boa parte dos gaúchos. Vibrávamos com a precisão das descrições feitas de cada lance por vozes que aprendemos a admirar. Havia comentaristas capazes de analisar taticamente a disposição dos times e repórteres que não deixavam escapar qualquer cena dentro e fora de campo.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Este rápido diálogo, que se repetia todas as vezes que algum gol havia sido marcado no planeta bola era uma espécie de marca registrada daquelas transmissões. O bordão era reproduzido por mim e por muitos da minha geração nas peladas de rua ou nas acirradas disputas de jogo de botão para tripudiar sobre o time adversário. Por trás da brincadeira, havia o reconhecimento a uma das figuras mais importantes do rádio esportivo brasileiro: Antônio Augusto dos Santos, o Plantão Esportivo. Era uma figura misteriosa para a maioria dos ouvintes. Não ia aos estádios, não aparecia em público e não se sabia para quem torcia (alguns de nós sabíamos). No entanto, era capaz de nos contar cada gol feito em qualquer parte do mundo segundos após a bola estufar a rede. Tive a oportunidade de vê-lo trabalhando sentando à mesa do estúdio da Guaíba, na rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Em torno dele, uma quantidade enorme de aparelhos de rádio Transglobe, fabricados pela Philco brasileira, que permitiam a sintonia de emissoras à longa distância. Todos ficavam com o som relativamente baixo até que um grito de gol surgisse. Antônio Augusto, com a rapidez que o veículo exigia e a precisão que só os craques oferecem, logo identificava o autor do gol e seus dados:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Nos lugares em que os aparelhos de rádio não alcançavam ou as emissoras não transmitiam, até onde lembro – e quem lembrar mais, por favor, me conte – ele montava uma complexa rede de informantes ou contava com precárias linhas telefônicas. Qualquer esforço era válido para nos manter bem informados. Com esse apuro, nos apresentou jogadores desconhecidos e equipes em ascensão, em um tempo no qual o acesso a internet era inimaginável. Nos ensinou muita mais: sem as tabelas eletrônicas da atualidade à disposição, colecionava gols, placares, resultados e a participação individual dos jogadores. Com seus arquivos implacáveis construiu a estatística do futebol mundial, pois seus dados iam muito além de Grêmio e Inter, os times da redondeza. Além de contar o gol, Antônio Augusto nos contava quantos gols o artilheiro já havia marcado, em quantos jogos esteve presente, o desempenho do nosso time na competição e na temporada, e mais uma série de informações complementares e significativas. Era capaz de manipular uma quantidade incrível de fichas e dados graças a sua organização e inteligência aplicadas na função que desempenhava. Ninguém foi capaz de fazer igual.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Depois de admirá-lo no rádio e no estúdio, tive o privilégio de participar de jornadas nas quais Antônio Augusto foi plantão esportivo. Era um profissional correto e exigente. Com toda sua firmeza, porém, nunca deixou de me tratar com um carinho especial que, tenho certeza, tinha muito a ver com o respeito e companheirismo que mantinha com meu pai. Os dois sempre foram muito amigos. Foi meu pai quem me informou, por telefone, que Antônio Augusto morreu na madrugada deste domingo, aos 77 anos, vítima de um AVC. Imediatamente, liguei para um dos filhos dele, Antônio Augusto Mayer dos Santos, que conheci já advogado e especialista em direito eleitoral, em 2010. Desde aquela época, tenho o prazer de publicar alguns de seus textos neste blog. Antônio Augusto, o filho, mesmo diante do momento difícil para a família, fez questão de me contar, hoje, algo que me deixou ainda mais emocionado: disse que o pai dele era meu torcedor, pois vibrava quando me via na televisão logo que me transferi para São Paulo. Sei que ele torcia mesmo era pelo Grêmio, paixão declarada publicamente em 2007. Mas pelo que conheço da maneira sincera como ele sempre tratou os amigos do peito, guardarei esta história no coração, assim como guardo na memória aquela voz:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

À esposa e aos filhos nossa solidariedade. E o desejo de que, neste Domingo de Páscoa, os gols marcados acima da média, na rodada do Campeonato Gaúcho, e os outros tantos assinalados mundo a fora, sejam registrados nas estatísticas como uma homenagem do futebol a este grande nome do rádio esportivo brasileiro. Porque onde tem gol, sempre haverá a marca de Antônio Augusto.

Beleza é fundamental; planejar, também

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A saga da beleza carioca deve ter colaborado para que o Rio não tenha feito uma JMJ bem organizada. A concepção de que o belo seja suficiente para seduzir e atrair não é de agora. Há dez anos, César Maia ao receber a escolha pelo COB para se candidatar às Olimpíadas provocou São Paulo usando a frase de Vinicius: “Beleza é fundamental”. Eduardo Paes pelo que observamos continuou nesta linha, tentando abocanhar todo e qualquer evento para a cidade em virtude da sua beleza.

 

A JMJ que se encerrou domingo, como todos perceberam, aflorou a questão, pois o Rio não foi aprovado como anfitrião eficiente. Ora pela incapacidade natural de receber tantas pessoas, ora pela incompetência operacional, fatos que não passariam por um planejamento de categoria. A tal ponto que até os locais mais expressivos da paisagem carioca deixaram de render o crédito merecido em função do congestionamento. O que prova que beleza é apenas fundamental, mas não é suficiente.

 

César Maia certamente não se atentou ao poema completo de Vinicius. Em “Receita de Mulher” Vinicius de Moraes criou uma das frases mais conhecidas de sua obra e, por isso a expressão que inicia seu poema se sobrepôs a todo o conteúdo. “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, ficou como se fosse a Receita de Mulher de Vinicius de Moraes. Aos mais atentos basta ler outro trecho para entender que beleza não é o único caminho:

Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro 

Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem 

Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então.

 
O próprio Vinicius exemplificou, pois suas mulheres, como bem lembrou recentemente Ruy Castro em sua coluna na Folha, não eram fundamentalmente belas. O sábio poeta deve ter seguido o popular: “Boniteza não põe mesa”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.