Sua Marca: como enfrentar os gigantes do mercado

 

“A primeira coisa a ser feita é olhar para aquilo que você quer ser; pensar o quanto você pode se alimentar de alguma coisa inspiradora e diferente do que fazem seus concorrentes” —- Jaime Troiano

Em mercados muito competitivos ou com empresas que dominam o setor, as marcas menores ou iniciantes precisam buscar caminhos diferentes para se destacar diante de seus clientes. Ao tentar simplesmente copiar a estratégia dos gigantes, corre-se o risco de se gastar muito dinheiro e se alcançar resultados frustrantes.

 

Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com o jornalista Mílton Jung, no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

 

Cecília Russo citou estratégias de marketing de guerrilha, defendidas pelo autor Cole Schafer, que se adaptam às necessidades de marcas com menor poder econômico.

 

Uma delas é a possibilidade de usar recursos do comércio local através de parcerias: por exemplo, uma loja de roupas pagar os 50 primeiros cafés servidos em uma cafeteria da vizinhança, criando um vínculo entre o cliente da cafeteria e a loja.

 

É preciso lembrar ainda que marcas têm de estabelecer uma relação entre pessoas, pois os clientes gostam de saber que há vida por trás daquele negócio — seja ele qual for.

“Imagine a possibilidade de criar uma playlist no Spotify com músicas que são do gosto das vendedoras e dos vendedores da loja, oferecendo essa lista por WhatsApp ao seus clientes. É uma forma de mostrar a sua cara ao seu público” —- Cecília Russo

Como sugestão final, Cecília e Jaime recomendam que se busque um espaço próprio e se use as vantagens de uma marca menor: maior agilidade, menos hierarquia para tomada de decisões e mais ousadia.

Mundo Corporativo: empresas precisam entender vantagens de contratar jovens pela lei do Aprendiz, diz Casagrande

 

 

“Todas as empresa que iniciam o programa, que gostam, não param mais, porque aqueles que já o fizeram, não encara mais como um problema, encara como uma solução no mundo do RH, no mundo do trabalho“ —- Humberto Casagrande, CIEE

O Brasil tem atualmente cerca de 420 mil pessoas beneficiadas pela Lei de Aprendizagem, que determina que empresas com 100 ou mais funcionários destinem de 5% a 15% das vagas a jovens de 14 a 24 anos. Humberto Casagrande, superintendente-geral do CIEE, calcula que se todas as empresas cumprissem a lei, o país teria 1,1 milhão de jovens aprendizes.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Casagrande apresentou dados de pesquisa do Instituto Datafolha, com jovens que participam do programa Jovem Aprendiz, de responsabilidade do Centro de Integração Empresa Escola.

“É um programa transformador, porque o jovem neste momento da vida, ele tem pouca noção do mundo do trabalho, tem poucas perspectivas, normalmente não tem oportunidades, então está disponível para cosias que não são muito boas —- ele encontra uma razão muito forte no seu dia-a-dia, conhece como funciona uma empresa, a dinâmica de uma empresa, como a dinâmica empresarial se desenvolve e tem contato com instrutores para ter orientação de vida e de caráter —- as pesquisas que fazemos mostram que é transformador na vida do jovem fazer este programa, só lamentamos não termos mais vagas”.

Conforme pesquisa, 53% dos jovens seguem trabalhando depois do programa e 25% deles são contratados na própria empresa, que têm a oportunidade de formar seus quadros gerenciais do futuro. Além disso, lembra Casagrande, as empresas renovam suas ideias a partir da inserção de pessoas mais jovens, aumentando a diversidade geracional.

 

Os candidatos do Programa Jovem Aprendiz, do CIEE, participam de cursos de capacitação que focam noções de cidadania, relacionamento no mundo do trabalho e desenvolvimento de sua personalidade.

“Existem muitas oportunidades para aprender, estudar e melhorar. O mundo será daqueles que se capacitarem, tiverem visão de negócio. E entenderem que é possível. A autoestima deve ser elevada e todos nós podemos conseguir as coisas e chegar lá”

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e na conta @CBNoficial do Twitter. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22 horas, em horário alternativo.

Sua Marca: conheça as marcas consideradas imprescindíveis pelos consumidores

 

 

“Ter marca não é ter um logo bonito, cores simpáticas ou iniciativas que criem um efeito de energia, ter marca é trazer valor ao consumidor” —- Cecília Russo

 

As pessoas que realmente gostam, usam e são cativos de uma marca representam 10% dos consumidores, segundo estudo desenvolvido pela Troiano Branding. Para Jaime Troiano e Cecília Russo isso não significa que as marcas são indispensáveis. O dado, porém, deve servir de alerta para as empresas que se limitam a vender produtos ou serviços sem trazer uma relevância para as pessoas — o que as torna incapazes de conquistar o coração do consumidor.

 

Na conversa com Mílton Jung, no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, nossos especialistas em branding destacaram as marcas que tiveram maior relevância na pesquisa “Meaningful Brands”, do Havas Group:

 

  1. Google
  2. PayPal
  3. Mercedes-Benz
  4. WhatsApp
  5. YouTube
  6. Johnson-Johnson
  7. Gillete
  8. BMW\
  9. Microsoft
  10. Danone

 

Jaime e Cecília chamam atenção para a necessidade de as empresas aprenderem com o trabalho realizado por essas marcas que souberam agregar valor. Mas o que é valor?

“É aquilo que tem alguma relevância para mim, tem alguma conexão e algum sentido de imprescindibilidade para nós”, diz Jaime Troiano.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e está disponível, também, em podcast no site ou no aplicativo da CBN.

Sua Marca: Qual é o sonho que move você? Qual o sonho que move a sua carreira?

 

“A iniciativa é alimentada pelo sonho, mas é preciso ter “acabativa”, ou seja, fazer com aquele sonho se materialize” Jaime Troiano

As empresas e as marcas precisam ter no seu comando pessoas que sonham alto, capazes de inspirar seus colaboradores e conquistar seu público. Porém, é necessário que a equipe de trabalho seja formada por profissionais com capacidade de execução. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

 

É preciso muito cuidado para que a ideia do sonhador —- o responsável pela prosperidade de muitas empresas e negócios —- não seja traduzida como a daquele empresário que “vive nas nuvens”, que não tem um projeto ou um plano de ação.

 

Um bom exemplo de um sonhador que sabia executar era Steve Jobs à frente da Apple. Mas há casos bem mais próximos de nós.

 

Cecília Russo lembrou de uma marca que atua no varejo de vestuário, a Caedu, destinada ao público da classe C, que tem no comando a empresária Leninha da Palma:

“A magia da marca que ela carrega é alimentada pelo sonho que mais pessoas podem ter acesso a ter roupa e de qualidade”.

Como sonhar é preciso, pense agora: qual é o seu sonho? O que move você na sua carreira? Ou na sua empresa?

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: o local de trabalho inspira e retém talentos

 

 

 

 

“Hoje para reter talento, muito mais importante do que salário, plano de carreira, etecetera e tal, é o valor agregado que as empresas estão entregando na vida desses funcionários, ou seja, com jornada flexível, seja com outros tipos de ambientes de trabalho, e, por incrível que pareça, o espaço agrega bastante” Tiago Alves, IWG no Brasil.

 

 

O lugar onde você trabalha, o tipo de escritório que você usa … tudo isso pode ser transformador no seu negócio. Vai depender da escolha que você fizer —- e, claro, que esta escolha deve levar em consideração as características e a cultura da sua empresa. Coworking, escritórios compartilhados ou sede própria são algumas das opções no mercado. Para entender a diferença desses ambientes, o Mundo Corporativo entrevista Tiago Alves, presidente do IWG no Brasil, grupo que reúne marcas como a Regus e a Spaces.

 

 

Alves defende que o uso dos espaços compartilhados pode ajudar no desenvolvimento de novos produtos e serviços:

 

 

“… como as empresas hoje tem uma necessidade de se conectar com inovação, uma das formas mais rápidas delas mostrarem inovação par aos seus funcionários e estarem conectadas com o que está acontecendo de novo é migrar o seu espaço para um ambiente colaborativo”

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br, na página da CBN no Facebook e no perfil do Instagram @CBNoficial. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

De política, de costumes e de tragédias: marchinhas finalistas falam do Brasil

 

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Tanto faz como tanto fez. Seja lá quem estiver no poder, será alvo das marchinhas e músicas do Carnaval brasileiro. Foi assim na Ditadura de Getúlio e foi na Ditadura Militar. Foi com Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Não seria diferente com Bolsonoro. E, claro, seu governo e seus ministros, assim como suas frases e expressões, mexeram com a criatividade de compositores como se percebeu na série de sugestões enviadas pelos ouvintes para o 6º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval do Jornal da CBN. Outros temas nacionais também mobilizaram a produção musical, como a tragédia provocada pela Vale.

 

Com uma centena de músicas inscritas, muita letra debochada e ritmos misturados, chegamos às cinco indicadas para o voto popular. Curta a letra, aumente o som e vote no site www.cbn.com.br até quinta-feira às 11h59 da noite. A campeoníssima será conhecida na sexta-feira, durante o Jornal da CBN:

 

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OS PASSA-PANO
Dudu Pinheiro

 

 

Eu tô passado, indignado, horrorizado, assustado, tô bolado não é
possível tá demais!

 

Com tanta treta não escuto uma panela ser batida na janela do
vizinho aqui de trás

 

É que tem gente que anda tão acomodada
Fingindo que não tem nada acontecendo de anormal

 

É um tal de passar pano na cabeça, no laranja, na ministra da goiaba nesse bando sem noção

 

Essa galera do passado vive passando vergonha já passaram do
limite dando só passo pra trás

 

Mas não vai passar batido, não!
Eu não passo pano!

 

Se liga no recado:
Não passarão!

 

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AI, MOURÃO!
Os Marcheiros

 

 

Ai Mourão aí Mourão
Não faz assim
Que eu te dou meu coração

 

Aí aí aí aí aí
É uma tortura essa paixão
Mas tem gente com ciúme
Esse amor
ainda vai dar confusão

 

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TALQUEY, TALQUEY (A CULPA É DO PT)
Marília Passos e Isis Passos

 

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de artistas
Essa mamata ai acabar
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de esquerdistas
“Vamo acabá com isso daííí”
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

Nossa bandeira jamais será vermelha
Quem garantiu foi Jesus na goiabeira
Chegou a hora da nossa oração
Partiu igreja com a arma na mão

 

Bandido bom é bandido morto
Sou cidadão de bem porque eu sou cristão
Melhor JAIR procurando o que fazer
Vou acabar com a Lei Rouanet

 

Traz a Damares
Traz o Mourão
Que traz seu filho pra mamar no tetão
Prepara o suco de laranja pro Queiróz

 

Que traz um dinheirinho para todos nós

 

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ASSIM NÃO VALE
Rodrigo Soares

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Fiz minha casa no alto de uma montanha
Imaginado ar puro, sombra e água fresca
Mas um dia me chegou um testa de ferro
E minha vida virou de ponta cabeça

 

É ferro, é ferro, é ferro
É ferro, é ferro que interessa
Dinheiro, riqueza
Emprego e desenvolvimento à beça

 

E todo dia da minha janela eu via
Muito buraco e a poeira que subia
Muito barulho e a montanha que encolhia
Água sujando e minha casa que tremia

 

Mas temos celular
Temos um carro e internet para acessar
E ainda vamos ter dinheiro para gastar
E avião para podermos viajar

 

Então aconteceu naquele dia
Rompeu aquilo que não se rompia
E a cidade viveu muita agonia
Muita tristeza, muita dor

 

É lama, é lama, é lama
É lama em todo o lado,
Embaixo e em cima
E o emprego e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

E o emprego, e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
E ainda fazer com que ela espalhe

 

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TODA COR, TODO AMOR
Tereza Miguel

 

 

Eu visto toda cor, toda cor que eu quiser
E não faz diferença se eu sou homem ou mulher
Eu sou uma pessoa total e poderosa
Por isso eu visto azul, por isso eu visto rosa

 

O amor não tem só duas cores
Mas todas as cores do olhar
O medo de amar cega os olhos
De quem não quer enxergar

 

Vote agora no site www.cbn.com.br

Mundo Corporativo: mude você antes que a sua empresa mude, sugere Wanderlei Passarella

 

 

 

 

 

“Não espere sua empresa mudar para você mudar. É uma das coisas que eu coloco para os executivos que ajudo a repensar a carreira. Você tem de começar agora pensando que daqui cinco ou dez anos a empresa que você está hoje, tão sólida, pode estar mudando” — Wanderlei Passarella, mentor de executivo

 

 

As mudanças na forma de encarar o mundo e a nós mesmos exigem forte poder de adaptação das empresas e dos seus profissionais. Para entender como é possível enfrentar essa transformação sem estresse e de maneira planejada, o jornalista Mílton Jung, apresentador do programa Mundo Corporativo da CBN, entrevistou Wanderlei Passarella que é conselheiro de empresas, mentor de executivos e coautor do livro “A reinvenção da empresa — projeto Omega”, escrito com Paulo Monteiro e publicado pela editora Évora.

 

 

Para que essa reinvenção ocorra, Passarella recomenda que os profissionais prestem atenção em três aspectos:

 

 

1. Incorporar a tecnologia —- as novidades tecnológicas estão aí para facilitar a sua vida, use-as com equilíbrio sem se transformar em escravo delas.
2. Amplie a base de conhecimento —— saiba que para aprofundar o conhecimento em uma determinada área é preciso expandir a base de conhecimento; os especialistas hoje precisam fazer sinapses, buscar uma relação multidisciplinar.
3. Desenvolva o autoconhecimento —- você vê o mundo lá fora se transformando, mas você pode mudar também e só vai conseguir se trabalhar mais centrado e olhando para si mesmo, em como você encara as coisas e quais são os seus valores.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial do Instagram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo.

Mundo Corporativo: “trabalhadores serão contratados pela inovação”, diz Adriano Lima

 

 

 

“O emprego será demitido pela automação mas trabalhadores serão contratados pela inovação, porém não os mesmos trabalhadores ou os trabalhadores com as mesmas competências” — Adriano Lima, gestão de pessoas

 

A chegada da tecnologia no seu ambiente de trabalho tem sido cada vez mais veloz e transformadora. E nós precisamos estar preparados para essas mudanças. Por isso, o Mundo Corporativo conversou com Adriano Lima, da LM+ e da PeopleTech e especialista em gestão de pessoas, que tem se dedicado a entender quais as competências que os novos empregos esperam de você:

 

Essas outras habilidades de relacionamento, de empatia, de criatividade, elas terão de ser mais trabalhadas e a gente sabe que isso não se ensina em curso, não se ensina em faculdade, é um processo de desenvolvimento nosso, da pessoa, do ser humano, através do seu autoconhecimento, do seu autodesenvolvimento que é o que a gente tem buscado investir cada vez mais nas empresas”

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível na lista de podcast da CBN. Colaboraram com o programa o Guilherme Dogo, o Rafael Furugen, a Debora Gonçalves e a Natália Mota.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: o dia em que andei de ônibus com o criador da estátua de Borba Gato

 

Por Durval Pedroso da Silva Jr
Ouvinte da CBN

 

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A estátua de Borba Gato, em Santo Amaro, em foto do site da ALESP

 

 

Nasci no Bairro do Bexiga, próximo da Avenida Paulista, em janeiro de 1951. Morei nela por quase 40 anos, o que por si só daria para contar  muitas histórias. Resolvi, porém, relatar uma que reputo interessante.

 

Estava eu em companhia de meu pai, no inicio de fevereiro de 1963 — eu com apenas 12 anos — abordo de um ônibus da Viação Bola Branca, que saiu do Largo de Pinheiros com destino a Santo Amaro, onde morava a maioria de nossos parentes.

 

Quando entramos pela Avenida Santo Amaro, perto da Vila Nova Conceição, subiu ao ônibus, que estava bem lotado, um velho amigo do meu pai: o escultor Julio Guerra. Meu pai apresentou o seu amigo a mim, com toda a pompa e circunstância, explicando suas habilidades como pintor e escultor. Em contra partida, o Julio falou maravilhas das habilidades esportivas de meu pai, mas como estas eu já conhecia sobejamente, tratei de fazer o maior número de perguntas, ao primeiro pintor e escultor que conheci na minha vida — ao ponto de meu pai me dar um beliscão bem dado, para eu parar de metralhar seu amigo com perguntas.

 

Quando estávamos passando no Alto da Boa Vista, demos de cara com a enorme estátua do Bandeirante Borba Gato, que tinha sido inaugurada há alguns dias. Eu maravilhado com aquela grandeza toda, ouvi bem baixinho no meu ouvido: — “esta é uma das minhas obras”, disse Julio. Mas a esta altura já tínhamos ouvido muitos comentários dos passageiros. Uns, inclusive, não muito elogiosos com relação à obra. Antes que eu abrisse a boca para falar em alto e bom som que estávamos com o autor daquele monumento dentro do nosso ônibus, meu pai que conhecia a tagarelice do filho, tampou levemente a minha boca. Mas o grande momento veio a seguir. O Julio vira-se para mim, num tom bem baixo, e diz: — “esta é a razão maior de uma obra de arte, provocar sensações e comentários”.

 

Mais um ensinamento que aprendi nesta nossa maravilhosa cidade.

 

Durval Pedroso da Silva Jr. é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: muito frio, pouca roupa e uma tremenda vontade de ser alguém na vida

 


Por Edileide Koller
Ouvinte da CBN

 

 

Tenho um orgulho danado de ser umbuzeirense. Nasci em uma casa bem grande, onde da metade para trás pertencia a Pernambuco e da metade para frente, a Paraíba. De Umbuzeiro, minha família e eu, com 4 anos, fomos morar em Orobó, cidade mais próxima e totalmente pernambucana, para que meus irmãos mais velhos pudessem estudar no ginásio. Quando eu tinha 9 anos, fomos morar em Recife — novamente por conta dos estudos dos meus irmãos que deveriam fazer faculdade para “ser alguém na vida”.

 

A partir daí, segue essa história que sempre me faz derramar um líquido salgado pelo rosto. Um típico exemplo de desigualdade no Brasil, pelo tanto de força e determinação que eu tinha para “vencer na vida”. Na época não entendia bem isso. Como é bom às vezes não entender bem o que se passa a nossa volta. Eu só tinha a certeza de que tudo dependia de mim, que se eu me esforçasse bastante, muito mesmo, eu conseguiria. Infelizmente, não é bem assim. Precisamos de oportunidade também. Faltou! Chorei agora. Literalmente chorei muito.

 

Pois bem, foi no Recife que comecei faculdade de Economia na UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco e, no 3º ano, decidi morar em São Paulo a convite do meu querido irmão Walmir, que lá morava. Cheguei em 1987, com 22 anos.

 

São Paulo do frio, da garoa, do consolo. Cidade grande, linda, cheia de cinemas, teatros e parques. Cada dia mais a cidade me encantava e me seduzia. São Paulo sempre foi palco de grandes movimentos, sede de multinacionais e renomadas universidades. Me empolguei.

 

Sabe aquela guerreira nordestina, que sabia o que queria? Vencer na vida! Consegui uma transferência da faculdade para a PUC, de manhã. Não tinha como pagar. Consegui uma transferência para a FMU, à noite.

 

Comecei a trabalhar na primeira chance de emprego. Recepção.

 

Mas estava em São Paulo. Quantos queriam estar…

 

Um dia, em plena Avenida Paulista, voltando da faculdade para casa, o termômetro marcava 10 graus. Muito frio, pouca roupa. Muita fome, pouco dinheiro. E eu me perguntei se não era melhor estar no calor da casinha da minha mãe, tomando sopa de feijão e com a barriga cheia, lá no Recife. Realmente um dilema, porque só vivendo isso para saber.

 

Mas estava em São Paulo. Quantos queriam…

 

Somente em São Paulo, percebi o quanto era limitada, o quanto não sabia das coisas, o quanto tinha que correr contra o tempo para conquistar meus objetivos. O quanto tinha que ler, estudar, acordar cedo, dormir tarde e me privar de fazer lanches no meio da manhã e no meio da tarde. Mas as oportunidades eram maiores. Mesmo relativizando porque os salários em São Paulo são maiores, mas o custo de vida também. Tem mais empregos, mas a demanda por emprego é maior.

 

E eis que, no meio disso tudo conheci Celso. 1989.

 

Ufa!!! Um namorado. Pelas nossas diferenças, não sei como ficamos juntos. Devo ter conquistado aquele coração alemão pelo tanto de amor que tinha para dar e faltava a quem. E enchi o homem de amor. Até hoje, quase 30 anos.

 

E em São Paulo posso dizer que vivi os melhores momentos da minha vida. Me formei, trabalhei, casei, construí uma família linda, ganhei minhas duas meninas, Beatriz e Letícia. Conquistei coisas importantes da vida.

 

Pois bem, essa é a resumidíssima história sobre minha chegada a São Paulo. O tempo muda nossas perspectivas, nossos pensamentos e hoje não somos o que éramos há um ano, quanto mais há 30 anos. Mas mantive um pensamento que tenho desde pequena, desde sempre. O conhecimento é a principal riqueza. Através dele você faz conquistas e as mantêm. Durante todo esse percurso que acabei de contar, tentei aprender o máximo que pude, dentro das minhas possibilidades. E aprendi que nunca é tarde para isso. Eu não paro.

 

Ah, São Paulo! Quantos queriam…

 

Edileide Koeller é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial de aniversário: envie seu texto agora par contesuahistoria@cbn.com.br