Avalanche Tricolor: por Geromel e Kannemann

 

Atlético GO 1×1 Grêmio

Brasileiro – Estádio Olímpico/Goiânia-GO

 

Kannemann é gigante na área; foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Antes de o domingo acabar, convido você a fazer comigo um exercício de imaginação. Faz de conta que o time para o qual você torce tenha disputado sete partidas em um campeonato de pontos corridos e só tenha perdido uma delas. Você olha os demais adversários e descobre que apenas um deles perdeu menos; três perderam tanto quanto; e os demais 15 perderam mais do que o seu time.

 

Isso não seria motivo de otimismo para você?

 

Depende. 

 

E depende porque no futebol não basta não perder. É preciso ganhar. Mais do que ganhar. É preciso jogar bom futebol. Especialmente se o seu time o acostumou a ver a bola sendo rolada com maestria no gramado, e os jogadores se movimentando em uma coreografia capaz de encher os olhos do torcedor e atrapalhar a visão dos marcadores. 

 

Assim tem sido desde 2016 com o Grêmio. Nosso time entra em campo e, independentemente do resultado, o futebol jogado é de alta qualidade —- com as exceções de praxe. Muitas vezes a perfomance era capaz de nos deixar satisfeitos apesar do revés no placar. Competições foram perdidas, mas nosso time deixava o gramado com a certeza de que enfrentou o bom combate; e de cabeça erguida se preparava para o confronto seguinte.

 

O futebol do Grêmio pós-Covid tem se revelado muito abaixo daquilo que nos acostumamos e do que somos capazes de fazer, levando em consideração os jogadores que integram o elenco. Esse desempenho tem dado espaço a críticas, estimulado teorias de conspiração e levado a escolhas precipitadas — dentro e fora de campo. 

 

Se a você —- caro e raro leitor desta Avalanche —-, no primeiro parágrafo deste texto, convidei a fazer um exercício de imaginação; faço agora um pedido à diretoria gremista, comissão técnica e seus jogadores: um exercício de humildade. 

 

Deixemos as conquistas recentes em seu devido lugar —- na memória e no passado. Encaremos a realidade. Saibamos ouvir uns aos outros. Identificar as fragilidades. Corrigir nossas fraquezas. Solucionar nossa escassez. Fortalecer nossos méritos —- e se há mérito e motivo que ainda me fazem felizes quando assisto ao Grêmio em campo, é saber que Pedro Geromel e Walter Kannemann vestem nossa camisa.

 

Os dois seguem sendo a maior dupla de zaga do futebol latino americano. Jogadores que se diferenciam pela maneira de se portar em campo. Ao contrário da maior parte dos zagueiros brasileiros, não têm medo de atacar o adversário, de dar o bote — como se diz no jargão do futebol. E o fazem com precisão, na maior parte das vezes. Se necessário for, dão a vida pelo time. Foi o que fizeram neste domingo de futebol muito mal jogado em Goiânia.

 

Geromel entregou-se a uma rara expulsão em sua carreira para evitar o mal maior. Kannemann sacrificou seus músculos. Os dois foram gigantes para manter vivo o desejo de vermos o Grêmio ser o time que admirávamos — aquele Grêmio que já jogou o melhor futebol do Brasil e da América do Sul. Que um dia haverá de voltar aos estádios.

 

Avalanche Tricolor: não é pra tudo isso

 

Grêmio 1×1 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Kannemann está de volta, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Teve empate e frustração de torcedor, nesta noite de domingo, em Porto Alegre.

 

Teve coisa boa, também.

 

Particularmente, gostei muito de ver a troca de passe pelo lado direito com Miller Bolaños, Léo Moura, Ramiro, Everton e quem mais aparecesse. Foi assim que quase abrimos o placar. Se o gol não saiu por ali, ao menos o ensaio das jogadas me pareceu interessante. E pode render um bom caldo a medida que o entrosamento aumentar.

 

Gostei mais ainda de ver que Kannemann está em plena forma: praticamente não perdeu uma só jogada na defesa. E escrevo “praticamente” porque às vezes sou traído pela memória. Ganhou na bola e no grito, quando preciso. Com Geromel ao lado, formam a defesa ideal.

 

Sigo apostando que o talento de Miller será nosso ponto de desequilíbrio nesta temporada. Hoje, todas as boas jogadas passavam pelos pés dele e mesmo tendo de recuar um pouco mais do que de costume, esteve presente nos lances de gol. E no lance do gol, também. Pena ter usado o braço para ajeitar a bola, pois a cena se sobrepôs a bela jogada com a participação de Lincoln.

 

Aliás, dos que entraram no segundo tempo, ando doido pra ver o guri Ty Sandows jogar por um pouco mais de tempo. Mesmo em condições adversas, ele demonstra um talento e tanto. Hoje, na primeira jogada possível, dominou e chutou com muita precisão, obrigando o goleiro a uma bela defesa.

 

Como disse, porém, além de coisas boas, a partida deste domingo teve frustração, também. E não estou aqui me referindo a Maicon que tirou o pé em uma jogada lá no nosso ataque e de lá a bola passou pelo nosso meio de campo, chegou a nossa lateral, cruzou a nossa área, bateu e rebateu e foi parar dentro do nosso gol.

 

Frustrou-me ver que alguns torcedores têm memória curta e pouca paciência. Vaiar o capitão como fizeram é esquecer sua importância para o time e os serviços prestados até aqui. Sei que muitas vezes reclamamos por reclamar, precisamos encontrar bode expiatório para as coisas que não saíram como imaginávamos e já havia uma irritação do torcedor provocada pelas seguidas trapalhadas do árbitro. De repente, perde-se a bola no ataque e tomamos o gol de empate … é bronca na certa.

 

Mas não era pra tudo isso, como, aliás, bem disse Maicon ao fim da partida.

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, há de convir que foi muita briga pra pouca coisa. Transformar aquele momento em crise, é desperdiçar energia em algo pequeno diante dos desafios que temos pela frente nesta temporada e para os quais teremos de contar com todo o grupo mobilizado, unido e apoiado pela torcida.