Ouvinte descreve fim do lago da Aclimação

Um lago secar, por si só,  é cena inusitada. Isto ocorrer durante um temporal que afundou ruas, casas e carros como mostraram as imagens reproduzidas nas emissoras de televisão desde segunda-feira é surpreendente. Para o ouvinte-internauta Roberto Haathner, uma metáfora:

Acabei de presenciar o quadro mais triste de minha vida. Sou morador da Aclimação há mais de 14 anos e frequento o maior símbolo do bairro, o Parque da Aclimação, desde então. Ontem, fui caminhar como de costume pela manhã e, hoje, ouvi no noticiário sobre a tragédia no parque. Fui ver in-loco o ocorrido e fiquei muitíssimo chocado: um lago enorme, cheio de vida e beleza arrasado feito uma guerra, esvaziado e coberto de lama e lixo. Um solitário cisne negro caminha desorientado e muita sofreguidão em busca de sobrevivência nas escassas poças d´água que sobraram e alguns policiais tentam em vão salvá-lo. É uma metáfora da vida urbana na capital Paulista, triste muito triste. Meu filho de quatro anos perguntou o que havia acontecido e tive muita dificuldade em explicar. Ele me questionou: – Papai, o bicho está morrendo? Pensei: Não, a cidade está morrendo e fomos embora para casa, rezando pelo resgate da vida e de nossa alegria.

Perde a cidade, perde os moradores, perde a humanidade. Será que os culpados serão punidos? Ou será culpa, mais uma vez, da chuva ?