Conte Sua História de São Paulo: o leão de bronze amigo da família

 

Por Isabel Rubio Vazquez Conde

 

 

Faço parte de uma família de imigrantes espanhóis e tenho muitas histórias para contar mas esta que conto agora acho especialmente interessante:

 

Viemos da Espanha, meu pai, minha mãe e eu, em julho de 1949 — eu com um ano e meio de idade. Inicialmente, ficamos em Rio Claro, interior de São Paulo, onde meu pai tinha uns primos. Alguns meses depois viemos para São Paulo, onde meu pai foi trabalhar na Cia. de Gás, na Rua do Gasômetro, no Brás. Fomo morar próximo da fábrica.

 

Lembro-me do meu pai me levar para brincar no Parque Dom Pedro II, onde tinha uma estátua de bronze de um leão —- era a reprodução de uma obra do artista francês Prospér Lecourtier, especialista em construir estátuas com imagens de animal. Como bom imigrante, tudo que meu pai registrava em foto, ele enviava para a família na Espanha. Era para acompanharem meu crescimento. Isso deve ter sido no início dos anos de 1950.

 

Com as mudanças no Parque Dom Pedro II, a estátua do leão foi transferida para o Parque do Ibirapuera, nos anos de 1960. E havia perdido o contato com ela. Eis qual foi minha surpresa, muitos anos depois, passeando com meu marido e meus filhos, dou de cara com o leão —- e foi aquela festa, contei a história da estátua para meus filhos, lembrei da minha infância …

 

Os anos se passaram e o leão continuou a me acompanhar. Em 2011, visitei a família na Espanha. Minha prima Isa pegou uma foto toda amassadinha na qual aparecia eu, com mais ou menos cinco anos, montada no leão de bronze. Isa me contou que quando recebeu a foto, tinha uns quatro anos e levava a imagem na escola para mostrar para as amiguinhas e contar que tinha um prima que morava no Brasil e montava em uma leão. Era a sensação das meninas. Achei aquilo incrível.

 

Dois anos depois, essa mesma prima esteve no Brasil. E eu não tive dúvida: levei-a ao Parque do Ibirapuera, sem dizer nada, e a apresentei, ao vivo, ao leão mais famoso da nossa infância. Tudo, como aprendi com meu pai, registrado em foto.

 


Isabel Rubio Vazquez Conde é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mesmo morto, imagem de Cecil resiste e se transforma em símbolo de campanha contra a caça de leões

 

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Temos de matar um leão por dia é o que dizemos com frequência em analogia a tarefa árdua que enfrentamos para sobreviver na selva urbana. A forte concorrência, a disputa pelo cliente e as negociações complexas – todas essas dificuldades no cenário corporativo que conhecemos muito bem – se somam a necessidade de mantermos relações humanas saudáveis e preservamos a qualidade de vida, nossa e dos mais próximos. Os últimos acontecimento, porém, sinalizam que talvez esteja na hora de mudarmos a expressão, também, pois, ultimamente, matar leões tem se transformado em um risco à reputação de muita gente.

 

A vítima mais recente – e me refiro a reputação – foi o dentista americano Walter Palmer que tem na caça um dos seus hobbies (consta que atacar mulheres, também, estava entre suas preferências). No Zimbábue, ele e um grupo de adeptos da modalidade seduziram um leão a abandonar a área de proteção para em seguida atingi-lo com uma flecha e deixá-lo agonizando até a morte, em ação que teria se estendido por 40 horas. Antes de decapitá-lo e esfoliá-lo, tiveram o cuidado de arrancar o GPS implantado no animal na tentativa de expor o troféu sem revelar o crime.

 

A estratégia não funcionou. O leão morto não era um leão qualquer: era Cecil, considerado símbolo no Zimbábue e reconhecido pela forma dócil com a qual dividia o santuário dos animais com turistas e fotógrafos. Em pouco tempo, a notícia se espalhou no país, ganhou o continente e chegou a todas as partes do mundo, provocando uma onda de protestos.

 

Palmer, como se não tivesse consciência do crime que realizou, já pediu desculpas em gesto que, tenho impressão, não convenceu ninguém. Se os erros cometidos por ele anteriormente – já havia sido pego em caça ilegal e denunciando por assédio sexual – não tinham sido suficientes para atingir sua imagem, desta vez a reputação dele foi fatalmente ferida e vai agonizar da mesma maneira que Cecil.

 

Com sua flechada, o dentista americano (ou seria ex-dentista?) atingiu o coração de muitas pessoas, algumas que, talvez, jamais tenham refletido sobre a forma brutal como a caça é realizada. Hoje, por exemplo, já se mobiliza autoridades nos Estados Unidos e na Europa com o objetivo de que se aprove leis que proíbam a importação desses animais que, mortos, têm suas cabeças transformadas em troféus. O alvo da medida são as centenas de caçadores americanos e europeus que viajam especialmente para países na África e pagam fortunas para se divertirem com a morte de leões e outros animais exóticos. E aqui vale ressaltar essa diferença básica: não se caça por sobrevivência como no passado nem para se alimentar populações; a caça é uma diversão para essas famílias.

 

Quero acreditar que Cecil, até então um desconhecido para a maioria de nós, tenha tido sua vida sacrificada para se eternizar no nosso imaginário como o animal que teve força e carisma capazes de transformar o olhar da humanidade em relação a caça.

 

Acesse e assine a petição que tenta proteger os leões e animais exóticos dos caçadores

Imposto de Renda

 

Por Julio Tannus

 

 

Ah se fosse de renda! Leve e delicado, trabalhado pelas mãos sensíveis das rendeiras nordestinas. Quanta farsa, quanta mentira neste nome. Seu verdadeiro nome é Imposto de Chumbo: pesado e muitas vezes mortífero. Vamos resgatar a verdade!

 

Precisamos de um movimento popular para diminuir a carga tributária, como a história nos conta: a Inconfidência Mineira (1789), a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789). No Brasil, o primeiro imposto era cobrado pela Coroa portuguesa, que arrecadava 20% (o quinto) de todo ouro encontrado no país, o que teria originado a expressão “quinto dos infernos”.

 

Temos hoje no Brasil mais de 70 tributos federais, estaduais e municipais em vigor. E um de nossos problemas é que essa carga tributária corresponde aos padrões europeus, mas possuímos indicadores econômicos de países pobres e serviços públicos de péssima qualidade. Ou seja, não temos retorno minimamente equivalente ao que é arrecadado!

 

O problema desses impostos é que eles tornam as mercadorias mais caras, estimulando desde os famosos sacoleiros que trazem muambas do Paraguai até o mercado informal de camelôs. Para o setor industrial e empresarial, a tributação excessiva torna os produtos brasileiros mais caros e, por isso, menos competitivos no mercado externo, encarecem o maquinário e estimulam a sonegação fiscal.

 

Já os impostos indiretos taxam a produção e comercialização de produtos e serviços, além disso, não trazem justiça social.

 

Só uma reforma tributária poderia corrigir essas distorções, propiciando uma redução da carga tributária e beneficiando as empresas e os trabalhadores. Entretanto, a reforma emperra na questão política, pois os políticos relutam em abrir mão dos ganhos no país, tanto na esfera federal, como nos estados e municípios. Em consequência, todas as propostas de reformas não foram a frente no Congresso Nacional.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Brasil em Davos: saem os holofotes, aparece a sombra

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O pequeno crescimento brasileiro em 2012 resultou no desapontamento do Fórum Econômico Mundial em nosso país, que até então era o queridinho nas análises desenvolvimentistas. Certamente o 1% fez com que reaparecessem os antigos e saturados buracos estruturais. Impostos altos, maquina estatal grande e emperrada, corrupção endêmica, etc.

 

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault-Nissan em debate sobre o Brasil, ressaltou a exportação de matéria prima sem valor agregado, e a questão dos impostos. Efeito e causa.

 

Alexandre Tombini, do Banco Central, apontou que deveremos crescer 3% em 2013, o que segundo sua ótica é bom. Mas excelente é a relação entre o crescimento e o pleno emprego em que o Brasil vive, graças inclusive ao um milhão de postos de trabalho criados neste ano.

 

Então, qual dos olhares é o correto, o externo da incerteza, ou o interno da popularidade de Dilma e do otimismo de Tombini?

 

Pela característica da população economicamente ativa usufruindo do bônus demográfico, e pela riqueza dos recursos naturais, o Brasil poderá contrabalançar as fraquezas da estrutura geral. Governamental, tributária, política e moral. A questão é saber quanto tempo vamos precisar para extirpar os nossos problemas estruturais. Segundo o jornalista Clóvis Rossi, Davos acaba de demonstrar que a fila anda e já aparecem países com chances de substituir os Brics. Encabeçado pelo México, surgem, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Turquia.

 

Sem bola de cristal, podemos exercitar o exercício futuro através de Darwin. Os países que melhor se adaptarem às novas condições de competição sobreviverão com as melhores posições. Podemos também usar a velha piada dos dois executivos na floresta, sobreviventes de uma queda de avião. Diante de um leão faminto um deles tira da maleta um tênis. O outro não entende:

 

– “Você acha que vai correr mais que o leão com esse tênis?”.
– “Não, eu só preciso correr mais do que você”.

 

É melhor irmos preparando um bom tênis, qualquer que seja a nova fera que apareça .

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras