Passageiro não terá prejuízo com entrada de nova empresa

 

Empresa Leblon atrasou inicio das operações, mas ainda está no prazo para se adaptar ao sistema de pagamento eletrônico, em Mauá. Prefeitura fala em melhoria no transporte, apesar de briga na Justiça

Leblon 2436 EKH 0982


Por Adamo Bazani

A falta de validadores nas catracas impediu que a empresa Leblon começasse a operar no sistema de transporte de passageiros da cidade de Mauá no fim de semana passado. A expectativa da população é que os ônibus estivessem nas ruas no dia 4 de setembro, mas foi surpreendida com a manutenção das 18 linhas municipais nas mãos da Viação Januária.

Este é apenas mais um capítulo no processo de licitação realizado pela prefeitura de Mauá, região metropolitana de São Paulo, que se iniciou em 2008.

Há cerca de duas semanas, o ministro César Asfor Rocha, então presidente do STJ, deu parecer favorável a entrada da paranaense Leblon. A vitória dela no processo de licitação era contestada pela TransMauá e Estrela de Mauá, ambas do empresário Baltazar José de Souza, criadas para participar do certame. O grupo responsável por essas empresas também administra a Viação Januária e ainda não desistiu da disputa. Entrou novamente na justiça contra a decisão do ministro  Asfor,  que deixou o cargo de presidente do STJ sexta-feira passada. Um agravo de instrumento está sendo analisado pela Justiça.

O novo presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, já está com o recurso impetrado pelos representantes legais do grupo ligado à Viação Januária. Se ele reverter, a decisão anterior em prol da Leblon, o caso pode ser julgado pelo colegiado de ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Entramos em contato com representantes da Viação Januária e eles confirmaram que aguardam o parecer quanto a possível presença do grupo Leblon no sistema de ônibus de Mauá. Enquanto isso continuam operando o lote 02.

A Leblon também foi procurada e preferiu não polemizar. A empresa já possui uma frota de  cerca de 80 ônibus novos na garagem, em Mauá. E informou que com a decisão do STJ, proferida no fim de agosto, iniciou-se a implantação dos validadores e a realização de testes do sistema eletrônico de pagamento. A tecnologia dos atuais cartões é considerada ultrapassada e obsoleta. O edital engessou o avanço tecnológico na área de bilhetagem dos últimos três anos. A empresa diz estar empenhada no atendimento aos requisitos do edital. A Leblon tem um prazo de aproximadamente 70 dias para as adaptações, mas demonstra interesse em começar o serviço o quanto antes.

Bilhetagem eletrônica

A Prefeitura de Mauá, por meio da assessoria de imprensa, manifestou-se  reconhecendo que o atual sistema de transportes não está oferecendo o ideal para os passageiros, que merecem um serviço melhor.

Quanto a bilhetagem eletrônica, a entrada da Leblon, segundo a Prefeitura, não acarretará perda de dinheiro para o usuário. A integração entre os ônibus na cidade não será comprometida. Pelo contrário, há a previsão da criação de um serviço semelhante ao bilhete único que vai possibilitar a integração das linhas com uma tarifa mesmo fora do terminal de Mauá.

O contrato com a Leblon foi assinado em maio deste ano. Uma semana depois foi contestado na justiça, o que suspendeu o prazo para a instalação do equipamento. Este prazo só voltou a contar a partir da semana retrasada com a decisão do Superior Tribunal de Justiça favorável à Leblon. Assim, dos 90 dias que a nova empresa tinha para adotar o sistema com a tecnologia em vigor ainda restam dois meses.

Nós acompanhamos o trabalho da nova empresa para adaptar-se e constatamos que a Leblon tem contado com uma equipe de técnicos e especialistas em direito para começar a operar de acordo com o exigido pela licitação, o mais rapidamente possível.

Adamo Bazani, jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung