Mundo Corporativo: Caroline Marcon explica como formar equipes de alta performance

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Caroline Marcon

“O líder que faz esse trabalho de identificar bem as pessoas, compor um time forte e desenvolver esse time continuamente, ele não precisa controlar. É diferente de acompanhar.”

Caroline Marcon, consultora

As empresas que desejam resultados sustentáveis precisam investir na formação de equipes complementares e na construção de um ambiente de confiança. Essa foi a principal mensagem de Caroline Marcon, consultora organizacional e autora do livro O Poder dos Times AAA (Editora Gente), ao participar do Mundo Corporativo.

Na conversa, Caroline destacou que um líder eficaz deve ter a habilidade de selecionar as pessoas certas e garantir que elas trabalhem de forma integrada. “O líder é o grande maestro, ele faz essa sinergia entre o grupo acontecer. Ele precisa primeiro escolher as pessoas certas para compor esse time e, depois, criar um ambiente onde elas possam trabalhar bem juntas.”

A evolução da liderança: do controle à colaboração

Segundo Caroline, as empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de um modelo de liderança que favoreça a autonomia e a colaboração. O modelo tradicional baseado no comando e controle, que já foi amplamente adotado, tem se mostrado ineficaz para enfrentar os desafios contemporâneos. O que era competição virou colaboração.

Ela explica que o sucesso das equipes de alta performance passa pela capacidade do líder de equilibrar autonomia e acompanhamento. “Autonomia é você conseguir delegar decisões e responsabilidades para pessoas que você identifica como preparadas para isso. O primeiro passo para desenvolver autonomia é ter um time bem treinado e acompanhado, sem a necessidade de controle excessivo.”

A consultora ressaltou ainda que o desenvolvimento pessoal dos líderes é essencial para a eficácia da equipe. “Os líderes que desenvolvem uma estrutura emocional mais madura, uma comunicação mais clara e consciente, e conseguem se conectar com as pessoas, resolvem os problemas de negócio com muito mais facilidade.”

O impacto da diversidade na formação dos times

Outro ponto abordado na entrevista foi a importância da diversidade na composição das equipes. Caroline alertou para o risco de contratar apenas pessoas semelhantes ao próprio perfil do líder. “Contratar pessoas à sua imagem e semelhança é um erro comum. Quanto mais ampliamos a visão dentro de um time, mais competente ele se torna, porque diferentes perspectivas trazem soluções mais inovadoras.”

Ela citou o caso do Grupo Três Corações como um exemplo de empresa que utiliza a complementaridade de perfis para fortalecer sua gestão. “Os três irmãos que comandam o grupo têm estilos de liderança muito distintos, e isso é o que torna a empresa resiliente e bem-sucedida. Cada um foca nas áreas onde tem maior expertise, sem tentar ser o melhor em tudo.”

Caroline também falou sobre a influência dos vieses inconscientes nas decisões de liderança e como eles podem limitar a diversidade dentro das organizações. “Se você tem viés e não reconhece isso, não consegue ver oportunidades. O uso de dados nas decisões é essencial para minimizar essas distorções e construir times mais equilibrados.”

Ao abordar a equidade de gênero, a consultora reforçou que a presença feminina na liderança pode contribuir para um ambiente organizacional mais colaborativo. No entanto, ela alertou que a inclusão deve ser acompanhada por um desenvolvimento estruturado. “Não basta apenas colocar mais mulheres na gestão. É preciso garantir que elas tenham espaço para crescer e as competências necessárias para aquele negócio.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Lucia Rodrigues, da Microsoft, explica como a IA pode impulsionar sua carreira

Reprodução do vídeo da entrevista do Mundo Corporativo

“Um profissional curioso é um profissional que se mantém mais relevante no mundo de hoje, onde as coisas mudam muito rápido.” 

Lucia Rodrigues, Microsoft

A inteligência artificial (IA) não é apenas uma ferramenta avançada, mas um divisor de águas no mercado de trabalho. Enquanto algumas funções desaparecem, novas surgem em ritmo acelerado. A questão não é mais se a IA afetará a carreira dos profissionais, mas como eles podem usá-la a seu favor. Esse foi o tema discutido no programa Mundo Corporativo, que recebeu Lucia Rodrigues, diretora de capacitação e inteligência artificial da Microsoft Brasil.

O temor de que a IA substitua profissionais é compreensível, mas a história mostra que grandes inovações tecnológicas costumam reconfigurar o mercado de trabalho, e não apenas eliminar vagas. Segundo Lucia Rodrigues, o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, estima que 92 milhões de empregos serão eliminados até 2030. “Mas ele também traz um dado de que 170 milhões de novos empregos serão criados por conta da IA”, destacou. O saldo, portanto, é positivo, mas o caminho não será igual para todos.

A diferença entre um profissional que se adapta às novas exigências e aquele que fica obsoleto está na capacidade de aprendizado e adaptação. “O que vai diferenciar o profissional que vai ficar obsoleto do profissional que vai aproveitar a oportunidade que a IA vai trazer é aquele que se abre para aprender como ela pode agregar valor à sua profissão e, inclusive, mudar de carreira”, afirmou.

Habilidades mais valorizadas no mercado digital

Muitos imaginam que dominar ferramentas de IA seja a competência mais valorizada pelos empregadores, mas o que se destaca são habilidades exclusivamente humanas. “O pensamento crítico, analítico e as habilidades socioemocionais são as mais procuradas”, apontou Lucia. Isso significa que saber lidar com emoções, colaborar com colegas e manter um olhar crítico sobre as informações geradas pela IA são diferenças competitivas.

“A IA pode até te ajudar a aprender e a desenvolver essas habilidades, mas ela nunca vai fazer isso por você”, alertou.

Como se preparar para o futuro do trabalho?

Diante da velocidade das transformações, a educação continuada torna-se um requisito fundamental para qualquer profissional. A Microsoft, segundo Lucia Rodrigues, tem investido fortemente na capacitação. “Criamos um programa chamado Conecta IA, uma plataforma de aprendizagem com 42 parceiros, entre eles o Ministério do Trabalho, Sebrae e UNICEF.”

Para quem deseja dar os primeiros passos no aprendizado sobre IA, ela sugere cursos introdutórios que explicam desde os conceitos básicos até o uso prático das ferramentas. “Fizemos um curso chamado Fluência, que conta a história da IA, como ela funciona e como aplicá-la no dia a dia”, por exemplo.

Acesse aqui a plataforma de cursos da Microsoft

Como as empresas estão lidando com a revolução da IA?

As empresas estão em diferentes estágios de adoção da IA, mas a tendência é clara: quem não investir na tecnologia pode perder competitividade. “Vimos que 60% dos líderes não contratariam alguém que não tenha conhecimento de IA, e 89% acreditam que sua implementação é essencial para a competitividade da empresa”, apontou Lucia.

Por outro lado, muitos profissionais estão levando suas próprias ferramentas de IA para o trabalho, o que indica que as organizações ainda precisam investir em infraestrutura e capacitação. “Instrumentalizar as pessoas é fundamental. Não basta dizer que a IA é importante, é preciso criar um ambiente que permita seu uso eficiente e seguro”, ressaltou.

O futuro pertence aos curiosos

Ao final da entrevista, Lucia Rodrigues deixou um recado para aqueles que ainda não sabem como se encaixar nesse novo contexto: “Olhe para a IA como um aliado. Ela pode te ajudar em muitas coisas na sua vida profissional e pessoal. E divirta-se! Teste variadas ferramentas, veja onde elas são mais úteis para você.”

A curiosidade, segundo ela, é uma das chaves para se manter relevante. “Hoje é a IA, amanhã pode ser outra coisa. O que realmente nos torna profissionais preparados para o futuro é a vontade de aprender e se adaptar.”

Ouça o Mundo Corporativo

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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: participação feminina cresceu quase 500% em 13 anos no programa

Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti

No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.

Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas. 

Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.

Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.

Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.

Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.

A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.  

Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%. 

Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%). 

O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina. 

Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).

Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%. 

Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir. 

E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição. 

Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.

O retorno de Donald Trump e o perigo dos líderes tóxicos: mentiras, manipulações e um rastro de destruição

A volta de Donald Trump à Casa Branca, nessa segunda-feira, está permeada pelas incertezas e temores do que o líder populista americano fará com o poder reconquistado, nos Estados Unidos. Das certezas, a repetição de uma das marcas de seu primeiro governo, o uso da mentira como estratégia de comunicação e liderança. O comportamento de Trump na presidência foi motivo de uma série de estudos, alguns deles usei como referência no livro “Escute, expresse e fale!”, escrito com meus colegas António Sacavém, Leny Kyrillos e Thomas Brieu, pela editora Rocco.

No capítulo sobre líderes tóxicos citamos uma pesquisa que codificou quatrocentas mentiras proferidas por Trump, no primeiro mandato. Identificou-se que ele pode dizer sete vezes mais mentiras em seu benefício do que em benefício dos outros. Para ter ideia do que isso significa, as pessoas, por padrão, dizem duas vezes mais mentiras em benefício próprio do que mentiras em benefício dos outros.

De acordo com a  pesquisadora  Bella DePaulo, doutora em Harvard, apenas de 2% a 3% das mentiras contadas por pessoas comuns são cruéis, ou seja, têm o objetivo de prejudicar terceiros. No caso do presidente Trump as mentiras cruéis chegam a 50%.  Apenas 10% das mentiras de Trump são consideradas bondosas. Entre nós, “mentirosos comuns”, esse tipo de mentira chega a 25% — sim a gente também mente para o bem. Portanto, além de mentir muito, Trump mente para se beneficiar e para destruir os outros.

Um outro trabalho comparou os traços de personalidades e os estilos utilizados na campanha política por Trump, assim como os de mais 21 líderes mundiais considerados populistas. O resultado é impressionante. Mesmo quando colocado ao lado de figuras políticas narcisistas e agressivas, ele se destaca como um extremo entre os extremados. 

Conforme o psicanalista John Zinner, ex-chefe da Unidade de Estudos de Terapia Familiar do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH), em entrevista ao site Raw Story em 2020, Donald Trump é considerado perigoso por conta da fragilidade de seu senso de valor pessoal. Segundo Zinner, qualquer crítica ou demonstração de desprezo é vivenciada por Trump como uma humilhação profunda e uma ameaça à sua autoestima. Para lidar com esse vazio emocional, ele recorre ao que os especialistas chamam de “raiva narcisista”, reagindo de forma agressiva. Além disso, ele demonstra incapacidade de assumir responsabilidade por erros ou falhas, preferindo culpar terceiros e atacar aqueles que considera responsáveis por sua humilhação. 

No livro “Escute, expresse e fale!”, Trump ilustrou o capítulo dos líderes tóxicos em que explicamos também porque as pessoas seguem esses profissionais que persistem a frente de algumas organizações. Chamamos atenção para a forma como manipulam seus colaboradores, seduzem os colegas e forjam resultados imediatos, sem compromisso com o futuro. Encerramos o capítulo com um alerta que permanece atual: líderes tóxicos podem conquistar admiradores e alcançar resultados momentâneos, mas deixam um rastro de destruição que compromete instituições, relações e a confiança necessária para construir um futuro sustentável.

Conheça a versão ampliada e revisada de “Escute, expresse e fale!”, publicado pela editora Rocco.

Nova edição de ‘Escute, expresse e fale!’ destaca o impacto da IA na comunicação e storytelling ao vivo

A editora Rocco lança, nesta semana, a nova edição de “Escute, Expresse e Fale!” que destaca o impacto da Inteligência Artificial na comunicação e ensina como construir um storytelling ao vivo.


A comunicação é a base das relações humanas e o pilar para liderar em tempos de transformação. Por isso, a versão revista e ampliada de “Escute, Expresse e Fale!” (Rocco) chega com novidades indispensáveis para líderes e profissionais que desejam aprimorar suas habilidades comunicativas.

António Sacavém, Leny Kyrillos, Thomas Brieu e eu apresentamos dois novos capítulos que respondem às demandas contemporâneas: Inteligência Artificial (IA) e Storytelling ao Vivo.

IA e a comunicação do futuro


A revolução da IA está transformando a maneira como nos conectamos e lideramos. Sistemas como ChatGPT e tecnologias de personalização estão remodelando interações, e trazem dilemas éticos: como equilibrar o uso de dados sem comprometer a privacidade? Como manter a humanidade no centro das decisões?

Neste novo capítulo, exploramos o conceito do “Líder AI-Driver”, um perfil que combina habilidades tecnológicas e humanas para liderar de forma ética e empática. É um convite para navegar pelos desafios e oportunidades da IA sem perder de vista a essência da comunicação: o fator humano.

Storytelling ao vivo: comunicação em tempo real


Histórias sempre foram uma ferramenta poderosa, mas o storytelling ao vivo eleva isso a outro nível. É uma abordagem dinâmica, em que narrador e público cocriam experiências únicas no momento.

Essa técnica dissolve conflitos, promove empatia e engaja equipes como nenhuma outra. No livro, apresentamos ferramentas práticas para aplicar o storytelling ao vivo em contextos corporativos e interpessoais, transformando simples conversas em experiências memoráveis.

Por que ler a nova edição?



Seja você líder, educador ou profissional, esta obra é um guia para quem deseja navegar com impacto pelas mudanças do mundo atual. A integração dos temas de IA e storytelling reflete as novas demandas de comunicação e liderança.

“Escute, Expresse e Fale!” é um mapa para fortalecer conexões humanas e transformar palavras em ações poderosas.

Está pronto para dominar a comunicação e liderar com propósito?

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Mundo Corporativo: Tatiane Tieme, do GPTW, fala de liderança humanizada

Tatiane Tieme conversou on-line com o Mundo Corporativo

“O líder que quebra o estereótipo do super-herói e humaniza as relações do dia a dia alcança resultados superiores.”

Tatiane Tieme, GPTW

Diante das transformações no ambiente de trabalho, a figura do líder evolui para lidar com equipes cada vez mais diversas e demandas organizacionais mais complexas. Seja na convivência entre gerações ou na adaptação a modelos híbridos e remotos, os líderes enfrentam desafios que exigem habilidades técnicas e uma capacidade singular de criar conexões humanas. Foi o que destacou Tatiane Tieme, CEO do Great Place To Work Brasil, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A executiva trouxe à tona questões fundamentais sobre como a confiança, a coerência e a consistência podem impactar diretamente o sucesso das organizações, tornando ambientes mais produtivos e saudáveis para todos os envolvidos.

A confiança como pilar da liderança

“A felicidade resultante desse modelo de confiança impacta diretamente o sucesso do negócio”, afirmou Tatiane. Segundo ela, o papel do líder hoje não se limita à gestão de tarefas. É preciso estabelecer uma relação de confiança com as equipes, criando um espaço onde a vulnerabilidade seja permitida e a colaboração, incentivada.

A diversidade também aparece como um dos grandes desafios. Equipes que incluem diferentes gerações e perspectivas têm o potencial de ser mais criativas e produtivas. Entretanto, sem políticas inclusivas e uma liderança humanizada, essa diversidade pode se transformar em conflito.

“As empresas precisam ir além de contratar grupos diversos; elas devem incluir essas pessoas no dia a dia, escutando suas necessidades e promovendo uma cultura de respeito e reconhecimento”, explicou Tatiane.

Tecnologia e humanização: o equilíbrio necessário

Com a crescente adoção de tecnologias e da inteligência artificial no ambiente corporativo, muitos profissionais se preocupam com o impacto dessas ferramentas em suas funções. Para Tatiane, o papel do líder neste contexto é essencial:

“Essa disrupção digital só aumenta a importância de construirmos relações de proximidade e confiança. É necessário garantir que as pessoas tenham espaço para expressar seus receios e buscar caminhos de desenvolvimento, adaptando-se às novas possibilidades que a tecnologia traz.”

Ela ainda destacou que o modelo de comando e controle — característico de uma era passada — não tem mais lugar nas organizações que querem prosperar. “A gestão deve ser baseada em engajamento e cooperação, não em controle. Isso gera não apenas mais produtividade, mas também uma equipe que inova e cria com mais liberdade.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Certificação internacional de comunicação: vai começar nossa jornada de educação!

Ao lado de Thiago Quintino (WCES) no dia do lançamento do curso de comunicação

Esta é uma semana importante para mim. Peço licença, caro e raro leitor deste espaço, para compartilhar esse momento especial com você. Os mais atentos devem lembrar que, em setembro, anunciei o lançamento de uma certificação internacional em comunicação, em parceria com a WCES, uma startup de consultoria e educação que atua em 15 países. Desde então, foi gratificante ver a adesão de tantas pessoas que confiaram no meu trabalho e desejaram se desenvolver em uma das competências mais valorizadas no mercado, segundo pesquisa do LinkedIn.

Até agora, quem se uniu a essa proposta já teve acesso a duas aulas especiais, enriquecidas pela presença de convidados que trouxeram reflexões apuradas sobre comportamento humano e transformação digital — temas que moldam a maneira como nos comunicamos.

Em outubro, recebi, ao lado de Thiago Quintino, fundador da WCES e meu parceiro na certificação, o antropólogo Michel Alcoforado. Ele nos ajudou a refletir sobre como o ser humano moderno se comporta em sociedade, em uma aula destinada aos alunos pré-inscritos. Em novembro, foi a vez de Arthur Igreja, especialista em inovação e inteligência artificial, nos inspirar em uma aula aberta ao público, demonstrando a essência do que pretendemos oferecer com esta certificação.

Agora, chegou o momento de entregar o que prometemos.

A Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional começa no dia 30 de novembro, oportunidade em que exercitarei o papel de educador, com o respaldo do Thiago Quintino e da WCES – o que multiplica o tamanho da minha responsabilidade e ansiedade. Diante desse novo começo, sinto-me como quando cheguei na redação pela primeira vez, há 40 anos; ou no dia em que subi ao palco para a palestra que inaugurou esse outra jornada na minha carreira de comunicador, em 1999. O frio na barriga se assemelha ao que senti quando enviei a prova do meu primeiro livro para a editora, em 2004. São as mesmas sensações, apenas percebidas, agora, por alguém mais velho que já aprendeu que a perfeição é uma busca nunca o destino final.

Certificação tem metodologia própria e recursos de apoio

O curso é estruturado em cinco capítulos, cada um composto por cinco a oito aulas on-line e gravadas em vídeo. As aulas seguem um formato dinâmico com cerca de 10 minutos cada uma —- em algumas, entusiasmados, passamos do tempo previsto: apresentamos casos reais, conceitos e conhecimentos relevantes, sempre buscando criar um ambiente de conversa. Nosso objetivo é que você, aluno, sinta-se parte do projeto, como se estivesse ao nosso lado enquanto compartilhamos experiências e o conteúdo especialmente desenvolvido para esta certificação.

Para evitar que a “ansiedade informacional” — resultado da avalanche de mensagens que recebemos diariamente — prejudique o aprofundamento nos temas, cada capítulo será seguido de um quiz. Assim, você terá a oportunidade de testar o que aprendeu antes de avançar para o próximo conteúdo. Além disso, será necessário aguardar uma semana entre capítulos, uma metodologia já aplicada com sucesso pela WCES em outros cursos.

Para aproveitar melhor esse intervalo, preparei uma extensa lista de referências. São livros e artigos científicos escritos por especialistas em comunicação, que sustentam os conteúdos do curso e podem se tornar fontes valiosas para sua pesquisa e aprendizado contínuo.

Participação de profissionais altamente qualificados

Durante a certificação, além das duas aulas de pré-estreia, com Michel Alcoforado e Arthur Igreja, você também terá acesso às masterclasses, que são conversas com profissionais de destaque em suas áreas. Nossos professores-convidados trouxeram ideias e experiências que certamente irão inspirar sua jornada:

  • Mário Sérgio Cortella nos lembrou da importância de liderar e comunicar com ética, criando ambientes de confiança e relações saudáveis.
  • Martha Gabriel mostrou que a transformação digital vai além das ferramentas; trata-se de potencializar o ser humano em um mundo em constante mudança.
  • Thomas Brieu destacou a escuta ativa como uma prática fundamental para construir comunicações mais efetivas e humanas, ouvindo com corpo, mente e coração.
  • Leny Kyrillos explorou como líderes que priorizam clareza, empatia e respeito constroem ambientes de colaboração e confiança, utilizando o método SCARF para promover relações mais harmoniosas.

Ao longo do curso, novos nomes e conteúdos vão compor nossa equipe. Queremos mantê-lo sempre atualizado por meio de aulas, masterclasses e trocas de informações em um grupo exclusivo no LinkedIn.

Gravamos as aulas em espaços pensados para criar conexão. Algumas ocorreram em um ambiente acolhedor, semelhante a uma sala de estar. Outras foram gravadas no estúdio onde iniciei minha carreira, em Porto Alegre, resgatando a importância de honrarmos nossas origens. Quando o Thiago Quintino estava no escritório da WCES em Utah, usei o cenário da biblioteca  que me acompanha há anos, em São Paulo, um símbolo do conhecimento e do hábito essencial de ler para crescer pessoal e profissionalmente. Afinal, a imagem comunica, como aprenderemos na certificação.

Ao concluir o curso, você receberá uma certificação internacional da WCES, startup que conta com os apoios dos governos americano e britânico.

Junte-se a nós! Inscreva-se agora e embarque em uma nova jornada, porque comunicação é coisa séria. E eu estou ansioso para saber se atendemos a sua expectativa:  

Inscreva-se aqui

Mundo Corporativo: José Renato Gonçalves e o desafio de liderar localmente uma empresa global

José Renato da NEC no estúdio do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“A comunicação e a relação com as pessoas são o que realmente importam no final do dia.”

José Renato Gonçalves, NEC

No mundo corporativo globalizado, encontrar o equilíbrio entre autonomia local e diretrizes globais é um desafio que exige habilidade e estratégia. Essa realidade é vivida diariamente por José Renato Gonçalves, presidente da NEC no Brasil, que lidera uma empresa com mais de 125 anos de história e presença em diferentes continentes. Ele conversou sobre o tema no programa Mundo Corporativo.

“A globalização está muito ligada à competitividade”, afirmou José Renato. Ele explicou que operar globalmente permite maior escala e alcance, mas a integração de processos e decisões entre os países requer um “jogo de cintura”. Essa necessidade de adaptação é parte do cotidiano da NEC, que busca alinhar eficiência global com a capacidade de atender às demandas locais.

Tecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes

Sob a liderança de José Renato, a NEC tem avançado em dois grandes blocos de atuação: infraestrutura de tecnologia e soluções para cidades inteligentes. No Brasil, a empresa é responsável por projetos como redes 5G e sistemas automatizados de manutenção. “Hoje, usamos inteligência artificial para automatizar processos e prever falhas, o que traz eficiência para as redes e garante estabilidade.”

Nas cidades inteligentes, as soluções desenvolvidas incluem monitoramento de segurança pública, iluminação pública eficiente e sistemas integrados para gestão urbana. Ele destacou um exemplo relevante: “Nosso software orquestrador conecta diferentes sistemas municipais, como defesa civil, segurança pública e serviços de saúde, permitindo respostas rápidas e integradas.”

Vacinas em 100 dias: a meta da NEC com inteligência artificial

Além das inovações em infraestrutura e cidades inteligentes, a NEC tem apostado na inteligência artificial para transformar a área da saúde. Um dos projetos mais ambiciosos da empresa é o desenvolvimento de vacinas em parceria com grandes laboratórios japoneses. “Nosso objetivo é criar novas vacinas em apenas 100 dias, reduzindo drasticamente o tempo de resposta a uma nova pandemia”, revelou José Renato. Ele explicou que a tecnologia permite não apenas acelerar os processos, mas também personalizar tratamentos com base em características individuais. “Estamos avançando para um futuro em que será possível criar medicamentos sob medida, como remédios que atendam a dosagens específicas para cada paciente.”

Gestão humanizada em um ambiente global

Além da tecnologia, José Renato reforçou a importância de uma liderança focada em pessoas. Para ele, o relacionamento com equipes, clientes e parceiros é essencial. “Romper barreiras hierárquicas, escutar as pessoas e entender suas necessidades é o que permite uma gestão mais eficiente.”

Ele também abordou o impacto de operar em uma estrutura globalizada, onde decisões locais são submetidas a diretrizes internacionais. “Precisamos mostrar a importância de adaptar o que é necessário para atender nossos objetivos locais, mesmo em uma estrutura centralizada.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Falamos de escuta ativa e comunicação com profissionais que ajudam pacientes a melhorar a audição

Imagem do palestra no Webmeeting

A comunicação começa com uma escuta ativa e qualificada, exigindo uma mudança de comportamento em relação à forma como nos acostumamos a interagir. Temos a tendência de falar mais do que ouvir, de acreditar que somos os donos da razão e de sobrepor nossa história à do outro — seja em momentos de alegria ou tristeza. Já reparou que, sempre que um amigo compartilha uma doença pela qual passou, imediatamente buscamos um caso ainda pior para relatar? A intenção pode parecer boa, como uma tentativa de consolar o outro; porém, na prática, isso acaba por invalidar a dor de quem realmente está sofrendo e revela que não estamos escutando plenamente, pois falhamos em captar o que é importante para quem fala.

Esses e outros temas relacionados à escuta ativa foram abordados no WEIZHA — Webmeeting Internacional sobre Zumbido e Hipersensibilidades Auditivas. Ao lado de Leny Kyrillos e com vídeos gravados por Thomas Brieu e António Sacavém, apresentei alguns dos conceitos que me inspiraram a escrever Escute, Expresse e Fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso (Editora Rocco). O evento, realizado online e em sua sexta edição, foi organizado pela Dra. Katya Freire, fonoaudióloga, e pela Dra. Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista. O encontro reuniu profissionais de saúde, todos interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre comunicação.

Foi um enorme prazer colaborar com uma discussão que ajuda profissionais de saúde dedicados a melhorar a audição dos pacientes a escutar melhor.

Certificação Internacional de Comunicação

Leny e Thomas são meus professores convidados na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional, realizada em parceria com a WCES, uma startup especializada em experiência do cliente. Conheça o curso e faça sua inscrição pelo link a seguir: https://www.wces.education/comunicacao

Avalanche Tricolor: estátuas são eternas mas perdem o brilho quando não evoluem

Inter 1×0 Grêmio
Brasileiro – Beira-Rio, Porto Alegre/RS

Foto de arquivo: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

No futebol, o técnico é muito mais do que um estrategista tático. Ele ocupa o papel central de liderança, conduzindo um grupo de jogadores com diferentes personalidades e habilidades. Assim como em qualquer ambiente corporativo, a liderança no esporte vai além da técnica e da competência operacional — trata-se de inspirar, engajar e unir a equipe em torno de um propósito.

O líder que faz a diferença é aquele que inspira seus jogadores a acreditarem que podem alcançar mais do que imaginam. Essa inspiração não vem de discursos vazios ou entrevistas mal conduzidas, mas da capacidade de ser exemplo, de se comunicar com autenticidade, de demonstrar compromisso com os objetivos e de entender as necessidades individuais e coletivas do grupo. Esse líder faz seus jogadores acreditarem que o sucesso só é possível quando cada um entende seu papel e colabora com os demais.

No futebol, assim como nas empresas, é fundamental que cada membro da equipe se sinta parte de algo maior. O técnico precisa engajar os jogadores, respeitando suas características e limitações, mas também desafiando-os a superar barreiras e a evoluir. O líder de sucesso não é apenas aquele que dá ordens — ele escuta, ajusta, e cria um ambiente onde todos se sentem essenciais. Ele também participa ativamente do dia a dia do clube, caminhando ao lado de seus liderados.

Outro ponto crucial é a capacidade de unir o time em torno de um propósito comum. O objetivo no futebol é claro: vencer. Mas, para que a vitória seja alcançada, o técnico deve fazer com que cada jogador entenda que o coletivo supera o individual. Um time é forte quando todos remam na mesma direção e estão preparados para jogar coletivamente. O bom técnico, como um verdadeiro líder, constrói uma cultura de coesão, onde as diferenças são respeitadas e as qualidades individuais se somam para alcançar o objetivo comum.

Por fim, o técnico é o arquiteto dessa unidade. Sua liderança vai muito além de distribuir camisas, definir esquemas táticos ou caminhar à beira do gramado com anotações na mão, como se precisasse se lembrar de quem pode contar. Ela está no coração da equipe, motivando, orientando e trazendo à tona o melhor de cada jogador para que, juntos, possam conquistar vitórias e superar desafios.

Além de inspirar e unir, um aspecto fundamental da liderança — tanto no futebol quanto em qualquer outra área — é a capacidade de se reinventar. Mesmo os técnicos que já foram grandes ídolos, reverenciados por suas conquistas, correm o risco de fracassar se acreditarem que podem viver eternamente à sombra de sua fama passada.

O líder que não se atualiza, que não busca entender as novas dinâmicas do jogo e dos jogadores, tende a perder relevância. No futebol, como na vida, o sucesso é passageiro para quem se acomoda. A história está cheia de exemplos de grandes técnicos que, por não acompanharem as transformações do esporte ou por se prenderem ao passado, viram suas trajetórias desmoronarem. O verdadeiro líder sabe que a evolução constante é parte essencial de sua jornada.

Por mais que sua imagem seja eternizada em uma estátua, nenhum líder é eterno se não continuar evoluindo e se adaptando aos novos tempos — a imobilidade da escultura não pode ser refletida na liderança.