Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  cinco lições de branding que aprendemos nos livros

“Sem formação literária ou cultural, branding é um deserto”

Jaime Troiano

Está nos livros parte da inspiração que move nossa criatividade. É neles que surgem ideias e conhecimento que ajudam os gestores a desenvolverem suas marcas e mensagens. Quando tratamos desse assunto não estamos aqui falando apenas dos livros de negócios que, por óbvio, são fontes de informação importantes para o planejamento e as estratégias na construção da marca. Romances, novelas, histórias e ficção também se fazem necessários porque ajudam a compreender o mundo ao nosso redor e estimulam nosso pensamento.

Para contribuir nessa tarefa, Jaime Troiano convidou um grupo de pessoas que jamais havia tido a oportunidade de publicar seus textos em um livro para escrever sobre livros. Isso mesmo! A ideia foi incentivar esses “autores novatos” a levarem para o papel a história de livros que tocaram o coração deles. A primeira surpresa do organizador foi que todos os convites que fez foram aceitos. A segunda, que em cada capítulo, surgia uma nova lição a ser aplicada nas mais diversas áreas do conhecimento — e do branding, também, é lógico.

Leio, logo existo – relatos de como os livros encantam e transformam nossas vidas” (Editora CL-A Cultural) reuniu 22 autores dos quais apenas dois não podem ser considerados ‘novatos’: o próprio Jaime e a Cecília Russo, nossos colegas no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Foi na conversa com eles, aliás, que selecionamos cinco ensinamentos para quem trabalha com gestão de marcas. 

  1. É preciso mergulhar na alma humana — lição que surge a partir do destaque que alguns autores deram ao trabalho de antropólogos, essa gente que nos ajuda a entender nossa história e formação. Acompanhá-los é fundamental no branding.
  2. Obras mágicas estimulam o pensamento —  uma das autoras, Dafne Cantoia, escreveu sobre a magia da literatura que a levou conhecer Hobbit, de J.R.R.Tolkien, e o quanto esses textos estimularam seu pensamento em projetos de marcas. Para ela, Hobbit era mais do que uma aventura externa. Era uma jornada de conhecimento em si mesma.
  3. Inspire-se na ousadia e inovação das mulheres — os textos da escritora e jornalista Carmen da Silva, em sua coluna “A arte de ser mulher”, publicada na revista Cláudia, entre 1963 e 1985, foram destacados por Anna Russo. Era inovadora e ousada, características muito exploradas atualmente pelas marcas que falam com mulheres. Foi Carmen quem disse: “quem sabe os ensinamentos de nossos pais, tão sensatos e bem-intencionados, já não tenham total vigência no mundo tal como ele é hoje”. O hoje eram os anos de 1960.
  4. Mirem-se no exemplo das nossas mulheres — Pode parecer redundante com a lição anterior. É proposital. Se como dizem 70% das decisões de compra são feitas por mulheres, é de mulheres que o branding tem de entender. Uma boa maneira de olhar para o pensar feminino é “dar um pulinho” nos livros e contos de Clarice Lispector, citada no texto de Patrícia Valério.
  5. Fuce e escave sob a superfície — um dos textos fala em escavar sob a superfície e nos faz lembrar que os melhores trabalhos de branding são aqueles em que se faz a arqueologia dos comportamentos dos consumidores.

“O que os autores de “Leio, logo existo” fizeram foi buscar os vestígios importantes que livros deixaram em suas vidas, o que, no fim das contas, é o que grandes marcas, marcas de valor, marcas que têm um conteúdo afetivo fazem conosco. Deixam pegadas que nos ajudam a tomar decisões em nossas opções de compra”.

Cecília Russo

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Mundo Corporativo: a comunicação consciente exige escuta genuína, diz a fonoaudióloga Mara Behlau

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“A comunicação profissional é treinada: comece escutando genuinamente o outro; confirme o que você escutou; lembre-se que em toda a comunicação, eu preciso ter um objetivo e um eixo condutor. Valorize quem ouve e faça uma associação entre a sua mensagem verbal e não verbal”

Mara Behlau, fonoaudióloga

A maior parte do tempo que nos comunicamos o fazemos de forma automática. E isso tende a causar uma série de desconfortos. Não por acaso, das reclamações mais ouvidas está a de que o outro não me entende — como se não fossemos os responsáveis pela mensagem transmitida. Comunicação inconsciente gera comunicação inconsistente. Porque não se faz de maneira plena. A começar pelo fato de praticamente eliminarmos dessa jornada o elemento mais importante que é a escuta, como alertou Martha Behlau, fonoaudióloga, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN:

“Existe uma arquitetura estrutural na comunicação e o terreno dessa construção, dessa arquitetura é a escuta; então, a escuta é a base de uma boa comunicação. Lembrando que o ouvido ouve e quem escuta é o cérebro. A escuta é interpretativa”.

Doutora em distúrbio da comunicação humana e professora de comunicação para negócios e relações interpessoais do Insper, Mara escreveu em co-autoria com Marisa Bárbara, especialista em comunicação corporativa, o livro “Comunicação consciente, o que comunico quando me comunico”. Nesse trabalho, fica evidente a ênfase que devemos dar a prática da escuta, a ponto de terem sido identificados cinco tipos de escuta: 

  1. Passiva — quando escuto alguém que eu gosto, que me conta uma história bonita ou que me conta uma piada, eu não faço nada a não ser apreciar; e o outro gosta de se sentir apreciado.
  2. Empática — quando alguém desabafa, quando alguém conta um problema, o que a pessoa quer é acolhimento; não, necessariamente, a pessoa quer que você resolva o problema dela. 
  3. Organizativa — quando alguém conta uma história difícil, de um acidente, uma tragédia ou de uma crise pessoa, as mensagens vêm confusas e cheias de emoção. Quem ouve tem de parar o falante e organizar o roteiro de sua fala; e a pergunta principal é: de tudo o que você está me dizendo o que é o mais importante, o que eu preciso saber agora?
  4. Perspicaz — é a escuta do aprendizado; que ocorre, por exemplo, quando estamos conversando com a concorrência e avaliamos se aquela informação tem serventia, se é possível aplicá-la em alguma situação e se já ouviu algo semelhante.
  5. Avaliadora — é a escuta de julgamento; quando fazemos uma série de perguntas com objetivos bastante específico de julgar uma pessoa ou um colaborador que, por exemplo, não atingiu a sua meta. É quando escutamos para entender se nosso interlocutor deve ser desculpado, corrigido ou punido.

São fatores de sucesso, também, na comunicação a autenticidade, o respeito às regras, expressão de auto-estima, a atitude de resolução de problema e o foco duplo —- que vem a ser o cuidado que tenho tanto com a mensagem que transmito quanto com quem está recebendo essa mensagem. Mara aproveita para recomendar a você que está preocupado com a mensagem que vai transmitir e com quem vai receber essa mensagem: entre duas palavras, escolha a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta; jamais infira o que o outro entendeu, certifique-se; e, acima de tudo, lembre-se:

“O impacto da comunicação é imediato e é enorme. Eu posso mudar com duas palavras no WhatsApp pressão sanguínea, batimento cardíaco, respiração e o humor de uma pessoa que está em Katmandu, em Nova Iorque ou em outro lugar”.

Ao não entender essa influência que pode ter sobre os outros é que muitos líderes acabam criando ambientes tóxicos de trabalho. Mara diz que esse tipo de liderança muitas vezes não percebe o mal que faz, até porque, por algum tempo, os resultados aparecem na empresa. Porém, costumam ter dificuldade de desenvolver pessoas e geram desafetos ao longo de sua jornada profissional.

Assista ao Mundo Corporativo com a fonoaudióloga Mara Behlau:

Colaboraram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Sobre frases e livros de auto-ajuda

Por José Cascão

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Um amigo comenta com outro: “Faz mais de três meses que estou pagando a academia de ginástica e ainda não emagreci um quilo sequer. Vou ligar lá para saber o que está acontecendo.”

Sempre lembro dessa piada quando vejo a quantidade de livros de auto-ajuda que se publicam e vendem, enquanto boa parte dos leitores, entusiastas do estilo e compradores compulsivos, seguem sendo o que sempre foram, fazendo o que sempre fizeram, mas esperançosas de que um dia acordem e as suas vidas mudem para sempre.

Alguns, quando se cansam de ler (ou de comprar livros), adquirem cursos pela internet e enchem as redes sociais com frases de efeito sobre como a vida deve ser. E, para muitos, a isso se resume o autoconhecimento e a evolução pessoal.

Nada de errado com frases inspiradoras ou livros de auto-ajuda. Também os leio de vez em quando e compartilho pensamentos. Mas, como acontece com o álcool, penso que essas coisas devem ser consumidas e compartilhadas com moderação.

Duas frases que li recentemente e que me deixaram pensando por vários dias, têm relação direta com o que estou falando aqui: “Nada sairá da sua vida enquanto você não aprender o que precisa saber”. Para mim explica muito do por quê entra dia e sai dia e nada diferente acontece na vida da pessoa, parece que está sempre andando em circulo. A outra é: “Ninguém vira borboleta de uma hora para a outra. A evolução é um processo.” Esta é justamente sobre a ilusão de que apenas e simplesmente comprando livros ou reproduzindo posts de frases feitas vamos melhorar as nossas relações e viver de forma mais consciente e significativa.

Se não evoluímos, não é porque não saibamos o que temos de fazer. É porque não o fazemos!

José Cascão é publicitário, diretor de criação, copywriter on-off e ajuda a construir e valorizar o ativo mais importante da sua empresa: a sua marca.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a síndrome do lateral esquerdo e outras reflexões

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“When I get older losing my hair, 

Many years from now” 

John Lennon e Paul McCartney 

Das lições que a longevidade de algumas marcas nos oferecem a necessidade de darmos um propósito para o trabalho que realizamos. Da escolha do nome da sua marca a importância de estar bem posicionado no mercado. Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram em livro 22 temas que ajudarão você a pensar sobre estratégias de gestão de marca.  Um conhecimento compartilhado, de graça, e no formato de e-book que você acessa no site da TroianoBranding

Uma das histórias publicadas em “Brandpedia Feliz Marca Nova, 22 reflexões sobre marcas e sociedade” faz do futebol analogia para se entender a necessidade de a marca ter identidade própria, bem definida, Jaime lembra dos garotos que chegam atrasados para jogar bola e a eles é reservada a lateral esquerda. Posição que, dizem por aí, é pouco querida pelos meninos.

“No mercado é exatamente assim. Se você não escolhe o seu melhor, mais adequado posicionamento, as outras marcas vão te empurrando pra um cantinho mental na cabeça dos consumidores. E você acaba sendo visto como a marca da “lateral esquerda”. Perde sua melhor identidade”. 

Jaime Troiano

O que diriam dessa tese Nilton Santos, Marcelo, Roberto Carlos, Júnior e Everaldo, dos maiores laterais esquerdos que o futebol já assistiu jogar? Deixa pra lá. Aqui, o importante é que você entenda a analogia e não permita que os outros decidam por você em que posição sua marca vai jogar.

Na conversa que tivemos sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, falamos de futebol; e de música, também. Nesse último caso, foi Cecília quem arriscou cantarolar parte da letra “When I’m Sixty-Four”, de 1967, um dos tantos sucessos dos Beatles. Lennon e McCartney levam para a música o tema do envelhecimento em uma época na qual pessoas com 64 anos eram consideradas velhas. Hoje, nessa idade, estamos em plena atividade. Somos 30 milhões no Brasil com mais de 60 anos. Assim como a população é longeva, seja pela ciência seja por mudanças no estilo de vida, as marcas também podem ter vida longa”

“O mesmo acontece com as marcas, ou melhor, com aquelas marcas que, assim como nós seres humanos, fizeram boas escolhas para terem vidas longevas”

Cecília Russo

Ouça o comentário completo do Jaime e da Cecília, a seguir. E baixe o livro para conhecer as demais reflexões que eles propõem para que a sua marcas seja um sucesso:

Ouvintes contam suas histórias em São Paulo, em homenagem aos 468 anos da cidade

Avenida Paulista em foto de Mariana Tarkany

O realejo na rua do Tesouro, a Maria Fumaça da Cantareira e a pipa sobrevoando a Cidade Universitária são algumas das lembranças que mexem com a memória dos ouvintes da CBN, na série especial em homenagem aos 468 de São Paulo. Com o tema “Em cantos da cidade”, o Conte Sua História de São Paulo inicia a décima-oitava temporada, nessa segunda-feira, dia 10 de janeiro, com duas edições diárias: às 7h15 no Jornal da CBN e às 15h45 no Estúdio CBN. 

O Conte Sua História foi ao ar pela primeira vez, em 2004, quando a cidade comemorava os 450 anos. Na estreia, os textos enviados pelos ouvintes eram interpretados ao vivo e sonorizados em tempo real pelo Paschoal Júnior. Fizemos “rádio raiz”, dos tempos em que o sonoplasta buscava no seu entorno os recursos para dar vida sonora às histórias. Ao longo do primeiro ano, as edições eram diárias, de segunda à sexta, no CBN SP, programa que estava sob meu comando. 

Ainda na primeira temporada passei a gravar os textos selecionados e a sonorização ficou a cargo de Cláudio Antonio, maestro e meu parceiro no quadro até os dias de hoje. No ano seguinte, o Conte Sua História manteve a frequência diária nas semanas que antecediam o aniversário da cidade, em 25 de Janeiro, e eram apresentados aos sábados, no restante do ano. Modelo que se mantém até hoje.

Em 2006, publicamos o livro Conte Sua História de São Paulo, pela editora Globo. Reunimos cerca de 100 das histórias mais interessantes contadas por nossos ouvintes. Ainda é possível encontrá-lo nas livrarias virtuais.

Nestes 18 anos de programa, vivenciamos momentos incríveis com os nossos ouvintes. Gente que se reencontrou, que se emocionou, que relembrou, que reviveu ao escrever ou ouvir as histórias na CBN.

Dia desses mesmo, uma ouvinte nos contou que ao dizer que sua história seria publicada, a filha, que havia sofrido um acidente cerebral que restringiu sua fala, reagiu como um “muito legal”. Chorei? Claro que sim. Claudinho disfarçou bem, mas tenho certeza que aquele olho aguado tinha muita emoção expressa. 

Cada retorno que recebemos é comemorado. É uma consagração. É a certeza de que a edição apurada no texto, o cuidado na interpretação e a pesquisa sonora que buscamos fazer no Conte tocam o coração do ouvinte. Nada pode ser mais importante.

Você é convidado a enviar sua história de São Paulo, escrevendo e enviando seu texto a contesuahistoria@cbn.com.br. Ainda a tempo para participar da série dos 468 anos. Os textos que não forem selecionados nestas duas semanas, até o 25 de janeiro, serão publicados nas edições de sábado durante o ano de 2022. Tanto texto como áudio ficam disponíveis aqui no blog. E no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

O dia de amanhã

Foto de Leonid Sobolev no Pexels

“Eis a minha doença: não me restam lembranças, 

tenho apenas sonhos. 

Sou um esquecedor de sentimentos”

Mia Couto

Se amanhã não é apenas mais um dia – seja porque é o primeiro do ano seja porque não deveria existir um dia qualquer – que dia será o amanhã? Fiz-me a pergunta ao ler o texto da psicóloga Simone Domingues, publicado neste blog. Dela recebi a amizade e o conhecimento na parceria que se iniciou no caos da pandemia. E desses veio o tema que me provocou a pensar, enquanto vejo o mar quebrar no arrecife. 

Assim como levarei comigo o que ganhei nesse ano que se encerra, levo meus segredos. Carrego minhas dores (muitas das quais ainda guardo em silêncio). Sobre os ombros estão as marcas das alças de uma mochila de emoções que dizem devemos esvaziar ao longo da jornada. Como se essas fossem objetos dos quais nos desfazemos porque desbotaram, saíram de moda, se tornaram obsoletos, sem funcionalidade. Não o são. Ao menos para mim, não! Sou um acumulador de emoções.

Em um desses livros deixados sobre a mesa da casa de veraneio de uma temporada para outra, encontro em destaque o texto do escritor moçambicano Mia Couto, que no romance “O mapeador de ausências”, diz ser um esquecedor de sentimentos. Queria um dia ter esse talento. Não o de escrever. O de esquecer!

Amanhã, no primeiro do ano, as marcas não desaparecerão. Estarão na minha lembrança, como estiveram ontem e como estarão depois de amanhã.

Terei vincos mais profundos na pele, que com o tempo perde o viço e o poder de suportar as perdas que acumulamos na vida. Cheguei a me convencer numa época qualquer de que com as cicatrizes o couro se fortaleceria, se tornaria resistente. Desconfio que me enganei. Não há botox, massagem linfática e cremes milagrosos das orientais suficientes para desfazer o que fizemos. Nosso passado está presente no enrugar da testa, no amarrotado das expressões ou no olhar que tentamos disfarçar quando flagrados pelas lentes das câmeras. 

Isso não significa que desisti de ser feliz. 

Recuso-me a falência da esperança – sentimento que sempre me acompanhou em vida e assim foi descrito pelo amigo Mário Sérgio Cortella, na orelha do livro “É proibido calar!”. E se na recusa me rebelo é porque ainda sou capaz de enxergar o que construí. Tenho consciência do meu saber. Dos meus méritos. Autoconheço-me (com o perdão da conjugação do imperativo afirmativo na inexistente primeira pessoa do singular) !

Tenho o privilégio de ter a companhia de alguém que me ama no dia a dia, a despeito do que sou e sinto. De ter ajudado a criar duas criaturas incríveis, que talvez sequer me merecessem como criador (com letra minúscula, claro). De ter amigos que me oferecem um carinho tão despretensioso quanto profundo. De ter você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog – uma gente que sequer me conhece bem, mas deposita confiança no que faço e digo.

São eles, cada um deles, cada um de vocês, motivo e razão, para que no amanhã – seja qual for esse amanhã – , eu levante da cama e acorde como tenho acordado todos os dias que se passaram até aqui: com o peso da minha mochila de emoções, pecados e desejos, e com a vitalidade que o propósito de ser uma versão melhorada de mim mesmo me oferece – mesmo que suspeite da minha incapacidade de sê-lo.

Feliz Amanhã!

Mundo Corporativo: César Souza apresenta 5 lições que temos de aprender com o sucesso da Magalu

“O líder, hoje, tem que estar ligado com essas palavras, que são bonitas, mas tem que ser praticadas: compaixão e amor. Tem que entender a dificuldade dos outros e buscar soluções para a dificuldade dos outros”

César Souza

Se quiser copiar e colar a frase acima e publicar nas suas redes sociais, sem problema. Agradeço de coração! Agora, se for para copiar e colar fórmulas aplicadas por empresas de sucesso, muito cuidado. O alerta é de César Souza, empreendedor de nascença, consultor por profissão e um fã das boas práticas de gestão. Essa é uma das lições que aprendeu ao longo da carreira e compartilhou com os ouvintes, em entrevista ao Mundo Corporativo, quando falou do seu último livro “O jeito de ser Magalu”, o primeiro de uma série em que analisa a história, a estratégia e o desempenho de algumas das principais empresas brasileiras, que podem inspirar os empreendedores:

“Deve servir de inspiração para cada um olhar para sua realidade, e ver o que é que pode fazer dentro da sua própria realidade; e não, simplesmente, aquela ideia, já desbotada, do benchmark, que muita gente vai atrás para ver como é que funciona uma outra empresa para trazer, para copiar, na minha empresa. Eu acho que copiar não funciona”.

Magazine Luiza surge quando o casal Luiza Trajano e Pelegrino José Donato compra a Loja Cristaleira, em Franca, no interior de São Paulo, em 1957. Antes mesmo de inaugurar o novo negócio, Luiza revela uma característica que marcaria o grupo ao longo de sua trajetória: foi a uma rádio local e lançou concurso para que os ouvintes escolhessem o nome da loja. Essa prática está dentro do conceito que César Souza identifica como o da clientividade, que é “colocar o cliente no centro do seu modelo mental, no centro do seu coração, no centro das suas decisões” 

Da ação no fim dos anos 1950 à expansão da rede, da loja do interior paulistano que se transformou em marca nacional à transformação digital, a Magazine Luiza passou por três sucessões —- o que, por si só, já é um tremendo desafio poucas vezes vencido pelas organizações, no Brasil. A fundadora Luiza Trajano entregou o comando para a sobrinha, Luiza Helena. Por um período, a empresa esteve nas mãos de um profissional de mercado, fora da família, Marcelo Silva, que fez a transição para Frederico Trajano, filho de Luiza Helena, e responsável pelo avanço tecnológico que levou a empresa a um outro patamar.

A sucessão exemplar é a primeira de cinco lições elencadas por César Souza que se deve aprender ao analisar a história da Magazine Luiza.  Outra — e já falamos dela — é colocar o cliente no centro do negócio. A lista se completa com a paixão pelas pessoas e equipes, a tecnologia humanizada e o senso de propósito:  

“A Magalu não é uma empresa grande é uma grande empresa. É uma neo empresa … as verdadeiras empresas do século 21. Porque ainda vemos empresas grandes aqui no Brasil que estão no século 20. A Magalu está em 2030. E tem capacidade de servir de exemplo para muitos empreendedores que estão começando os seus negócios”.

Para aprender com as lições ensinadas pela Magalu — sem precisas apenas copiar e colar —-, ouça a entrevista completa com César Souza, no Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Francisco Sosa diz como teve tanta sorte na vida

Foto de Ruslan Burlaka no Pexels

“A sorte é o encontro da preparação com a oportunidade. Não adianta surgir a oportunidade se você não está preparado. Não adianta você estar no lugar certo, se você não for a pessoa certa para aproveitar, para agarrar as oportunidades”

Francisco Sosa, empreendedor

Antes de começar a descrever o que foi a entrevista com o Francisco Sosa, quero dizer ao caro e raro leitor deste blog que a sorte —- tema da nossa conversa —- foi protagonista da minha carreira. Portanto, não espere isenção de minha parte ao falar do assunto. Mais: depois que gravamos para o rádio  (e ao vivo para a internet) o Mundo Corporativo, assumi em definitivo a palavra sorte na minha saudação de despedida que, até então, se restringia a “sucesso e saúde”.

Francisco é de Uruguaiana, fronteira com a Argentina e pertinho do Uruguai. Começou a trabalhar aos 11 anos, distribuindo panfleto na cidade. Aos 16, atuava com telemarketing. Aos 20, era sócio de empresa de treinamento e consultoria. Aos 35, é visto como um cara de muita sorte – é reconhecido pelo sucesso, também. Por isso, escreveu o livro “A arte de manipular a sorte — construa a sua própria história e prospere em todas as áreas da sua vida”, publicado pela Citadel.

Manipular? Aqui no Brasil, a palavra carrega conotação negativa e leva muitos de nós a torná-la substantivo de enganar, ludibriar, falsificar e adulterar. Francisco Sosa prefere destacar seus significados positivos. Para ele, manipular é moldar. Ou adaptar. Exercício que precisamos fazer diante das diversas situações que enfrentamos no nosso cotidiano até torná-las benéficas para nossa vida:

“As pessoas têm uma mania de achar ruim os desafios. Eu já acho bom. Eu acho legal ter desafios na vida, porque eu costumo dizer que o desafio é uma oportunidade que você tem de provar que você merece que algo bom aconteça para você no futuro”.

Foi ao aceitar o desafio que se apresentara que Francisco atingiu, em dois anos, o marco de R$ 1 milhão em comissionamento, através do marketing de relacionamento, mesmo sem nunca ter trabalhado neste ramo anteriormente. 

Que sorte tem o Francisco! (atenção: esta frase contém ironia)

“Você acha que é só pra você que tem problema? Todo mundo tem desafio. Não é o que acontece com você e sim como você age em relação ao que acontece. E quando você aproveita esse desafio, às vezes, desenvolve uma característica que você não tinha, uma habilidade que você não tinha’

Mudar nosso comportamento diante dos desafios, acreditar em nossas escolhas frente a diversidade de opções que surgem em nosso caminho e dar toda a oportunidade possível para que a sorte se expresse em atos e resultados. Esses são alguns dos objetivos que Francisco Sosa traçou para sua jornada profissional. 

“O mundo hoje está cheio de profissionais. A questão é quem realmente está com sede; quem tá com fome de crescer. Se você demonstrar isso , pode ter certeza: vai ter alguém que vai olhar para você e vai perceber isso. Daquela povo, vou ajudar esse cara. Vou ajudar essa menina aqui porque ela tá afim.”

Para entender como o Francisco Sosa manipulou a sorte em favor dele, assista à entrevista completa ao Mundo Corporativo, na CBN. Reflita sobre o tema, dê like e coloque o nosso programa entre os seus favoritos.

No mais, fica aqui a promessa de que um dia conto para você quanta sorte tive na vida e o meu desejo de que vocês tenha sucesso, sorte e saúde!

Avalanche Tricolor: em livro sobre as “Poderosas do Foz”, jornalista dá ponte pé inicial para desvendar a história do futebol feminino no Brasil

Grêmio 0x2 Sport

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Quem me lê nesta Avalanche — e são cada vez mais caros e raros —- sabe que a dedico ao meu tricolor de coração. E a publico poucas horas após o árbitro trilar o apito final. Como tudo está fora da ordem, da vida ao meu time de futebol preferido, abandonei meus compromissos com o leitor e com a coluna depois do resultado de domingo  passado. Não significa que abdiquei da minha paixão, porque esta é eterna, o que me faz acreditar mesmo no inacreditável —- o que não é o caso, ainda. Já havia desistido de escrevê-la pelo tempo passado e o desconforto com o tema. Foi então que “o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma cartão na mão”, como bem escreveu em Letras, Maria Bethânia.

No pacote que abri ansioso, sem saber o que me aguardava, encontrei livro, camisa e copos alusivos ao trabalho do colega de profissão e companheiro de Twitter, Bruno Zanette, com quem compartilho alguns amores. Nascido e vivido em Foz do Iguaçu, adora rádio e futebol, a assim como eu. Nos últimos tempos, dedicou-se a registrar os momentos vividos por um time que fez história no futebol feminino: o Foz Cataratas FC, campeão da Copa do Brasil, em 2011. 

Azul como meu Grêmio, mas bicolor por nascença, o Foz surgiu em 2010, estreou às vésperas do Dia Internacional da Mulher e foi vice-campeão da Copa do Brasil naquele ano.

A derrota na final para o Duque de Caxias (RJ) foi marcada por polêmica de arbitragem, expulsão, discussão e gás de pimenta. A despeito de justiça ter sido feita ou não, foi aquele jogo que forjou o caráter e a personalidade do time que conquistaria o Brasil no ano seguinte.

Bruno, que era repórter de campo e torcedor do Foz —- não necessariamente nesta ordem —- registra a história no livro “O ano em que o Foz Cataratas conquistou o Brasil”, publicado graças a sua coragem e talento —- características que também fazem parte do roteiro das ‘Poderosas do Foz’, como as meninas que jogavam na tríplice fronteira eram conhecidas. Da mesma forma que elas, o autor também contou com a torcida de apoiadores que aceitaram financiar a ideia de registrar um dos capítulos do futebol feminino, no Brasil.

Eis aí, entre tantos, o maior mérito deste trabalho realizado pelo Bruno. Como escreve a jornalista Patrícia Zeni, na apresentação do livro, “a história do futebol feminino ainda está escondida” e Bruno dá o ponta pé inicial para torná-la pública. Faz trabalho bem feito, com precisão, apuro e emoção —- similar ao que aquelas jogadoras aprestaram em campo quando desafiadas por suas adversárias.

Os feitos das “Poderosas” deixo para que o próprio Bruno conte. Ele tem autoridade no assunto e foi testemunha ocular daquela conquista que fez “a alegria das arquibancadas, com jogadas imortais de craques”—- como eternizado no hino do clube. De minha parte fica o convite para que você conheça e apoie o trabalho dele, inspirando outros jornalistas a contarem em livro a história do futebol feminino no Brasil.  E, também, deixo meu agradecimento ao autor que, ao me proporcionar a leitura destes feitos, ameniza a frustração dos resultados do meu time de coração.

Ps: aos leitores recém-chegados, explico: a Avalanche Tricolor registra resultados, jogo após jogo, alcançados pelo Grêmio, sem que, necessariamente, eu tenha o compromisso de escrever sobre eles, especialmente quando meu time nada faz por merecer.

Livro traz evidências para você combater o negacionismo que desinforma e mata

Carlos Orsi e Natália Pasternak Foto: Instagram

O cético exige evidências robustas para corroborar um fato ou um achado científico. O negacionista nega os fatos e o achado científico sem oferecer evidências robustas. 

Bem mais do que um jogo de palavras, as duas frases que iniciam este texto estabelecem de forma definitiva o campo de ação de cada um desses comportamentos; e os coloca em lados extremamente opostos. Fazer essa diferença é fundamental porque há um enorme esforço de parcela da sociedade —- menos mal que não é tal parcela significativa —- em negar a verdade apenas porque ela não lhe convém; e chama isso de ceticismo. Não o é. Tem nome próprio: negacionismo. E negacionismo prejudica, deseduca, desinforma e mata. 

Exemplos não nos faltam nem exigem voltar ao tempo: quantos morreram porque não acreditaram na existência de que estávamos em uma pandemia; quantos foram mortos porque líderes políticos e gestores públicos negaram as evidências que a ciência havia encontrado desde o surgimento dos primeiros focos de contaminação pelo SarsCov-2; quantos lerão essa história lá na frente, quando nós não estaremos mais por aqui, e dirão que aquela suposta tragédia humana dos anos 2020 foi uma estratégia de governos dominadores em conspiração com laboratórios de ciência que teriam ficado de joelhos diante do império chinês que se estabelecia —- e não me peça para explicar a lógica desta frase porque ela só existe na mente de negacionistas.

Essa conversa que tenho com você agora, se iniciou hoje cedo na “Conversa de Primeira”, que faço todas as terças-feiras com uma cética que trava batalha diária contra o negacionismo. Cética e com orgulho como ressaltou a doutora Natália Pasternak, que não requer crachá nem apresentações; mas que faço questão de registrar ser  a primeira brasileira com nome inscrito no Comitê para a Investigação Cética, criada pelo astrônomo Carl Sagan, nos anos de 1970.  Ela está lançando com o jornalista científico (e marido) Carlos Orsi, o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” (Papirus 7 Mares)

“É um tema que a gente vem explorando há muito tempo por causa do nosso trabalho no Instituto Questão de Ciências. Principalmente por causa do negacionismo em ciência e que durante a pandemia a gente presenciou de camarote — vimos acontecer no Brasil de uma maneira que é difícil de acreditar.  Mas não apenas em ciências”.

Eis aí na explicação de Natália outro fato incontestável. O negacionismo ataca a verdade construída pela ciência, mas não se contenta em atuar apenas nessa área. Vai além. Vai para a história quando nega a existência do holocausto, a despeito da robustez de registros  e testemunhos. Uma teoria que se torna ainda mais absurda quando se tem a exposição da verdade diante dos nossos olhos em locais como o United States Holocaust Memorial Museum, em Washington DC, que, por coincidência ou não, foi visitado pela doutora Natália e a filha dela, nesta semana. Um programa que só a fez ratificar a ideia de que enfrentar o negacionismo é fundamental para evitarmos erros históricos que podem se transformar em novas tragédias humanas.

No livro, são identificados alguns aspectos que movem esses grupos a atrapalhar o desenvolvimento humano, com campanhas contrárias a vacinação ou rejeição à tese de que a ação do homem impacta o ambiente e leva ao aquecimento global. Para Natália e Carlos deve-se considerar o fato de que ao aceitar algumas dessas ideias, mesmo que tenham comprovação científica, precisamos necessariamente mudar nossos comportamentos —- algo nem sempre muito fácil. Em um dos capítulos, somos lembrados da negação aos malefícios do tabaco:

“Se eu aceito que tabaco dá câncer, eu tenho de parar de fumar. Se eu aceito que o aquecimento global é real e prejudica o meio ambiente, tenho de mudar meu estilo de vida. Para não mudar o meu comportamento, eu nego essa realidade porque é mais confortável”.

O negacionismo se constrói em diversas dimensões e inspirado por diferentes motivações — ideológicas, sem dúvida. Basicamente, é uma atitude de negar fatos estabelecidos ou consensos científicos, a despeito das evidências. E pode vir combinado com outros métodos, tais como o ilusionismo —- com o devido respeito aos profissionais da área. 

Foi isso, por exemplo, que assistimos na “batalha da cloroquina”, liderada pelo chefe supremo da nação. As crenças de que uma droga para a doença viral transmitida por mosquitos teria eficácia em tratamentos precoces da Covid-19 e sua distribuição em rede pública conteria o avanço da doença eram manipulações, alterações da realidade, para escamotear a incompetência de se gerir uma crise. Chamei isso de ilusionismo? A CPI da Covid, parece, preferir batizar de charlatanismo. Que seja!

Negar a eficácia da cloroquina, da hidroxicloroquina ou da ivermectina no tratamento da Covid-19 não é negacionismo? Não. É ceticismo! Porque céticos fazem questionamentos saudáveis, como nos ensina Natália Pasternak:

“(ceticismo) é exigir evidências para então aceitar um consenso ou um fato. Exigir evidências de que a cloroquina funciona para a Covid-19 é ceticismo. Opa, essa afirmação que você esta fazendo tem de ser baseada em evidências científicas. Onde estão as evidências, as provas? Me mostra as evidências que aí a gente pode conversar”.

Para saber como podemos colaborar com a ciência e o conhecimento combatendo os negacionistas, leia o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” e ouça a nossa conversa — minha e da Marcella Lourenzetto — com a doutora Natália Pasternak, no quadro “A Hora da Ciência”, do Jornal da CBN.