Como tornar a comunicação uma solução para o bem-estar e a longevidade

Foto de Andrea Piacquadio

A comunicação é uma ferramenta poderosa que molda nossas relações sociais e influencia diretamente nosso bem-estar. Falei sobre esse tema com o Márcio Atala quando fui convidado por ele a participar no programa Bem-Estar e Movimento, que vai ao ar, aos sábados. Estava de férias quando a entrevista foi reproduzida na CBN — está disponível em podcast, também —, por isso trato do assunto apenas agora. 

Nós discutimos a importância da comunicação em nossas vidas e como essa competência evoluiu ao longo dos anos. Ponderamos que o bem-estar e a longevidade estão intimamente relacionados à comunicação eficiente. Haja vista que uma boa comunicação é essencial para estabelecer relações sociais profundas e significativas, o que tem sido demonstrado em pesquisas sobre longevidade e felicidade.

Inspirado pelo livro “Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso” (Editora Rocco), lembrei que a comunicação é composta por três caixinhas de recursos: verbal, não verbal e vocal. Esses elementos combinados possibilitam uma comunicação eficaz, mas cada um deles, isoladamente, também pode gerar interações significativas com os outros. Por exemplo, um simples olhar solidário ou um sorriso de um desconhecido pode impactar positivamente o dia de alguém.

Os desafios da comunicação digital

No entanto, a evolução da tecnologia e da comunicação digital também trouxe desafios. Atualmente, somos inundados por uma quantidade exorbitante de informações todos os dias, levando à ansiedade informacional. A capacidade de filtrar e selecionar fontes confiáveis torna-se essencial para evitar a desinformação e a propagação de notícias falsas.

Além disso, a violência também está intrinsecamente ligada à comunicação. Estudos mostram que pessoas que se comunicam mal tendem a cometer e ser vítimas de violência. A comunicação inadequada pode levar a conflitos e brigas, enquanto a capacidade de argumentar e se comunicar efetivamente pode evitar esses problemas.

Destaquei a importância da comunicação em todas as profissões, especialmente em um mundo digital onde a imagem e a presença online são fundamentais. Porém, alertei para o perigo de influenciadores que, apesar de serem excelentes comunicadores, podem propagar informações falsas e não oferecer um serviço real para a sociedade.

A busca da verdade é antídoto a fake news

Enfatizei que, apesar dos desafios e das más interpretações que podem surgir, é essencial resistir e continuar se comunicando com qualidade e responsabilidade. A comunicação tem o poder de inspirar e transformar, e a busca por uma comunicação efetiva é um passo importante para promover o bem-estar individual e coletivo.

Neste contexto, os jornalistas enfrentamos o desafio de encontrar e informar a verdade, especialmente em um cenário onde notícias falsas e desinformação são disseminadas com facilidade. A busca pela verdade e pela informação confiável torna-se crucial para combater a propagação de mensagens enganosas.

Dicas importantes para melhorar a comunicação:

1. Escutar: o ato de escutar é tão importante quanto falar. A escuta ativa e o acolhimento do outro são fundamentais para uma comunicação bem-sucedida. Entender a intenção do interlocutor e também a própria intenção no processo de comunicação é fundamental para estabelecer uma conexão efetiva.

2. Escolha de fontes de informação: em um mundo com excesso de mensagens, é essencial fazer escolhas conscientes sobre as fontes de informação que consumimos. Buscar fontes confiáveis e qualificadas ajuda a evitar a propagação de informações falsas ou enganosas.

3. Simplicidade e objetividade: ao se comunicar, seja simples, direto e objetivo. Evite complicar a mensagem e busque expressar-se de forma clara para que o público compreenda facilmente o que está sendo transmitido. Isso ajudará a inspirar e impactar positivamente as pessoas.

Em resumo, devemos aprender a selecionar fontes confiáveis, filtrar informações e promover uma comunicação eficaz, respeitosa e construtiva. Somente assim poderemos criar relações mais saudáveis e uma sociedade mais informada e harmoniosa. E ao adotar a escuta ativa, escolher fontes confiáveis e comunicar-se de forma simples, direta e objetiva, podemos melhorar a qualidade das nossas interações e contribuir para uma sociedade mais informada, consciente e saudável.

Assista à entrevisa completa que concedi ao Márcio Atala, em Bem-Estar e Movimento

Mundo Corporativo: Lilian Bertin recomenda que você não deixe que sua idade o defina

Photo by nappy on Pexels.com

“Desde que a natureza permita tudo é possível e a idade não pode ser um impeditivo na nossa vida pessoal, profissional, corporativa seja qual for”

Lilian Bertin, empresária

Estamos encerrando a semana em que uma senhora de 96 anos morreu em pleno exercício de suas atividades e reverenciada por boa parcela do mundo. Concluiu o ciclo mais longevo para a ocupante do  seu cargo, na atualidade. E quando se fazia referência a sua idade era uma demonstração de valor, jamais depreciação. Claro, falo  da Rainha Elizabeth II que, por rainha que foi, teve privilégios que os “plebeus” nunca terão; e soube usá-los. A despeito das diferentes condições, cada vez mais teremos pessoas com idade avançada —- seja lá quanto isso signifique para você — no mercado de trabalho, ocupando e competindo por espaços com diversas gerações.

A maior longevidade da população, porém, parece que ainda não foi percebida por alguns gestores, líderes e empresas, que teimam em criar barreiras para os profissionais maduros e mais antigos. A prática, baseada em preconceito, tem nome: etarismo. E como todo preconceito precisa ser enfrentado e superado. Falei desse tema com Lilian Bertin, empresária e mentora de profissionais dispostos a se reinventar na carreira e nos negócios, no Mundo Corporativo da CBN:

“Eu vejo muitos jovens que estão iniciando uma carreira corporativa e já estão mortos pra vida. Eles funcionam a base da manivela. E pessoas com mais de 40, 50 anos que têm uma garra, uma vontade .. têm visão, têm experiência. Eu prefiro acreditar que a idade não nos define”.

Em sua carreira, especialmente na função de mentora, Lilian deparou com inúmeras histórias de pessoas que entenderam a necessidade de mudarem suas carreiras para estenderem a jornada profissional. Um dos exemplos é de um engenheiro de sucesso, de perfil sério e apreciador de vinhos que, após os 70 anos, descobriu-se músico e lançou álbum, onde se apresenta com um talento até então desconhecido. Para o cenário ficar ainda mais completo, ganhou a companhia da mulher que o apoia planejando os shows e atuando nos bastidores:

“Eu tenho certeza que em um ano a gente vai colecionar muito mais histórias como essas, inclusive de pessoas que estão saindo do mundo corporativo ou sendo convidadas a sair. Porque isso está sendo muito frequente e pegando toda essa bagagem, imprimindo, empacotando e transformando num produto, num serviço que pode ajudar muitas pessoas”. 

As mudanças na carreira nem sempre são planejadas ou por vontade própria. O profissional é “convidado” a se afastar e isso tem forte potencial para se transformar em  frustração e medo. Uma sensação que se dá especialmente pela crença de que seremos eternos no ambiente corporativo:

“A gente tem que seguir se preparando e cuidando da nossa imagem, da nossa marca, sempre pensando “se isso não der certo, eu vou fazer aquilo”. Ou seja, não é que você vai ter uma uma visão pessimista, mas é que você tem que estar sempre preparado para você se manter. Então, enquanto você tá ali na empresa, você dá o seu melhor, mas você tem que saber que um dia aquilo pode não existir mais”.

O sentimento de estar sendo descartado atrapalha muitos dos planos, por isso em situações como essa é preciso trabalhar a autoestima, explorando seus recursos internos e se reestruturando a partir do que você já sabe:

“Todas as vezes que eu tive um salto, um crescimento na minha vida, foi em momentos de muita dificuldade de muita frustração, mas quando a gente aprende a trabalhar com isso na nossa vida, acredite portas inimagináveis se abrem lá na frente. Enquanto a gente está preso ao que aconteceu de ruim, a gente não vira a página … é importante seguir em frente até para que a gente se libere dessa energia ruim”.

Lilian recorre a história dos dois lobos que convivem dentro de nós para falar do medo de errar, a medida que se tem uma vida mais madura. Ela lembra que medo e coragem estão dentro de nós, sobreviverá aquele (lobo) que nós alimentarmos. Uma das formas de não dar comida para o lobo errado é perceber que a maior parte da nossa insegurança está relacionada a perda de um status profissional que nos põe em situação muito confortável.  Entender que a cadeira da presidência na qual estamos preso, o crachá no peito e o respeito dos colegas do escritório podem ser substituídos por outros prazeres que a nova profissão nos oferecerá. 

“Olha para dentro disso e fala “o que que eu gostaria de fazer?”, “o que eu posso contribuir?”. Porque quando a gente contribui com o planeta quando a gente contribui com as pessoas, quando a gente quer verdadeiramente a felicidade das pessoas, a gente começa a se doar e essa doação se transforma, muitas vezes, num trabalho, num produto. Foi o que aconteceu comigo”.

Assista à entrevista completa com Lilian Bertin, autora do livro “Minha idade não me define”,ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições que temos de aprender com marcas centenárias

Arquivo: Livraria Bertrand, Lisboa

“O valor não tem a ver com idade e sim com  a entrega que se faz todos os dias”

Cecília Russo

Frágeis, fugazes e maleáveis. Assim são as relações sociais e econômicas, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do conceito de modernidade líquida. Diante deste cenário, imagine o desafio de marcas, empresas e serviços que se propõem à longevidade. Por isso, inspirar-se naquelas que foram capazes de superar a barreira dos 100 anos ajuda a encontrar caminhos que influenciam tanto a gestão do negócio quanto o comportamento do consumidor. Jaime Troiano e Cecília Russo foram ainda mais longe: trouxeram de Portugal a experiência de marcas com mais de 200 anos de existência.

O maior exemplo apresentado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é o da livraria Bertrand, uma rede varejista de livros que existe desde 1732 —- sim, isso mesmo, estamos falando do século 18. Em um mundo em que as marcas nascem todos dias, assim como desaparecem, ter uma que beira os 300 anos é fantástico, especialmente porque persiste em área tão fundamental como a cultura.

Cecília reproduziu no programa, o texto escrito pelos gestores da Bertrand que diz muito do seu sucesso:

“Passa o tempo, mudam-se as gerências, mas ficam os livros. É verdade, são já quase trezentos anos de uma História que se confunde com a de Lisboa. Bertrand é hoje o nome da mais antiga e maior rede de livrarias em Portugal. A nossa História ensinou-nos a cumplicidade com o leitor, a lealdade. Fazemos questão de lhe oferecer as mais atuais obras do mercado, os best sellers do momento, mas também de ter em estante, ao seu dispor, os títulos de referência e uma variedade editorial que desafia leitores de diferentes gostos e idades. Fazemos História, estando no presente. Atuais, atentos, ainda apaixonados pelo LIVRO.”

Dessas linhas que resumem a visão da livraria sobre o seu negócio, Cecília identificou três mensagens que servem de lição aos gestores de marcas:

Compromisso com o leitor: coloque seu cliente no centro, sempre, é o que ensina a Bertrand. Tenha cumplicidade e se lembre que tudo começa com um profundo respeito e amor às pessoas.

Capacidade de evoluir, preservando: a Bertrand traz o novo e o antigo juntos, ensinando que uma coisa não “mata” a outra. Ou, cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho, como alertamos frequentemente.

Amor pelo que faz: a paixão pelo negócio alimenta o poder de uma marca. Sem que os gestores sejam apaixonados pela área, pelo que vendem ou pelo que oferecem, teremos uma gestão burocrática, mecânica e fria.

Outra referência lusitana: Porcelana Vista Alegre, fundada em 1824. Foi a primeira unidade fabril dedicada à porcelana em Portugal. E, assim como muitas outras marcas longevas, teve um fundador obstinado, José Ferreira Basto, que levou à risca o ideário liberal da época, tendo se tornado o primeiro exemplo de livre iniciativa de Portugal.

“Isso mostra uma outra face das marcas que sobrevivem ao tempo. Elas nascem de um ideal e trazer alguma ousadia desde o nascimento. Se nos transportarmos para aquela época e nos colocarmos nos sapatos do senhor João, veremos que ele foi um visionário. Marcas precisam dessa visão de futuro”.

Atualmente, é possível encontrar marcas centenárias também aqui no Brasil, cada qual com sua característica própria: a Granado que está com 152 anos; a Hering, com 142; a União, com 136; a Klabin, com 123; e a Gerdau com 120 anos. Todos persistem porque souberam alimentar a relação com os consumidores, mantiveram-se relevantes e não se descuidaram de seus produtos. 

Ouça o comentário completo do Jaime Troiano e da Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com a sonorização do Cláudio Antônio”

O segredo da longevidade

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Image by Mabel Amber from Pixabay
Image by Mabel Amber from Pixabay

“Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossivel ser feliz sozinho”

Antonio Carlos Jobim

Se a gente conseguisse ver um filme da nossa vida até a velhice, quais seriam nossas escolhas? O que faríamos para ter uma vida mais longa, com saúde e bem estar? Diante dessa pergunta muitos responderiam sobre hábitos saudáveis de alimentação, atividade física, dinheiro e controle dos fatores de risco cardiovascular. Diversas pesquisas mostram que esses fatores são importantes no processo, porém, um estudo que vem sendo realizado há quase oito décadas, por pesquisadores de Harvard (orginalmente Study of Adult Development), aponta para um indicador  fundamental para a felicidade e longevidade: manter bons relacionamentos.

Inicialmente, o estudo acompanhou 268 rapazes estudantes da Universidade de Harvard e 456 moradores de bairros pobres de Boston, ao longo da vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional.  Os participantes do estudo responderam, por décadas, questionários sobre sua família, seu trabalho e sua vida social. Além disso, participavam periodicamente de check-ups médicos, incluindo análise de amostras de sangue e investigação do funcionamento cerebral.  

A pesquisa que ainda continua e está na segunda geração, agora contando com mulheres e homens, filhos dos primeiros participantes, apresenta diversos dados interessantes, como o fato do alcoolismo ser um dos fatores que antecederam a quadros de depressão e a principal causa de divórcio entre os participantes. O alcoolismo associado ao tabagismo foi o maior responsável pelo aumento da incidência de doenças e de morte precoce. Entretanto, para os pesquisadores, foi surpreendente a associação obtida no estudo entre envelhecimento saudável e bons relacionamentos.

Manter relacionamentos saudáveis significa ter alguém em quem confiar. Significa estabelecer bons vínculos e se manter conectado com familiares, amigos e com a comunidade. Segundo dados da pesquisa, manter bons relacionamentos torna as pessoas mais felizes, fisicamente mais saudáveis e aumenta a longevidade. Por outro lado, pessoas mais solitárias do que gostariam, apresentam níveis mais baixos de felicidade, piora da saúde após a meia idade e vivem menos dos que aqueles que não estão sozinhos.

A percepção de solidão pode ocorrer mesmo quando se está numa multidão ou num relacionamento duradouro, portanto, se sentir sozinho não envolve o número de pessoas que se tem ao redor, mas a qualidade dos relacionamentos. Relacionamentos saudáveis são aqueles que envolvem afeto, segurança, que nos permitem ser quem somos, oferecendo aos outros a mesma  oportunidade de serem o que são.

Agora, como passar por dificuldades na vida — problemas financeiros, perda de emprego ou outros tantas problemas — sem ter atitudes que nos afastem, nos isolem dos amigos, da família e da pessoa amada?

A resposta sinaliza para o conhecido “amar não basta, é preciso demonstrar”. Ou seja, diante das durezas da vida, a capacidade de gerenciar as emoções e o estresse permitindo que a gente se mantenha próximo, contando com aqueles com os quais nos relacionamos e que também podem contar conosco, parece fazer a diferença. 

Manter bons relacionamentos vai exigir investimento: de tempo, de atitudes, de disposição. Infelizmente, numa sociedade competitiva, onde somos treinados para produzir e acumular coisas, muitas vezes nossas prioridades estão na carreira, no sucesso e no dinheiro… e deixamos de cultivar momentos com as pessoas a quem queremos bem.

Às vezes uma disputa de jogos com os filhos, uma mensagem para um amigo, um jantar olho no olho com a pessoa amada — e sem tela do celular para espiar a rede social –- é revigorante e fortalece as relações.

Martin Seligman, professor de psicologia na Universidade da Pensilvânia, destaca que poucas coisas positivas são solitárias e faz um questionamento pertinente: quando foi a última vez em que você gargalhou escandalosamente? Qual a última vez em que sentiu uma alegria indescritível? Quando foi a última vez em que se sentiu muito orgulhoso de uma realização? 

Seligman sugere que possivelmente todas essas situações aconteceram em torno de outras pessoas, que são antídotos para os momentos ruins da vida e a fórmula mais confiável para os bons momentos.

Possivelmente, algumas pessoas não se importam com a solidão, muitas vezes até preferem estarem sozinhas, mas considerando como o riso fica fácil quando estamos com pessoas queridas e somando-se os dados da pesquisa de Harvard, não sei se é impossível ser feliz sozinho, como propôs Tom Jobim, mas pelo menos parece mais leve e prazeroso se a gente estiver bem acompanhado.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O Carnaval dos aposentados

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Parte dos 30 milhões do total de aposentados do INSS deverá pensar em carnaval somente a partir de amanhã. Simplesmente porque recebem acima do salário mínimo nos primeiros dias do mês, e o INSS somente os pagará amanhã, sexto dia do mês. O contingente de aposentados que recebem no dia primeiro, por exemplo, está acostumado a ter seu crédito no sábado quando é o primeiro dia do mês, mas desta vez irá receber somente na quinta-feira, dia seis.

 

É verdade que esta é uma pequena indeferência, diante das acentuadas diferenças dentro do sistema de aposentadoria brasileiro. A começar pelo déficit de quase 60 bilhões para um milhão de aposentados do funcionalismo, enquanto o déficit para cobrir os 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS não chega a 50 bilhões. E essas discrepâncias não ficam nisso conforme elencou Ruy Altefender, presidente da APLJ Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo na FOLHA de quinta-feira. Por exemplo, a média de ganho mensal entre os setores privado e público:

É bem verdade que estes “gaps” têm uma tendência a diminuir em função da EC14 de 2003, que acabou com a paridade entre servidores ativos e inativos, e da limitação de benefícios a partir de 2012, quando se estabeleceu que o optante pagasse mais pelo que quiser a mais. Entretanto, ainda há distorção na atualização monetária, pois o RGPS Regime Geral da Previdência Social aplicado à CLT tem apresentado índices de reajuste abaixo da inflação. Distorção esta que piora em muito aos que recebem acima do salário mínimo, pois além de abaixo da inflação, o reajuste a que fazem jus é inferior aos demais.

 

Aposentado, idoso e com valor acima do mínimo tem mesmo é que questionar e protestar. Na realidade a longevidade está cobrando um preço alto, pois as vagas especiais nos estacionamentos, as meias entradas, e as filas exclusivas nem de longe compensam planos de saúde sobretaxados e a atenção da família que muitas vezes vai diminuindo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.