Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Estação da Luz

 

Se no passado, milhares de pessoas chegaram a São Paulo pela Estação da Luz, no presente, milhares viajam através dela dentro da própria cidade. Com seus trens e passageiros, a estação, no centro da capital, é a cara de São Paulo aos 459 anos no olhar do ouvinte-internauta José Eduardo F. Boaventura.

 

Veja as outras caras de São Paulo no álbum de fotografias enviadas pelos ouvintes-internautas do Jornal da CBN. Vai por mim, vale a pena conhecer a cidade assim.

De luz

 

Por Maria Lucia Solla

Por dois ou três minutos vou me esvaziar de mim e, durante esses cento e tantos segundos, deixar-me invadir por uma luz que ilumina sem brilhar e conforta sem subjugar. Mas é preciso que eu tenha cuidado para não me render à tentação de pensamento e emoção que brotam do ego, e para não enfiar em cada canto disponível a fissura por controle e julgamento.

Vou percebendo a luz se alastrar num raio desmedido, sem freio nem direção, tocar tudo o que encontra pela frente e transformar tudo o que é tocado. Colher lágrima de dor e semear alento, distribuir compaixão e coletar solidão, cansaço e descrença. Ela vai apagando a certeza, depondo a razão, apagando dos olhos e da memória do homem a mentira e desmentindo a fé que precisa de guia para chegar ao Criador.

Ela vai fazendo o que lhe é próprio fazer, tocando cada canto esquecido de cada esquina de espaços que desconheço e apagando a lembrança dolorida, o sonho fracassado, a frustração pelo que passou e a incerteza pelo que ainda nem chegou. Vai alcançando cada um: letrado e desletrado, enricado e empobrecido, diplomado e tatuado, o calmo e o arretado, o querido e o detestado, e vai sinalizando o caminho para o fim de tanto sofrimento.

Vou me aquietando enquanto ela põe rédeas na minha mente que mente, que mente, que mente, que me leva pela estrada errada que vem prometendo o cetro e a coroa desde a materialização do nosso chão e do nosso céu, que nem mesmo nossos são.

Ela vai convencendo a mim, e a quem puder alcançar e tocar, de que é melhor deixar ir o que nunca foi e nunca será meu, que nem sempre quem ama é amado, e que para o amor não há regra e nem livro editado. Vai afastando de mim, e de quem puder alcançar e tocar, os rebentos da carne e do coração, como faz a macieira que permite que a maçã se solte e siga o próprio destino. E ela, a luz, ainda vai desativando bombas criadas para destruir, e vai levando dos nossos corações o impulso de matar e de morrer e plantando, em seu lugar, coragem de viver, mansidão e leveza de simplesmente ser.

Que o toque da luz nos faça esquecer o que precisa ser esquecido, administrar o possível e aceitar o impossível.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e escreve, aos domingos, no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Os dois lados de São Paulo

 

Sala São Paulo

A visita a Sala São Paulo e estação Júlio Prestes rendeu boa foto e más lembranças ao ouvinte-internauta Eduardo Mucillo. Foi lá no fim de semana e ficou impressionado com o aspecto no entorno do local, onde a cultura se mistura à degradação:

O cheiro de urina por toda a praça e em frente da estação empestiava o local… fora o lixo espalhado pela rua como se há pouco tivesse acabado uma feira e, para piorar, centenas de andarilhos, isso mesmo centenas, espalhados pelas sarjetas consumindo o lixo e as drogas, pelos gestos provavelmente crack, como se nada pudesse detê-los.
E não pode!

Kit para o apagão da Eletropaulo

 

Kit sobrevivência

A dificuldade da AES Eletropaulo de prestar serviço de qualidade em um momento de emergência na cidade, não tirou por completo o bom-humor do cidadão. O ouvinte-internauta Rafael Castellar Neves sugeriu incluir no kit de sobrevivência do paulistano um rádio e um lampião – foi assim que ele se virou para enfrentar os dois dias de escuridão na casa em que vive.

Uma atitude mais digna da Agência Nacional de Energia Elétrica cobrando providências da Eletropaulo, a punição da concessionária incapaz de atender a demanda neste período de chuva forte e investimentos no sistema energético de São Paulo pelo Governo do Estado também ajudariam.

Painel pelos Direitos Humanos, no metrô da Luz

Com cerca de 22 metros quadrados, este painel instalado na estação de metrô da Luz, centro de São Paulo, leva a assinatura da franco-belga Françoise Schein. Com a parceria de jovens, ela chama atenção para os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos dando seguimento a projeto que desenvolve há mais de dez anos. Lisboa, Paria e Bruxelas são outras cidades que abriram espaço em suas estações de metrô para trabalhos de Françoise Schein. Nesta sexta-feira, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

CBN SP estará no Parque da Luz, nesta sexta

 

O Parque da Luz é o mais antigo da cidade de São Paulo e foi escolhido para ser o cenário da segunda reportagem da série “Parques da Cidade”, que se iniciou nesta semana no CBN SP. A Cátia Toffoletto estará, ao vivo, conversando com frequentadores, personagens e gestores para levar ao ouvinte-internauta o que o local oferece ao paulistano.

Entregue em 1825 como Jardim Botânico transformou-se no primeiro espaço de lazer da cidade. Porém, o desinteresse do governo pela área fez com que passasse a ser usado como pasto de gado. Nos 212 anos de vida, o Parque da Luz teve longos períodos de degradação, tendo sido reintegrado ao cotidiano de São Paulo apenas após os anos de 1970. O parque tem sido visto como um museu aberto pelo número de obras de arte que estão em seu interior.

A série “Parques da Cidade” se iniciou terça-feira quando Cátia Toffoletto visitou o parque da Água Branca, na zona oeste. Você pode acompanhar as entrevistas que foram ao ar no CBN SP na página especial no site da CBN, além disso pode colaborar enviando fotos de outros parques e praças da capital que irão compor o álbum digital do CBNSP, no Flickr

Mande, também, para o e-mail milton@cbn.com.br sugestões de locais para serem visitados pela Cátia Toffoletto.

Foto-ouvinte: Escuridão no Jardim Ângela

 

Sem luz

Se você não é capaz de enxergar muita coisa nesta foto, não se preocupe. Esta é, também, a visão dos moradores da rua Aurélio Neves, Sapopemba, zona leste de São Paulo. De acordo com Carlinhos Cobra, os moradores continuarão “cegos” enquanto a prefeitura estiver “surda” às reclamações. Há um mês, as luzes dos postes se apagaram e os pedidos se iniciaram. Até agora nenhuma previdência foi tomada.

O problema que o Carlinhos conta não é um privilégio dele. O maior número de reclamações feitas à Ouvidoria de São Paulo se refere a iluminação pública. No terceiro trimestre deste ano foram registradas 549 queixas de pessoas que haviam solicitado o serviço da Ilume, mas não foram devidamente atendidas.

Para fazer reclamações à Ouvidoria:

* Pelo telefone 0800-175717 das 9h às 17h.

* Pessoalmente, das 9h às 17h, na Avenida São João, 473, 16º andar, Centro.

* Por fax: 3334-7132.

* Correios: Avenida São João, 473 – 16º andar – Centro – São Paulo – SP – CEP 01035-000

Pauta #cbnsp: Sem-teto são assassinados em São Paulo

 

CBN SPSem vida – Seis pessoas foram assassinadas enquanto dormiam embaixo de um viaduto na rodovia Fernão Dias, no bairro do Jaçanã, zona norte da capital. Uma mulher está ferida. Motoqueiros pararam no local e atiraram contra os moradores de rua. Suspeita-se que tenha sido vingança contra o grupo que teria cometido assalto próximo do local. Acompanhe a reportagem da CBN.

Sem teto –
A presença de moradores de rua em área distante do centro de São Paulo não surpreende o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa. Ele disse que se estima haver de 13 mil a 18 mil pessoas vivendo nesta situação na capital pela falta de abrigos e infraestrutura para atendê-los. A preocupação maior é com a chegada das baixas temperaturas, como explica na entrevista ao CBN SP.

Sem luz – Falha em sistema elétrico deixa centro da cidade de São Paulo sem luz desde o início da manhã. Ouça a reportagem.

Sem água –
Serviço de manunteção deixará bairro do Morumbi sem água durante a quinta-feira. Ouça as informações.

De foco


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz da autora

A flor

Há que mudar o foco da luz. Do jeito que estão as coisas, o ruim recebe toda ela enquanto o bom vai morrendo.

feito planta famélica
inodora angélica

Dá para continuar? É isso que a gente vai escolher? É assim que você e eu pretendemos viver?

o flash deve iluminar a imagem que a gente quer eternizar
a imagem que escolher é a que vai dia a dia nos acompanhar

também há que alimentar o positivo para que cresça e tome espaço
pra que o negativo diminua se enredando no laço

não precisa o negativo aniquilar
basta que o deixe restrito ao seu lugar

ou você se esqueceu de como foi que cresceu
ou acha que tudo simplesmente por acaso aconteceu

que um dia você acordou
e esse ser que hoje se olha no espelho
do nada se formou

Cada dia, cada minuto do dia, precisa de atenção, de carinho e de alimento. Não dá pra acordar e dormir.

dormir e acordar
no piloto automático funcionar

Coloque dois vasos de flores na sala de casa, troque a água e livre um deles das folhas mortas;

não lhe vire jamais as costas

Com o outro, no entanto, faça diferente. Deixe que a água, antes limpa, se encha de bactérias, e deixe que elas dele se alimentem.

e o que vai acontecer
é óbvio meu amor que vai sofrer e logo em seguida morrer

é isso que eu quero dizer
se é que você quer me entender
que criamos para nós armadilhas
e nos aprisionamos em pequenezas e quinquilharias

o pior disso é que se prestamos atenção
vemos que vivemos presos ao passado
chorando pelo que foi
sem nos darmos conta da riqueza e da alegria

diferentes é claro na nova realidade
que tenta nos prender nos envolver
para que nunca nos livremos da saudade

E você, está focando o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeura, professora de língua estrangeira e desenvolve cursos na área de comunicação e expressão. Aos domingos, é luz própria no Blog do Mílton Jung.

Foto-ouvinte: Crepúsculo paulistano

 

Crepusculo de São Paulo

“Uma lua no imenso céu tendo somente uma estrela ao seu lado, durante o nascer do sol” – cena que ela própria descreve – inspirou a ouvinte-internauta Sílvia Maria Vasconcelos a encarar os quilômetros de congestionamento e o tempo seco que marcaram o início da semana na capital paulista. Ao fotografar o horizonte ela se questionou se “o paulistanos param por alguns minutos para observar as coisas que a natureza oferece em meio a tantos prédios”.