Por Dora Estevam
Se eu tivesse que oferecer um estilista de presente para uma mãe ou se eu fosse esta mãe, com certeza seria o italiano Valentino. O estilista que rompeu definitivamente o monopólio parisiense da moda e seduziu o mundo com criações luxuosas e femininas.
Eternamente vermelho.
Quantas vezes você chegou a ver os vestidos maravilhosos de Valentino no tapete vermelho da festa do Oscar?
Vestidos deslumbrantes usados por mulheres indiscutivelmente elegantes como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy e a princesa Diana. Na agenda contemporânea, Claudia Schiffer, Sharon Stone e Linda Evangelista.
Atualmente, as coleções assinadas por Valentino vão além de moda feminina e masculina, suas charmosas criações se expandiram para acessórios como perfumes, relógios, óculos e bolsas.
Sem dúvida o século 20 foi incrivelmente especial para o estilista que expandiu seu império para além da Itália, abriu lojas na França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Coréia Indonésia, entre muitos outros países.
Quando se fala em moda a impressão que dá é que tudo são flores, mas você imagina o que Valentino passou para chegar no topo da alta-costura?
Valentino Clemente Ludovico Garavani, nascido na cidade de Voghera, em 1932, teve que romper muitas barreiras a começar pelo monopólio parisiense que não admitia estilistas estrangeiros.
Valentino terminou os estudos em Milão, onde aprimorou seu conhecimento em arte e escultura, depois foi estudar em Paris na Chambre Sybdicale de la Haute Couture. Na capital, aproveitou para fazer um estágio e algumas aulas de dança e teatro.
Ai você me pergunta, de onde vem afinal a inspiração para o estilista gostar tanto de vermelho? Bem, ainda nesta ocasião, o jovem Valentino começou a frequentar a Ópera de Barcelona, ao notar que a maioria das roupas dos trajes usados em cena era vermelha, ele se deu conta que depois do preto e branco não existia cor mais bela.
Enfim, estamos falando de uma época muito elegante, La Dolce Vita italiana. Em 1957, com 27 anos, Valentino abriu seu próprio ateliê em Roma e lançou seu primeiro desfile solo. O impacto foi grande, até a atriz Elizabeth Taylor largou tudo para assistir, depois disso ela encomendou um vestido para a premiere de Spartacus. Faz ideia?
Dai em diante as estrelas Ornella Mutti, Sophia Loren e Mônica Vitti se encantaram com o jovem italiano.
Nos anos 60, a moda londrina invadiu o mercado com as criações de Mary Quant e com isso os preços da alta-costura baixaram muito. Valentino esperto que era, deu um verdadeiro golpe de mestre, preparou a sua coleção prêt-à-porter, se dedicou mais a criação e expandiu a marca.
Em 1968, ele costurava para as mulheres de políticos e as mais famosas atrizes, sem contar que fez o vestido de casamento da amiga dele Jacqueline Kennedy.
Valentino sempre foi inteligente e soube aproveitar as oportunidades e as mudanças de cada época. Digo isso, porque já em 70, com todas as mudanças sobre as quais falamos nesta coluna, ele criou peças incríveis com estampas extravagantes com leopardos, zebras e girafas, vestidos suntuosos de noite e não poupava plumas, paetês e bordados.
Em 2008, Valentino se aposentou, mesmo dizendo que não conseguiria ficar longe das tesouras. A marca ele já havia vendido para uma empresa britânica.
Talento e criatividade nunca faltaram para o mestre italiano que sempre surpreendeu com suas criações arrojadas e sempre femininas.
Seduziu mulheres do mundo inteiro. Porque sempre soube traduzir os sentimentos tão delicados, sofisticados, glamorosos e luxuosos.
As mães merecem um homem assim.
Dora Estevam é jornalista, escreve ao sábados no Blog do Mílton Jung e, mãe, fala em causa própria na coluna de hoje.



