De biquíni, a boa imagem do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Brasil, com invejável litoral, com extensos recursos naturais, com talentos em música e futebol, já deveria ter um posicionamento dominante em produtos como o café, o campeonato nacional de futebol e demais artigos relacionados com o DNA nativo.

 

A França e a moda, a Itália e o vinho, Portugal e o azeite, a Inglaterra e a literatura, são exemplos notáveis.

 

Os biquínis brasileiros adentram agora neste propósito de utilizar a credibilidade conferida aos trajes de praia criados e produzidos aqui, oriunda da expertise em praia, mar e sol da natureza nacional. Com o projeto + Beach Brasil, a ABEST Associação Brasileira de Estilistas, com a participação da APEX Agência Brasileira de promoção de exportações e investimentos, reúne 18 fabricantes de moda praia, tendo como meta exportar e formar um posicionamento dominante neste mercado para a marca Brasil.

 

Este projeto +Beach Brasil, das marcas Água de Coco, Amir Slama, ANK Swimwear, Brigitte, Cia. Marítima, Cecília Prado Mare, Clube Bossa, Dalai Beachwear, Jo de Mer, Larissa Minatto, Lenny, Poko Pano, Salinas, Sol de Janeiro, Skinbiquini, Treza, Triya e Vix Swimwear, marcou presença em Miami (EUA): o Mercedes-Benz Fashion Week Swim, o evento mais famoso de moda praia americano, encerrado na segunda e a feira de negócios Swim Show, que completou 30 anos nesta edição e terminou ontem.

 

Valdemar Iodice, presidente da ABEST informou de Miami, que as doze marcas que participaram da Swim Show realizaram bons negócios e a PoKo Pano, ANK Swim, Cia. Marítima que desfilaram tiveram seus modelos destacados na cobertura do evento. Enfatizando que “a festa de lançamento realizada na noite de ontem (23) também foi marcante para as marcas presentes e para a entidade, já que recebeu cerca de 250 convidados entre compradores (como da loja The Webster, Saks Fifth Avenue, Harrods, Gilt Group, Shopbop etc.), estilistas brasileiros e mídia internacional”.

 

É bom mesmo que os maiôs pátrios tomem seus lugares ao sol, para evitar que países que já dominem alguns posicionamentos, façam também como a Suíça dos relógios, dos queijos e dos bancos, que nos vende café Nespresso a R$ 500,00 o quilo enquanto o quilo do café Qualitá custa R$ 15,00. E o café é nosso. Ou não é?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Construindo uma marca de sucesso

 

O especialista em marketing Leonardo Lanzetta, diretor-geral da DIA Comunicação, fala dos desafios para se construir uma marca de sucesso. “Dos 50 milhões de marcas que tem no mundo apenas 1% tem destaque”, disse em entrevista ao Mundo Coporativo da CBN.

Lanzetta explica ainda como funciona o branding que é a técnica de gestão de marcas e quais os melhores caminhos para se conquistar o consumidor. Você também vai saber quais são as marcas mais valiosas do mundo.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, a partir das 8 horas, no Jornal da CBN. E a entrevista pode ser assistida ao vivo no site da CBN toda quarta-feira, às 11 da manhã, com participação pelo twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br

Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

 

O artigo de Carlos Magno Gibrail (Marketing e Futuro na Moda arrasam nop SPFW), nosso doutor em marketing de moda, trouxe importante colaboração para a reflexão sobre a exposição das marcas na 15a edição da São Paulo Fashion Week. Aproveito este sábado, sempre dedicado a moda e estilo de vida, graças as provocações da colunista Dora Estevam, para destacar um dos comentários publicados aqui no Blog, assinado pela leitora-internauta Louise Rossetti:

Eu concordo que este tipo de ação chame a atenção, cause mídia espontânea (inclusive a sua) e burburinho. Mas somente Promoção e Propaganda não criam posicionamento de marca. Acho raso, volátil, linkar a marca a celebridades, principalmente quando elas não tem absolutamente nada a ver com a identidade da marca.

Se a marca é pop, deve investir em ideias pop, não em marketing “barato” e óbvio. O consumidor não é mais inocente como nos anos 90. Não se aceita mais qualquer coisa. E apesar da mídia gerada, o produto é fraco, o posicionamento é dissonante e a ligação com o cliente fica prejudicada assim que se usa o produto, pois é quando a imagem do Ashton ou da Giselle se dissipam. (ou seja, deixa-se de atender o desejo do cliente).

Eu acredito em construir uma identidade de marca, com mais P’s fortes, além de promocao e propaganda. E isso se faz priorizando tbm os outros fatores.

“Falem mal, mas falem de mim” é pobre, dura pouco. Branding em que a criação não conversa com a comunicação, não é branding.

Acho a ideia da Ellus mais louvável, por exemplo. Uma marca que quer se posicionar como moderna, avant gard, que usou uma mídia nova, diferente.

Para pagar U$ 500.000 para uma celebridade, basta ter dinheiro. Para fazer algo bacana, e elevar a marca, definitivamente, precisa-se de criatividade.

Marca BRASIL não marca posição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Bandeira do Brasil

O Brasil é a 8ª economia do mundo com um PIB de US$ 1,77 trilhões, mas a sua marca, segundo pesquisa recente equivale à 22ª posição global, traduzida em US$ 255 bilhões.

Algo está errado. E, não é a pesquisa, realizada pelo conceituado economista britânico Simon Anholt, especialista em marcas de países e regiões mundiais.

Os Estados Unidos, com US$ 14 trilhões de PIB, apresenta US$ 19,7 trilhões de valor de marca, ocupando o primeiro lugar no ranking das marcas de nações.

Significa dizer que a marca Estados Unidos corresponde a 140% do PIB e a marca Brasil equivale a 14% do PIB. Gigantesca diferença para uma situação nitidamente antagônica de valores e de ações entre os dois países.

O Brasil surpreendeu o mercado internacional ao não sucumbir à crise financeira, entretanto é mal avaliado nesta pesquisa global que através de cálculo matemático leva em conta dados como a pauta de exportações, governança sob aspecto de estabilidade econômico/social e turismo na quantificação de numero de visitantes. A 8ª posição deste ranking de marcas corresponde a US$ 1, 402 trilhões. Uma incômoda diferença de US$ 1, 147 trilhão, que cabe ao Brasil descontar. Dos BRICs a marca China é a nona colocada (US$ 1,1 trilhão), a Rússia a 12ª e a Índia a 17ª. Ainda assim, o Brasil ganhou seis posições em relação à pesquisa anterior, realizada há dois anos, quando sua marca valia US$ 181 bilhões.

Esquema

Simon Anholt é consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial. Acompanha há dez anos os dados de cada país estudado e entrevista profissionais da área de comércio exterior, obtendo informações que ajudarão países a corrigir problemas que afetam seu crescimento e também por investidores.

Fundamentalmente chama a atenção pelas peculiaridades do Marketing de países e regiões comparativamente ao das empresas privadas. Nestas, se podem criar posicionamentos de produtos e serviços associando todo um processo de comunicação através de campanhas, demonstrações, slogans, desenhos de marcas e logotipos.

“Mesmo que muitos governos gastem muito dinheiro tentando fazer isso, não há provas de que isso funciona. A única forma certa de lugares mudarem suas imagens é mudando o jeito como eles se comportam: precisam focar nas coisas que elas fazem e produzem não o que eles dizem“.

De qualquer forma, empresas e nações jamais podem enganar na formação de marcas valiosas. O foco é atuar em cima dos pontos fortes existentes, além de difundir diferenciações e benefícios aos consumidores. Em comum fica o postulado de Al Ries e Jack Trout:

“O Marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepção”.

Há mais de 10 anos, Al Ries, reconhecido autor de Marketing, em Seminário realizado em São Paulo, sugeria que o Brasil usasse sua força de imagem e associações positivas reconhecidas mundialmente tais como praia, futebol, Amazônia, bebidas típicas, culinária nativa, para lançar produtos pertinentes. Por exemplo, um utilitário ou caminhonete para uso urbano com o nome de Amazon. E isto foi antes do sucesso das caminhonetes Tucson, Porsche, BMW, etc. Do futebol, da grama ao grito de gol, passando pela venda do produto pronto até a medicina especializada.

Segunda e terça foram datas importantes para a melhoria da marca Brasil. Em Seminário estrelado por Simon Anholt, “BRAND BRASIL 2010: O valor da marca e das marcas de um país”, o consultor abordou uma análise sobre a complexidade que é gerir uma marca-país, os resultados de suas pesquisas, entre elas uma bem interessante em que 20 mil pessoas de diferentes países deram sua opinião sobre os produtos, impressões, pessoas, etc., de outros países.

Júlio Moreira, diretor da Top Brands, empresa organizadora do Seminário:

“O Brasil é mal pontuado por questões como a exportação, mais voltada a commodities do que a produtos manufaturados, e também pelo quesito turismo, pois recebe cerca de 5 milhões de turistas internacionais ao ano. A Croácia recebe 20 milhões.”

“Fatos locais também pesam na maneira como o país é visto internacionalmente. Já os recentes discursos do diretor do filme Avatar, James Cameron, contra a hidrelétrica de Belo Monte, também podem ter respingos na imagem do Brasil”.

Num momento em que é visível o acentuado processo de descomoditização de produtos e a intensa valorização das marcas, o Brasil, lastreado em mundiais primeiras posições produtoras de materiais e insumos básicos, desponta com um valioso potencial de agregação de valores às suas exportações. Quer manufaturando matérias primas, quer valorizando suas marcas. É trabalho para gente grande, do tamanho do 8º lugar da Economia. É preciso introduzir o Marketing, sem estereótipos e não esquecer que esta é uma batalha de percepções, mas não de enganações.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas agrega valor com sua cultura ao Blog do Mílton Jung