Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

 

O artigo de Carlos Magno Gibrail (Marketing e Futuro na Moda arrasam nop SPFW), nosso doutor em marketing de moda, trouxe importante colaboração para a reflexão sobre a exposição das marcas na 15a edição da São Paulo Fashion Week. Aproveito este sábado, sempre dedicado a moda e estilo de vida, graças as provocações da colunista Dora Estevam, para destacar um dos comentários publicados aqui no Blog, assinado pela leitora-internauta Louise Rossetti:

Eu concordo que este tipo de ação chame a atenção, cause mídia espontânea (inclusive a sua) e burburinho. Mas somente Promoção e Propaganda não criam posicionamento de marca. Acho raso, volátil, linkar a marca a celebridades, principalmente quando elas não tem absolutamente nada a ver com a identidade da marca.

Se a marca é pop, deve investir em ideias pop, não em marketing “barato” e óbvio. O consumidor não é mais inocente como nos anos 90. Não se aceita mais qualquer coisa. E apesar da mídia gerada, o produto é fraco, o posicionamento é dissonante e a ligação com o cliente fica prejudicada assim que se usa o produto, pois é quando a imagem do Ashton ou da Giselle se dissipam. (ou seja, deixa-se de atender o desejo do cliente).

Eu acredito em construir uma identidade de marca, com mais P’s fortes, além de promocao e propaganda. E isso se faz priorizando tbm os outros fatores.

“Falem mal, mas falem de mim” é pobre, dura pouco. Branding em que a criação não conversa com a comunicação, não é branding.

Acho a ideia da Ellus mais louvável, por exemplo. Uma marca que quer se posicionar como moderna, avant gard, que usou uma mídia nova, diferente.

Para pagar U$ 500.000 para uma celebridade, basta ter dinheiro. Para fazer algo bacana, e elevar a marca, definitivamente, precisa-se de criatividade.

6 comentários sobre “Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

  1. Louise Rossetti,

    Eu acredito em construir uma identidade de marca…(Louise Rossetti)

    Louise,

    houve momentos, no decorrer do século passado, que a filosofia se recusou a falar do mental sob o pretexto de que não podia vê-lo. Hoje em dia, com as ciências cognitivas, as questões do conhecimento – o que quer dizer conhecer, perceber, aprender? – tornaram-se centrais. Os progressos da ciência permitem tocar naquilo que antigamente era invisível, o que obriga a Semiótica questionar: como é que a linguagem estrutura a percepção que temos das coisas?

    Belíssima reflexão. Parabéns!

    Nelson Valente

  2. Milton, este comentário de Louise Rossetti demonstra que nada é de graça, pois atrás desta análise muito bem elaborada está uma empresária de sucesso em Curitiba, dona de várias lojas de moda feminina nos Shoppings Curitiba, Muller e Parkshopping Barigui, além de uma sólida formação academica com MBA em Marketing.

  3. Prezado Prof. Dr. Carlos Magno,
    Em seu texto: – “Se há ou não pertinência entre a imagem das personalidades com as marcas não cabe aqui discutir. O que fica claro é que precisamos de especialistas de especialistas, ou seja, generalistas. É o que os médicos chamam de clínico geral”

    Prof. Dr. Carlos Magno,

    Em primeiro lugar, vale lembrar que a ELLUS e a COLCCI , como imagem transmitida pela televisão, é de natureza icônica, pois apresenta relação de similaridade com o que foi gravado para a propaganda, sendo apenas representações dos modelos e dos lugares exibidos nela. Agora destacando alguns aspectos no intuito de exemplificar outros ícones, índices ou símbolos da moda, pode-se evidenciar a própria mensagem final da ELLUS e a COLCCI : “O avesso da moda?”

    É imprescindível a paciência e a disponibilidade dos observadores dos signos para que possam enxergar o que os signos querem passar.

    O primeiro ponto de partida é que os signos são múltiplos e, portanto, vão sendo modificados de acordo com o observador.

    Esse processo se faz, também, nas análises dos signos em relação aos seus objetos. O observador é determinante para as análises que surgirão. Mas não podemos, a partir dessas colocações, acreditar que o signo não tem autonomia. Por si só, os signos têm a capacidade de evocar, de significar e de indicar, mas não substituir, não sendo totalmente dependentes dos seus intérpretes.

    Quando analisamos semioticamente, estamos na posição de observador ou, como diria Peirce, de “interpretante dinâmico”, um intérprete singular, individual e, justamente por isso, passível de falhas. Enfim, não há receitas prontas.

    Abraços,
    Nelson Valente

  4. Prof. Nelson Valente.
    Vamos então aos fatos, isto é, à pertinência entre as personalidades escolhidas e as respectivas identidades de marca.
    A ELLUS não deixa dúvidas quanto a correspondência entre a escolha do meio de comunicação, do produto e da proposta de contemporaneidade desejada.Acertou totalmente, embora tenha recebido críticas negativas de alguns jornalistas especializados em moda.
    A COLCCI ao eleger Gisele como a sua top evidencia um desejo de up grade , pois embora modelo, isto é, passivel de caracterização polivalente, Gisele está acima da marca. Ao escolher Ashton provavelmente mirava também e principalmente Demi Moore, o que sinaliza uma espetacularização desejada. E, diga-se , conseguida.
    A TRITON ao escolher Paris Hilton mostrou uma certa dissonância com seu público jovem, pois Hilton não é mais uma patricinha, quer pela idade, quer pelo famoso video pornô assistido pelo You Tube, protagonizado por ela e seu antigo namorado.De qualquer forma, a imagem de Hilton não foi afetada e há tempos está sendo usada para multiplas segmentações e estilos de vida diferentes, o que pode ter dado a alguns analistas uma intrigante e questionável polivalência.

    Abraço

    Carlos Magno

  5. Caro Milton,

    Agradeço o destaque e o comentário!

    Carlos,

    Obrigada pela deferência. Realmente, o meu caminhar é fruto de muita dedicação e academia, mas principalmente, de paixão pela moda, pela comunicação e pelo marketing.

    Caro Nelson,

    Obrigada. Eu acredito em construir identidade de marca, assim como acredito nas contribuições que a Semiótica trouxe a comunicação e ao marketing.
    Para mim os simbolos tem sim sentido único, individual, pois como você mesmo salientou, é a observação, a linguagem, a tradução que trazem significado a ele.
    No entanto havemos de considerar o contexto para então observarmos o simbolo, afinal os seus observadores estão inseridos neste contexto, e assim, por ele influenciados.

    Este é o ponto em que acho dissonante. A escolha destes simbolos traz notoriedade efêmera, curta. Pois devemos lembrar que após o final do contrato, essas celebridades não serão lembradas como icones destas marcas.
    E para um verdadeiro branding, uma construção de marca forte, é necessário mais que um simbolo. É necessário um universo inteiro de marca.

    Abraços,

    Louise of

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