A potência das marcas e a intromissão de um prefaciador

Potencia das Marcas Livro

Jaime Troiano lança nesta terça-feira (29/9), em São Paulo, o livro A potência das marcas. Amigo de longa data e parceiro no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN, Jaime me convidou a escrever o prefácio da obra. Falamos dela no comentário do último sábado.

Prefaciar é se intrometer na relação entre o autor e o leitor. E isso exige cuidado. Espero ter sido cuidadoso o suficiente para despertar em você, ao fim da leitura, o desejo de comprar o livro do Jaime.

Se o prefácio que reproduzo a seguir não despertar esse desejo, insista assim mesmo. Tenho certeza de que o livro do Jaime é muito mais potente do que o meu prefácio.

O lançamento será nesta terça-feira, a partir das 18h30, na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi, em São Paulo.

A seguir, minha intromissão:

A potência das frases

Há autores que a gente lê esperando o argumento. Outros, esperando o fato. Jaime Troiano eu leio esperando a frase. Aquela sentença que chega em algum momento antes do ponto final, às vezes no fim do parágrafo como quem chega atrasado à festa, mas mesmo assim domina a sala. É sempre assim: sei que ela vem, sei que vai aparecer de repente, e sigo adiante como quem aguarda o refrão de uma música que marcou a vida inteira.

É a mesma sensação de quando você vai ao show de um ídolo. Gilberto Gil pode reinventar o setlist, mas se não tocar Andar com fé vai ouvir reclamação. Paul McCartney pode cantar o repertório inteiro dos Beatles, mas, no fundo, todo mundo está ali esperando Yesterday. Mick Jagger pode dançar até cansar — o que já seria um feito —, mas ninguém sai satisfeito se não escutar Start Me Up esganiçado no microfone. Nós sabemos que esses clássicos virão. E, ainda assim, quando chegam, nos surpreendem como se fosse a primeira vez.

Com Jaime acontece o mesmo efeito. Você lê o argumento, acompanha a história, entende o conceito — e espera pela frase que cristaliza tudo. “Marca não é tapume.” “O consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente.” “Pedra que rola não cria limo. Marcas também não.” “A mesa do escritório é um lugar perigoso para olhar o mundo.” Frases assim, simples na forma e profundas no impacto, que embalam uma ideia e, ao mesmo tempo, a devolvem para você pensar melhor.

A minha favorita ganhou ainda mais força à medida que a comunicação se tornou território de excesso; e Jaime sabe sintetizar esse excesso como poucos: “Estamos obesos de informação e anoréxicos de ideias.” Ele usa insights, eu adaptei à minha maneira, mas o alerta permanece o mesmo: não falta dado; falta reflexão sobre o que realmente importa.

Conheci primeiro a fama do Jaime Troiano, o especialista que ajudou a estruturar o campo de branding no Brasil. Só mais tarde conheci a pessoa, quando ele e Cecília Russo passaram a participar do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, em 2016. Desde lá, todos os sábados conversamos sobre comportamento, consumo, cultura, estratégia — e, no meio de uma explicação, lá vem a frase. Durante anos, aprendi com ele no estúdio, em intervalos de gravação, nos cafés apressados antes de entrarmos no ar. Ali percebi que seu talento não está apenas em decifrar marcas, mas em decifrar pessoas.

Já tinha vivido essa experiência anos atrás, quando prefaciei outro livro dele. Agora, ao abrir A Potência das Marcas, percebi que a expectativa era a mesma: eu seguia pelas páginas esperando o lance inesquecível — aquele momento que entra para a história pela ousadia, como a bola que Pelé arriscou do meio de campo contra a Tchecoslováquia, em 1970; o gol de Maradona driblando cinco ingleses no México; ou o chute de Baltazar que deu o título Brasileiro ao meu Grêmio em 81. Lances que já vimos centenas de vezes, mas que nunca perdem o brilho. São momentos que pertencem à memória coletiva pela capacidade de nos lembrar do que ainda nos emociona.

A leitura deste livro me provocou exatamente isso: a emoção de reencontrar o esperado e, ao mesmo tempo, descobrir o novo.

Porque Jaime consegue fazer o que poucos fazem: traduzir comportamentos humanos em lógica de marca, e lógica de marca em reflexão sobre a vida. Ele fala de branding, mas está discutindo ética. Fala de estratégia, mas está discutindo dignidade. Fala de consumo, mas está discutindo sociedade. Para ele, marcas só existem porque tocam pessoas — e, quando deixam de tocar, deixam de existir.

Esse compromisso ético atravessa a obra inteira. Branding, para Jaime, não é truque, não é ilusionismo, não é gel fixador de reputação. É responsabilidade. Ele não romantiza o consumidor, mas também não o infantiliza. Pessoas não são massa de modelar; são indivíduos com sentimentos, fragilidades e histórias, que merecem respeito. E quando ele fala de marcas que tentam esconder falhas com tapumes coloridos, a metáfora não é decorativa: é alerta.

Ao longo dos capítulos, Jaime convoca uma galeria de personagens que ilustram nossas contradições — os Rafaéis, que acreditam que o mundo cabe dentro do próprio círculo social; o Heitor, preso aos algoritmos que só lhe devolvem o que ele já pensa; o Jacobina de Machado, que precisa da farda para se reconhecer; o Coringa, que usa a máscara para esconder o rosto; o menino da fábula de Andersen, que grita que o rei está nu. São figuras que tornam o livro mais vivo e mais próximo, porque Jaime sabe que nenhuma teoria existe sem gente.

E há ainda um elemento que, para mim, costura essa obra: o Brasil. O Brasil que encanta e espanta. O Brasil das marcas regionais que desafiam teorias metropolitanas. O Brasil das contradições que convivem na mesma esquina — generosidade e desigualdade, improviso e genialidade, festa e cansaço. Quando Jaime escreve sobre o país, não está fazendo geografia; está fazendo antropologia emocional. Ele vê o Brasil como marca e como metáfora, pulsante e imperfeita, mas cheia de potência.

A Potência das Marcas é, portanto, muito mais do que um livro sobre branding. É uma travessia pela nossa relação com o sentido das coisas, pelo modo como construímos vínculos, pela responsabilidade de quem fala para muitos e pela vulnerabilidade de quem escuta sozinho. É um livro sobre negócios que dialogam com pessoas, e sobre pessoas que transformam negócios. É técnica com sensibilidade, estratégia com humanidade, conceito com história.

Enquanto lia, mantive a expectativa que sempre me acompanha quando abro um texto do Jaime: a frase viria. E ela veio — em vários momentos. Mas terminei o livro com a sensação de que o leitor também terá a chance de encontrar a sua própria frase preferida. Aquela que vai acompanhá-lo por dias, que será citada numa reunião, repetida para um amigo, reaparecerá na memória durante uma caminhada.

Que cada leitor descubra a sua. As minhas eu guardo para os momentos em que o rádio me lembra que comunicar é, antes de tudo, uma forma de cuidar do outro. Jaime faz isso com o branding; eu tento fazer com a palavra falada. E talvez seja por isso que nossas jornadas se cruzaram.

Este livro é, enfim, um convite: entender marcas é entender gente. E entender gente continua sendo a tarefa mais complexa — e mais necessária — do nosso tempo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que o fenômeno Ozempic ensina sobre marcas

Um medicamento criado inicialmente para controlar o diabetes tipo 2 virou assunto obrigatório em conversas sobre saúde e comportamento, invadindo redes sociais e ganhando destaque em reportagens. Esse fenômeno, representado pela marca Ozempic, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, que analisaram por que o remédio conquistou tamanha relevância no mercado e o que outras marcas podem aprender com isso.

Jaime e Cecília apontam que parte fundamental do sucesso está no próprio nome Ozempic, porque permite diferentes interpretações, facilitando conexões pessoais com o público. Cecília Russo explica: “Nomes bons são aqueles que permitem que a gente construa histórias a partir dele”. É exatamente o que ocorre com Ozempic, cujo nome remete tanto a uma aplicação simples (“pic”) quanto à ideia olímpica de saúde (“ozem”).

Outro fator relevante destacado por Cecília é a forma como o medicamento expandiu sua utilidade, indo além do diabetes tipo 2 ao ser aprovado também para o tratamento da obesidade, aumentando significativamente seu alcance no mercado. A inovação na apresentação em forma de caneta também ajudou a diminuir o desconforto e aumentar a adesão ao tratamento pelos pacientes, um desafio conhecido na indústria farmacêutica.

Jaime Troiano chama a atenção ainda para outro ponto-chave: o valor percebido pelo consumidor. Apesar do preço elevado, “a percepção de valor é tão alta que o preço até que se justifica”, diz ele. Ozempic conseguiu atingir um patamar raro no mercado: o de ser visto pelos consumidores não como custo, mas como investimento.

Além disso, Jaime observa que Ozempic não apenas vendeu mais medicamentos, mas criou e lidera uma nova categoria. Ele reforça essa vantagem lembrando uma máxima do especialista em branding Washington Olivetto: “Aquele que ocupar primeiro o topo da montanha tem uma posição muito mais privilegiada”. 

As lições que fizeram do Ozempic uma marca forte

  1. Um nome que conta histórias 
  2. Expansão estratégica do público-alvo 
  3. Inovação prática e acessível 
  4. Valor que supera o preço 
  5. Pioneirismo estratégico

A marca do Sua Marca


A marca principal deste comentário é justamente mostrar que o sucesso de um produto depende diretamente da combinação entre valor percebido, inovação, posicionamento estratégico e identificação emocional com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso


O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo aponta o fim das gerações

O conceito de gerações, amplamente utilizado para categorizar comportamentos, consumo e comunicação, pode estar com os dias contados. Essa é a provocação trazida pelo comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com base em um estudo realizado pela TroianoBranding em parceria com a consultoria Dezon. O levantamento questiona a relevância de dividir as pessoas em “caixinhas geracionais” em uma sociedade cada vez mais fluida e inclusiva.

Cecília Russo destacou que o uso das gerações se tornou uma “muleta” para justificar quase tudo, desde campanhas publicitárias até memes nas redes sociais. Porém, a pesquisa mostrou que, mais do que diferenças, o que une as gerações são os temas estruturantes da vida humana, como identidade, laços afetivos, comunidade, crescimento e bem-estar. “O que muda é a forma como cada tema é traduzido, a depender do contexto social ou da idade de cada pessoa”, explicou Cecília. 

Os cinco elementos estruturantes da pesquisa

  1. Identidade
    Refere-se à forma como as pessoas se percebem e se definem em relação ao mundo ao seu redor. Abrange aspectos como personalidade, valores e autocompreensão, que guiam suas escolhas e ações, independentemente da geração.
  2. Laços Afetivos
    Trata-se das conexões emocionais que as pessoas constroem ao longo da vida. Inclui relações familiares, amizades e vínculos afetivos que dão sentido à existência e influenciam comportamentos de consumo e interações sociais.
  3. Comunidade
    Diz respeito ao senso de pertencimento e à busca por coletivos que compartilhem valores e objetivos. Essa necessidade de se sentir parte de algo maior transcende gerações, ainda que os meios para formar essas conexões possam variar.
  4. Crescimento
    Representa o desejo humano de evolução, aprendizado e autodesenvolvimento. Pessoas de todas as idades compartilham essa busca, seja em aspectos profissionais, pessoais ou espirituais, mas o modo como perseguem o crescimento pode diferir.
  5. Bem-Estar
    Focado no equilíbrio físico, mental e emocional. Embora a forma de buscar o bem-estar varie, como práticas esportivas ou consumo de conteúdos relacionados à saúde, o objetivo de alcançar qualidade de vida é comum a todos.

Conteúdo universal e comunicação transversal

Jaime Troiano reforçou essa ideia ao falar do impacto para as marcas: “Existem mais similaridades do que diferenças entre as gerações, seja de mentalidade, seja no consumo de marcas.” Ele citou exemplos de marcas como O Boticário, Nike e Samsung, que conseguem se comunicar de forma transversal com diferentes públicos, usando os temas estruturantes como base. Para Jaime, a capacidade de criar conteúdos universais, adaptados para diferentes canais, é o que torna essas marcas relevantes para todas as faixas etárias.

O estudo também propõe que abandonar os rótulos geracionais é uma forma de inclusão, pois permite às marcas explorar temas humanos profundos sem a limitação de padrões tradicionais. Cecília Russo destacou que essa abordagem permite prever comportamentos de forma mais rica e abrangente, deixando de lado classificações que já não refletem a realidade atual.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é clara: ultrapassar a superfície das classificações geracionais é essencial para compreender as pessoas em sua profundidade. “É o fim das gerações, ou as gerações sem fim?”, questionou Jaime Troiano, ao concluir que os marcos geracionais podem, muitas vezes, aprisionar nossa visão. A verdadeira lição é pensar “fora da caixinha” e adotar uma abordagem mais inclusiva e universal, tanto na vida quanto nos negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as estratégias vencedoras das marcas no Natal

Foto de George Dolgikh no Pexels

Em uma época onde o espírito natalino inunda os corações, algumas marcas se destacam pela sua habilidade em se associar com a prática de presentear. No quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, da rádio CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo exploraram este fenômeno.

O Boticário, conhecida por suas fragrâncias e produtos de beleza, emergiu como uma referência no gênero. A marca, que começou em um aeroporto de Curitiba em 1979, capturou a atenção dos viajantes que buscavam presentes de última hora. Sua forte associação com o ato de presentear é evidenciada não apenas por seus produtos, mas também pela maneira como são apresentados – kits e embalagens cuidadosamente projetados.

Outro exemplo citado é a Imaginarium, conhecida por seus objetos inusitados e únicos, tornando-se um ponto de referência para presentes personalizados. A Granado também foi mencionada, com suas lojas convidativas e produtos como sabonetes líquidos e cremes, ideais para presentes.

No universo dos chocolates, marcas como Kopenhagen, Lindt e Cacau Show foram destacadas. Cada uma, dentro de seu espaço de posicionamento, consegue evocar a doçura e alegria associadas ao ato de presentear. A Cacau Show, particularmente, se sobressai devido à liderança inspiradora de Alexandre Costa, conectando ainda mais a marca com o conceito de relações interpessoais.

Havaianas, outra marca mencionada, é vista como um presente ideal tanto no Brasil quanto no exterior. E no mundo literário, livrarias como Livraria da Vila e Livraria da Travessa em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, emergem como lugares perfeitos para encontrar um presente significativo.

Essas marcas, com suas estratégias e associações específicas, conseguiram ocupar um espaço especial no imaginário das festas de fim de ano, tornando-se sinônimos de presentes que trazem alegria e satisfação. É uma lição valiosa de marketing: entender e alinhar-se com as emoções e necessidades do consumidor pode transformar uma marca em um símbolo de celebração e afeição.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Todo sábado, você ouve um novo episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo. O quadro vai ao ar às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A sonorização é do Paschoal Junior:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a ascensão das marcas brasileiras

Foto de Karolina Grabowska

“Como preconizou Pero Vaz de Caminha, do Brasil, em se plantando tudo dá” 

Jaime Troiano

Em um mercado tão dinâmico e globalizado, o poder e a influência das marcas nacionais estão provando sua força e competência, desafiando percepções anteriores e emergindo com destaque tanto no cenário nacional quanto internacional. Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram essa análise no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, a partir do resultado da pesquisa Marca Mais, que leva a assinatura deles.

Quem se recorda da célebre frase “Em se plantando tudo dá”, atribuída ao escrivão Pero Vaz de Caminha em uma de suas correspondências ao rei Dom Manuel de Portugal, pode perceber o quão premonitória essa afirmação se tornou, especialmente no contexto das marcas. Essa sentença, que inicialmente realçava as potencialidades agrícolas do Brasil, hoje pode ser vista como uma metáfora para o ecossistema próspero e favorável que permite às marcas brasileiras florescerem e ganharem destaque. 

“Quando aprendi essa frase com a Dona Leocádia, professora de história no Caetano de Campos, tinha muito orgulho do país. Depois eu mudei um pouco de opinião. Continuei a questionar o quanto seria de fato verdadeira. Mas continuando a refletir algumas décadas depois, eu voltei a acreditar que o Pero Vaz de Caminha foi premonitório”.

Jaime Troiano

Marcas brasileiras em destaque

Recentemente, um estudo conduzido pela TroianoBranding, o “Marcas Mais”, em parceria com o jornal O Estado de São Paulo, analisou a força de inúmeras marcas nas cinco regiões do Brasil. Os resultados foram reveladores, demonstrando que marcas genuinamente brasileiras estão ocupando posições de destaque e prestígio nos rankings. Empresas como Porto Seguro, Bradesco, Itaú, Ângulo, Objetivo, Renner e Riachuelo são apenas algumas das que têm firmado sua presença não apenas no coração dos brasileiros, mas também em mercados internacionais. 

“Cada vez mais nós estamos percebendo que as marcas nascidas aqui, aquelas que foram plantadas, vamos dizer assim, aqui no Brasil, marcas 100% brasileiras, estão ocupando posições de muito prestígio no ranking”

Jaime Troiano

Leia aqui o resultado completo da pesquisa “Marcas Mais”

Diminuição do “malentismo”

O termo “malentismo”, que descreve uma atração quase magnética por marcas estrangeiras, tem visto sua influência diminuir. Isso não significa que marcas globais perderam sua relevância, mas destaca o fato de que as marcas nacionais têm elevado seus padrões e conquistado seu espaço merecido. O orgulho de ver uma faca da Tramontina em um restaurante na Noruega, jovens usando Havaianas em Valência, ou até mesmo o logo do Itaú em uma partida de tênis em Miami, é uma prova palpável do impacto e da qualidade das marcas brasileiras no cenário global. 

“Essa necessidade de se abastecer apenas com marcas globais, a gente vem sentindo isso nos estudos, tem diminuído. Não é que elas não têm relevância. Óbvio que elas têm relevância! Elas estão aí, mas não é feio consumir uma marca nacional até porque o nível das nacionais em muitas frentes de negócio tem crescido”

Cecília Russo

O potencial inegável das marcas nacionais

As marcas brasileiras estão demonstrando sua força, inovação e capacidade de competir no mercado global. Como o escrivão Pero Vaz de Caminha preconizou há séculos, o Brasil é, de fato, um solo fértil, não apenas em termos de recursos naturais, mas também em termos de potencial de marca. E, assim como as marcas que foram discutidas hoje, muitas outras estão prontas para deixar sua marca no mundo.

Ouça o Sua Marca Vai Ser um Sucesso

Para os interessados em aprofundar-se nesse universo das marcas e seu impacto, ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, todos os sábados, no Jornal da CBN, logo após às 7h50 da manhã. 

Sua Marca: “comunicar é namorar”

Reproduçao da cena de “Breakfast at Tiffany’s”

“Esqueçam aquele mito de que marca se escolhe é na hora da compra” 

Jaime Troiano

Audrey Hepburn, no papel de Holly, tem uma bebida em uma das mãos e come um sanduíche diante da vitrine da loja de luxo Tiffany, em Nova Iorque. O olhar está vidrado nas joias de uma das marcas mais desejadas do mundo. Essa cena que abre o filme “Breakfast at Tiffany’s” ou “Bonequinha de Luxo”, como foi batizado no Brasil, ilustra como funciona a relação das pessoas com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, especialistas em branding e comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso dizem que a transformação do consumidor em cliente se assemelha a aproximação de duas pessoas que descobrem que têm coisas em comuns ou complementares:

“Não se escolhe noiva no altar. Ou seja, consumidores namoram marcas, ficam noivos e a compra é apenas a celebração do compromisso” — Cecília Russo

Aproveitando o sábado, em que se comemora o Dia dos Namorados, Jaime lembra que independentemente das formas que os namoros têm assumido, existem coisas que são clássicas:

“Uma certa química que aproxima: o olhar, o jeito, o toque ou qualquer elemento que o outro projeta e que te engancha …. o namoro não acontece porque se tem uma necessidade fria pelo outro, acontece porque tem os ingredientes típicos de um enamoramento”

As marcas também emitem sinais, mensagens, traços de sua personalidade, que são valorizados e compreendidos pelos consumidores. Cecília Russo ensina que para essa relação ser um sucesso é preciso alimentar esses sentimentos e a comunicação tem papel essencial:

“A comunicação traz esses ingredientes do namoro. Comunicar é namorar”.

Como o casal que apresenta o programa também está enamorado há muitos anos, sabe que a manutenção desta atração é sensível e precisa ser cuidada no dia a dia para que, se a relação não for eterna, ao menos seja “infinita enquanto dure”, como escreveu Vinícius de Moraes.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e saiba, também como a ideia de transformar o namorado em noivo, ou melhor, o consumidor em cliente funciona nos relacionamentos digitais:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ao ar, sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN 

Sua Marca: fragilidade, solidariedade e individualismo se revelam na pandemia

Assine e ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso em podcast

“Esse é o momento de separar as empresas que são nossas alinhadas das empresas oportunistas” —- Jaime Troiano

A surpresa com a falta de controle das nossas vidas e a revelação de dois lados da nossa personalidade apareceram com destaque no estudo aplicado para entender o comportamento do consumidor e o impacto sobre as marcas em seis meses de pandemia. O trabalho foi realizado por Jaime Troiano e Cecília Russo com base na técnica ZMET, criada pelo doutor Gerald Zaltmam, da Harvard Business School. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília explicou que o método “Zaltman Metaphor Elicitation Technique” usa conceitos de neurociência e a aplicação de metáforas para acessar conteúdos que vão além da nossa racionalidade. Com isso se consesgue mapear os caminhos mentais que estão associados a determinados temas. No Brasil, apenas a Troianobranding tem autorização para aplicar essa técnica.

Uma das imagens que surgiram na pesquisa com os consumidores foi a de peças de dominó, umas caindo sobre as outras, sem que se conseguisse parar aquele movimento. Uma metáfora que expressa como as pessoas ficaram surpresas com a pandemia, pois imaginavam ter controle sobre suas vidas, especialmente diante de toda a tecnologia disponível: big data, algoritmo, drones, satélites, carros autônomos, engenharia digital. 

“…de repente nos vimos com a vida como se estivesse em ‘modo avião’ … tínhamos a visão da onipotência e de repente o dominó escancara a nossa impotência diante de um inimigo invisível” —- Cecília Russo

Se a primeira ideia que surgiu no estudo foi a da evidência da nossa fragilidade, a segunda identificou os dois lados do ser humano: a solidariedade e a empatia em contrapartida a comportamentos individualistas de autopreservação. 

“… diante da iminência de sermos dizimados, buscamos novas formas de nos salvar”  — Jaime Troiano

Para as marcas, as lições a ser aprendidas, a partir dos resultados alcançados com a técnica ZMET:

  1. Esse é um momento que exige sensibilidade das marcas, ajuste de linguagem, não tão piegas nem tão agressivo. É preciso ajustar o tom.
  2. Darwin não está mais vivo, mas o que ele descobriu sim: as mais adaptadas, as que souberam navegar melhor nessa fase, sobreviverão e serão positivamente lembradas. 

Uma das sugestões de Jaime Troiano ao gestores de marcas é que façam o mesmo exercício que as pessoas estão fazendo diante da pandemia: um balanço de suas atitudes e de como se relacionam com as outras pessoas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. E pode ser ouvido, também, em podcast.

Sua Marca: cinco necessidades para a vida entre quatro paredes

 


 

“As marcas estão tendo uma oportunidade de prestar um serviço importante para a sociedade” —- Cecília Russo

Com as pessoas obrigadas a permanecerem em casa para reduzir o risco de contaminação do novo coronavírus, novas necessidades surgiram e algumas marcas souberam atuar de maneira eficiente. Um relatório criado pela Ikea, marca sueca de produtos para casa, identificou cinco necessidades para a vida “Entre 4 paredes”:

 

  • Segurança
  • Pertencimento
  • Conforto
  • Privacidade
  • Propriedade

 

Com base nessa lista, Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, identificaram algumas ações de empresas e serviços que entenderam esse momento e estão atuando de forma empática. É o caso de uma academia que decidiu alugar seus equipamentos para os clientes, a medida que suas unidades estão fechadas. Ou de um aplicativo que se atualizou para permitir a compra à distância de remédios controlados que exigem receita médica. Ou do jovem, estudante de medicina, que viu os pais terem de fechar a loja de flores, criou uma conta no WhatsApp e tornou os produtos acessíveis aos clientes deles.

 

Existem, ainda, as grandes marcas do cenário digital como Rappi, iFood e Uber Eats que facilitaram a entrega de alimentos, mantendo a relação entre os restaurantes e seus clientes, oferecendo as sensações de pertencimento, conforto e segurança —- três das necessidades identificadas no trabalho da Ikea.

 

A tecnologia de informação através de marcas como Zoom, Weber, Microsoft Teams e Google Meet, trouxe o escritório para dentro de casa, oferecendo conforto e segurança.

“O momento é de ajudar as pessoas a ficar em casa e as marcas têm uma chance única de estar ao lado da sociedade neste momento” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: o branding tem ferramentas para preservar a saúde das marcas

 

“O branding dá esse sentido de eternidade às marcas, mesmo sabendo que um dia ela terá de sair do mercado para dar espaço a outras ” — Cecília Russo

Assim como os seres humanos, as marcas nascem, têm seu período de desenvolvimento — quando compreendem o mercado que atuam, onde estão seus clientes e competidores —, passam por uma fase de evolução, até alcançarem a maturidade. Como trabalhar diante dessa realidade a gestão de marcas, foi o assunto que conversei com Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

O branding é hoje um conjunto de processos e de instrumentos que permite estender muito o ciclo vital das marcas e fazer com que ela continue atendendo seus clientes e consumidores por muito tempo. No entanto, Jaime e Cecília lembram que a maioria fica pelo caminho —- pesquisas mostram que nove em cada 10 marcas não chegam a envelhecer.

 

O essencial é fazer uma profilaxia frequente, ou seja, realizar trabalhos de manutenção e prevenção da marca, para renovar essa vitalidade. E evitar dois grandes comodismos, como destacou Jaime Troiano:

“Imaginar que se está indo bem, ‘deixa como está, nada vai dar errado’; ou cair na tentação de querer mudar tudo para renovar — isso é perigoso porque despersonaliza a sua marca”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Bancos e lojas avançam no Brasil e são engolidos por eletrônico na China

 

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo estudo publicado na revista EXAME*, no ranking 2019 das marcas mais valiosas do Brasil, as instituições financeiras desbancaram as cervejarias do topo, enquanto o varejo se sobrepôs pelos aumentos dos índices de valorização.

Bradesco e Itaú com 35% de valorização superaram Skol e Brahma. O Magazine Luiza, em 7º lugar, teve crescimento de 276%; a Renner, em 9º, apresentou evolução de 132%;  e as Americanas, em 16%, mostrou alta de 23%.

Visivelmente, o mercado atesta a performance no omnichannel das varejistas Magazine Luiza e Americanas como fator alavancador do crescimento.

 

O caso Magazine Luiza é emblemático desde os primeiros passos que foram dados na implantação das vendas pela internet. Houve muita criatividade ao iniciar a venda pelas esposas dos funcionários, como uma vantagem e oportunidade de aumento de renda familiar. E, também, não se pode ignorar o conceito posterior de Marketplace, fundamental para a maturidade do sistema de e-commerce.

 

A Renner, por sua vez, há tempos vem desenvolvendo atenção especial na atualização das coleções e foco no estilo relacionado com o aspecto comportamental, fazendo com que hoje a prioridade na experiência de compras permita oferecer o diferencial para se destacar no mercado de moda.

 

Clique aqui para ter acesso ao resultado completo do Marcas Category Brand Value 2019

 


Enquanto isso, na China os números remetem a dois fenômenos.

 

Alibaba, o gigante do varejo eletrônico, e Tencent, o grandioso portal de serviços de internet, cujas plataformas de meio de pagamento, respectivamente Alipay e WeChar Pay, aglutinam 94% do movimento total chinês, em torno de US$ 13 trilhões anuais — desvinculado do sistema bancário convencional, operando tanto com moeda local chinesa e moedas de outras regiões.

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Na América, através do Facebook, está sendo apresentada a Libra, como uma criptomoeda a ser lançada pela Libra Networks que administrará todo o processo do ecossistema, incluindo suas reservas. Ao mesmo tempo terá a composição de parceiros fortes como Visa, Mastercard, Uber, Spotify; condição sustentável para uma empresa global. Assim como os 2,23 bilhões de usuários do Facebook.

 

Para o Facebook, o Brasil é importante, pois com 130 milhões somos o terceiro maior país com número de usuários, após Estados Unidos e Índia.

 

E para os brasileiros, será importante a Libra Networks?
Como Bradesco e Itaú reagirão?

 

Diante destas dúvidas temos a China na frente e à nossa frente a eminente disrupção de um secular sistema financeiro.

 

Apostas abertas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung