“Furo” de Garagem

Por Adamo Bazani

Todo admirador de ônibus, além de gostar de saber do passado e de como os sistemas de transportes se tornaram o que são, é ligado numa novidade. É o “Furo de Garagem”.

Então vão algumas novidades no ABC Paulista.

O KM EAOSA MASCARELLO

A EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, que serve os municípios de Mauá, São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo foi obrigada a renovar a frota. E o processo já começou. Antes mesmo de chegar às ruas, flagramos um Mascarello Articulado GranVia na garagem, com motor Volkswagen.

ALPHA - NOVA PINTURA 1

Já o poder municipal de Mauá, obrigou as duas empresas que operam na cidade, Barão de Mauá e Januária, que são do mesmo grupo, a adotar um novo padrão visual. Foi possível flagrar um Caio Alpha com nova pintura, um Caio Foz micro sendo pintado e mais um bi-articulado que vai fazer o inédito serviço no ABC (como antecipou este blog), carroceria Marcopolo, motor Volvo.

Para um busólogo de verdade, nem mesmo a dor ou as dificuldades, impedem um “furo de garagem”. Graças a estes, os passageiros já sabe o que vem por aí nos transportes. E em várias regiões do País, um número cada vez maior de busólogos corre atrás destas novidades.

Adamo Bazani é busólogo sem nunca deixar de ser repórter.

Biarticulado começa a rodar no ABC Paulista

Ádamo Bazani

Ônibus biarticulado B5 577

Com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2007, o ABC Paulista contará com os primeiros ônibus biarticulados da história da região.

A empresa de ônibus Januária, do Grupo Barão de Mauá, já preparou um destes veículos para fazer linha municipal de alta demanda em Mauá. O ônibus veio da VCD (Viação Cidade Dutra) e faz parte de investimento da empresa para atender aos usuários em horários nos quais nem mesmo os  articulados são suficientes.

Um Caio Top Bus, motor Volvo, está na fase de finalização para começar a trabalhar e um Marcopolo Vialle, também Volvo , ainda está sendo preparado na garagem do grupo, em Mauá, na Grande São Paulo.

As linhas intermunicipais do grupo são operadas pela EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André. A preocupação com a demanda maior em alguns horários também fez com que a empresa investisse em veículos maiores para as linhas.

Pelos menos três carros, que serviram a região Sul do País, estão na fase final de preparação para atender linhas que fazem a ligação entre Mauá, Santo André, São Caetano do Sul e o Terminal Sacomã, com o Expresso Tiradentes (ex-Fura Fila). Entre os destaques estão os modelos Busscar Urbanuss, motor F 94, consideradod um dos mais potentes da categoria.

Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo. Toda terça conta o que se passou no transporte de passageiros em São Paulo, mas hoje antecipa um capítulo desta história.

Baltazar, do Centro-Oeste do Brasil para São Paulo

Por Adamo Bazani

(continuação da terça-feira, 03/02)

Baltazar é empresário em Mauá

Anos 70, época da Ditadura Militar. As ordens austeras, que influenciavam na liberdade do povo e da imprensa, vinham de Brasília. O Distrito Federal, que na época de Juscelino Kubitschek de Oliveira era considerado a imagem da esperança e do “novo amanhã”, se tornou na imagem do Poder Irrestrito. “A situação do Centro-Oeste estava ruim demais. Mas eu sabia que essa era a oportunidade de crescer, porque pior não ficaria. O essencial era ligar essa região ao Sudeste, onde estava o dinheiro da Nação”.

Depois de comprar mais empresas em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, Baltazar quis penetrar mesmo no coração do Centro-Oeste justamente para fazer essa ligação que considerava essencial.

Era 1973, o presidente, Emílio Garrastazu Médici. Duas estradas tinham sido concluídas. Uma em Brasília e outra, a BR 040, que fazia parte do Plano Nacional de Viação. A rodovia liga Brasília ao Rio de Janeiro, passando pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Logo após sua inauguração, o grupo da Viação Itapemirim assumiu as operações em boa parte da rodovia.

Baltazar, no entanto, percebeu que as estradas serviam apenas alguns municípios do Centro-Oeste e de Minas Gerais: “O miolo mesmo tinha sido deixado de lado”.

Ele visitou cidades mineiras, goianas e do entorno do Distrito Federal como Cocos, Montes Calros, Januária, Barreiras, Dianópolis, Arinos, João Pinheiro, Montalvana, Pirapora Calheiros, e constatou uma situação deplorável no transporte. “Simplesmente não havia estrada, eram caminhos de chão batido e as pessoas se locomoviam com animais ou no máximo, com Toyotas Bandeirantes que aguentavam a terra e iam apinhados de gente. Então pensei, essa é prá mim”.

O empresário entrou em contato com o Ministério dos Transportes várias vezes. Teve ajuda do advogado e amigo João Pimenta da Veiga para chegar a altos escalões. A proposta era operar nas cidades que não eram servidas pelas rodovias e chegar a Brasília pelo interior de Minas e pelo coração do Centro-Oeste. Os primeiros contatos com o então DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagem – forma decepcionantes.

Primeiro acharam que era loucura passar por ônibus naquelas cidades que não tinham sequer estradas. Baltazar disse que havia também a pressão das empresas de ônibus que iam do Sudeste à Brasília, mesmo que os itinerários fossem completamente diferentes. Mas quando a população das cidades desprezadas pelo poder, perto da Capital do Poder, soube que poderia ter as primeiras linhas de ônibus interestaduais, se alvoroçou. Foram mapas, projetos, assinaturas de moradores, fotos, tudo apresentado para o Departamento. A ideia eram duas linhas que ligariam Brasília a Montes Claros por caminhos diferentes, praticamente sem trafegar pelas recém-inauguradas rodovias. Os vários pedidos foram indeferidos. O projeto já estava sendo engavetado, quando, um passageiro que sempre ia de Arinos, em Minhas Gerais, até o Distrito Federal bateu um papo com Baltazar.

Continuar lendo

Amor por ônibus faz mecânico ter 360 filhos

Por Adamo Bazani

CÉLIO HONÓRIO DE JESUS

“Tá vendo cada ônibus desse? Pois é, são como um filho para mim. Sei de tudo o que eles precisam, sei do detalhe e do macete de cada um. Os trato com intimidade. Se aparece no final do dia com um risquinho qualquer ou um barulhinho diferente, mesmo que seja de uma porca mal ajustada, eu sei”.

Assim, Célio Honório de Jesus Júnior, 37, o Macarrão, gerente de manutenção do grupo de empresas de ônibus Barão de Mauá, Januária e EAOSA (Empresa Auto Ônibus Santo André) recebeu a reportagem dentro da garagem, em Mauá, na Grande São Paulo. E o que ele falou, não foi papo apenas, não. Percorrendo os três enormes pátios das empresas, mostrava orgulhosamente cada veículo que estava parado na revisão. Dava de cabeça as fichas técnicas e contava particularidades de cada ônibus, mesmo sendo muitos do mesmo modelo. Não somente a parte mecânica, mas a paixão de Célio Honório pelo ramo, faz com que ele saiba até mesmo a história de cada carro.

“Esse nós compramos zero quilômetro. Esse aqui dava uma trabalheira na suspensão e tivemos de fazer uma adaptação de improviso na mão, esse veio da empresa do grupo lá de Manaus” – contava com orgulho enquanto caminhava de peito aberto pela grande oficina.

Tamanha memória e conhecimento de cada detalhe é paixão pelos ônibus mesmo, pois ele é responsável por mais de 360 veículos, ou como chama, mais de 360 filhos, 360 histórias.

O início de Macarrão, como prefere ser chamado, foi de luta, perseverança e humilhação. Apesar da pouca idade, Célio está há mais de 20 anos na mesma empresa. Começou aos 13, enquanto fazia curso técnico no Senai (Serviço Nacional da Indústria). Apesar de estar estudando uma formação técnica Macarrão começou como varredor na garagem, em 1986.

“Eu era novo, franzino e tinha motorista e outros funcionários que de sacanagem, me humilhavam. Eu limpava um canto da garagem, via gente sujar de propósito. Varria o pátio todo, amontoava sujeira no meio para depois colocar no lixo e tinha motorista que passava com o ônibus em cima só pra espalhar tudo de novo. Era humilhação, mas eu seguia firme”

Seguia firme, por necessidade e por um ideal. Macarrão seria pai-precoce. Hoje, com a filha de 23 anos, logo será avô.  Sempre quis ter uma família e a assumir sem ajuda de ninguém. “Por isso, pra mim não tinha humilhação, gozação ou trabalho que fizesse me desanimar”.
Dois meses depois de entrar como varredor, foi chamado para ser auxiliar-mecânico. “Aí eu descobri o que era trabalhar numa empresa de ônibus de fato e de verdade. O diesel entrou nas veias”.

Ele ajudava na limpeza das máquinas e no torno mecânico na oficina da garagem. Depois de 4 meses, foi trabalhar no setor de montagem e ajustagem. A garagem, que congrega as três empresas, é uma das mais conhecidas do ABC Paulista por promover reparos e alterações nos ônibus. Dependendo da necessidade da frota e das condições dos itinerários, ainda feitos em vias de difícil tráfego na cidade de Mauá, os veículos têm a suspensão elevada. Carros simples viram articulados e articulados viram convencionais. Veículos de motores traseiro ganham a configuração de motor  dianteiro. Peças são literalmente fabricadas na empresa. A oficina das três empresas é um verdadeira linha de produção.

A entrevista foi realizada num ambiente típico, entre cheiro de graxa e diesel, movimentação e correria de mecânicos com peças, barulho de marteladas, maçaricos,  e enormes veículos articulados sendo envelopados com papel especial para a pintura na funilaria.

Continuar lendo

Caminhoneiros se apaixonam pelo transporte de passageiros

Por Adamo Bazani

natanael lopes da silva - vicente de paula carvalho

Do transporte de cargas ao transporte de passageiros, muitos motoristas sentem na pele a diferença. Por causa das instabilidades da estrada, por falta de segurança, de horários e ganhos definidos, muitos motoristas de caminhão e, até mesmo, de carretas que transportam cargas perigosas optam por mandarem currículo, pedirem a indicação de amigos com a intenção de arrumar emprego em uma empresa de ônibus.

Pensam que a situação vai ser melhor. Quando a linha é urbana, o trabalho é perto de casa, há horários previstos, e uma série de outras facilidades. Mas quando pegam um ônibus pela primeira vez veem que o transporte de passageiros nas cidades não é para qualquer um, é difícil e exigem qualificação específica.

Foi esse o impacto que sentiu o motorista da Viação Januária, hoje inspetor de tráfego, Natanael Lopes da Silva, de 66 anos. Estava acostumado com as longas viagens, boa parte das vezes entre o interior paulista e o Porto de Santos.

“Tem de trabalhar muito pra ter um lucro. Então, em 1972, consegui uma vaga na empresa Barão de Mauá. Meu primeiro dia de trabalho me surpreendeu. A carga a gente põe no caminhão e vai embora, é claro, tem de ter alguns cuidados, mas no ônibus urbano, a gente tem de estar ligadão a toda hora. Isso nos anos 70, que o trânsito era bem melhor, imagine hoje”.

Natanael começou dirigindo um ônibus Scania, carroceria Carbrasa, que hoje não existe mais. O veículo era duro e pesado, mas não muito diferente dos caminhões. A diferença estava na indispensável atenção ao passageiro.

“É gente pedindo informação, é parando toda a hora, é cuidado para não engatar a marcha enquanto tem passageiro desembarcando…Meus primeiros meses dentro de um urbano foram um  batismo, um vestibular mesmo”

Outra diferença, segundo ele, é acompanhar de perto a rotina das pessoas, sendo possível fazer muitos amigos, e também o crescimento das cidades. Bairros praticamente desabitados em Mauá, como Itapeva, Nova Mauá, Itapark, que tinham estreitas ruas de paralelepípedos ou eram estradinhas de barro e muito atoleiro, se tornaram regiões fortemente adensadas.

Continuar lendo

Desafios fizeram de Aniceser um líder nas garagens

Por Adamo Bazani

O transporte de passageiro é um dos setores mais dinâmicos. Em algumas ocasiões, nada do que se planeja – horário, escala, itinerário – dá certo, pois os imprevistos são constantes. Sem contar a rapidez nas decisões e a necessidade de  lidar com pessoas das mais diferentes, num só dia.

Foi essa rotina que, inicialmente, assustou o encarregado de tráfego da Viação Barão de Mauá, Aniceser Antônio Santana, de 37 anos, há 20 no setor. Foi também essa correria e agitação que despertou no mineiro, que veio para São Paulo ainda novo, o espírito de liderança. Hoje, ele comanda as operações de um conglomerado de três empresas: Barão de Mauá, Januária e E A O S A (empresa Auto Ônibus Santo André), um contingente de mais de 700 profissionais e uma frota que beira 400 ônibus.

Até chegar a este posto, Aniceser teve de suar muito a camisa e enfrentar momentos tão difíceis que pensou em desistir. Acostumado com uma rotina simples e pacata na cidade de Lagoa Formosa, interior de Minas, ele veio trabalhar na Grande São Paulo, no fim dos anos 80. E iniciou carreira na  Viação Barão de Mauá,  que ainda não fazia parte de um conglomerado. Era fiscal de plataforma, responsável por gerenciar as partidas e chegadas de ônibus de várias linhas dentro de um terminal.

O choque entre a rotina na cidade natal e o cotidiano em Mauá foi enorme. “Nunca imaginava tanta correria, tanta responsabilidade e necessidade de se tomar decisões rapidamente. No meu primeiro dia me senti num barco sem vela, sem rumo, sem horizonte. Não conhecia ninguém na empresa e era difícil atender todas necessidades que a função exigia”.

No início dos anos 90, em Mauá, os motoristas e cobradores não usavam uniformes. Aniceser se lembra que viu um homem parado perto de um ônibus e disse pra ele: “Bom, já ta na hora, pega o carro e vai fazer tal linha”. O homem não era motorista. Era um passageiro a espera do ônibus que, até aquele momento, estava sem condutor. “Depois de perguntar prá meio mundo, descobri quem era o motorista. É assim que a gente começava. Não tinha tempo de ficar conhecendo todo mundo na garagem”. Vários erros aconteceram no primeiro dia de trabalho de Aniceser que se encerrou com ele trancado em uma cabine de fiscal e chorando.

No dia seguinte,  forças renovadas e a determinação de prosseguir no ramo “Sempre gostei de encarar desafios, então fui à luta. Meu sonho era liderar pessoas, e no ramo de transportes  as oportunidades para isso, se bem aproveitadas, são muitas e bem recompensadoras”.

Continuar lendo

Quatro perguntas para o seu vereador e mais adesões

Adote um VereadorA retomada dos trabalhos nas câmaras municipais motiva colegas jornalistas e cidadãos a aderirem a campanha Adote um Vereador. Apenas neste fim de semana recebi mensagens de dois pontos diferentes do País de pessoas interessadas em tocar a campanha em frente.

Clarice Feitosa, diretora da Nova Rádio Paiaguás de Glória de Doutados, no Mato Grosso do Sul, pretende desenvolver a idéia em paralelo a cobertura jornalística da emissora. Enquanto, Telma Jacinto, do Espírito Santo, soube da campanha enquanto realizava pesquisa na internet sobre os vereadores da capital capixaba. Ela desenvolve um site no qual divulgará as ações dos vereadores de Vitória e quer incluir o trabalho no Adote um Vereador.

O Irineu Evangelista do Mauá News, que já aderiu a campanha no ano passado, escreveu para informar que a lista completa dos vereadores que assumem o cargo esta semana na cidade da região metropolitana de São Paulo está divulgada no Wikia.

A propósito, o Everton Zanella que colabora no desenvolvimento do trabalho no Wikia lança uma ideia na área de debates: “Pode o Adote ajudar a combater o nepotismo no Brasil ?”. A sugestão dele é que todos os que participam da campanha enviem quatro perguntas para o  vereador adotado:

1. Como os funcionários e assessores do seu gabinete são ou foram escolhidos? Há concurso público para escolhê-los ou foram nomeados pelo vereador?

2. Quanto será gasto com cada assessor e funcionário? Qual será o salário de cada um? O que cada um faz e como ajudam no trabalho do vereador?

3. Como o senhor acha que podemos contribuir para diminuir o nepotismo nas instituições políticas do Brasil?

4. Por favor, gostaria que o senhor me informasse os nomes de todos assessores e funcionários que o ajudarão para eu colocar na sua página wiki do projeto Adote um vereador. (Adicionado por sugestão do Fabiano Angélico da Transparência Brasil.)

Vai lá, de um control C + control V e mande agora o e-mail para o seu vereador.