Presos usam pombas para receber celular e droga

A imaginação não tem limites. Presos e visitantes foram flagrados tentando usar pombos para transportar droga e celulares para dentro da prisão, durante o feriado de Páscoa. A descoberta foi feita por agentes do Centro de Detenção Penitenciária de Mauá, região metropolitana de São Paulo, após receberem informações de como funcionaria a estratégia. Os pombos, com pequenas bolsas adaptadas para transportar drogas e celulares, seriam levados para a área externa pelos visitantes; do lado de fora, os produtos seriam colocados na bolsa e, em seguida, as pombas seriam soltas, devendo voar de volta ao local de origem. No dia 29, uma pomba-teste foi vista pelos guardas pousando em uma das ventanas de ventilação das celas de inclusão. Na bolsa que carregava havia restos de papel alumínio que simulavam em tamanho e peso aparelhos de celular. Nos dias seguintes, foram encontrados de posse de visitantes dois pombos que seriam usados para o transporte. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

Empresa começa operar após brigas, bombas e ameaças

 

Concorrência acirrada atrasou início das operações da Leblon, na cidade de Mauá. Os ônibus da empresa começam a rodar, oficialmente, no dia seis de novembro. O MP investiga ações violentas

Ônibus da Leblon, Maua

Por Adamo Bazani/CBN

A prefeitura de Mauá, na Grande São Paulo, determinou que as operações da Empresa Leblon Transporte de Passageiros, vencedora da licitação do lote 02, que contempla 18 linhas, comecem no dia seis de novembro. Será um sábado, ideal para os passageiros se adaptarem às mudanças, e já no primeiro dia útil da semana, terem algum conhecimento das linhas que deixarão de ser prestadas pela Viação Januária, cujo grupo responsável, Baltazar José de Sousa, perdeu o certame público.

Apesar de a Empresa Leblon Transporte, do Paraná, ter vencido a licitação em 2008, esta só conseguiu autorização para iniciar as operações em novembro, principalmente por causa dos recursos jurídicos impetrados pelas empresas TransMauá e Estrela de Mauá, ambas do mesmo dono da Viação Januária, que contestaram a licitação.

Os recursos da TransMauá e Estrela de Mauá chegaram até o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, instância na qual foram derrubados pelo presidente Ari Pargemdler, que teve o voto seguido por todo o colegiado do STJ, conforme já havia revelado a reportagem.

O secretário de Mobilidade Urbana de Mauá, Renato Moreira dos Santos, conversou com exclusividade com este repórter nesta quinta-feira sobre a expectativa pelo início de operaçao da Leblon: “É uma oportunidade importante para Mauá ter uma operadora com padrão de transporte premiado e que atua num dos melhores sistemas do País”. Em relação a bilhetagem eletrônica, Renato Moreira dos Santos falou que não haverá perda financeira para o usuário. Ele prevê benefícios e diz que o processo está bem adiantado em relação ao sistema a ser utilizado: “A empresa Leblon Transporte está atendendo ao edital de licitação. Até os dias 20 ou 25 deve estar concluída a interoperabilidade. Os equipamentos da Leblon e da Viação Cidade de Mauá vão se comunicar”

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STJ decide: Leblon vai operar em Mauá

 

Decisão de Ministro do Superior Tribunal de Justiça acaba com domínio das empreas de Baltazar de SouZa e leva em conta a necessidade de mudanças no sistema de transporte.

Ônibus da Leblon, Maua

Por Adamo Bazani

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, manteve, nesta quarta-feira, a decisão do seu antecessor, ministro Celso Asfor, que permite a empresa Leblon Transporte operar  18 linhas de ônibus (o lote 2) na cidade de Mauá, região metropolitana. A decisão foi do colegiado do tribunal e ainda cabe recurso.

A empresa venceu a licitação aberta em 2008, mas as viações que perderam o certame, TransMauá e Estrela de Mauá, entraram na Justiça. Em Brasília, o mais recente instrumento jurídico usado pelas empresas de Baltazar José de Souza, que já detém o lote 1 , pela Viação Cidade de Mauá, foi um agravo de instrumento. As alegações dos advogados da TransMauá e Estrela de Mauá, de que a licitação não estaria de acordo com parâmetros legais e de concorrência, foram rejeitadas pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça. A postura de Ari Pargendler vai ao encontro do posicionamento do presidente anterior.

A reportagem teve acesso exclusivo à decisão de julho deste ano que foi mantida nesta quarta-feira. Nela, o ministro considerou que as empresas que contestam a licitação utilizaram “premissas manifestantes e falsos argumentos”. O Judiciário reconhece que a situação dos transportes coletivos é crítica e que são necessárias mudanças, conforme o texto:

…em apreço ao interesse público e com base no fato do próprio contrato de concessão com a empresa vencedora do certame ter sido assinado e publicado é indubitavelmente importante para o município de Mauá sob pena de ver os interesses de seus munícipes e o erário lesados, que o processo licitatório em análise não seja obstado, muito menos lesado”

A decisão do ministro Asfor, mantida nesta semana pelo ministro Pargendler, ainda reconhece a situação dos transportes de Mauá.

..tamanha precariedade do sistema de transporte municipal já havia sido instaurado medida pra apurar as irregularidades na prestação do serviço

A informação foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça.

Procuramos o Grupo Leblon. Os responsáveis pela empresa só devem se pronunciar com a publicação no Diário Oficial, mas consideram a decisão uma vitória e reconhecimento pela qualidade de serviços apresentada na licitação.

A Empresa Viação Januária, que opera as 18 linhas da cidade, pertencente ao mesmo grupo de Baltazar José de Souza, confirmou que vai procurar as possibilidades jurídicas que ainda restam De acordo com a Januária, os ônibus da empresa operam normalmente.

A questão da bilhetagem eletrônica é o principal empecilho para os ônibus da Leblon saírem da garagem. A Leblon, no entanto, está em processo adiantado quanto a elaboração do sistema que seja compatível para toda a cidade. Nesta semana voltamos à garagem da empresa para confirmar a realização deste trabalhos.

De acordo com a Prefeitura de Mauá, a empresaa inda está no prazo legal para a intalação dos equipamentos.

Na garagem da Leblon, há cerca de 80 ônibus 0 km. No próximo mês devem chegar mais veículos novos, acessíveis, articulados de grande capacidade, modelo Volvo B 12 M, carroceria Marcopolo Viale.

Adamo Bazani, jornalista da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung.

Passageiro não terá prejuízo com entrada de nova empresa

 

Empresa Leblon atrasou inicio das operações, mas ainda está no prazo para se adaptar ao sistema de pagamento eletrônico, em Mauá. Prefeitura fala em melhoria no transporte, apesar de briga na Justiça

Leblon 2436 EKH 0982


Por Adamo Bazani

A falta de validadores nas catracas impediu que a empresa Leblon começasse a operar no sistema de transporte de passageiros da cidade de Mauá no fim de semana passado. A expectativa da população é que os ônibus estivessem nas ruas no dia 4 de setembro, mas foi surpreendida com a manutenção das 18 linhas municipais nas mãos da Viação Januária.

Este é apenas mais um capítulo no processo de licitação realizado pela prefeitura de Mauá, região metropolitana de São Paulo, que se iniciou em 2008.

Há cerca de duas semanas, o ministro César Asfor Rocha, então presidente do STJ, deu parecer favorável a entrada da paranaense Leblon. A vitória dela no processo de licitação era contestada pela TransMauá e Estrela de Mauá, ambas do empresário Baltazar José de Souza, criadas para participar do certame. O grupo responsável por essas empresas também administra a Viação Januária e ainda não desistiu da disputa. Entrou novamente na justiça contra a decisão do ministro  Asfor,  que deixou o cargo de presidente do STJ sexta-feira passada. Um agravo de instrumento está sendo analisado pela Justiça.

O novo presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, já está com o recurso impetrado pelos representantes legais do grupo ligado à Viação Januária. Se ele reverter, a decisão anterior em prol da Leblon, o caso pode ser julgado pelo colegiado de ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Entramos em contato com representantes da Viação Januária e eles confirmaram que aguardam o parecer quanto a possível presença do grupo Leblon no sistema de ônibus de Mauá. Enquanto isso continuam operando o lote 02.

A Leblon também foi procurada e preferiu não polemizar. A empresa já possui uma frota de  cerca de 80 ônibus novos na garagem, em Mauá. E informou que com a decisão do STJ, proferida no fim de agosto, iniciou-se a implantação dos validadores e a realização de testes do sistema eletrônico de pagamento. A tecnologia dos atuais cartões é considerada ultrapassada e obsoleta. O edital engessou o avanço tecnológico na área de bilhetagem dos últimos três anos. A empresa diz estar empenhada no atendimento aos requisitos do edital. A Leblon tem um prazo de aproximadamente 70 dias para as adaptações, mas demonstra interesse em começar o serviço o quanto antes.

Bilhetagem eletrônica

A Prefeitura de Mauá, por meio da assessoria de imprensa, manifestou-se  reconhecendo que o atual sistema de transportes não está oferecendo o ideal para os passageiros, que merecem um serviço melhor.

Quanto a bilhetagem eletrônica, a entrada da Leblon, segundo a Prefeitura, não acarretará perda de dinheiro para o usuário. A integração entre os ônibus na cidade não será comprometida. Pelo contrário, há a previsão da criação de um serviço semelhante ao bilhete único que vai possibilitar a integração das linhas com uma tarifa mesmo fora do terminal de Mauá.

O contrato com a Leblon foi assinado em maio deste ano. Uma semana depois foi contestado na justiça, o que suspendeu o prazo para a instalação do equipamento. Este prazo só voltou a contar a partir da semana retrasada com a decisão do Superior Tribunal de Justiça favorável à Leblon. Assim, dos 90 dias que a nova empresa tinha para adotar o sistema com a tecnologia em vigor ainda restam dois meses.

Nós acompanhamos o trabalho da nova empresa para adaptar-se e constatamos que a Leblon tem contado com uma equipe de técnicos e especialistas em direito para começar a operar de acordo com o exigido pela licitação, o mais rapidamente possível.

Adamo Bazani, jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Conheça ônibus da nova empresa de Mauá

(Com atualização às 14:08)

 

Grupo de Curitiba deve começar a operar ainda em agosto e pretende transformar o transporte de passageiros de uma das cidades mais carentes de ônibus da Grande São Paulo.

Ônibus da Leblon

Por Adamo Bazani

O ônibus que você vê com exclusividade neste post passará a rodar em Mauá com o desafio de mudar o cenário de um dos sistemas de transportes mais complicados na região metropolitana de São Paulo. É de propriedade da Leblon Transporte, do Paraná, que ganhou a licitação do segundo lote operacional, em 2008, mas que ainda não presta serviço porque o Grupo TransMauá contesta na justiça o resultado do certame.

A TransMauá, atualmente, opera sozinha todas as linhas de ônibus do município. No lote 1, através da Viação Cidade de Mauá, antiga Barão de Mauá; e no lote 2, pela Viação Januária.

A prefeitura admitiu que a cidade tem um dos sistemas mais complexos e carentes da Grande São Paulo. Além de investimentos públicos em obras a partir de um cronograma de pavimentação e recapeamento de vias, reformas de terminais e mudança em algumas das principais linhas, a aposta é que a entrada de nova empresa no setor represente melhora significativa no serviço prestado.

Ao permitir que mais de um grupo opere na cidade, algo que há muito tempo não ocorria, Mauá estimulará a disputa pelo passageiro resultando avanços na qualidade do serviço.

Até aqui o que se vê é a troca de ônibus velhos por ônibus um pouco mais novos. Às vezes são colocados nas linhas carros “zero quilômetro”, mas apenas o mínimo exigido para atender as leis de acessibilidade e reduzir a idade média da frota, também uma demanda legal. A Leblon colocará em Mauá uma frota novinha em folha. Todos os ônibus serão “zero quilômetro” como este Torino, da foto exclusiva. Os ônibus serão carroceria Marcopolo, incluindo micros, midis (micrões) e articulados Volvo, modelo Gran Viale. Serão 75 em operação mais carros reservas, totalizando 86.

Outra boa expectativa em relação à entrada da Leblon é a tradição e o retrospecto do grupo empresarial de Curitiba. A capital paranaense que é referência mundial em transporte público, desde 1974, com a implantação do primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do planeta, conta com os serviços da Leblon há várias décadas.

Em 1969, a empresa começou com serviços escolares e fretamento. Em 1982, entrou para o serviço urbano no Paraná, com a linha Fazenda Rio Grande. No ano de 1989, foi a primeira empresa a integrar o sistema integrado da Região Metropolitana de Curitiba.

ônibus da Leblon tem águiaHaroldo Isaak, proprietário do Grupo Leblon, falou sobre o que a empresa vai oferecer de diferente para os passageiros de Mauá:

“Além de seguir todas as normas de segurança, conforto e acessibilidade, vamos oferecer mais ainda para os passageiros e nossos funcionários em Mauá. Os ônibus serão dotados de câmeras internas e externas para inibir a violência, a evasão de receitas, o vandalismo e até mesmo elucidar acidentes de trânsito. Todos terão cofres temporizados, o que também inibe a ação de criminosos, proporcionando mais segurança a quem trabalha e viaja”.

Haroldo aproveita para lembrar das conquistas obtidas pelo Grupo Leblon Transporte no setor:

“Somos a empresa de ônibus urbanos mais antiga em operação a ter o ISO 9000, certificado de qualidade obtido em 1997, com o processo para a certificação iniciado em 1995. Fomos finalistas do Prêmio da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o que nos orgulha muito, mostra que nosso trabalho está no caminho certo. Mas sempre vamos partir para uma melhora constante.”

A águia pintada na lataria do ônibus com efeito formado por qautro rostos é símbolo da empresa e tem o intuito de evidenciar as principais características do animal: visão, força e agilidade.

“Esperamos trazer o melhor para Mauá e, logo de início, instruir nossos funcionários a valorizar quem usa ônibus, que não é apenas um usuário, mas um cliente” – diz Haroldo.

A estimativa é de a empresa começar a prestar serviços já neste mês de agosto

Adamo Bazani, repórter da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Passarelli: Da indústria de móveis à dos automóveis

 

Por Adamo Bazani

Sebastião Passarelli, empresário do setor de ônibus, assistiu a transição entre duas fases importantes da indústria no ABC Paulista e a expansão da região metropolitana. Temas deste segundo capítulo da história deste empresário de ônibus, de 81 anos.

No início dos anos 60, a região do ABC Paulista era um dos principais centros de fabricação de móveis do Brasil. Devido a proximidade de Santos, o principal porto comercial da América Latina, e a vasta plantação de eucaliptos, a região, principalmente São Bernardo do Campo, fabricava todo o tipo de mobília, que não só era vendida no Brasil, como no exterior.

A indústria moveleira demandava na época mão de obra mais simples e menor. E os transportes para São Bernardo do Campo refletiam esta realidade, tendo crescido para atender essa segmento. Mantinha linhas de ônibus mais curtas para transportar número restrito de operários.

Com o advento da indústria automobilística, a realidade mudou. As fábricas eram maiores, a mão de obra mais qualificada e abundante. Segundo Passarelli, isto influenciou ativamente os transportes urbanos. Com mais gente para transportar, e gente que exigia maior qualidade no serviço, o empresário de ônibus teve de investir pesado na modernização do sistema.

O serviço, até o início da indústria moveleira quase artesanal, teve de se profissionalizar para atender as necessidades que surgiam de maneira muito rápida: bairros eram criados da noite para o dia, as distâncias entre trabalho e casa aumentavam. O poder público, de diversas cidades da região, principalmente de São Bernardo do Campo e Santo André, teve de intervir para organizar o sistema de transportes. A relação entre empresários e autoridades foi pautada muito mais por questões técnicas. Não se criava linhas por simpatia com determinado empresário ou apenas de forma experimental, como ocorria até então. Teve de haver planejamento.

Sebastião Passarrelli lembra os principais passos dessa transição. O serviço tinha ainda de atender aos trabalhadores da indústria de móveis, mas também aos que iam atuar nas fábricas de carros e peças de veículos. Algumas linhas, que serviam os centros moveleiros tiveram de atender, num primeiro momento, uma grande mão de obra da construção civil, formada por migrantes, principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Esse trabalhadores atuavam na construção dos parques das indústrias de carros. Depois, era necessário atender aos operários que atuavam diretamente na industria automobilística.

Passarelli ressalta que essa mudança não aconteceu da noite pro dia. “Fabricação de móveis e de carros conviveram de maneira intensa no ABC Paulista, por alguns anos, na década de 1960. Uma crescia e outra diminuía. Não podíamos, no entanto, simplesmente abandonar as linhas que serviam pólos moveleiros, mas também não podíamos perder a oportunidade de atender a demanda da indústria automobilística, que era o futuro da demanda dos transportes. Tivemos de resolver rapidamente equações de demanda/número de carros/número de linhas. As vezes tínhamos de priorizar algumas linhas em detrimento de outras. Foi necessário dar uma nova cara aos transportes no ABC Paulista e remanejar linhas e veículos”.

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Do Rio 40 graus à São Paulo 10 graus

 

Por Adamo Bazani

Para continuar o sonho de permanecer ao volante, motorista deixa tudo no Rio de Janeiro e vem para São Paulo. O maior choque? O choque térmico

Admir, motorista de ônibus

Que São Paulo, devido a mudança climática provocada pela poluição, construção desordenada e aumento da população deixou de ser Terra da Garoa, isso é um fato. E que se deu muito rapidamente. Esta transformação também pode ser contada através da história do motorista de ônibus, Admir dos Reis Oliveira, 50 anos.

Natural do Rio de Janeiro, Admir sempre foi fã de ônibus e admirava a diversidade de cores das empresas que andavam na cidade, uma das únicas a não aderir a padronização e a permitir que as empresas mantivessem sua identidade.

De família humilde, ele perdeu o pai aos 4 anos de idade.  A mãe não dava conta de manter a família e Admir teve de morar com a avó-madrinha e um tio. Trabalha desde a infância. Fazia de tudo: entregas, vendas e serviços gerais, quando aproveitava para apreciar os ônibus na rua.

“Coloquei na cabeça que iria dirigir ônibus. Ia em garagens, começava a me inteirar de como eram as manhas para guiar um possante. Mas tudo ainda ficava na base do namoro”.

Em 1977, apareceu uma chance para Admir. A empresa Rio-Ita, que opera na região Metropolitana do Rio de Janeiro, abriu vaga para ajudante geral. “Depois de estar dentro de uma empresa, seria mais fácil conseguir virar motorista”.

O pensamento de Admir estava certo. Passou por auxiliar geral, auxiliar de mecânica, mecânico até que, em 1979, aparece oportunidade de operar em linhas intermunicipais no Rio de Janeiro. “Foi uma maravilha. O serviço era interurbano, mas com ônibus Ciferal e Marcopolo rodoviários. Me senti o Rei do Asfalto”.

O calor no Rio era um dos principais problemas para motoristas no fim dos anos 70. Apesar de já existirem veículos com ar condicionado, eram muitos caros. “Mas como um bom carioca da gema, batia fácil o calor”.

A primeira lição que Admir teve no volante é que por mais especializado que o motorista seja, é no dia a dia que se aprende a profissão. “Lidar com pessoas é uma arte e dirigir ônibus é interagir com o ser humano. É muito mais que controlar um carrão grande”.

Ele garante: “era um aluno aplicado na escola da estrada”.

E foi no ônibus que encontro equilíbrio financeiro para a família. “Não ganhava muito, o salário no Rio de um motorista na época, era 3 vezes menor que o salário no ABC ou em São Paulo. Mas consegui viver feliz”.

Em 1984, o que parecia ser uma vida estável, sofre um grande baque. O então proprietário da Rio–Ita vende a empresa e transfere a maior parte dos recursos para empresas da Capital e do ABC Paulista. Ele teve de tomar uma decisão importante. Correr o risco do desemprego ou acompanhar o patrão em São Paulo.

“Todo mundo na minha família foi contra, mas o dono da empresa me ofereceria o emprego em São Paulo. E tinha outro dilema, eu teria de ir a São Paulo, mas começar do zero, como auxiliar geral, igualzinho eu tinha começado, em 1977. É que o proprietário da Rio-Ita, que acabara de entrar nos negócios em São Paulo e no ABC precisava reestruturar as viações que acabara de comprar”.

Depois de muito pensar e discutir com a família, Admir teve de tomar coragem, e veio sozinho para Mauá, no ABC Paulista, deixando no Rio de Janeiro uma filha de um ano e dois meses e a mulher.

“Pelo menos era um emprego, eu mandaria o dinheiro para minha família.. Antes poder sustentá-la longe a passar fome, perto. Além disso, minha paixão é dirigir, não me via fazendo outra coisa”.

Grande São Paulo, o choque térmico

Em setembro, Admir foi para Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Ele começou do zero mesmo. Auxiliar geral e morava num quartinho cedido pelo dono da empresa na garagem.

“O que mais me chamou a atenção quando cheguei a Mauá (Grande São Paulo) foi o frio. Sem brincadeira, parece ridículo, mas isso quase me fez desistir”. Era setembro e mesmo assim a temperatura estava próximo dos 10 graus.

“Sofri muito. Gripe, direto. Usava casacos enquanto os outros motoristas trabalhavam de camisa normal, era até caçoado”.

Na época, o ABC e parte de São Paulo, mesmo se expandindo ainda podiam ser consideradas Terra da Garoa. E da neblina. A garagem da empresa ficava em um lugar alto de Mauá.

“Enquanto em 1984, muitas cidades da Grande São Paulo tinham crescido bastante, parte de Mauá, quase chegando em Ribeirão Pires, tinha pouca construção, os morros não eram habitados como agora e o ar era fresco, geladinho, por natureza”.

A garoa típica que já deixava aos poucos a cidade de São Paulo, enquanto ela crescia, ainda podia ser notada em Mauá. “No fim da tarde, tinha de colocar a blusa e ligar o limpador do ônibus. Quando pegava a linha que ia para Paranapiacaba (vila considerada patrimônio histórico da humanidade, marcada por construções inglesas, devido à construção da linha Santos Jundiaí, por Barão de Mauá, no final do século XIX) era outro mundo pra mim. A neblina da Serra do Mar, o ar frio, bem diferente do Rio de Janeiro”.

Dois meses depois de ter virado motorista na Viação Barão de Mauá, a filha e a mulher de Admir se mudam para a garagem. O patrão havia arrumado um lugar maior. “Mas meu objetivo, que hoje conquistei, era comprar uma casa para minha família. Não dava pra ver minha filha ser acordada as três da manhã pelo barulho dos motores dos ônibus que se preparavam para as primeiras viagens. Na garagem não pagava aluguel e graças a isso, consegui economizar pra comprar uma casinha”.

Pelas janelas dos ônibus, inicialmente os Bela Vista, Gabriela, Amélia, passando pelos modelos Padron Vitória, Admir viu o clima da região mudar. As construções, em São Paulo e no ABC, se tornavam mais altas. Os morros com eucaliptos que perfumavam a garagem foram ocupados por barracos. O número de carros nas ruas cresceu assustadoramente.

“Depois de 20 anos, dirigindo entre a cidade de São Paulo e Ribeirão Pires, comecei a sentir o mesmo calor que no Rio de Janeiro. Mas um calor mais abafado, com ar pesado. Pensei que é porque eu tinha me adaptado, mas os termômetros não mentiam: a temperatura tinha aumentado mesmo”

Hoje em dia, por conta do calor na cidade de São Paulo e nas cidades do ABC, e das lotações nos ônibus, a presença do ar condicionado dos veículos é quase obrigatória.

“Estranhei o frio quando cheguei na Grande São Paulo. Me chamaram a atenção a brisa e o friozinho da tarde na periferia de Mauá. Hoje, mesmo adorando calor, como bom carioca, sinto saudade desse tempo. Hoje, temos um calor poluído e pela minha história no ônibus, presenciei a mudança do clima em São Paulo. Motoristas mais antigos que trabalharam na região nos anos 40 e 50 me contaram que sentiram mais ainda a mudança. Infelizmente, o trânsito, a poluição e o “calor pesado” chegaram bem pertinho da Serra do Mar, em Mauá. Quem trabalha na rua, como eu, vê que é verdade que o Planeta está ficando mais quente”.

Ádamo Bazano é repórter da CBN, busólogo e sabe que a coisa está esquentando.

Do banco dos tribunais aos do ônibus (II)

 

Por Adamo Bazani

Advogado troca o terno e a gravata pela graxa das garagens de ônibus e se diz realizado, na segunda parte da história sobre o empresário Aroldo de Souza Neto, 32, de Mauá, no ABC Paulista.

Se na época, quando conseguiu comprar o primeiro ônibus, Aroldo pensou que acabara de vencer um grande desafio, não sabia o que o esperava. “Eu sempre gostei de ônibus e meu sonho era esse. Mas na prática, vi que atuar nesse ramo era muito mais difícil”.

Aroldo na garagemA manutenção foi o primeiro susto. Aroldo diz que manter um ônibus é muito caro e trabalhoso. Se num carro de passeio, itens como freio, suspensão, óleo de motor, etc são trocados a cada seis meses ou 15 mil quilômetros, nos ônibus isso deve ser feito praticamente toda a semana. Isso sem contar que os custos destas peças são bem maiores que em veículos convencionais.

“O diferencial, os freios e o preço dos pneus, que chegam a custar cerca de mil reais, quando radiais, me deram um baque, são um absurdo. Mas eu tinha contrariado tudo e a todos por este meu sonho. E por ele, deveria continuar”

Mais uma vez o velho empresário Osvaldo, que agregou o ônibus de Aroldo,  e outro empresário do setor, Carlos Roberto Gritz, dono da locadora GTZ, com o qual trabalhou, passaram outra lição importante: empresa de ônibus tem de ter estrutura de emergência, de manutenção. Existem peças de reposição que não podem faltar numa garagem e até mesmo dentro dos ônibus.

A lição é importante principalmente para pequenos empresários que, normalmente, não tem carros de reserva e compram no varejo, mais caro. Os passageiros, no caso clientes de fretamento, querem chegar ao seu destino, não querem saber de peça de ônibus.

Aroldo lembra de um episódio enfático, que representa bem isso. Em 2006, com seu O 371 R, ex-Firenze, foi fazer um fretamento para um grupo religioso, saindo do ABC para Ibiúna. Chegando lá, um dos pneus traseiro estourou.

“O susto foi grande, o ônibus balançou muito e fez um estrondo enorme”.

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