Cuide bem do seu jardim: escolhas erradas podem piorar a seca

 

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A falta de água voltou ao Jornal, nesta segunda-feira, a partir das medidas duras adotadas pelo Governo da Califórnia, estado americano que está enfrentando período ainda mais rigoroso de escassez. A seca não é uma novidade para os moradores desta região dos Estados Unidos e as ações de combate a crise hídrica fazem parte do cotidiano deles. A discussão, que se estendeu para o quadro Liberdade de Expressão, levou a arquiteta paisagista Amanda Sales, ouvinte da CBN, escrever e-mail para nos alertar sobre o risco de se querer importar a estratégia californiana para o Brasil. Um dos investimentos por lá é a substituição da vegetação por plantas mais resistentes a falta d’’água. Sales lembra que, na Califórnia, a vegetação desértica é nativa e o uso desta vegetação é de fato muito adequada, mas, aqui, a abolição de jardins ou o plantio disseminado de vegetação desértica somente contribuirá para agravar a redução de chuvas.

 

Na mensagem, Sales recomenda a leitura do blog Árvores de São Paulo, escrito por Ricardo Cardim, no qual escreve:

Nesse tempo de escassez de água, cada vez mais são publicadas matérias em diferentes mídias de como criar jardins que “gastam pouca água” e são portanto, mais sustentáveis no quesito. Listas das “5 espécies de plantas que não gastam água” estão em todos os lugares da internet trazendo uma sucessão de cactos e plantas suculentas, principalmente o sedum (Sedum sp.).
Aparentemente essa tendência não representa problema algum, mas na verdade não é bem assim. Primeiramente, “muitas das plantas de deserto vendidas (para não falar todas) são de origem estrangeira, exóticas, e algumas invasoras agressivas dos remanescentes de vegetação nativa, como a agave, que podem provocar perda severa da biodiversidade no Cerrado e Restinga, e a kalanchoe tubiflora, comum nas capoeiras urbanas.
Mas a principal questão é a água. Essas plantas geralmente apresentam um tipo diferente de fotossíntese, a CAM (Metabolismo Ácido das Crassuláceas), adaptada para ambientes áridos como desertos e rochas nuas. Nesse caso, gastam pouca água mesmo, mas podem liberar menos ainda, não contribuindo para o que mais precisamos da vegetação urbana nessa época de seca: liberação de água pela evapotranspiração das plantas que vai umidificar o ar e ajudar na formação de mais chuvas na cidade.

Para entender mais sobre o tema, leia o restante do texto no blog e aproveite outros posts com informações interessantes sobre a importância de conservarmos o verde nos centros urbanos.

 


Aproveite e ouça a entrevista que fiz com Albano Araújo, da The Nature Conservancy, no Jornal da CBN

O que fazer quando a água acabar?

 

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Há pouco mais de quatro anos, participei do Blog Action Day, uma ação global de blogueiros comprometidos a discutir o tema da água, um dos grandes desafios do Século 21. Em um dos textos publicados aqui no miltonjung.com.br, falei de cenário que lembra muito o que estamos enfrentando na Região Sudeste, especialmente no Estado de São Paulo, sem jamais imaginar que a falta de água pudesse ser tão grave e imediata. Já se calculava que no mundo 1 bilhão de pessoas não tinham acesso à água limpa para o consumo, e um número impressionante de pessoas ficavam doentes ou morriam devido a falta de saneamento básico.

 

Estudo que acabara de ser publicado na revista Nature mostrava que 80% da população mundial viviam em áreas onde o abastecimento não é assegurado. Curiosamente, boa parte da Europa e América do Norte sofre deste mal que apenas se ameniza graças ao impacto da infraestrutura criada para distribuir e conservar água. Um dos pesquisadores, Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, alertava, porém, que “uma fatia enorme da população não pode pagar por estes investimentos … que beneficiam menos de um bilhão de pessoas”.

 

Outra publicação, a Newsweek, apontava para a corrida pelo controle da água que estava sendo travada no mundo e questionava se companhias privadas deveriam ter o domínio sobre nossa mais preciosa fonte natural. O texto, assinado por Jeneen Interlandi, relatava a operação de duas empresas privadas americanas para transferir 80 milhões de galões de água do Blue Lake (Lago Azul), no Alasca, para Mumbai, na India, de onde seriam distribuídos para cidades no Oriente Médio. Essa privatização na produção e distribuição, defendida por alguns setores da economia como solução para a crise global de água doce, é motivo de temor para muitas populações. Por definição, uma mercadoria é vendida pela melhor oferta, não para o consumidor que tem mais necessidade. E com estimativas de que o consumo de água tem dobrado a cada 20 anos e a procura vai superar a oferta em 30% até 2040, a questão é saber o que pesará mais na decisão dos “donos da água”.

 

De 2010, quando esses dados foram reproduzidos aqui em miltonjung.com.br, até agora a situação apenas se agravou e, pior, ficou ainda mais próxima de nós.

 

Na cidade de São Paulo, quase todos os moradores – mais de 98% – são servidos por rede de abastecimento. Índice um pouco menor – 87,2% – vivem em locais onde há rede de esgoto. Jamais percebemos, porém, o privilégio que tínhamos em receber água limpa na torneira, e sem esta consciência a desperdiçamos com facilidade. Nós e as companhias que são pagas para distribuí-las, pois os índices de perdas na rede beiram os 30%. De forma irresponsável, nossos governos se abstiveram de impor o controle necessário aos gastos. E neste ritmo chegamos a desesperadora situação atual em que o estoque disponível para abastecer 20 milhões de pessoas na Grande São Paulo caiu 74%, em um ano. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo: “Quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) emitiu o primeiro alerta sobre a seca no Cantareira, em 27 de janeiro de 2014, os seis mananciais que atendem a região mais rica do país somavam 1 trilhão de litros armazenados. Hoje, restam 267,8 bilhões, 12,4% da capacidade dos reservatórios”.

 

Nossa “caixa d’água” está praticamente vazia e autoridades calculam que, se não houver uma mudança drástica no regime de chuvas, em três meses, corremos o risco de não termos mais água no Sistema Cantareira.

 

O que fazer quando a água acabar?

A sustentabilidade no mercado do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Cada vez mais praticada por empresas de diversos segmentos, a responsabilidade social ganha relevância também no mercado do luxo. É um dos setores que mais dá importância à questão da sustentabilidade. Pela sua natureza, os produtos de luxo e marcas prestigiosas são, em geral, exclusivos, raros, com preço elevado e durabilidade maior se comparados a produtos mais simples, em geral com preço mais acessível, mas prazos de validade menores e com tendência a serem substituídos mais rapidamente. Nesse segmento, a responsabilidade social pode ser percebida em ações como uso de materiais ecológicos, programas beneficentes, engajamento em políticas de conscientização e, ainda, em eventos com renda revertidas a entidades sociais.

 

Claro que não nasceu um repentino amor pelas florestas ou por comunidades de países abalados por guerras e pela miséria. Em tempos de crise, muitas empresas de luxo encontraram na postura politicamente correta a maneira mais eficiente de fazer com que o consumidor não se sinta culpado ao desembolsar valores altos por produtos tão desejados. No segmento automotivo, por exemplo, diversas marcas de prestígio como Porsche, Ferrari e Mercedes-Benz apostam em ações sustentáveis e na produção de automóveis híbridos, com menor consumo de combustível. Fatores como o aquecimento global e a escassez de recursos naturais faz com que muitas montadoras modifiquem seus processos de produção e ofereçam aos clientes opções de automóveis econômicos e menos poluentes, sem, é claro, perder o alto valor agregado do produto.

No segmento de moda e acessórios, vale destacar a atuação da grife americana Ralph Lauren, que mantém a Pink Pony Foundation, entidade criada pelo estilista fundador da marca, que cuida de mulheres que sofrem de câncer de mama. Sua coleção Pink Pony possui em cada peça o famoso cavalinho da marca estampado na cor rosa e parte de sua arrecadação é destinada à entidade. Além de manter a Pink Pony Foundation, Ralph Lauren é ativa em ações sociais: em 2012, doou USD 2 milhões em prol das vítimas do terrível furacão Sandy, ocorrido nos Estados Unidos, e, em 2010, criou coleção de pólos exclusivas com vendas revertidas para ajudar na reconstrução do Haiti, além de outros projetos.

Outro caso interessante é o da grife Cartier, responsável pela compra de 1% de todo diamante usado em jóias no mundo. A marca francesa mobilizou o Responsible Jewellery Council, que reúne 150 fabricantes de jóias, para convencer todos os associados a exigir de seus fornecedores certificação ambiental e social, garantindo que as pedras preciosas usadas em suas peças não tenham nenhuma ligação com zonas de conflito ou desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

 

O consumidor contemporâneo é sensível a ações de responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente pelos consumidores desses produtos e serviços.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A batalha da sustentabilidade: SP X RJ

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da Época São Paulo.

 

Guarapiranga, a represa

 

Sou do Rio Grande do Sul como já deve estar cansado de saber o caro e raro leitor deste blog. Os gaúchos somos bairristas, ao menos é a fama que temos desde que na Guerra dos Farrapos grupos rebelados pediam a independência do Estado Farroupilha. Mas bairrista mesmo é você, independentemente de onde tenha nascido. Tenho certeza de que se falarem mal de sua terra natal, você será o primeiro a sair em defesa do seu Estado, a despeito de reconhecer todos os problemas que existam por lá (ou por aqui). Dia desses, minha colega de Jornal da CBN Viviane Mosé comentou sobre a violência em São Paulo. Foi o que bastou para alguns paulistas mandarem mensagens desaforadas para minha caixa de correio. Como aquela moça, nascida no Espírito Santo e vivida no Rio de Janeiro, se atreve a reclamar da falta de segurança em São Paulo? Questionavam alguns, como se o assunto não fosse uma preocupação enorme dos paulistanos. Eu mesmo já ouvi desaforos deste tipo porque me meto a pedir melhorias para a capital paulista.

 

Hoje, em sua coluna Economia Verde, em O Globo, o jornalista Agostinho Vieira, meteu sua colher nesta disputa regional ao comparar as cidades do Rio e de São Paulo do ponto de vista da sustentabilidade. Sabia bem o risco que corria, pois já na abertura do texto lembrava que “para alguns cariocas, a melhor parte de uma viagem a São Paulo é a hora de voltar para o Rio. Já certos paulistas acham que este é um balneário decadente e caro, onde não vale mais a pena nem um fim de semana”. Vieira é craque no assunto – não do bairrismo, mas no da sustentabilidade – por isso trago algumas das comparações pertinentes que estão na edição desta quinta-feira do jornal. Acompanhe comigo:

 

Trânsito

 

SP – 11 milhões de moradores/5 milhões de carros (2,2 pessoas p/carro); 30% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min42seg em média
RJ – 6 milhões de moradores/2,6 milhões de carros (2,3 pessoas p/carro) 13% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min18seg

 

Metrô

 

SP – 74,3Km
RJ – 42km

 

Ciclovias

 

SP – 36km
RJ – 300km

 

Mortes no trânsito

 

SP – 12,1 morrem p/100 mil habitantes
RJ – 5,4 morrem p/100 mil habitantes

 

Poluição

 

SP- 38 microgramas de poluentes por metro cúbico
RJ- 64 microgramas de poluentes por metro cúbico

 

Emissão de gases de efeito estufa

 

SP- 15,7 milhões de toneladas de CO2 (2005)
RJ- 11,3 milhões de toneladas de CO2 (2005)

 

(neste ítem, os dados de 2011 devem mostra empate técnico)

 

Árvores

 

SP- 12,5 metros quadrados p/habitante
RJ- 56,8 metros quadrados p/habitante

 

Lixo

 

SP- 18 mil toneladas/dia
RJ- 9 mil toneladas/dia

 

Lixeira

 

SP- 1 para cada 58 habitantes
RJ- 1 para cada 213 habitantes

 

Reciclagem

 

SP – 2% do lixo gerado
RJ – 1% do lixo gerado

 

Fornecimento de água

 

SP- 100% das casas
RJ- 91% das casas

 

Esgoto coletado/tratado

 

SP- 96% das casas/54% das casas
RJ- 70% das casas/53% das casas

 

Uma ganha aqui, outro acolá. As duas, na maior parte dos itens, estão bem distante das recomendações internacionais. Mas, como escreveu Agostinho Vieira, “esta é uma boa e saudável disputa. Do tipo que deveríamos fazer questão de ganhar em 2016”. Todos nós, bairristas: paulistas, cariocas, gaúchos, pernambucanos …

Cidades roubam a cena na Rio+20

 

 

O documento mais importante da Rio+20 até aqui não foi aquele sobre o qual os chefes de Estado se esforçam para aprovar o máximo possível de frases sem efeito, mas o apresentado pelas 59 cidades que integram o C-40, organismo do qual São Paulo faz parte, inclusive tendo recebido seus integrantes no ano passado. Assumiu-se publicamente o compromisso de reduzir a emissão dos gases de efeito estufa em 248 milhões de toneladas até 2020 e de 1,3 bilhões de toneladas até 2030. Para que se tenha ideia da dimensão destas metas, seria como eliminar por um ano todas as emissões de México e Canadá juntos. Estas cidades terão um enorme desafio pela frente para não frustrar as expectativas proporcionadas pelo acordo, haja vista que abrigam em torno de 544 milhões de pessoas e são responsáveis, hoje, por 14% das emissões dos gases causadores do efeito estufa.

 

Apesar de receber com otimismo a boa intenção dos prefeitos, procuro não me iludir com os discursos e fotos entusiasmadas que se revelam neste momento. A cidade de São Paulo que havia se disposto a reduzir em 30% as emissões até o fim deste ano, chegou a 10% de acordo com informação do próprio prefeito Gilberto Kassab (PSD) em entrevista à rádio CBN. Bem verdade que avançamos muito em algumas áreas e temos iniciativas interessantes como a instalação de usinas de biogás nos aterros sanitários Bandeirantes e São João, onde durante anos depositamos o lixo que produzimos. A inspeção veicular, criticada por muitos, deve ser colocada nesta conta, também, pelo impacto que o controle sobre a emissão de gases dos automóveis têm no meio ambiente, mesmo com o crescimento da frota.

 

Se alguém ainda tem dúvidas sobre a urgência da implementação de medidas de combate a poluição, termino esta conversa lembrando entrevista desta semana, na qual conversei com o pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Afonso de André. Ele calcula que teríamos evitado 14 mil mortes se o Brasil tivesse cumprido no prazo as etapas do Proconve – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores que prevê a produção de diesel mais limpo.

A missão dos jornalistas na Rio+20

 

A pauta está contaminada pela Rio+20 e basta abrir a caixa de correio aqui da rádio para identificar uma quantidade enorme de propostas de temas relacionados a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável que se inicia nesta quarta-feira. Tem todo tipo de sugestões, entidades e personalidades dispostas a aproveitar o momento e ganhar espaço na discussão. Os jornalistas devemos estar atento a estas iniciativas, avaliando o que é de interesse público ou apenas privado – para ser mais claro, o que é de interesse coletivo ou apenas individual. A invenção anunciada por uma empresa interessa somente a ela se não estiver disponível à sociedade. Precisa ser vista como inovação para atender os critérios de publicação.

 

O desafio dos jornalistas vai além, se levarmos em consideração o resultado de pesquisas de opinião divulgadas recentemente. A última foi encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente e constatou que 78% ignoram a Rio+20 ou menos de um quarto da população brasileira sabe o que acontecerá no Rio de Janeiro. Dada a importância dos temas em discussão, nosso esforço nas redações será fazer com que este debate chegue ao cidadão e desperte o interesse dele no tema. Para tanto é preciso deixar claro às pessoas e às empresas que os impactos do acordo que for fechado podem ser intensos na nossa qualidade de vida e na maneira de gerir os negócios.

 

Um exemplo que nos oferece o Instituto Ethos, também preocupado com o distanciamento de parte da população com a Rio+20: se for aprovada orientação para que os governos deixem de dar incentivos a produtos que causem impacto negativo ao meio ambiente, o governo brasileiro, para oferecer redução de IPI às montadoras de carro, teria de exigir, por exemplo, uma fabricação mais verde, carros menos poluentes, e nossas cidades teriam um ar mais limpo, o que beneficiaria a sua saúde.

 

Precisamos, em reportagens e entrevistas, mostrar que o que estaremos tratando nos próximos dias no Rio de Janeiro tem a ver com o nosso cotiano, nossos hábitos e nossa forma de vida. E não apenas com o nosso futuro, mas com o nosso presente. É a nossa missão.

ONG acusa empresa de não descontaminar Lixão da Alemoa

 

 

 

O terminal marítimo do Porto de Santos pode estar sendo construído sobre um terreno capaz de provocar uma série de riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. A acusação é feita pela ONG Educa Brasil que questiona o trabalho de descontaminação no antigo Lixão da Alemoa, que por 50 anos serviu para despejo de resíduos da Baixada Santista, ação que teria contaminado aproximadamente 680 mil metros cúbicos de solo. De acordo com a ação civil pública da entidade, as empresas BPT – Brasil Terminal Portuário e Codesp – Companhia Docas do Estado de São Paulo não teriam concluído o trabalho de descontaminação, condição única para que a construção do terminal se realizasse.

 

O advogado Paulo Morais, com quem conversamos no Jornal da CBN, disse que até agora as empresas não apresentaram documentação que comprove a conclusão do serviço. Além disso, o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional não teria sido consultado apesar de a remoção no terreno ser uma operação de risco ao patrimônio devido a existência de riquezas arqueológicas no local (ouça a entrevista aqui). A ONG Educa Brasil entrou com ação civil pública pedindo explicações às empresas envolvidas na operação.

 

Uma curiosidade identificada nas fotos aéreas feitas do terreno do Lixão da Alemoa antes do início do trabalho nas áreas contaminadas (marcadas em amarelo) é a mudança na geografia do terreno que fica na orla de Santos: “a intervenção da empresa mudou o mapa do Brasil”, disse o advogado.

 

Agora o outro lado (publicado às 11h22)

 

A BPT, em entrevista na manhã de hoje no Jornal da CBN (ouça aqui), afirma que o trabalho de descontaminação do terreno foi concluído e não há nenhum risco à saúde das pessoas ou ambiental. O advogado da empresa Marco Antonio Martorelli nega que o Iphan não tenha sido comunicado das operações realizadas no local. À assessoria de imprensa da BPT foi pedido o laudo que comprova as declarações do advogado, mas a informação é que não havia condições de enviá-lo à redação da rádio CBN

Cidade limpa: campanha para acabar com saco plástico

 

Em duas semanas, a cidade de São Paulo começará mobilização para acabar com um costume bastante antigo e prejudicial ao meio ambiente: o uso de sacolas plásticas, estas que costumam decorar os aterros sanitários, córregos e rios e levam até 100 anos para se decompor. A Associação Paulista dos Supermercados – APAS iniciou conversa com o prefeito Gilberto Kassab DEM para que seja lançada campanha semelhante a realizada na cidade de Jundiai, interior paulista, onde, em um ano, se conseguiu reduzir em até 95% a distribuição dessas sacolinhas, mesmo sem haver uma lei proibindo o comércio de usá-las.

Na capital, a lei que obriga a extinção da sacola plástica no mercado deveria entrar em vigor em 1º de janeiro, mas foi suspensa em caráter liminar a pedido do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo. Como até agora a prefeitura, que teria este direito, não recorreu da decisão da Justiça, não parece interessada em levá-la à frente. Em contrapartida, aceitou a proposta dos supermercadistas de convidar o consumidor a colaborar com o meio ambiente dando preferência às sacolas retornáveis. Parece acreditar mais na conscientização do que na proibição pura e simples que atrapalharia alguns setores do comércio. Sem contar que é dos supermercados que saem em torno de 90% das sacolas.

O dia marcado para as sacolinhas desaparecerem dos cerca de 1.200 supermercados paulistanos é bastante significativo, 25 de janeiro, aniversário da cidade. A campanha “Vamos tirar o Planeta do sufoco” da prefeitura e da APAS tem um mês e meio para convencer o paulistano a abandonar prática comum, ainda hoje, quando cada morador, em média, usa 67 sacolas descartáveis por mês nas compras. Sabe o que isso significa: 664 milhões de sacolas por mês ou oito bilhões de sacolas por ano – algo como 30 mil toneladas de plástico.

Leia a reportagem completa no Blog Adote SP, na revista Época SP

Mundo Corporativo: Gestão ambiental é o negócio

 

Parte da frota de caminhões que entregam cerveja e refrigerantes da Ambev usará combustível a base de óleo de cozinha, a partir de material que será coletado em restaurantes, bares e armazéns que fazem parte da sua rede de revendedores. Com esta ação, será possível reduzir o impacto que a circulação de caminhões gera no meio ambiente, além de se impedir que boa quantidade de óleo seja despejada, indevidamente, na rede de esgoto. Esta é uma das iniciativas da quarta maior cervejaria do mundo na tentativa de construir uma marca relacionada a questão da sustentabilidade. Além de contribuir para um melhor relacionamento com as diferentes comunidades, a gestão ambiental também gera lucros para o negócio da Ambev, disse Ricardo Rolim, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, neste sábado.

Rolim, diretor de relações sócio ambiental e imagem corporativa da Ambev, explicou a estratégia da empresa para envolver todos seus colaboradores nas iniciativas ligadas a gestão ambiental.

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, no site da CBN, às quartas-feiras, a partir das 11 horas, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Você pode ouvir o programa, também, aos sábados, no Jornal da CBN.

Compensação ambiental é questionada em São Paulo

 

Árvores cortadas na Marginal Tietê

Uma das metrópoles menos verdes do mundo, São Paulo perdeu nos primeiros quatro meses do ano 12.187 árvores. É como se quase um Ibirapuera inteiro tivesse sumido entre 1.º de janeiro e 30 de abril – o parque tem 15 mil árvores – para dar lugar a prédios, conjuntos habitacionais e obras de infraestrutura. Os números fazem parte de um levantamento da Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal, obtido com exclusividade pelo Estado.

O texto acima abre reportagem publicada no fim de semana pelo Estadão e mostra situação complicada para a capital que se esforça para se transformar em referência mundial como cidade ambientalmente correta.

Os cortes ocorreram devido a obras públicas e privadas, pedidos feitos por moradores e doenças. De acordo com o levantamento, 621 árvores morreram, nesse período.

Na CBN, o secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge disse que, às vezes, a retirada das árvores é inevitável e quando isto ocorre é exigida a compensação ambiental, mas que ele tem feito o possível para impedir a derrubada: “Realmente, a gente tem de ter corte, infelizmente. Eu digo, não, não, não, as pessoas ficam até bravas comigo, mas às vezes é preciso dizer sim”.

Sem levar em consideração que os números se referem ao ano de 2011, o secretário comentou à rádio que um dos motivos que levaram ao aumento no corte de árvores foi a obra da Marginal Tietê, ocorrida entre 2009 e 2010. Ele calcula que havia cerca de 4.900 árvores na região e cerca de 1.000 tiveram de ser removidas, mas que para autorizar a derrubada, o Governo do Estado foi obrigado a plantar 160 mil árvores.


Ouça aqui a reportagem de Guilherme Salviatti e a entrevista com o secretário Eduardo Jorge

A justificativa não ameniza a crítica de Heitor Marzagão Tommasini, do Defenda São Paulo, que tem relatado as perdas ambientais sofridas pela cidade nas últimas décadas. Em e-mail que me encaminhou, o arquiteto lembra que “o Atlas Ambiental (2001) demonstrou que durante 1991 e 2000 foram suprimidos 5.345,64 hectares de área verde na cidade, equivalente a 35 Parques do Ibirapuera”.

Árvore seca

Marzagão considera um equívoco a ideia de a compensação ambiental ser feita, na maioria das vezes, em áreas distantes do local que foram retiradas. Apesar de concordar com a proposta de se privilegiar regiões que não têm árvores, comenta que “onde foram suprimidas áreas verdes e vegetação arbórea há efetiva perda ambiental – por isso os impactos são chamados de vizinhança”.

Além disso, reclama da forma como a reposição é realizada: “A prefeitura informa que plantou milhares de mudas, mas o que vemos são milhares de mudas morrendo. São plantadas muito próximas, sem fazer a cova de forma correta, não fazem a rega necessária. Considero que simplesmente plantar mudas sem a técnica devida é condená-las à morte”.