Mundo Corporativo: IA no WhatsApp permite atendimento 24 horas, afirma Guilherme Horn

Guilherme Horn, WhatsApp
Guilherme Horn no estúdio do Mundo Corportivo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Precisamos todos experimentar essa tecnologia.”

Uma mãe no interior da Índia, sem acesso à educação formal, passou a ajudar os filhos nas tarefas escolares com o apoio da inteligência artificial disponível no WhatsApp. Fotografava as lições de casa e pedia para a IA explicar o conteúdo. O recurso funcionou como um professor particular, gratuito e acessível a qualquer hora. Entusiasmada, ensinou outras mães a usar essa tecnologia. Meses depois, o professor da escola em que as crianças estudam disse que jamais havia visto um avanço tão significativo no desempenho dos alunos. 

A história que abre o livro “O Midset da IA — Ela pensa, você decide” (Gente), foi, também, a que escolhi para iniciar a entrevista com o autor do livro Guilherme Horn, head do WhatsApp para Mercados Estratégicos. O exemplo revela de forma concreta, como a IA já altera rotinas e amplia possibilidades, tema da nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Redesenhar processos é onde está o valor

Nas empresas, a inteligência artificial ainda está em diferentes estágios de adoção, segundo Horn que é responsável no WhatsApp pelos mercados do Brasil, Índia e Indonésia. Parte das organizações começa pela automação de tarefas já existentes. É um primeiro movimento, mas não resolve o principal. “O valor tá quando você começa a redesenhar os seus processos”, disse Horn. 

Na prática, isso significa mudar a forma de trabalhar. Um exemplo citado por ele ajuda a visualizar esse cenário: empresas já criam agentes digitais que representam executivos e funcionários. Esses agentes analisam informações, trocam dados entre si e tomam decisões preliminares. Reuniões podem deixar de existir porque o debate acontece antes, de forma digital e assíncrona.

Esse modelo altera custos, tempo e dinâmica de trabalho. Ao mesmo tempo, exige um limite claro. “A execução pode ser transferida para IA, mas o julgamento ainda deve ser do ser humano.”

Medo, substituição e novas funções

O receio de perda de emprego aparece com frequência quando o tema é inteligência artificial. Horn reconhece esse temor: “A substituição, ela vai acontecer, é inevitável.” Ele observa, no entanto, que novas funções já surgem. Profissionais que treinam sistemas, definem contexto e orientam o uso da IA passam a ser necessários. O movimento segue uma lógica conhecida: algumas atividades desaparecem, outras são criadas. 

A mudança também atinge quem já está no mercado. “Vai ter que sair da sua zona de conforto, vai ter que aprender um pouco sobre a tecnologia.” Hoje não se imagina um profissional sem domínio básico de ferramentas digitais, por exemplo uma planilha eletrônica. Em pouco tempo, o mesmo deve ocorrer com a inteligência artificial.

O risco de produtividade ilusória

O aumento de produtividade, frequentemente associado à IA, ainda não é uniforme. Em muitos casos, há uma expectativa maior do que o resultado. “Às vezes é uma ilusão esse aumento de produtividade.”

O motivo é simples. Parte do tempo ainda é gasto ensinando a ferramenta a executar tarefas. Em algumas situações, fazer manualmente pode ser mais rápido. Esse cenário tende a mudar com o amadurecimento do uso e das ferramentas.

Pequenos negócios e operação 24 horas

No caso de pequenas empresas, o uso da inteligência artificial já traz efeitos diretos. O WhatsApp, por exemplo, permite a criação de agentes treinados com informações do próprio negócio. O empreendedor pode alimentar o sistema com catálogo de produtos, histórico de conversas e regras de atendimento. Com isso, passa a oferecer respostas automáticas e personalizadas.

Horn destaca um ponto prático: “Transformar o seu negócio em 24/7”. O atendimento deixa de depender do horário comercial. O cliente envia uma mensagem e recebe resposta imediata, mesmo fora do expediente. Essa disponibilidade amplia a chance de fechar negócios.

A relação com o consumidor também muda. Sistemas tradicionais, baseados em menus e opções limitadas, tendem a perder espaço. “O consumidor quer conversar com uma pessoa.”

A inteligência artificial permite respostas mais próximas da linguagem humana. Em vez de escolher entre alternativas, o cliente descreve o problema e recebe uma solução específica. Essa diferença reduz frustração e melhora a experiência.

Experimentar é a principal recomendação

Para quem ainda observa a tecnologia com distância, a orientação é direta: testar. “A palavra-chave nesse momento é experimentação.” O acesso a ferramentas gratuitas facilita esse processo. Criar um agente simples, testar aplicações e entender limites são passos necessários para acompanhar a transformação.

A mudança não depende apenas de tecnologia. Lideranças precisam criar ambiente que aceite erro como parte do aprendizado. Horn lembra que inovação envolve tentativa e falha — e que esse ciclo precisa ser incorporado à cultura das empresas.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Wender Starlles, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

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