Por Maria Lucia Solla

Olá,
pensa comigo:
O cidadão trabalha numa empresa de transporte público, motorista ou cobrador, apenas para citar os visíveis. Recebe seu salário do dono da empresa, que por sua vez,recebe o seu $$, do governo, seja ele qual for, de qual partido for. Certo?
Por partes, para eu não me confundir:
O governo, seja ele qual for, de que partido for, paga os donos da frota de veículos com o teu e o meu dinheiro, de um imposto escrachante*, com dinheiro dos que utilizam o dito transporte, e dos que não o utilizam.
Se você está sentado numa cadeira confortável, lendo este meu desabafo, se dirige um carro importado ou uma charanga qualquer, também paga pelo transporte público, seja ele qual for.
Portanto, esse assunto é do teu interesse e do meu, e não devemos apenas olhar de esguelha e dizer: oh! que horror! sentados em nossas poltronas assistindo à tragédia pela tevê, internet, ou seja lá de que tipo de geringonça for.
Ora, ainda para que eu possa manter o raciocínio nesse assunto que me é tão espinhoso:
Os funcionários das ditas empresas de transporte público não estão contentes com sua situação. Estão perigosos da vida com seus patrões – donos das empresas e do… ooops, quero dizer e com o governo. Seja lá qual for, de que partido for. Não podemos, de forma nenhuma, nos esquecermos de que eles são também cidadãos, que também pagam seus impostos e que, portanto, pagam parte do próprio salário e do $$ dos seus patrões. Certo?
Sou a favor da greve. Direito à greve é uma conquista do trabalhador; um direito que deve ser mantido e respeitado. Um soco no bolso do cara que não faz bem a sua parte.
Tenho uma singela sugestão aos grevistas de plantão.
Tomem seu banho de manhã, um bom café e vão trabalhar. sorrindo. Tomem respeitosamente seus assentos nos ditos veículos e recebam com bem os passageiros.
Komo açim, malu?
Elementar. É só não cobrar a passagem dos passageiros.
Olha que beleza. Em vez de vermos uma cidade em guerrilha, povo infeliz, e nem preciso descrever porque você está cansado de ver, veremos um povo contente, solidário com os funcionários grevistas, uma cidade inteira se unindo para verificar onde está o nó.
Afinal, os investidores dessa parafernália toda somos Eles: você e eu.
Ou não?!
* “Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho, um riacho de amor…” em Não existe pecado ao sul do Equador, de Chico Buarque e Ruy Guerra
Maria Lucia Solla é nossa escritora de todo domingo, que se deu folga porque sabe mais do que ninguém quando precisa, mas que diante do que assiste nas cidades nos deu uma bela chance de lê-la nesta segunda.









