Mundo Corporativo: se você não se reinventa todo dia, você morre, diz Janyck Daudet, do Club Med

CEO do Club Med em entrevista ao Mundo Corporativo Foto de Priscila Gubiotti

“Hoje em dia, não é mais ‘management top down’. São eles embaixo que mandam. A gente ouve muito eles. Mas a exemplaridade é essencial neste tipo de trabalho”.

Janick Doudet, CEO Club Med na América do Sul

Freundlichkeit,, gentillesse ou kindness. Seja em qual for a língua, gentileza deve fazer parte do vocabulário dos funcionários que atuam nos 26 países em que existem unidades do Club Med. Os integrantes da equipe dos resorts, não por acaso, são chamados G.O — Gentis Organizadores. Para Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América do Sul, entrevistado no Mundo Corporativo, da CBN, exercitar a gentileza é essencial para que se ofereça a melhor experiência possível aos clientes.

“(gentileza) é importante e faz parte dos valores do Club. Como todas as empresas, o Club Med tem vários valores: responsabilidade, pioneirismo, etc, etc, etc e gentileza. Porque no final, nosso cliente quer passar férias inesquecíveis”. 

No Brasil, Janyck está à frente das operações de três resorts: em Rio das Pedras (RJ), Trancoso (BA) e Mogi das Cruzes (SP). No ano que vem, será entregue uma quarta unidade, em Gramado, na serra do Rio Grande do Sul. A convivência harmônica e produtiva entre colaboradores de cerca de 25 nacionalidades diferentes é um dos desafios do executivo. Ele enfatiza a importância de criar um ambiente de trabalho que respeite e celebre essa diversidade cultural, criando uma “família” corporativa unida não por laços sanguíneos, mas por valores compartilhados e objetivos comuns.

“A noção de respeito para mim é muito importante. Quando você dirige uma empresa, você tem de respeitar a cultura de cada um e estar sempre ouvindo as pessoas.” 

Inovação constante: a chave para o futuro

Num mundo em constante transformação, onde a inteligência artificial e a globalização redesenham os contornos do mercado de trabalho e do lazer, Janyck traz luz sobre como liderar com sucesso em um setor tão dinâmico como o turismo. Em um trecho impactante de sua fala, este francês de nascença, que está na empresa há 40 anos e no Brasil, desde 1996, sem jamais perder o sotaque de origem alerta:

“Se você não se reinventa todo dia, você vai morrer, porque o mundo já passa muito rapidamente e a inteligência artificial, hoje, faz com que a coisa acelere ainda mais. Então, você tem de se reinventar todos os dias”. 

Essa necessidade de inovação constante é particularmente crítica no turismo, um setor altamente competitivo e afetado por mudanças rápidas em tecnologia e comportamento do consumidor. A pandemia do COVID-19, por exemplo, foi um lembrete brutal da fragilidade do mercado; apenas aqueles prontos para adaptar-se e inovar poderiam esperar sobreviver e prosperar. Para Janick, adaptar-se é mais do que uma estratégia; é uma filosofia de vida que ele instila em sua equipe, garantindo que o Club Med continue a ser um líder no setor de turismo global.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Na entrevista, Janick Doudet também falou sobre o momento do turismo brasileiro, as barreiras para o crescimento do setor no Brasil, a sustentabilidade nos negócios, os novos projetos da empresa e o seu desenvolvimento na carreira:

Saiba quais os cuidados para investir em ‘franchising’, mesmo com o crescimento supreendente do setor, em 2023

Você já pensou em empreender, mas fica indeciso sobre qual caminho seguir? Talvez seja hora de explorar o mundo das franquias, um segmento que tem se destacado no cenário econômico brasileiro. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising surpreendeu as expectativas e registrou um crescimento significativo de 13,8% em 2023, atingindo um impressionante faturamento de R$ 240,661 bilhões.

Esse crescimento não é apenas uma estatística, mas sim o reflexo de uma tendência consolidada de mercado. Com mais de 1,7 milhão de empregos diretos gerados e um aumento de 7,1% nesse aspecto, as franquias se destacam como uma fonte sólida de oportunidades de negócios e crescimento profissional.

Dentre os diversos setores que compõem o universo das franquias, alguns se destacaram ainda mais no último ano. Segmentos como Alimentação – Food Service, Saúde, Beleza e Bem-Estar, e Hotelaria e Turismo registraram desempenhos excepcionais, com crescimentos que superaram os 15%. Isso evidencia a diversidade e a adaptabilidade do modelo de franquia a diferentes nichos de mercado.

Por trás desses números impressionantes, há uma série de fatores que impulsionaram esse crescimento. A melhora do cenário macroeconômico, a adoção de práticas mais eficientes e a digitalização dos negócios são apenas algumas das razões que contribuíram para o sucesso do setor, de acordo com os representantes da ABF. Além disso, a capacidade de adaptação das franquias, tanto em relação aos modelos de negócio quanto às demandas dos consumidores, demonstra a resiliência e a versatilidade desse modelo empresarial.

Entenda os desafios do “franchising’

No entanto, é importante destacar que, apesar das oportunidades promissoras, existem desafios a serem enfrentados. Questões como os impactos da pandemia, a pressão de custos e a complexidade do ambiente de negócios no Brasil ainda representam obstáculos para os empreendedores. É essencial estar preparado para enfrentar esses desafios e buscar soluções criativas e inovadoras para superá-los.

Para aqueles que estão considerando ingressar no mundo das franquias, é fundamental tomar precauções e realizar uma análise criteriosa antes de tomar qualquer decisão. Avaliar a marca, o modelo de negócio, o suporte oferecido pelo franqueador e o potencial de mercado são passos essenciais para garantir o sucesso do empreendimento.

Em uma entrevista que fiz no Mundo Corporativo com Sidney Kalaes, líder de um grupo que reúne marcas de franquia, é importante olhar para dentro de si antes de empreender. Não se trata apenas de seguir ordens, mas sim de seguir padrões. As franquias oferecem segurança aos empreendedores, mas é necessário estar preparado para colaborar e seguir os padrões estabelecidos.

É fundamental que os franqueados e os franqueadores trabalhem em parceria, como ressaltou Kalaes. Os franqueados têm ideias valiosas e os franqueadores precisam ter humildade para ouvi-los e aproveitar esse potencial. Essa parceria é essencial para garantir que o negócio alcance todo o seu potencial e proporcione o retorno esperado.

Leia essas dicas e faça um bom negócio

O nosso saudoso colega Carlos Magno Gibrail, em um dos artigos escritos neste blog, usou de sua experiência no setor e traçou dez dicas (e mais uma) para o sucesso da franquia: 

1.Reflexão – Se você já teve negócio próprio e quebrou, ou já ocupou alguma posição de Direção e tem bom nível de cumprimento de regras, tem as condições ideais.

2.Casamento de perfis – Você não tem que fazer o que gosta, mas tem que gostar do que faz.

3. Capacidade financeira – É preciso verificar o valor do investimento, o fluxo de caixa, o retorno, a sua necessidade mensal, para saber se possui o capital próprio. Não financie.

4. O Ponto Comercial – Depois da franquia em si, é o item mais importante do seu negócio. Atente para a localização e a contratação.

5. Concorrência – Analise os concorrentes mas considere que quanto à localização a existência de cluster pode ser positiva. Até mesmo multimarca não é ameaça, mas divulgação da marca, que você como franqueado sempre terá mais opções.

6. Franqueador – Procure saber os números financeiros, mercadológicos e operacionais, mas use o expediente do cliente misterioso.

7. Franqueados – Para conhecer é preciso desconsiderar os franqueados extremos. Os apaixonados e os indignados. Faça o cliente misterioso nas lojas.

8. Circular de Oferta e Contrato – Esqueça parentes, amigos e conhecidos, contrate um advogado especialista.

9. Decisão – A decisão tem que ser racional. Nunca por impulso.

10. Responsabilidade – Foque na sua responsabilidade. Não descumpra e nem extrapole. Ideias novas devem ser levadas ao franqueador. Steve Jobs seria um péssimo franqueado.

10+1 Perda do Ponto Comercial – Uma das causas é a não manifestação no prazo legal estabelecido no Contrato de Locação e/ou não renovação do seguro. Atente para este detalhe simples, mas causador de dissabores fatais.

E você, diante dos números e dos alertas, pensa em investir em franquia ou prefere partir para um negócio próprio?

Mundo Corporativo: a jornada de resiliência e autodescoberta de Leonardo Simão

Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação” 

Leonardo Simão, empreendedor

No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.

O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.

“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.

A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.

“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.

Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.

Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.

“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.

Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.

Assista à entrevista com Leonardo Simão

A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como fica o cliente diante da fusão que remodela o mercado da moda brasileira

Foto de cottonbro studio

“A ambição que está por trás (dessa fusão) é garantir no fundo perenidade e geração sustentável de valor do negócio”

Cecília Russo

Em um movimento sem precedentes no mercado da moda brasileira, a fusão entre os grupos Arezzo Co. e Soma promete redefinir o panorama nacional, unindo mais de 30 marcas sob um único “guarda-chuva”. Este evento foi o centro das atenções no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN. A união destas gigantes não apenas sinaliza um novo capítulo para o setor, mas também levanta questões importantes sobre o futuro do branding, da perenidade dos negócios e, mais crucialmente, do impacto sobre o consumidor.

Cecília Russo destaca a magnitude deste acordo, citando a expectativa de que as receitas brutas da fusão vão ultrapassar ou chegar perto de 12 bilhões de reais: 

“Uma das falas dos líderes, o Alexandre Birmann, diz o seguinte: “nós tivemos diversas marcas e sempre crescemos, com a soma não será diferente”. As possibilidades de crescimento são ainda maiores”

A discussão levantada pelos comentaristas não se limita ao crescimento e às sinergias operacionais esperadas dessa fusão. Ela se aprofunda nas implicações para o consumidor, seja em termos de diversidade de escolha, qualidade dos produtos ou mesmo identidade das marcas envolvidas. 

Jaime Troiano expressou a preocupação pela ausência de falas sobre como ficará o cliente diante desta fusão. E foi buscar nas redes sociais a reação do público que variou desde o otimismo com a capacidade da união em “levar a moda brasileira para o mundo”, até preocupações sobre a perda de identidade das marcas e os possíveis impactos negativos de um mercado menos competitivo: 

“No fundo, fala-se muito de marcas serem ‘consumer centric’, que o consumidor tem de estar no centro dos planos de uma empresa; ou seja, guiadas por ele. Mas na hora de falar de um mega negócio que tem esse valor a partir da relação construída, fala-se muito pouco do consumidor”

Cecília Russo, por sua vez, enfatiza a importância de manter o consumidor no centro dessas transformações, argumentando que “só constrói marca forte quem entende de gente”. O que nos remete a ideia de que há a necessidade de uma abordagem mais humana e centrada no cliente em meio às estratégias corporativas.

A marca do Sua Marca

A essência desse comentário reside na importância de colocar o consumidor no centro das decisões empresariais, especialmente em meio a fusões e aquisições que têm o potencial de alterar drasticamente o mercado. A transparência, a comunicação eficaz e a manutenção da essência de cada marca sob a nova estrutura corporativa são cruciais para mitigar as preocupações e especulações dos consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, que trazem análises profundas e debates sobre os mais recentes fatos no mundo do branding e do marketing. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: Joildo Santos, da Cria Brasil, revela o potencial das favelas

Joildo Santos grava o Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“Quando a gente investe em desenvolver as favelas a gente está investindo na na sociedade inteira, não é só uma questão de marketing ou de publicidade para a empresa que está envolvida”

Joildo Santos, Cria Brasil

O potencial econômico das favelas e periferias do Brasil, estimado em cerca de 200 bilhões de reais e envolvendo aproximadamente 20 milhões de pessoas, representa uma fonte significativa de oportunidades empreendedoras e de consumo. Esta revelação é de Joildo Santos, CEO da Cria Brasil, agência de comunicação dedicada às periferias. 

O Consumo Diversificado nas Favelas

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Joildo destacou o papel fundamental das comunidades na economia. Ele ressaltou que, apesar dos estereótipos, os moradores das favelas consomem uma vasta gama de produtos, desafiando a visão limitada que muitas vezes é projetada sobre eles. “As pessoas consomem de tudo”, afirmou, indicando a diversidade de necessidades e interesses presentes nestas áreas.

“Só com a convivência é que a gente vai diminuir as distâncias. Eu não posso querer mudar a vida das favelas só com as favelas, só com as lideranças que estão ali. Eu preciso que a sociedade como um todo se envolva com isso. Eu preciso que os empresários vejam o potencial econômico ali; que o poder público faça intervenções que possam ajudar a população”

A trajetória da Cria Brasil, iniciada com a publicação do jornal “Espaço do Povo”, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em 2007, ilustra um esforço contínuo para redefinir a narrativa em torno das favelas, promovendo uma imagem mais complexa e positiva que vai além das questões de violência e calamidade frequentemente associadas a esses locais. A agência se desenvolveu ao longo dos anos, expandindo suas operações para além da comunicação comunitária, englobando a produção de conteúdo e a prestação de serviços para clientes dentro e fora das favelas. Esta evolução culminou na mudança de nome para Cria Brasil em 2020, refletindo uma visão ampliada de seu papel e alcance.

Exemplos de Empreendedorismo Transformador

Joildo criticou a representação estereotipada das favelas na mídia e na publicidade, argumentando que tais imagens não capturam a rica diversidade e o dinamismo dessas comunidades. Ele citou exemplos de inovação e empreendedorismo que surgiram das favelas, como a Favela Brasil Express, uma iniciativa de logística de última milha criada em Paraisópolis para melhorar o acesso dos moradores ao e-commerce. “Isso leva a renda para o entregador que conhece o território e também traz cidadania”, explicou, destacando o impacto positivo dessas iniciativas na vida cotidiana dos moradores das favelas.

Além de discutir os desafios enfrentados na ampliação de suas operações e na luta contra preconceitos, Joildo abordou a importância de ações sociais bem planejadas e sustentáveis pelas empresas, criticando as abordagens superficiais que buscam mais benefícios de imagem do que impactos reais nas comunidades. Ele também compartilhou ideias sobre o engajamento da Cria Brasil em projetos específicos, como a produção de conteúdo para grandes empresas, e enfatizou a necessidade de colaboração entre as favelas, o setor privado e o governo para promover mudanças sociais significativas.

A entrevista de Joildo Santos ao Mundo Corporativo oferece uma perspectiva valiosa sobre o potencial inexplorado das favelas e periferias do Brasil, desafiando as narrativas convencionais e destacando o papel crucial dessas comunidades na inovação, no empreendedorismo e no desenvolvimento econômico.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Sérgio Zimerman, da Petz, revela as transformações e o futuro do mercado pet no Brasil

Séregio Zimerman em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Se alguém acha que isso é uma onda, está absolutamente equivocado. Isso aqui, na verdade, é o início de uma grande mudança em como tratar o pet”

Sérgio Zimerman, PETZ

O mercado pet no Brasil é um universo em constante expansão, representando um dos cinco maiores do mundo. E o que explica esse poder é o amor que os brasileiros têm pelos animais de estimação, na opinião de Sérgio Zimerman, CEO e fundador da Petz. À frente da maior rede de lojas do setor no país, ele destacou ainda a tendência crescente da humanização desses animais, que hoje são vistos como membros da família.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Sérgio Zimerman compartilhou sua jornada de empresário e falou da importância de se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades dos consumidores. Ao refletir sobre a evolução do setor nos últimos 20 anos, Sérgio lembra que as pessoas passaram a entender que o cachorro não era mais o animal para ficar no quintal latindo e espantando as pessoas que se atrevessem a chegar perto. Os pets começaram a frequentar outras dependências da casa e estão na cama do quarto. 

“As crianças que nasceram nos últimos 10, 20 anos são crianças que estão vendo a naturalidade do pet indo para o restaurante, indo para o hotel, sendo tratado com todos os cuidados veterinários e cuidados de higiene. Essas crianças vão casar, vão ter filhos e, seguramente, essa memória afetiva vai retroalimentar esse movimento da humanização do pet”. 

O empresário lembra da primeira experiência profissional quando teve um fusca roubado e com o cheque do seguro decidiu comprar uma fantasia de palhaço para ele e para a namorada. Foi quando começou a trabalhar com animador de festas infantis. Depois do personagem divertido se aventurou nas barraquinhas de cachorro quente, pipoca e algodão doce, trabalhou em uma adega e no setor de atacado de alimentos e perfumaria. Foi, então, que teve o “privilégio de falir”:

“Eu digo o privilégio no sentido do aprendizado. É privilégio porque eu escolhi que fosse um privilégio ver aquele insucesso se transformado numa fonte de aprendizado, numa fonte de reflexões para que no próximo negócio eu pudesse usar. E esse próximo negócio veio ,foi justamente o mercado pet”.

Hoje, a Rede Petz tem cerca de 250 lojas no Brasil e 40% das suas vendas são online, modelo que cresceu de forma exponencial durante a pandemia e segue se expandindo. O mercado de produtos para cachorros ainda é o maior, porém o de gatos tem se destacado de forma considerável, constatou Sérgio Zimerman. 

Dentre os pontos cruciais para o sucesso da rede de lojas, o empresário fala da importância de se saber contratar profissionais de qualidade:

“Um dos grandes aprendizados de vida empresarial que eu tive foi que para crescer e tornar o que a Petz ficou, eu precisei ter a clareza de contratar gente muito melhor que eu,”

Falando sobre a evolução do negócio, Sérgio comenta sobre a necessidade de adaptar-se às demandas do consumidor. Ele observa que a indústria pet tem evoluído com alimentos de melhor qualidade, refletindo o cuidado dos tutores com a longevidade e a saúde de seus animais. 

“Hoje, os pets vivem notoriamente melhor e mais”

Sobre o desafio de gerenciar diferentes aspectos do negócio pet, Zimmerman destaca a importância de ter uma equipe competente e diversificada

“Eu tive algum mérito nessa história [foi] saber contratar pessoas que flagrantemente eram melhores do que eu no que se propunham a fazer,” explica ele.

A entrevista também aborda os desafios enfrentados pelo setor pet e pelo varejo em geral, incluindo questões tributárias e a concorrência com plataformas internacionais. Sérgio destaca a importância de políticas que apoiem empresas locais, em vez de favorecerem importações que não geram empregos ou impostos no Brasil.

Finalizando, o empresário oferece um conselho valioso para aspirantes a empreendedores no setor pet: 

“Se você pensar em ter um negócio, primeiro responda a seguinte pergunta: por que eu, como consumidor, compraria no seu comércio ou no nosso prestador de serviço? Se você não conseguir dar uma boa resposta para isso, não gaste o seu dinheiro.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, todas às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingo, às dez noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Lara Folster, da Lanche&Co, ensina como criar uma empresa a partir de propósitos e oportunidades

Reprodução do vídeo da entrevista no Mundo Corporativo

“A Lanche&Co surgiu dessa vontade e dessa certeza para mim de que é possível mudar várias coisas no nosso planeta e no mundo através da alimentação” 

Lara Folster, Lanche&Co

“Mamãe, quero ficar com a boca laranja como a minha coleguinha”. Foi a fala do filho de três anos que motivou Laraa criar um negócio próprio, em 2012. O menino estava entusiasmado com o efeito provocado por “salgadinhos de presunto” que a amiga levava para o lanche da sala de aula. Enquanto a mãe dele ficou preocupada com o tipo de alimento que os alunos tinham à disposição na cantina da escola. Diante dessa situação, Lara, teve a ideia de unir a habilidade com a cozinha e seu desejo de oferecer refeições saudáveis às crianças. Lara Folster, entrevistada do programa Mundo Corporativo, na CBN, hoje comanda a Alimento&Co que têm cozinhas que produzem e fornecem “alimento de verdade” em 11 escolas do estado de São Paulo. 

Na entrevista, Lara compartilhou sua jornada desde a dor materna que a impulsionou até a criação de um negócio de sucesso baseado em seus valores e propósito: 

“Vi essa fragilidade e eu falei: ‘acho que a gente pode juntar as duas coisas, o que eu amo fazer que é cozinhar — hoje, cozinho bem menos do que eu gostaria —, levar a cozinha para dentro da escola, e fazer da parte do refeitório escolar um momento de aprendizado, um momento de levar também conhecimento dentro da escola”

Comida de Verdade na Escola: Transformando o Cardápio Escolar

Lara diz que a Lanche&Co oferece “comida de verdade”, feita diariamente nas escolas e faculdades. Com uma abordagem inovadora, a empresa monta cozinhas industriais dentro das instituições de ensino e prepara refeições frescas e saudáveis, evitando alimentos superprocessados. A fundadora enfatizou a importância de ensinar às crianças a fazerem escolhas alimentares saudáveis desde cedo.

Da Dor Materna ao Empreendedorismo com Propósito

O ponto de partida para a criação da Lanche&Co, como dissemos, foi a angústia de ver seu filho exposto a alimentos ultraprocessados na escola. O que sentiu foi potencializado pelo conhecimento que havia desenvolvido em institutos de culinária, em Nova Iorque, e na participação do projeto Food Revolution, de Jamie Oliver. Diante da necessidade de mudar aquela realidade, ela decidiu montar uma equipe que compartilhasse seus valores e conhecimentos, neste que foi seu primeiro empreendimento. A vivência com seus pais, que trabalham na área da educação, também colaborou para a iniciativa.

Da Cozinha à Liderança Empresarial

Lara contou como passou da atuação na cozinha para se tornar uma empreendedora. Ela enfatizou a importância de formar uma equipe diversificada, que seguisse sua visão e pudesse transmitir os valores da empresa para as escolas e clientes. Sem experiência na área de gestão, juntou-se a profissionais com conhecimento: “gente que conhece mais do que eu”, comentou. Começou com um plano de negócio bastante simples que foi ganhar robustez logo depois da pandemia quando percebeu que o negócio poderia se expandir. A parceria com uma rede de ensino fez com que ela criasse uma segunda empresa, a Garden.

Ao adotar uma abordagem inclusiva, Lara valoriza mães e mulheres em sua equipe, reconhecendo a importância de criar um ambiente de trabalho acolhedor e empoderador. Sua equipe tem 70 pessoas majoritariamente mulheres. E se em muitos locais de trabalho ser mãe se transforma em uma barreira, na Alimento&Co passa a ser um bônus:  

“Eu tenho muitas mães solo que trabalham com a gente. A independência delas, a autonomia — muitas que sofreram relacionamentos abusivos — é importante para que elas se sintam acolhidas dentro da nossa empresa. Eu sou mãe e vou sempre puxar sardinha para o meu lado, para essa (questão da) maternidade e o quanto elas precisam ser reconhecidas, serem admiradas e serem independentes com todas as escolhas que elas quiserem fazer”.

Desafios e Futuro da Lanche&Co

À medida que a LancheCo continua a expandir, Lara enfrenta o desafio de manter seu propósito e valores em um cenário de crescimento. Ela destacou a importância de ter uma equipe sólida e treinada, capaz de transmitir a cultura da empresa para diferentes escolas. A fundadora também falou sobre os desafios de equilibrar propósito e lucratividade, especialmente em um mercado onde alimentos mais saudáveis podem ter um custo inicial mais elevado.

O Caminho pela Frente

Lara compartilhou seus planos para o futuro, incluindo a expansão para outras regiões do Brasil, além do Estado de São Paulo. Ela reforçou seu compromisso em seguir oferecendo alimentos de qualidade e conscientização alimentar, mesmo que a empresa cresça como prevem nos planos que estão discutindo neste momento.

A entrevista com Lara Foster trouxe à tona a importância de unir propósito, paixão e conhecimento em um negócio. Através de seu empreendedorismo centrado na alimentação saudável para crianças, Lara está fazendo uma diferença duradoura na vida das famílias e no futuro da saúde infantil.

Assista à entrevista completa, no Mundo Corporativo, que tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen:

Mundo Corporativo: Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, destaca o papel do empreendedorismo na transformação da indústria do seguro

Foto de Pricila Gubiotti

“Somos uma companhia de mais de 100 anos e mais de 3 milhões de clientes, mas o DNA é empreendedor porque a gente entende que  tem que reinventar nosso negócio a cada ciclo para atender aquele cliente que está mudando”.

Patrícia Chacon, Liberty Seguros

Construir uma visão empreendedora nas suas equipes de trabalho é uma das soluções que grandes empresas têm encontrado no sentido de dar maior autonomia aos colaboradores. Aplicado esse mesmo conceito na relação com os parceiros de negócio, cria-se um ambiente de colaboração e compartilhamento de conhecimento. É no que acredita Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, entrevistada do terceiro episódio da série sobre empreendedorismo, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Na nossa conversa, Patrícia detalhou a importância da parceria com os corretores, o papel do empreendedorismo na transformação da indústria de seguros e como a visão empreendedora está sendo incorporada dentro da própria empresa. Esse olhar tem forte ligação com a história da própria executiva que saiu de Quito, no Equador, aos sete anos e foi estudar nos Estados Unidos, onde se formou em Economia. Ainda durante o curso superior, Patrícia foi para Gana, na África, atuar em projetos de empreendedorismo feminino ajudando as microempreendoras a se desenvolverem. Ao se formar, retornou ao Equador e trabalhou em projetos de apoio a pequenos agricultores para capacitá-los nas negociações com grandes empresas, o que se transformou em inspiração para ela quando assumiu cargo executivo na Liberty.

Parceria com corretores

Patrícia destacou que os corretores desempenham um papel crucial na distribuição dos seguros da Liberty Seguros, e a relação vai além de apenas parceria comercial. A empresa não apenas compartilha produtos, mas também colabora na criação de soluções personalizadas, baseadas em tendências e necessidades identificadas pelos corretores. Essa co-criação resultou em produtos como a marca de seguro “Aliro”, com valores mais baixos, a medida que os corretores percebiam que havia dificuldades financeiras que impediam os clientes de renovar ou fazer um novo seguro. A marca foi lançada em conjunto com os corretores e alcançou grande sucesso:

“A Aliro já vendeu na Liberty mais de 1 milhão de apólices e 50% dos clientes não tinham seguro antes”

Empreendedorismo como transformação

Para a CEO da Liberty Seguros o empreendedorismo, que hoje faz parte da essência da empresa com mais de 100 anos, envolve constantemente resolver as necessidades dos clientes e a capacidade de reinventar o negócio para atender às mudanças do mercado. Ela compartilhou exemplos de como a empresa se adaptou rapidamente a desafios, como a inflação, usando a metodologia ágil para capturar tendências e reagir de maneira eficaz.

Metodologia ágil e cultura empreendedora

A implementação da metodologia ágil na Liberty Seguros começou com treinamento intensivo da liderança. Patrícia explicou que o processo envolveu a criação de equipes multifuncionais, chamadas de “squads”, que têm autonomia para definir metas e soluções, com a liderança dando suporte e removendo barreiras. Essa abordagem, embora desafiadora, permitiu uma maior agilidade na adaptação às mudanças do mercado.

Visão empreendedora interna

A visão empreendedora não se limita aos corretores, mas também é aplicada internamente, de acordo com Patrícia. Ela ressaltou que os colaboradores são incentivados a ter essa mentalidade empreendedora, identificando desafios e oportunidades de negócios, e contribuindo para a inovação da empresa. A liderança fornece direção clara e metas, enquanto os times empoderados trabalham juntos para encontrar soluções e impulsionar o crescimento.

“A gente tem assim a grande satisfação de, em 2022, termos sido nomeadas como uma das dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Isso é motivo de muito orgulho para nós porque veio com o resultado financeiro, também. Então, acho que uma combinação que faz sentido”.

Em dez anos, a seguradora triplicou o seu tamanho passando de um faturamento de R$ 1 bilhão para R$ 3,3 bilhões — resultado registrado no primeiro semestre deste ano. O lucro líquido cresceu 15 vezes e está em R$ 320 milhões, o que, segundo Patrícia, permite que a empresa invista até R$ 100 milhões em tecnologia, o que tende a trazer mais benefícios aos corretores e clientes.

Iniciativas para empoderamento

A Liberty Seguros também implementou iniciativas para apoiar o crescimento dos corretores e seus negócios. Patrícia mencionou a importância de fornecer conhecimento e ferramentas, como treinamentos sobre tendências digitais e tecnologias de marketing. A empresa desenvolveu ferramentas que permitem aos corretores venderem nas mídias sociais e até mesmo oferecer cotações de seguros de vida através de links no WhatsApp.

Diversidade e empoderamento feminino

A presença de uma mulher no comando da empresa inspirou ações afirmativas como o programa “Mulheres Seguras”, iniciado em 2015. A intenção é apoiar as mulheres no mercado de seguros, incentivando o empreendedorismo e a liderança. A CEO ressaltou a importância de ter mais mulheres em posições de destaque, servindo como inspiração para outras e contribuindo para a evolução do mercado.

Uma dos desafios do “Mulheres Seguras” foi mudar uma realidade identificada em diversos estudos de que mulheres gostam menos de entrar em negociações o que impacta nos resultados que buscam. 

“Estudos mostram que (a mulher) quando começa numa negociação começa pedindo 30% a menos. A gente começou a apresentar fatos para as corretoras de como elas podiam quebrar um pouco dessas barreiras. O “Mulheres Seguras” foi crescendo e a gente impactou já mais de 5 milhões de pessoas com eventos e conteúdo”.

Outro aspecto destacado por Patrícia é que 45% do corpo executivo da Liberty é formado por mulheres que ocupam cargos de liderança em áreas como tecnologia, talento e assistência. Além disso, ela diz ter orgulho em saber que existem grupos de homens que são aliados neste projeto de fortalecimento feminino.

Você assiste a seguir à entrevista completa com Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros. Toda quarta-feira, o Mundo Corporativo apresenta, ao vivo, no canal da CBN no YouTube, um entrevista inédita. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o poder de conexão das marcas regionais

“Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações das terras onde passei
Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei”

A vida de um viajante – Luiz Gonzaga

No cenário empresarial brasileiro, muitas vezes as marcas que florescem no interior do país permanecem pouco conhecidas nas capitais e grandes metrópoles. Porém, essa discrepância não diminui a força e o impacto dessas marcas regionais. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano, e Cecília Russo mostraram que as marcas do interior do Brasil têm se destacado de maneira notável, conquistando os corações e mentes de seus públicos de forma única.

Marcas regionais aparecem em todos os setores

Ao se aventurarem pelo interior, Troiano e sua equipe constataram um fenômeno interessante: empresas familiares, muitas vezes na primeira ou segunda geração, têm se estabelecido como pilares econômicos e fontes de orgulho nas suas respectivas regiões. Essas empresas, que abrangem setores diversos como educação, agricultura e comércio, têm construído marcas que se tornam parte intrínseca das comunidades locais.

As viagens pelo país têm permitido a descoberta de joias escondidas no vasto território brasileiro. Empresas de arroz e grãos em Goiás, fabricantes de aço no Ceará e redes de shopping centers no Sul estão entre os exemplos notáveis. Essas marcas, mesmo desconhecidas em âmbito nacional ou internacional, se mostram fortes concorrentes, oferecendo produtos e serviços de qualidade que atendem às demandas regionais.

“Essas marcas regionais têm um sentido de pertinência e de engajamento dos colaboradores com a empresa e com a marca maior do que a gente vê, por exemplo, no eixo São Paulo, Rio de Janeiro ..”

Cecília Russo

O orgulho de quem consome as marcas regionais

Ao contrário das grandes cidades, onde a marca da empresa muitas vezes é eclipsada pelo peso dos produtos, nas regiões do interior, o orgulho de fazer parte de algo local e valioso é um motivador significativo para os funcionários. Isso cria um elo mais forte entre a marca e as pessoas que a representam, contribuindo para a lealdade e identificação genuína.

Além disso, as marcas regionais conseguem oferecer valor aos consumidores locais, competindo de igual para igual com marcas nacionais ou internacionais. Isso ocorre, em parte, devido à menor necessidade de investimento em marketing e comunicação. Os laços culturais, familiares e regionais já presentes na comunidade tornam mais fácil a conexão emocional com o público-alvo, reduzindo a necessidade de grandes campanhas publicitárias.

A lição das marcas regionais

Esse fenômeno de sucesso das marcas regionais ressalta a importância do empreendedorismo local e do fortalecimento das raízes culturais. O Brasil é uma nação diversificada, com diferentes realidades e necessidades, e as marcas que reconhecem e atendem essas particularidades têm um espaço valioso no coração dos consumidores.

“Há muito a aprender com as marcas regionais empreendedoras do Brasil”

Jaime Troiano

A valorização do orgulho local, o engajamento com a comunidade e a entrega de valor autêntico aos consumidores são lições valiosas que podem inspirar empresas de todos os tamanhos e setores a construírem relações mais profundas e significativas com seus públicos.

Ouça o comentário completo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Você pode ouvir o programa, ao vivo, no Jornal da CBN, todos os sábados, às 7h50 da manhã:

Mundo Corporativo: Paula Esteves, da Worklover, desvenda o universo do empreendedorismo

Paula Esteves em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“O empreendedor começa sonhando.Então, se eu não entendo o que eu posso sonhar e não identifico qual é esse sonho,  eu nem começo a empreender”

Paula Esteves, Worklovers

O empreendedorismo muitas vezes é visto como um desafio intimidador. No entanto, para Paula Esteves essa jornada representa uma tremenda oportunidade de autodescoberta e realização. Ela compartilha a visão de que, ao alinhar seu empreendimento com seu propósito de vida, os desafios se transformam em pequenas batalhas que impulsionam o crescimento. Paula,  criadora e CEO da Worklover, uma iniciativa voltada para a educação do empreendedor, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, e destacou a mudança de mentalidade necessária, especialmente em uma cultura que muitas vezes valoriza a segurança do emprego tradicional. 

Para ela, também uma empreendedora, ao abraçar a liberdade e responsabilidade que vem com o empreendedorismo, podemos nos conectar verdadeiramente com nosso propósito.

“Empreender tem suas dificuldades, tem seus desafios, mas quando você faz aquilo que é para você, que está conectado com o seu propósito, justifica a razão pela qual você veio para cá, para essa vida. í a coisa fica diferente, aí os desafios, as dificuldades passam a ser pequenos desafios, apenas” 

O Mundo em Transformação

A sociedade está passando por transformações significativas, especialmente no mundo do trabalho. Paula observa que muitos indivíduos estão optando pelo empreendedorismo não apenas por escolha, mas também por necessidade. Isso ocorre à medida que as estruturas tradicionais de emprego se tornam menos previsíveis, levando um número crescente de pessoas a explorar suas paixões e transformá-las em negócios. Pesquisas indicam que mais da metade das pessoas que são demitidas decidem empreender por necessidade. Essa mudança de paradigma exige uma nova abordagem e planejamento, para que os empreendedores possam trilhar um caminho seguro e estruturado.

“O empreendedor não tem espaço para pouca paciência, o empreendedor não tem espaço para quem não tem foco e quer fazer mil coisas ao mesmo tempo, ele não tem espaço para quem não tem coragem e se vitimiza da sua própria vida”.

Educação Empreendedora Estruturada

Paula Esteves aborda essa lacuna educacional por meio da Worklover, oferecendo uma metodologia clara e direta para potenciais empreendedores. Seu “Método P”, baseado nos princípios de marketing de Philip Kotler, oferece uma abordagem abrangente para construir um plano de negócios sólido. Desde a definição do propósito até a construção de metas SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais), o método auxilia os empreendedores a navegar pelos desafios com confiança. Além disso, Paula enfatiza a importância de se livrar de equívocos comuns, como a antecipação de cartão de crédito, que pode prejudicar a saúde financeira dos empreendimentos.

Empreendedorismo com Propósito

Uma das lições mais profundas que podemos extrair da jornada empreendedora de Paula é a importância de alinhar nossas ações com nosso propósito pessoal. Ao refletir sobre sua própria experiência, ela percebeu que a busca por um propósito significativo é a força motriz por trás de uma jornada empreendedora bem-sucedida. Compartilhando sua paixão e conhecimento, Paula busca não apenas educar, mas também inspirar outros empreendedores a seguir seus sonhos com determinação e foco 

Paula destaca o envolvimento da Worklover em projetos sociais, como uma parceria com o G10 Favelas para capacitar e ajudar mulheres em situação de risco a empreender.

Na conversa com Paula Esteves, de desafios transformados em oportunidades a métodos educacionais estruturados, fica evidente que a jornada empreendedora exige coragem, paixão e uma abordagem cuidadosamente planejada. No entanto, ao abraçar nosso propósito e tomar as rédeas de nossas vidas, podemos trilhar um caminho de sucesso e realização.

Assista à entrevista completa com Paula Esteves, CEO da Worklover. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti: